sexta-feira, 21 de julho de 2017

7 Desejos

Para o bem o para o mal, toda magia tem um preço, especialmente em um filme de terror. Isso não é novidade, Logo deveria ser difícil encontrar alguém que acredite em artefatos mágicos misteriosos na tela grande. Mas é claro que personagens de ficção nunca aprendem, então 7 Desejos relembrar esse fato imutável da ficção.

Claire (Joey King) é uma típica adolescente estadunidense, tentando sobreviver ao bullying na escola e à uma vida complicada sem a mãe e com um pai acumulador. É em umas dessas catanças de lixo que Jonathan (Ryan Phillippe) encontra uma caixa bonita e decide presentear a filha. A garota toma o objeto como peça de decoração até que faz um desejo sobre ela e este se realiza. É claro, ela resolve testar o artefato e demora bastante a perceber que os acontecimentos horríveis à sua volta tenham relação com seus pedidos.

Objetos mágicos que concedem pedidos que não terminam muito bem não são novidade na cultura pop. Ou o pedido se realiza de uma forma equivocada no melhor estilo "cuidado com o que deseja", ou um alto preço é cobrado. É neste segundo "estilo" que a misteriosa caixa chinesa de Claire opera. Para cada pedido a adolescente perde algo que lhe é importante, e mesmo depois de consciente de seus atos a garota não consegue parar. Aqui o filme cria um arco interessante para sua protagonista. Fala um pouco de ambição e vício, sem nunca aprofundar demais no tema, afinal é um terror de verão para o público jovem.


E por falar no público alvo, é por causa dele que o filme desperdiça muito de seu potencial. A história não é novidade - nem acho que tinha pretensão de ser - e mesmo o desenrolar da história é previsível. Em outras palavras, sabemos que alguém vai morrer, as vezes até mesmo antecipamos quem será a vítima, mas tudo bem pois a "graça" está em quando e como estas mortes vão acontecer. O longa segue a linha da franquia Premonição ao colocar vítimas em diversas situações de risco aguçando a curiosidade do expectador sobre qual delas será fatal. Entretanto, a censura baixa (PG13 nos Estados Unidos, 14 anos aqui no Brasil) não permite que o filme de fato mostre as mortes chocantes. Boa parte das cenas fica na sugestão. Suficiente para assustar o público mais jovem, menos eficiente para quem curte o gênero, ou no mínimo já assistiu algum filme da franquia que coloca a morte inevitável no destino das pessoas. 

O ponto forte está no elenco jovem bem escolhido. Além de King, já veterana nas telas e no gênero terror (quem lembra dela em Invocação do Mal?), Ki Hong Lee (o Minho de Maze Runner), Shannon Purser (a Barb de Stranger Things) e Sydney Park (As Visões da Raven, The Walking Dead), garantem a empatia do público. O elenco adulto traz Kevin Hanchard (Orphan Black) e Sherilyn Fenn (Twin Peaks).

Do mesmo diretor de Annabelle, John R. Leonetti, este longa é mais eficiente em criar tensão e tem menos sustos gratuitos - aquele que a música sobe repentinamente de propósito para assustar no pior estilo "BÙ!" - mas estes ainda estão presentes em uma cena ou outra. Bem produzido, 7 Desejos precisava de um pouco mais de ousadia e uma censura mais alta para ir além do "mais do mesmo". Deve agradar e divertir o suficiente para garantir uma sequência - sim existe gancho parar isso - mas não vai ficar muito tempo na memória dos expectadores.

7 Desejos (Wish Upon)
2017 - EUA - 90min
Terror
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quinta-feira, 20 de julho de 2017

Amizades dos 7 reinos e além!

Hoje é Dia do Amigo! Então está na hora de soltar aquele post nada tradicional sobre o tema por aqui. E já que não pensamos em outra coisa que não seja a 7ª temporada de Game of Thrones, que tal conferir se amizades conseguem florescer em um mundo tão cheio de conflitos.

Ned e Robert

Criados juntos, tinham o mesmos ideais, foram para a guerra juntos e até conquistaram o reino. Amizade que durou por toda sua curta vida, sem no entanto, deixar de colocar o melhor amigo em uma encrenca ou outra.

Robb e Theon

Também criados como irmãos, foram para a guerra juntos. Mas já que Theon não era exatamente um convidado em Winterfell - era um prisioneiro muito bem tratado -, não demorou muito para o Greyjoy decidir que queria mais e trair o amigo. Decisão da qual temos certeza de que ele se arrepende amargamente.

Jon e Samwell

O filho bastardo e o filho renegado, ambos nasceram em casas nobres e apenas isso já é motivo de desdém para os outros irmãos menos privilegiados da patrulha. Os novatos acabam virando amigos não apenas pelas circunstâncias, mas por serem opostos. As qualidades de um completam o outro. O que o John tem em habilidade de luta, Sam tem em conhecimento. E o que Tarly tem em covardia, Snow tem em impulso. São uma boa combinação para manter a manter a muralha de pé. Não é atoa que o Lord Comandante Snow sofre um motim logo depois que seu BFF parte para a cidadela.

Daenerys e Missandei

Nos livros Missandei é apenas uma menina e Danny divide seus "momentos livres" entre várias damas de companhia, a maioria dotraki, mas na série a intérprete ocupa o lugar de todas elas. A mãe dos dragões e a ex-escrava batem papo, trocam figurinhas, combinam roupas, conversam sobre rapazes e até trançam o cabelo uma da outra. #BFFsForever!
Quem aí já teve uma Mãe de Dragões, Rainha de Mereen, Rainha dos Ândalos e dos Primeiros Homens, Quebradora de Correntes, Senhora dos Sete Reinos e Khaleesi dos Dothraki trançando seu cabelo?

Arya e Gendry (e Torta Quente)

Rumores sobre o retorno do ator Joe Dempsie aos sets deixaram os fãs de  Game of Thrones animados: será que finalmente Arya e Gendry vão se reencontrar. Outra amizade construída pelas circunstâncias, ambos precisara fugir de porto real após a morte de Ned Stark e o fizeram seguindo a Patrulha da Noite. Mais esperto que a média o bastardo Baratheon não apenas percebeu que Arry na verdade era uma menina disfarçada, como logo entendeu o "jeito moleque" da garota. Junto com Torta Quente, outro viajante enfrentaram os maiores perigos nas estradas de Westeros.

Bran, Meera e Jojen

Não temos certeza se é amizade ou cilada! Jojen e Meera Reed, foram jurar fidelidade à casa Stark quando Bran era "o Stark em Winterfel" (na série a dupla aparece mais tarde). Mas o jovem Reed de visão verde tinha uma missão prórpia, levar o lord que não pode antar até o corvo de três olhos. Fiel ao irmão Meera foi junto na viagem mais cheia de perrengues dos sete reinos. Muita caminhada, fome e frio até o destino e a coisa não melhora muito quando alcançam seu destino. Nos livros o trio (e Hodor) continua na caverna em relativa segurança. Na série Jojem e Hodor foram mortos e Meera precisou carregar Bran sozinha no pior inverno em milênios. Será que a amizade resiste?

Bron e suas amizades mercenárias

Não sabemos se ele estava apenas entediado ou visando ouro Lannister quando Bron se oferece para ser o campeão de Tyrion no julgamento por combate no Ninho da Águia. Mesmo assim o mercenário e o anão curtem bons momentos juntos (inclua o escudeiro Podric aqui). Até aparecer outro julgamento que Bron não pode vencer. Nos livros o Cavaleiro do Água Negra, sai de cena para casar, na série ele cultiva amizade com outro Lannister e vai protagonizar as piores aventuras em Dorne ao lado de Jaime, depois continua seguindo o regicida em suas missões. Ao menos de Pod ele parece gostar sem grandes interesses.

Varys e Tyrion

É difícil acreditar que o Aranha cultive amigos e muito menos que o anão confie nele. Mas bem que a dupla forma uma pareceria e tanto quando precisam governar Westeros por trás das loucuras de Joffrey e Cersey. Apenas na série a parceria se repete com Varys e Tyrion ajudando a manter o reinado de Daenerys.

Varys e Illyrio Mopatis

A amizade mais misteriosa de todo o universo das Crônicas de Gelo e Fogo. Mal vêmos a dupla juntos (na série Illyrio só aparece na primeira temporada), mas já aprendemos que seus esquemas e as idéias.

Davos e Stannis

O contrabandista ganhou a confiança de Stannis quando conseguiu esgueirar através do Cerco de Ponta Tempestade e levar cebola e peixe salgado para os habitantes do castelo. A comida permitiu que os moradores sobrevivessem ao cerco e por isso Davos foi sagrado Cavaleiro das Cebolas, não antes de ter as pontas dos dedos cortados por Stannis como punição por ser contrabandista. Essa amizade cheia de dever e honra continuou com Davos como principal conselheiro de Stannis, e sua Mão quando este se decalara rei. Nos livros a parceria continua, na série dura até Stannis ser morto em batalha.

Jaime e Brienne

Amizade colorida versão Westeros! Prisioneiro e guarda conhecem melhor um ao outro na estrada. Daí nasce admiração e se depender torcida dos leitores/expectadores algo mais. Péssima notícia para Tormund.
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Achou mais alguma amizade que consegue florescer em meio a guerras, intrigas palacianas, zumbis de gelo e dragões? Que tal chamar aquele seu amigo que também é fã e fazer uma maratona da amizade de Game of Thrones esse fim de semana? Só tome cuidado se resolverem se espelhar nestes parceiros da telinha.

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terça-feira, 18 de julho de 2017

Transformers: O Último Cavaleiro

Eu não assisti o quarto filme da franquia Transformers, e admito que lembro pouca coisa dos três primeiros. Mas nada disso importa, pois mesmo que eu tivesse feito uma maratona pré Transformers: O Último Cavaleiro, eu não entenderia tudo que está passando na tela. E você também não! Isso porque o filme não é complexo, cheio de mitologias e referências, ele é apenas confuso mesmo. 

Humanos e Transformers estão em guerra, e os robôs gigantes vivem escondidos. Cade Yeager (Mark Wahlberg) é um dos poucos humanos que defendem os personagens título. Em um de seus "resgates", ele conhece Izabella (Isabela Moner), uma garota que ama os Transformers e até entende sua "biologia". Mas não demora muito para ele abandonar os velhos e novos amigos ao ser jogado em uma aventura em busca de um tesouro perdido ao lado de Sir Edmund Burton (Anthony Hopkins, que devia estar com muito tempo livre) e Vivien Wembley (Megan Fox genérica Laura Haddock). Enquanto isso, Optimus Prime viaja pelo universo e Megatron prepara um novo retorno.

Dinossauros, cavaleiros da távola redonda, segunda Guerra Mundial, espaço, presente, passado futuro... a nova empreitada de Michael Bay parece determinada a inflar a franquia de conceitos que não cabem em apenas um filme. Especialmente um que valoriza muito a mais a ação que a trama. Não é incomum sair da sala com a sensação de a história foi criada em torno das cenas de ação que eles queriam fazer, sempre maiores e mais grandiosas.

Mas aí você pode estar pensando: mas Fabi essa é mesmo uma franquia focada na ação! - Verdade e não há nada de errado nisso, mas nesse caso ao menos estas cenas tem que fazer sentido. As sequencias tem cortes rápidos demais, excesso de personagens e explosões (claro!). O resultado é você se descobrir na dúvida de onde estão vários personagens, enquanto assiste o Bumblebee desferir alguns golpes, e esperando a luta acabar para realmente entender o que aconteceu. As cenas inteligíveis não fazem jus ao valor da produção, nem ao esforço de rodá-la inteira em IMAX 3D.

De volta a história é difícil não perceber que a trama praticamente não repete locações. Os personagens saltam de um lugar a outro como se o teletransporte também existisse naquele universo. Também é difícil não brincar de procurar referências. Stranger Things, Robocop, Rei Arthur, O Código da Vinci, Esquadrão Suicida, Game of Thrones e Gravidade devem ter sido algumas das últimas coisas que a sala de roteiristas da produção assistiu e achou que os expectadores gostariam de assistir, mesmo que as ideias não encaixem.

Esse quebra cabeças mal encaixado que é o roteiro ainda arranja espaço para relembrar momentos dos filmes anteriores e trazer de volta personagens conhecidos. O Tenente-coronel William Lennox (Josh Duhamel), está nas forças do governo contra os transformers, enquanto Agente Simmons (John Turturro), faz uma aparição sem grande importância. Já, Stanley Tucci retorna em outro personagem, sem que haja explicação alguma da semelhança física. 

O protagonista de Mark Wahlberg, tenta inutilmente dar liga nessa trama desencontrada, ao menos o ator parece abraçar a loucura e se divertir com isso. Essa também deve ser a explicação para a presença de Anthony Hopkins, ele estava atoa e queria um passatempo. Ao seu personagem é dono do único robô realmente novo e diferente: um mordomo engomadinho, dono das únicas rizadas genuinas e que lembra o C3PO . - Ops! Faltou colocar Star Wars na lista de referências, ou seria Metrópolis?


Transformers: O Último Cavaleiro prometeu muitas novidades, mais aventuras e além de mostrar como os robôs gigantes estão ligados à história da humanidade. Infelizmente, só entregou novas versões de action-figures e um amontoado de explosões em cortes tão rápidos que não dá para saber o que explodiu. Michael Bay afirmou que este é seu último filme na franquia. Mas ele já disse isso antes e a sequencia já está confirmada, assim como o spin-off do Bumblebee. O jeito é torcer para que alguém arrume a casa nos próximos filmes. Não precisamos de personagens profundos, com grandes arcos dramáticos ou uma trama cheia de engajamento. Basta a história fazer sentido e as cenas de ação funcionarem que já me dou por satisfeita.


Transformers: O Último Cavaleiro (Transformers: The Last Knight)
2017 - EUA - 159min
Ação, Ficção científica


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quinta-feira, 13 de julho de 2017

American Gods - 1ª temporada

A expectativa para a versão para as telas de Deuses Americanos, livro de Neil Gaiman não era pouca. Aliás grandes esperanças por versões das obras do autor moderno são uma constante, mas suas obras cheias de metáforas, reinterpretações e humor ácido são difíceis de adaptar especialmente em filmes. Por isso, os fãs ficaram entusiasmados quando American Gods (título original do livro) começou a ser adaptada em forma de série, com mais espaço para desenvolver a rica mitologia daquele universo.


Shadow Moon (Ricky Whittle) está prestes a sair da prisão, quando sua esposa Laura (Emily Browning, Sucker Punch) morre. Sem mais nada a que se apegar, ele recebe uma proposta do exocêntrico Mr. Wednesday (Ian McShane) e acaba se tornando seu motorista/garoto de recados. Não demora muito para perceber que a realidade em que seu novo chefe vive é muito maior do que a da maioria das pessoas, evolvendo uma disputa entre os velhos e os novos deuses. Todos vivendo "encarnados" entre nós, meros mortais. Por outro lado demora bastante para o protagonista questionar diretamente o que diabos está acontecendo.

Assim, o espaço para desenvolver a trama é ao mesmo tempo o ponto forte e fraco da série. É preciso sim um ritmo mais devagar para apresentar e ambientar o expectador em meio a tantas divindades. Embora muitas delas estejam por aí há milênios, os expectadores podem nunca ter ouvido sobre elas, afinal inconscientemente são os Novos Deuses a quem adoramos. A produção usa boa parte do tempo para construir este universo, mas não esclarece quase nada antes do último episódio. O resultado é a sensação de que a trama pouco avança e muitas, muitas dúvidas especialmente para quem não leu o livro, ou tem pouco conhecimento sobre as muitas divindades em que a humanidade já acreditou.

A responsabilidade de esclarecer o leitor seria do único "humano normal" naquele meio, mas ele demora muito a acreditar na realidade em que está vivendo e também não a questiona. Quando você vê algo impossível sua reação geralmente é uma destas duas: questionar incessantemente até fazer sentido, ou acreditar cegamente, como um ato de fé. O protagonista não esboça reação alguma, passa quase todo o tempo dormente aos "impossíveis" que presencia.

Enquanto Shadow não faz as perguntas que deveria como "representante do expectador", os personagens à sua volta roubam a cena. Especialmente Laura e Mad Sweeney (Pablo Schreiber o George 'Pornstache' Mendez de Orange is the New Black), que constroem uma relação curiosa. Já Ian McShane está completamente confortável na pele de um deus carismático, esquisito e cheio de segundas intenções.

Do outro lado da batalha Mr World (Crispin Glover), Technical Boy (Bruce Langley) e Media (Gillian Anderson), são a cara dos novos deuses. Atenção à versatilidade de Anderson a cada momento personificando com perfeição um ícone midiático. Entre divindades, criaturas mitológicas e um humano vez ou outra, o elenco traz participações especiais afinadas de rostos conhecidos Cloris Leachman, Omid Abtahi, Tracie Thoms, Corbin Bernsen, Jeremy Davies, Fionnula Flanagan. Entre os convidados os destaques ficam com Orlando Jones (Mr. Nancy, e seus discursos hipnotizantes) e Yetide Badaki (Bilquis, igualmente hipinotizante sem falar quase nada). Canastrão mesmo só o Shadow Moon.

Outro destaque é o visual que não tem medo de ser caricato e visceral quando preciso - leia-se muitos baldes de sangue! A incorporação e adaptação de ícones e símbolos para os temos atuais e os "seres" que o carregam/personificam, também são um acerto. Paralelas à trama principal, pequenas histórias de os antigos deuses chegaram ao novo continente, e sua relação com os mortais são as que mais agradam. São elas que vão sutilmente incutir no expectador a ideia chave da narrativa: Deuses são reais se acredita neles!

Então chegamos ao oitavo e último episódio, meio confusos, mas empolgados com o visual deslumbrante, as boas atuações menos do Shadow e os diálogos inteligentes. E finalmente a série põe todas as cartas na mesa, e diz a que veio de forma grandiosa antes de terminar repentinamente. A sensação de ué, agora que tava ficando bom acaba? é frustrante, mas eficiente em deixar o expectador na vontade por uma segunda temporada. Desta vez mais ciente do universo em que estamos embarcando.

American Gods tem uma temporada bem estruturada e concisa, apesar de um ou outro problema de ritmo. O desenrolar inicial mais lento deve compensar, servindo de base sólida, se a série mantiver o tom mais urgente de seu último episódio nas temporadas que estão por vir.

O segundo ano da série já foi confirmado. No Brasil a produção está disponível na Amazon Prime.
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sexta-feira, 7 de julho de 2017

Homem-Aranha: De Volta ao Lar

Assim como os expectadores o Peter Parker de Tom Holland já tinha ciência de que "com grandes poderes, vem grandes responsabilidades" - ele fala basicamente isso, mas com outras palavras em seu primeiro encontro com Tony Stark ainda em Capitão América: Guerra Civil. O que falta para o adolescente é realmente compreender o sentido de responsabilidade, o que convenhamos, é tarefa mais que complicada quando se tem apenas quinze anos.

A história de Homem-Aranha: De Volta ao Lar, no entanto começa oito anos antes, logo depois da batalha dos Vingadores em Nova York (então esse filme se passa em 2020?), quando Adrian Toomes (Michael Keaton, excelente) encontra a motivação e a oportunidade que o farão se tornar o vilão Abutre. Anos mais tarde, um Peter recém saído do confronto no aeroporto de Berlim em Guerra Civil, está pronto para mais uma missão e começando a ficar entediado com os limites impostos por seu "tutor de heroísmo". Tony Stark (Robert Downey Jr., com o carisma de costume) insiste que o Homem-Aranha continue como o amigão da vizinhança, cuidando de problemas pequenos. Some-se aí não apenas os dilemas normais de um adolescente, mas também os de alguém tentando entender seus novos poderes.

Este novo filme do teioso, não reconta (ainda bem!), a história de como Parker se tornou Homem-Aranha, mas não deixa de ser um filme de origem deste herói em formação. Peter ainda não conhece completamente seus limites, ainda não está pronto para lidar com as consequências de seus "atos heroicos" e quer desesperadamente provar seu valor. É claro, que muitos erros e equívocos estão em seu caminho.

É apenas nesse "controle de danos", na supervisão e nas lições que o Homem de Ferro se faz presente, contrariando aqueles que apostavam que o milionário roubaria o filme para si. O protagonista é o Homem-Aranha, é ele quem conduz a história, Stark ou mesmo seu babá assistente Happy Hogan (John Favreau, ganhando um pouco mais de espaço) são apenas mais duas pessoas na vida do adolescente.

E por falar nessa vida, além de ficar soltando teia por aí, Peter ainda precisa respeitar sua tia May (Marisa Tomei) e frequentar a escola. É nessa vida cotidiana que está a alma do longa. Cheio de inspirações assumidas em filmes do John Hughes, a trama dedica tempo à seu dia-a-dia de adolescente, humanizando ainda mais o personagem, já todos já passamos por situações parecidas na escola. Tudo isso com diálogos rápidos inteligentes e com muito, muito bom humor.


Escolha que não funcionaria se seus companheiros de ensino médio não fossem selecionados a dedo, e sem medo de abandonar o cânone dos quadrinhos para criar um corpo estudantil mais realista. O elenco de jovens talentos, está entrosado e afinado com seus personagens, afinal estão realmente no final da adolescência, essa é sua realidade. Fãs dedicados podem se incomodar com a nova roupagem dada à Flash Thompson (Tony Revolory). Mas ninguém deve reclamar da excelente química de Holland com seu melhor amigo nerd Ned (Jacob Batalon). Também é uma boa prestar atenção às tiradas pontuais da independente Michelle (Zendaya), que aparentemente é um modelo feminino forte em construção.

Keaton é outro ponto alto do longa, ao entregar um vilão que foge da megalomania habitual dos malfeitores dos quadrinhos. Sim ele tem asas, mas suas motivações são bastante realistas, levando muito expectador à se questionar se agiria da mesma maneira. Nada de dominar o mundo, matar todos os mocinhos, atuações expansivas e risadas maléficas - um sussurro ou uma conversa calma podem ser muito mais assustadores - nem mesmo de Abutre ele é chamado.

Curiosamente, as cenas de ação são o ponto mais fraco do filme. Não que sejam ruins, elas apenas cumprem sua função. Não há nenhuma cena memorável como a luta com Dr. Octopus no trem do segundo filme de Tobey Maguire. O mesmo vale para a trilha sonora genérica que só se destaca quando traz de volta o tema da série de TV repaginado junto com o logo da Marvel aparece no início do filme.

Já a versão de Nova York é a mais criativa já vista nos filmes do cabeça de teia. Praticamente confinado no Queens, nada de balançar em arranha céus. O amigão da vizinhança mostra uma visão muito peculiar do bairro onde mora, mais uma vez humanizando o personagem. Não que Holland precise de ajuda para isso. Cheio de carisma, e tão empolgado com o papel quando Peter com seus poderes, ele é o Homem-Aranha. Uma versão leve, realmente jovem, divertida  e completamente diferente de tudo que vimos no cinema sobre o personagem até agora.

Bem inserido no universo cinematográfico da Marvel - repara, os pontos de partida tanto do vilão quando do protagonista são grandes eventos dos Vingadores - mas com uma voz própria. Homem-Aranha: De Volta ao Lar acerta em deixar a megalomania dos filmes de super-heróis de lado, para contar a história de Peter. Um adolescente comum, inteligente, bem humorado, cheio de boas intenções, e que como todos, comete seus deslizes, mas que nesse caminho está se tornando o  Homem-Aranha que precisávamos.

Homem-Aranha: De Volta ao Lar (Spider-Man: Homecoming)
2017 - EUA - 114min
Ação, Aventura


P.S.: Há uma cena durante os créditos e outra no fim, nada de sair correndo da sala!
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quarta-feira, 5 de julho de 2017

Doctor Who - 10ª temporada

Os whovians já estão de sobre aviso, está na hora de começar a desapegar do 12º Doctor. O que é uma pena, já que Peter Capaldi parece finalmente der descoberto o "seu doutor" nesta temporada de despedida.

Após um primeiro ano sem grande apelo e um segundo onde tentava emular um pouco da "personalidade jovem" de seus antecessores, ambos sustentados mais pela presença de Clara (Jenna Coleman), que do protagonista a série se reinventou. Tramas mais simples, que inclusive reapresentavam os conceitos básicos da série para novos expectadores e o mais importante, novos companions que trabalhassem melhor com este Doctor ao invés de se sobrepor a ele. Afinal, apesar de ótima, Clara foi criada para contracenar com a versão de Matt Smith.

Bill Potts (Pearl Mackie), tem uma visão menos "mágica" sobre o mundo por assim dizer, mesmo porque ela ainda está descobrindo as maravilhas deste universo. Mais curiosa e questionadora, ela não apenas é a pessoal que representa o expectador, para quem as coisas são explicadas. Mas, também questiona, enfrenta e contraria o protagonista em vários momentos, o que funciona muito bem para a versão mais velha, ranzinza e cheio de "certezas" de Capaldi.

Com Bill reapresentando conceitos base e "criando conflitos", os arcos puderam ficar menos complexos. As temporadas mais recentes tinham histórias tão rocambolescas e com tantas conexões e auto-referências tornava difícil a compreensão tanto para os "não-iniciados", quanto para aqueles que eventualmente perdessem um ou outro episódio. Vale lembrar: Doctor Who. nasceu como um programa educativo para toda a família. Atualmente adultos tinham dificuldades de acompanhar o vai-e-vem temporal.

Mas não se engane, ainda há um arco maior durante toda a temporada a ser resolvido no "season finale", mas este é incluído aos poucos ao longo dos episódios como um mistério a ser desvendado "mais tarde". Grande parte da função de Nardole (Matt Lucas, Tweedledee e Tweedledum em Alice no País das Maravilhas) é nos lembrar deste perigo/trama eminente. O alienígena é o primeiro companheiro alienígena regular desta nova geração da série, e tem potencial para retornar em temporadas futuras.

Trazendo histórias mais simples, com liberdade para criar aventuras com tons distintos e coadjuvantes que somam ao invés de ofuscar a décima temporada possibilitou à Capaldi finalmente encontrar o tom e a voz de seu Doctor. O que é uma pena, já que este é o último ano do ator na série. O mesmo vale para sua companheira Bill. A sensação que fica, é de que este era o momento, de explorar novas jornadas e finalmente se divertir de verdade com o 12º Doutor.

Entretanto, tudo vai mudar novamente, e numa escala ainda maior - o showrunner Steven Moffat que ajudou a popularizar a nova versão da série também está se despedindo. Doctor Who continua a exercitar o desapego e a expectativa pelo desconhecido em seus fãs.

Para quem já está está com saudades, Capaldi ainda vai protagonizar o especial de natal ao lado de David Bradley (Argus Filch de Harry Potter e Lorde Walder Frey em Game of Thrones). O ator dará vida ao 1º Doctor vivido originalmente por William Hartnell. Papel que já interpretou no especial para a TV An Adventure in Space and Time que mostrava a criação da série.


Doctor Who., é uma produção da BBC. No Brasil é exibida, com muitas reprises em diferentes horários no SyFy.

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