terça-feira, 13 de maio de 2014

Livro vs Filme: A Bússola de Ouro

Foi provavelmente por causa deste livro que surgiu a ideia da série "Livro vs Filme", em uma discussão com uma amiga. Isso porque achamos o filme A Bússola de Ouro legal, até ter a chance de acompanhar as aventuras de Lyra nas páginas e ficarmos muito confusas.

Em um mundo onde os seres humanos possuem manifestações físicas da alma com forma de animais, os dimons. E Igreja e Estado ainda se confundem. Crianças pobres começam a desaparecer misteriosamente. Após perder alguns amigos, Lyra Belacqua, uma curiosa garota de 11 anos de idade, e seu daemon, Pantalaimon, resolvem investigar. A busca pelas crianças vai levá-los à uma jornada mais longe do que se possa imaginar. Com Gypsios, aeróstatas, ursos de armaduras, e claro, um plano maléfico. Mistura fantasia com passagens bíblicas e conceitos complicados de simbologia, física quântica e filosofia. Além de fazer uma crítica aberta (mas não descarada) a instituições religiosas, e mesmo a ciência.


Deixe de lado pequenos detalhes, como personagens que são cortados, trechos excluídos ou encurtados. Pois e versão cinematográfica do roamance de Philip Pullman traz alterações enormes, e infelizmente não fazem muito sentido.

1 - A Grande Inversão
No livro já em meio à sua jornada ao lado dos amigáveis Gypsios Lyra é sequestrada por caçadores de recompensa e levada para Bolvangar, local onde na verdade pretendia chegar. Pois é lá que se suspeita que os vilões mantém às crianças desaparecidas. Depois de causar "muita confusão" e salvar as crianças. Ela segue em busca de seu Tio Lorde Asriel, mas acaba virando refém dos Ursos de Armadura onde com sua habilidade de falar (leia-se lábia), consegue enganar o rei usurpador e restaurar o reinado de seu amigo Iorek Barnison.
Batalha em Bolvangar
No filme, as sequencias narradas brevemente acima são simplesmente invertidas. Simplesmente, porque acharam que a batalha em Bolvangar, seria um climax melhor para o fim do filme. Então sem por razão que desconhecemos os caçadores de recompensa levam Lyra para a terra dos ursos, onde ela restaura o reinado de Iorek. Apenas para obrigá-lo a deixar o reino para ajuda-la a chegar em Bolvangar. Mas, Lyra precisa começar a confusão/resgate das crianças sozinha, então uma fina ponte de gelo gerada por computação gráfica é adicionada ao orçamento, para que Lyra passe e o urso precise dar a volta e chegar apenas para o grande clímax, junto dos Gypsios, feiticeiras e do aerostata.

Realmente a Batalha em Bolvangar é maior, e envolve pessoas, e não apenas personagens em CGI, como ocorre na cena entre os ursos. Mas a inversão, que afasta os leitores e deixa os "não iniciados" com a sensação de que algo não se encaixa, não foi uma boa decisão. Especialmente se considerarmos que nenhuma das cenas é o fim do livro! O que nos leva ao segundo tópico deste texto.

2 - Cadê o fim do livro?
Após as grandes batalhas (independente da ordem em que acontecem), Lyra continua em sua jornada, agora acompanhada por seu amigo Roger, para encontrar seu Tio, o Lorde Asriel. - CUIDADO SPOILERS À FRENTE - Ela o encontra! O estudioso lhes apresenta sua pesquisa, toda a informação sobre o pó e a energia que ele gera, capaz de abrir portas para outros mundos. Infelizmente o cientista resolve deixar a teoria, e cometer um ato terrível para colocar sua experiência em prática. Ele consegue rasgar o tecido do espaço-tempo e atravessa. Horrorizada pelos atos do Tio Lyra decide impedi-lo ela e Pan o seguem pelo rasgo entre mundos.

Sim, este é o fim, em um clímax que inclui assassinato e um gancho, que expande a história para outros universos, e a jornada de Lyra continua por mais dois livros.

Então, porque deixar o verdadeiro final de lado, e ter um enorme trabalho para transformar Bolvangar no Clímax? Foi esta decisão que gerou altas discussões e, muitas hipóteses sem nunca chegarmos a um consenso sobre o motivo das mudanças radicais. O consenso, que e a morte da franquia reforça, é não era necessário.
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Uma pena, pois nos outros aspectos a adaptação de Bússola de Ouro, não deixava a desejar. Desde o elenco que incluia Nicole Kidman, Daniel Craig, Eva Green, Christopher Lee, Kathy Bates, Ian McKellen e Freddie Highmore. A protagonista vivida pela novata Dakota Blue Richards, parecia ter saltado das páginas. Os efeitos especiais e personagens de CGI bem executados, além de uma direção de arte, que usava bem os conceitos do steampunk, para dar funcionalidade àquele mundo.


A Bússola de Ouro de Philip Pullman, é a primeira parte da trilogia Fronteiras do Universo, e foi lançada originalmente em 1995. Já o filme homônimo dirigido por Chris Weitz chegou aos cinemas em 2007.

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