quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Mãe!

Aproveite para praticar toda sua "spoilerfobia", quanto menos você souber sobre Mãe! antes de assistir melhor. Por outro lado, para aproveitar bem o novo filme de Darren Aronofsky é preciso estar disposto, atento e aberto a discussões e interpretações. Não que o longa seja complexo demais, mas seu objetivo, e principal mérito, é impactar e gerar reflexão. Seria um desperdício de duas horas ficar apenas em uma leitura superficial da obra. Dito isso, este texto é livre de spoilers.

Jennifer Lawrence e Javier Bardem são um casal que vive em uma casa isolada de tudo, seu próprio paraíso particular. Ele, um escritor em pleno bloqueio criativo. Ela, uma esposa completamente dedicada ao lar e ao bem estar do marido. Seu relacionamento e sanidade são postos à prova quando vistas e situações inesperadas interrompem sua pacata rotina.

Sempre perto da personagem de Lawrence - literalmente, a câmera está colada nela - é através dela e sempre dentro da casa, que acompanhamos esta trama intimista porém de escala gigantesca. O que só funciona graças à boa atuação da atriz que consegue não apenas imprimir os sentimentos mas transpor todos eles para o espectador com grande sensibilidade. Confusão, incômodo, frustração, desespero, sentimos todos eles ao longo da projeção. O que fica evidente especialmente durante o catártico terceiro ato quando o a reação do lado de cá da tela é desejar que tudo termine logo.

E por falar nesta catarse, já característica do diretor, ela nasce após um crescente de situações absurdas que levam à uma caos de proporções apocalípticas, porém completamente compreensível. A casa, antes um paraíso silencioso e tranquilo, se transforma em uma verdadeira babel onde nada faz sentido, ou parece ter solução. Tudo isso sem abandonar o cenário, ou o foco na personagem de Jennifer, com quem a essa altura já criamos total empatia. Produzindo uma experiência pessoal e visceral com quem está acompanhando sua história.


O objetivo não é apenas de contar uma história, mas passar uma mensagem que pode se perder facilmente, se a pessoa procurar um filme "autoexplicativo". O longa é uma grande alegoria, suas metáforas estão abertas à interpretações, bem como a aceitação ou discordância delas. De fato, a percepção destas referências faz parte da experiência de assistir ao longa. Por isso, não posso acrescentar muito de minha visão neste texto, sem estragar a sessão de alguém.

Uma coisa é certa e o próprio Aronofsky tem consciência de que este filme vai despertar amor e ódio na mesma intensidade. Haverão aqueles que simplesmente não alcançarão as metáforas e por isso não vão gostar. Outros vão compreender, mas discordar e até achar desrespeitoso, já que o tema cutuca algumas feridas e usa imagens fortes para isso. Também é possível discordar e admirar o trabalho de construção que disfarça uma grande história em uma micro-trama de suspense com nuances de horror.

Ou ainda, me inclua neste último grupo, aqueles para quem o filme vai fazer muito sentido. A cada novo olhar que dou à obra percebo mais detalhes que o tornam melhor, seja nas discussões que levanta, seja na forma como constrói a trama para "disfarçar" a mensagem a ser entregue. Quando finalmente compreendemos do que se trata o filme, a percepção cai como um tapa na cara do espectador.

De volta à produção, além de Lawrence finalmente nos lembrando de que não é apenas uma atriz de blockbusters, também estão em cena Javier Bardem, Ed Harris e Michelle Pfeiffer. Todos impecáveis em seus respectivos papéis. Personagens que não são muito bem apresentados, propositalmente vagos, mas cujas características e motivações eventualmente acabam fazendo todo sentido.

O equivoco fique talvez por conta do marketing do filme, que o vende como um suspense ou terror com muitas estrelas de Hollywood, o que a produção está longe de ser. É verdade que a indústria faz isso toda hora. Entretanto, com Mãe!, a coisa é mais complicada, já que o especador médio vai inevitavelmente sair confuso e insatisfeito da sala.

Para quem estiver disposto no entanto, o fato de a promoção do longa não entregar absolutamente nada apenas aprimora a experiência da descoberta. Particularmente, ainda estou sobre impacto do filme, que ouso dizer é meu favorito entre os trabalhos de  Darren Aronofsky e uma das melhores produções do ano.

Mãe! (Mother!)
EUA - 2017 - 122min
Suspense, Drama
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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Relembrando a graça de acompanhar séries semanais!

Agora que a temporada acabou há algumas semanas e os ânimos acalmaram, hora de pensar em outro fato curioso que aconteceu durante a exibição de Game of Thrones este ano. Deixando teorias, spoilers e arcos de personagens de lado, é hora de pensar na forma como assistimos séries em geral.

Antes uma contextualização. Seja por ações de hackers ou por causa de funcionários, atualmente desempregados, da HBO Espanha, vários episódios do sétimo ano foram disponibilizados antes do tempo. Entre polêmicas, escândalos e as técnicas para evitar spoilers, os vazamentos serviram para separar o joio do trigo. Foi assim que conseguimos descobrir quem realmente gosta da produção como um todo, e quem está apenas acompanhando a "modinha".

Os fãs de As Crônicas de Gelo e Fogo, ou mesmo apenas da sua versão para a TV, não apenas prenderam a lidar com a espera e as surpresas, mas também as encaram como parte da experiência. Esperar penosamente por uma semana (ou várias páginas) para saber se aquele personagem sobreviveu, e aproveitar para especular e imaginar seu destino neste meio tempo é para muitos a parte mais divertida do processo. 

Já os fãs de séries, prezam por assistir o produto no melhor formato possível da forma em que foi pensado para ser exibido quando concebido. Nessa experiência de esperar pelo próximo capítulo há até o espaço para os viciados em redes sociais, pois nada é mais empolgante que o hype no domingo, antes, durante e logo após cada episódio.

Entretanto, episódios vazaram e houve quem corresse para assistir a versão pirata. Afinal, nessa sociedade em que vivemos existe uma ânsia inexplicável por ser o "primeirão". Passar na frente, e com isso ter a falsa sensação de que está em vantagem em relação aos outros. Fica a dica coleguinha: você viu primeiro sim, é verdade. Mas em condições e qualidade questionáveis, sem a companhia dos amigos, ou mesmo o bate-papo nas redes, além é claro de estar compactuando com o crime de pirataria. Logo, talvez você precise rever seus conceitos quanto ao que é realmente uma vantagem. 

Houveram ainda aqueles que correram para assistir primeiro, não por curiosidade ou medo de que alguém lhes contasse o que acontece antes da hora. Estes queriam apenas saber o que acontece primeiro para soltar spoilers e estragar a experiência dos coleguinhas. Para estes minha mensagem é: você não é uma boa pessoa, e vai arder nas chamas de R'hllor, ser castigado nos Sete Infernos e pisoteado pelo Grande Garanhão por isso.

Reclamações à parte, o objetivo deste texto é na verdade ressaltar não apenas a forma a que acompanhamos nossas séries, mas também o motivo por que escolhemos assisti-las de determinada maneira. Muitos culpam os serviços de streaming e suas maratonas pela mudança em nossos hábitos, e há algo de verdade nisso. Mas vale sempre lembrar que as séries criadas exclusivamente para serviços como a Netflix já foram pensadas para serem disponibilizadas inteiras na plataforma, e por isso tem um ritmo próprio. E mesmo assim não estamos livres do efeito de um consumo sem tempo para reflexão e assimilação tem em nossas memórias, já falei sobre isso aqui

Quando aplicamos o estilo de maratonas em séries semanais, talvez estejamos perdendo algo realmente importante. Quando burlamos ainda mais e assistimos antes da hora, para "ter vantagem", talvez com certeza arruinamos a experiência - e as vezes não só a nossa!

Calma, não estou dizendo que você não devia fazer maratonas, ou assistir séries sem ser no canal que a exibe no momento de sua estreia (todos sabemos como muitos canais exibem mal os programas aqui), só estou convidando para pensar em como acompanhamos nossos programas. Eventualmente descobriremos a melhor maneira de ver cada um deles. 

Tentando ver o lado bom em uma coisa ruim, o vazamento dos episódios de Game of Thrones  serviu para nos lembrar os benefícios de acompanhar uma série semanal. A recompensa pela espera, as especulações prévias e debates posteriores. Atualmente minha agenda de espectadora faz uma mistura entre mega e micro maratonas, sem deixar de lado aquelas séries que acompanho semana a semana degustando a "semana de analise/debate/assimilação". 

E você? Como assiste às suas séries?

Leia mais sobre séries e confira dicas úteis para suas maratonas de streaming.
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sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Personagens com coulrofobia, medo de palhaços!

Coincidência curiosa dos dias de hoje: temos dois ótimos filmes sobre palhaços em cartaz nos cinemas brasileiros neste momento. Notícia que só é ruim para quem tem Coulrofobia, o medo de palhaços. It: A Coisa, bem que merece a preocupação, seu vilão Pennywise literalmente come criancinhas. Já em Bingo: O Rei das Manhãs o que assusta mesmo é a trajetória de vida conturbada de seu intérprete.

Celebrando tanta "palhaçada" (no melhor dos sentidos) em cena, mas sem cair na mesmice confira cinco personagens que não assistiriam estas produções nem com ingresso e pipoca de graça!

Sam Winchester, enfrenta monstros, anjos, demônios e até deus e o diabo em pessoa, mas fica muito nervoso quando palhaços se envolvem em algum caso. E o mundo sobrenatural ama pancake e sapatos gigantes, com tantos palhaços que matam é até perdoável seu medo exagerado. Um desafio gigante para ele, que oferece muita munição para seu irmão Dean criar piadinhas, além de trazer sequências hilárias para Supernatural.



Agente Seeley Booth, o parceiro de Bones é outro que enfrenta os bandidos mais perigosos, mas fraqueja quando encontra um cara de nariz vermelho. Ainda na segunda das doze temporadas da série ele atira em um palhaço. Ok, era um enfeite em um carro de sorvete com uma música irritante. Alguns casos mais tarde a equipe pega um caso no Halloween que realmente tem um palhaço assassino. O jeito foi encarar o medo, que continua perseguindo o mocinho, como quando a dupla irritou um grupo de palhaços de circo.

Velma é super lógica, racional e determinada na caçada ao vilão nas aventuras de Scooby-Doo. Entretanto, quando palhaços entram em um caso ela até tenta fugir do serviço por causa de seu medo irracional.



Frankie o confeiteiro primo do Cake Boss Buddy Valastro não é um personagem, é verdade. Porém o o programa não hesita em novelizar seu medo (será que isso é saudável) toda vez que um bolo de circo é encomendado. Em meio a brincadeira na confeitaria, Frankie corre sem deixar cair os bolos, repara só!



Columbus é um sobrevivente da Zumbilândia, mas morre de medo mesmo é de palhaços. Tudo desculpa para incluir um ótimo palhaço zumbi medonho no clímax do filme.

Estes são meus cinco personagens coulrofóbicos favoritos, mas a lista é extensa e inclui o Ben (10), o Chuckie de Os Anjinhos, o Cory (As Visões da Raven), e muitos outros. Outro fato curioso, a grande maioria deles é "estadunidense". Será que já rolou algum estudo para determinar se os moradores da terra do Tio Sam, são mais suscetíveis a essa fobia específica?

Enquanto a resposta desta pesquisa não vem, conte nos comentários quais seus personagens favoritos que passam longe de circos. E você? Tem medo de palhaços?
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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Bates Motel - 5ª temporada!

Antes de mais nada aquele aviso importante: resenha a seguir pode conter spoilers da série e de Psicose, clássico do mestre do suspense Alfred Hitchcock.

Não estamos mais assistindo a criação de um psicopata, Norman já está pronto! Confesso que eu não fiquei nem um pouco animada quando anunciaram a personagem de Marion para a quinta temporada de Bates Motel. Desde o início, sempre imaginei o final desta versão, com Norman comandando o motel, sentado na varanda comendo sementes de girassol enquanto sua mãe descansa no porão. Tudo prontinho para em alguns anos (e assassinatos) receber a pseudo-protagonista do aclamado suspense de Hitchcock. A série no entanto, resolveu ariscar e oferecer uma nova versão para o clássico. A coragem compensou, pois a nova versão funciona muito bem.

Quando deixamos Norman (Freddie Highmore) no ano anterior, ele acabara de perder matar sua mãe Norma (Vera Farmiga). Agora, o jovem comanda sozinho o Motel Bates, Romero (Nestor Carbonell) está preso pela morte da esposa, enquanto Dylan (Max Thieriot) e Emma (Olivia Cooke) vivem felizes em uma cidade distante, sem fazer ideia dos últimos acontecimentos.

Boa parte desta temporada se concentra em criar uma relação entre Norman, Madeleine Loomis (Isabelle McNally) e seu marido Sam Loomis (Austin Nichols), que eventualmente desencadearão na nova versão da famosa cena do banheiro, além de aumentar e demonstrar a psicopatia do protagonista. O arco ainda inclui Marion Crane, é claro, em uma boa participação especial de Rihanna. O resultado deste desenvolvimento é uma bem vinda mudança de motivação, Norman não é apenas sádico ou avesso às mulheres. Ele tem problemas com "perversão em geral", dentro de seus próprios parâmetros, obviamente. Estes foram bem apresentados ao longo das quatro temporadas anteriores.

A nova versão da icônica cena, não tenta imitar a obra de HitchCock, mas faz referências em ângulos e cortes. Os fãs dedicados devem aprovar as mudanças, que podem surpreender (isso se você escapou dos spoilers, eu consegui!), além de reconhecer as homenagens. Já os não iniciados não precisam conhecer o longa-metragem para desfrutar da sequencia.

Se dispõe de tempo e criatividade para a trama que faz alusão ao filme que a inspirou, Bates Motel peca com a trama principal que vem construindo ao longo dos anos. Talvez porquê grande parte do desenrolar já foi executada na temporada anterior, deixando para este quinto ano apenas o desfecho dos personagens.


Assim, a investigação em torno dos estranhos acontecimentos no motel é lenta, assim como os arcos de Dylan e Romero. A história do Xerife chega a desaparecer em alguns episódios, e não resulta em grandes soluções. O irmão de Norman tem um desfecho mais interessante, porém pouco explorado dentro do próprio universo. Particularmente senti falta do impacto da descoberta dos segredos do Motel Bates na comunidade de White Pine Bay e até em Emma.

Outros personagens com que a série perde tempo de tela são Chick Hogan (Ryan Hurst) cujo desfecho tem uma pegadinha e Caleb (Kenny Johnson). A presença de ambos só se justifica para oferecer um desfecho mais definitivo para seus personagens secundários e adiar o final da trama principal.

Falhas à parte, o ponto alto da série ainda é a dinâmica entre Highmore e Farmiga, apresentando com perfeição a relação doêntia entre mãe, filho e alucinação. Mesmo com sua personagem morta, Norma ainda é uma figura forte em cena e na vida de seu perturbado caçula. Isso só é possível graças à excelente atuação de Farmiga.


Apesar de alguns escorregões, Bates Motel conseguiu a proeza de recriar um clássico sem ser ofensivo, bajulador ou apenas ruim. Mantendo a essência da série e, principalmente, de seus carismáticos personagens. Nos importamos com eles por isso, perdoamos alguns equívocos na trama. Não supera Psicose, é nem acho que fosse o objetivo, mas como um todo a série é uma excelente atualização. Eficiente em uma parte que o longa não teria tempo de mostrar: como criar um psicopata!

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segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Bienal do Livro 2017

É segunda-feira pós-Bienal do livro do Rio, hora do balanço da mais recente edição do evento. Algumas coisas mudaram, mas ainda falta muito para o evento surpreender.

Se você é um frequentador comum do evento sua jornada provavelmente começa no BRT. As obras para sua implementação que enlameara a edição 2015 finalmente acabaram e o acesso via transporte público foi aprimorado, mas não muito. Novamente parece que faltou fazer a estimativa de público. Indo ou voltando a quantidade de ônibus não era suficiente, e já chegavam lotados na maioria das estações. Desencontros, empurra-empurra, desconforto e alguns hematomas eram inevitáveis. A identificação dos veículos e as orientações nas estações também eram confusas para quem não está habituado com o sistema e suas linhas.

O equivoco de cálculo espaço-vs-pessoas continua na bilheteria. Quem não garantiu o ingresso antecipadamente pela internet torrou ao sol por bastante tempo nas filas.

Lá dentro algumas novidades. O Espaço Geek trouxe atrações inéditas para o publico nerd. Além de ser mais uma opção de painéis, entre os disputados e pouco espaçosos que já existem. Porque não criam espaços maiores? Mesmo o novo espaço não deu conta do público e algumas das atrações precisaram mudar de local.

Muitos estandes investiram um pouco mais em iteratividade ao invés de serem apenas enormes lojas. Além dos encontros com autores, cenários para fotos (inclua uma profusão  de tronos de ferro), atrações diversas e até uma roleta de descontos eu vi por lá. Infelizmente, por mais deslumbrante que o stand da Rocco fosse, era impossível admirá-lo por completo graças à aglomeração de pessoas.

Sem querer ser a chata - más já sendo - o espaço ainda é insuficiente para o público e a organização deixa a desejar. Mas, não vou me estender demais a discussão, caso queira saber mais releia o texto da edição de 2015, os problemas são os mesmos.  Prova disso foi o furto de 30 livros que pouca gente noticiou, mas que não deve ter sido o único, já que era fácil subtrair volumes dos estandes abarrotados e mesmo entrar no evento sem pagar. Não concordo com a máxima que diz que "a ocasião faz o ladrão" (isso depende do carater), mas não precisamos facilitar pra eles, não é mesmo?

Ao menos o balanços de livros foi melhor que da edição anterior onde saí apenas com um título!
De volta ao que interessa, os livros. Promoções pontuais ou reservadas ás tradicionais gondolas de "achados", a maioria no pavilhão laranja. Cada vez mais o evento é uma excelente opção para caçadores de relíquias e autógrafos (este ano fora mais de 300 autores), e uma escolha ruim para que resolve esperar a "festa literária" para comprar aquele título desejado, a maioria está com melhor preço fora dali. Felizmente muitos autores estavam disponíveis para aquele encontro mágico que nos faz esquecer dos reais a mais, desde que você tivesse paciência para esperar nas longas filas.

Quanto ao público só tenho duas observações: melhor ficar atento onde anda, e por mais que sentar no carpete seja uma tradição, fazer isso no meio do caminho não é uma boa ideia. Recado dado só resta chamar os amantes de livros para continuar frequentando o evento, mas também exigir melhoras. Amamos a Bienal do Livro, mas ele precisa e tem capacidade de ser um evento melhor. - #EternamenteNaTorcida!

A Bienal Internacional do Livro do Rio aconteceu entre 31 de agosto e 10 de setembro no Riocentro. Atualmente na 18ª edição, bateu recorde de público recebendo 680 mil visitantes.

Leia sobre as edições anteriores!

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quarta-feira, 6 de setembro de 2017

It: A Coisa

Apesar de vivermos no que parece ser a "era da adaptação", é difícil não ficar igualmente desconfiado e empolgado toda vez que uma nova versão de um clássico ou best-seller chega às telas. Logo, é em meio à grande comoção que a nova adaptação de It: A Coisa de Stephen King estreia.

Na cidadezinha "estadunidense" de Derry, crianças desaparecem misteriosamente há quase um ano, quando um grupo de crianças conhecido como "Losers Club" (clube dos perdedores) começa a vivenciar seus medos de forma peculiar. É claro, que em plena década de 1980, a molecada não exita em pegar as bicicletas e desperdiçar as férias de verão investigando o caso.

Bill (Jaeden Lieberher), o menino gago cujo irmão foi o primeiro a desaparecer - em uma cena forte logo nos primeiros minutos do filme, diga-se; Richie (Finn Wolfhard), aquele amigo piadista que não sabe a hora de ficar quieto; Eddie (Jack Dylan Grazer) o hipocondríaco/germofóbico do grupo; Ben (Jeremy Ray Taylor) o gordinho; Stanley (Wyatt Oleff) o judeu; Mike (Chosen Jacobs) o negro que estuda em casa e Beverly (Sophia Lillis) a única menina. Arquétipos comuns de histórias de escola dos anos 80, mas muito bem apresentados. As dificuldades cotidianas, as personalidades distintas, seus medos e até a forma como alguns deles se tornam amigos são explicados sem correria. Para aqueles que entrarem no cinema atrás apenas de sustos fáceis, essa construção detalhada pode soar lenta, mas acredite, é aí que reside a alma do filme. Já que, por mais que o chamariz deste, então chamado, filme de terror seja Pennywise (Bill Skarsgård), o filme não é apenas sobre isso.

Calma, não fuja do longa ainda. Existe sim um palhaço maléfico que come criancinhas ameaçando todos. Entre suas habilidades aterrorizantes está a de emular nossos maiores medos, e são estes medos particulares que mais tem impacto e que os protagonistas precisam superar - inclua aí inclusive o medo de palhaços. Trata da passagem da infância para a idade adulta enfrentando aquilo que tememos, e também das maldades que nós humanos somos capazes de comeer. Bullying, pedofilia, agressão doméstica física e psicológica, racismo, intolerância religiosa entre outros desafios que falam diretamente com quem está do lado de cá da tela.

Com uma narrativa sem pressa, preocupada com contar bem a história It, dá tempo para cada uma das sete crianças enfrentar e superar seus respectivos desafios, apresentando bem o contexto em que estes temores são alimentados, oferecendo um bem vindo respiro que torna a próxima cena aterrorizante ainda mais eficiente. Assim, consegue construir a tensão sem abusar de sustos fáceis. Preferindo o suspense da ameaça permanente e crescente. O único escorregão aqui fica por conta da previsível trilha sonora que já te alerta de ante-mão os momentos em que deve ter medo. Mas, tudo bem, pois a essa altura nossa empatia com os personagens compensa a falha.

Embora palhaços já sejam sinistros por natureza, o design de Pennywise consegue causar incômodo até em quem não tem coulrofobia - medo de palhaços - sensação que aumenta com a atuação de Skarsgård. Embora ele não seja a ameaça mais assustadora em cena, suas aparições trazem uma violência gráfica própria e até criativa, como a cena em que as crianças observam slides.

E por falar nas crianças o elenco mirim está muito bem. O destaque fica com Lillis, a menina é quem tem os medos e sequências mais pesadas e se sai bem nelas. A produção também resistiu a tentação de escalar Wolfhard para um papel parecido com o que ele viveu em Stranger Things (outra produção passada na década de 1980, onde coisas sinistras acontecem com crianças). Cabê à Richie as piadas sem noção estrategicamente situadas para quebrar um pouco a tensão e relembrar ao público que os personagens ainda são crianças.

Acertadamente situado nos anos 80 (nos livros esta parte da trama se passa nos anos de 1950), uma época mais reconhecível para os adultos que assistirão o filme, mas ainda pré-politicamente correto para as crianças poderem correr soltas por aí, e os adultos serem as pessoas menos informadas do mundo. O tom é parecido com o de outra adaptação de King, Conta Comigo, enfatizando a evolução e relacionamento dos personagens durante a jornada. It: A Coisa é na verdade um filme sobre amizade e amadurecimento, com um incentivo de uma palhaço maléfico, para tornar tudo mais interessante. Tem personagens complexos e carismáticos, além de nostalgia e da promessa de uma sequência que o tornará mais completo como adaptação. Só fica faltando descobrir mesmo porquê palhaços são tão sinistros.

It: A Coisa (It)
2017 - EUA - 135min
Terror, Drama, Suspense
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segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Orphan Black - 5ª temporada

É hora de se despedir das sestras! Orphan Black surpreendeu a todos com a atuação de Tatiana Maslany, mas com o passar do tempo a trama científica cresceu demais. Encerrar tudo o que começou é o maior desafio da série na quinta e última temporada.

O ano anterior terminou eliminando tramas paralelas anteriores e focando na Neolution, empreendimento responsáveis pelos clones. Além de elevar Rachel Duncan (Maslany), única clone que cresceu ciente de sua condição, ao status de vilã maior da trama. Mas logo nos primeiros minutos a história dá um passo atrás revelando que há uma figura maior por trás das escolhas da clone malvada. O criador da Neolution P.T. Westmoreland (Stephen McHattie).

Uma figura que demora a aparecer fisicamente, e quando o faz entrega pouco. Mal desenvolvido, todo o mistério em relação à sua identidade não leva à trama a lugar nenhum. Assim como a relação entre eles e as cientistas Susan Duncan (Rosemary Dunsmore) e Virginia Coady (Kyra Harper), responsáveis respectivamente por Leda e Castor se define por longos diálogos expositivos. Não é a melhor maneiras de oferecer as explicações que respondem muitos pontos da história e estão situadas no passado. Junto com Westmoreland , a comunidade Revival e uma caça ao monstro na ilha apenas arrastam ainda mais a história.

Infelizmente a série parece ter esquecido o que aprendeu na temporada anterior: a graça da série está no relacionamento das clones e sua luta por sobrevivência e para descobrir quem são. As novas subtramas incluídas neste ano rouba tempo de tela dos personagens com que realmente nos importamos, e tem pouco tempo para ser desenvolvidas. O resultado é uma trama corrida e o desaparecimento de algumas clones e até de Felix (Jordan Gavaris) em alguns episódios. Também não há tempo para contar os conflitos de Kira (Skyler Wexler). A garota que tem uma ligação misteriosa - que permanece inexplicada - com as clones, começa a se interessar por sua origem e habilidades, mas pouco pode descobrir em apenas algumas cenas.

Quando termina de explicar as origens e começa a encerrar os arcos de suas protagonistas, a série abandona o passo arrastado, fica mais dinâmica e até corrida em alguns momentos. Trazendo de volta os personagens desaparecidos e incluindo todos eles no desfecho que começa com o sequestro de Helena e termina com esperança para todas as Ledas.

Mas o destaque da produção ainda é a interpretação de Maslany e suas múltiplas personagens, embora não haja adições aos clube dos clones este ano. Mesmo afastada por alguns episódios Helena continua roubando a cena. Enquanto Alison (e Donnie) perdem espaço e a responsabilidade do alívio cômico para a esteticista Krystall. Mais saudável, Cosima tem mais tempo em tela, embora volte a cair nos dilemas de relacionamento que paralisam a personagem. Rachel tem seus traumas e atitudes explicados em seu caminho de redenção. Enquanto Sarah continua a ser a cola que une todas.

Entre os personagens que não são interpretados por Maslany, Shioban (Maria Doyle Kennedy) ainda soa pouco verossímil, com suas habilidades e contatos convenientes a situação. Os rapazes do projeto Castor (Ari Millen) ganham desfechos burocráticos. Felix, outro favorito do público, perde espaço de tela. Charlotte (Cynthia Galant) parece negligenciada pelas setras mais velhas. Enquanto o policial Arthur (Kevin Hanchard) parece deslocado da trama principal até se tornar essencial nos últimos instantes.

Orphan Black entrega uma última temporada com um início arrastado, e algumas escolhas burocráticas de roteiro, mas com um final bem escrito. Consegue fechar todas as pontas soltas e oferecer um final satisfatório para o clube dos clones. Encerrando os dilemas científicos e focando da humanidade de suas personagens. O final mais honesto para os espectadores que vão sentir falta das sestras, mas as deixam com a sensação boa de que Sarah, Helena, Cosima, Alison e cia tem uma boa e longa vida pela frente.


Todas as cinco temporadas de Orphan Black, com dez episódios cada, estão disponíveis na Netflix! Leia mais sobre a série das setras!
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sábado, 2 de setembro de 2017

Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D. - 4ª temporada

É realmente uma pena que o Canal Sony, responsável no Brasil pela transmissão de Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D. tenha escolhido dar o espaço da série à outras produções, transmitindo seu quarto ano, após o final da transmissão "estadunidense" em episódios duplos. Além da falta de consideração com os expectadores, e do estímulo a pirataria causado por tamanha espera, outra coisa aponta o quão ruim foi esta escolha: a temporada mais recente das aventuras de Coulson e companhia é a melhor até agora.

Dividida em três arcos distintos que se complementam, a série que estabeleceu os inumanos no universo cinemático da Marvel, acerta ao mostrar que não pretende depender deles todo o tempo. Os personagens super-poderosos ainda existem, como toda minoria enfrentam preconceito e grande parte dos esforços dos agentes da S.H.I.E.L.D. são voltados para melhorar suas condições de vida, mas estas não as únicas preocupações dos agência. Em cena, permanecem como fixas apenas personagens que pertencem à equipe, Daisy (Chloe Bennet) e Ioiô (Natalia Cordova-Buckley).

O Motoqueiro Motorista Fantasma Robbie Reyes (Gabriel Luna), ocupa o primeiro terço da temporada trazendo consigo Darkhold. Apesar de não ser uma referência direta, o livro místico e do homem que tem um acordo com o diabo é uma alusão ao fato de com a chegada de Doutor Estranho no universo, temas como outras dimensões e o sobrenatural agora podem ser explorados. O que não significa que a série vai deixar a ficção-cientifica e a espionagem de lado.


A segunda parte da temporada faz o bom uso da adição de John Hannah ao elenco. O cientista Holden Radcliffe apresentado ainda na temporada anterior, traz como foco os LDM (Life Model Decoy, Modelos de Vida Artificiais em português). Os androides altamente realistas, são ameaça mais convincente que a maioria dos monstros criados pela restritiva maquiagem da série de TV. Além do fato que podem se passar por pessoas reais, apenas para complicar ainda mais a trama.

O terceiro arco intitulado Agents of Hydra nos leva para a matrix estrutura (ou Framework, em inglês). Uma realidade virtual na qual, você pode imaginar pelo título, a Hydra venceu. Iniciada no ótimo episódio Self Control, o arco é o melhor de todas as temporadas até o momento. Reúne temas desenvolvidos nos arcos anteriores, traz boas cenas de ação - salvo as devidas proporções - e participações especiais interessantes. Culminando em um desfecho bem amarrado para o final do ano. Mesmo o previsível "deus ex-machina" é coerente com o que o programa apresentou até então.

Nos arcos dos personagens, o foco em Daisy parece estar sendo ajustado, deixando de lado à inumana com medo de seus poderes, ou revoltada com o universo para ser realmente um membro poderoso da equipe. May (Ming-Na Wen), que agora é uma tagarela, e Coulson (Clark Gregg) vêm um início para seu previsível relacionamento, ainda que forçado. O que não precisa ser forçado é a química entre Iain De Caestecker e Elizabeth Henstridge, os intérpretes de Fitz e Simmons. Finalmente um casal desde a terceira temporada, a dupla poderia ficar enfadonha, mas sua relação ganhou um arco próprio bem desenvolvido.

O LMD Aida (Mallory Jansen), também ganhou um arco distinto. Um modelo de inteligencia artificial em busca de livre arbítrio, é curioso vê-la descobrir que fazer o que quer, não significa receber o que quer. Os arcos dramáticos ficam por conta do sempre atormentado Motoqueiro Motorista Fantasma e de Mack (Henry Simmons). Este último em um dilema de cortar o coração guardado para os episódios finais.

Vale mencionar: o grande mistério sobre a existência dos vários agentes Koenig (Patton Oswalt) foi finalmente desvendado com muito bom humor no 12} episódio. Apesar da divertida explicação, particularmente eu preferia conviver com a dúvida e suas possibilidades.

Aparentemente, Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D. encontrou seu lugar dentro da mitologia da Marvel nas telas, sem ignorar nem sofrer para encaixar os acontecimentos dos filmes em sua trama. Não há participações de personagens de outros produtos da franquia, e as menções à eles são bastante orgânicas. A série também conseguiu adicionar o sobrenatural a sua trama sem abandonar a ficção-cientifica e a espionagem, equilibrando bem elementos distintos.  O resultado foi uma temporada bem estruturada e sem pontas soltas. É claro, existe um gancho para o quinto ano, que esperamos que mantenha os acertos conquistados recentemente.

A exibição de Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D., terminou na última terça-feira (29/08) no Canal Sony, e todas as temporadas estão disponíveis na Netflix, corre para maratonar e leia as críticas das temporadas anteriores.
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