quinta-feira, 29 de setembro de 2016

O Lar das Crianças Peculiares

O adolescente Jacob (Asa Butterfield) presenciou a morte trágica de seu avô, que em seus últimos momentos lhe deixa uma mensagem esquisita e um trauma. E embora todos achem que tudo se trate dos devaneios de um velho, o garoto acredita que precisa tentar entender a mensagem, para se despedir apropriadamente do avô. A jornada o leva a uma ilha galesa, e a um orfanato envolto de mistérios. Além claro de uma ameaça iminente à espreita, para deixar tudo mais emocionante.

E isto é o máximo que podemos contar na sinopse sem estragar parte da experiência de O Lar das Crianças Peculiares. Descobrir e entender como funciona esse lar, o que significa "ser peculiar" neste contexto, e a ligação deste orfanato com o avô de Jacob, Abe (Terence Stamp), é parte impostante da jornada, que desvendamos ao lado do protagonista.

Entretanto podemos dizer que a Srta. Peregrine (Eva Green), protege crianças especiais dos perigos do nosso mundo real, e do universo de fantasia criado por Ranson Riggs. Personagens estranhos e excluídos sempre estiveram presentes na filmografia do diretor. Logo, uma história que envolve um grupo reunido por esse sentimento parecia perfeito para Tim Bruton. E no geral é!

Com um ritmo acelerado desde o início (pois há um universo para apresentar), o filme começa com um tom de mistério. Quando este é desvendado já após metade do filme, o tom muda e se torna uma aventura cheia de perigos e efeitos especiais. Com um elenco de crianças carismáticas escolhido à dedo, fica difícil não torcer por elas, ou no mínimo se encantar com as menores. A exceção fica por conta de Enoch (Finlay MacMillan), além de alterado em relação ao livro para criar um antagonismo (desnecessário) à Jacob, o interprete é o menos natural do grupo. E as motivações que criaram para seu comportamento são rasas e nada originai: é ciúme adolescente.

Mas o trabalho pesado fica por conta de Butterfield, que com outras quatro adaptações literárias no currículo, fez bem seu dever de casa. Jacob se sente um garoto exageradamente comum, ao ponto de ser chato, e o adolescente consegue passar esse sentimento nos poucos minutos reservado à apresentação do personagem. Daí em diante, ele acha que está ficando louco, antes de descobrir que também é importante e crescer com isso. Quem não quer ter essa sensação, ao menos uma vez na vida?

Já Eva Green parece ter escolhido, interpretar a tutora das crianças como uma mistura da Babá McPhee e da Bruxa Angelique (de Sombras da Noite). Exagerada e cheia de trejeitos, oscila freneticamente entre uma figura simpática e uma mulher cheia de segredos. A mudança a faz soar um pouco mais caricata que o resto do elenco. E talvez lembre aos fãs mais ferrenhos de Bruton, que talvez Helena Bonham Carter (ex-exposa e parceira do diretor) acertasse o tom.

Eva Green aliais é a única do elenco que reprisa a parceria com o diretor. Habituado a trabalhar com os mesmos atores, Burton parece decidido à mudar de ares. E a bem vinda nova escalação, traz para o elenco Samuel L. Jackson, Judi Dench, Rupert Everett e Allison Janney. O destaque adulto fica por conta de Jackson aproveitando a liberdade de um filme de fantasia para exagerar e se divertir com isso.

Diferente do livro em muitos aspectos, mas mantendo sua trama central. O longa parece alterar alguns detalhes com a intenção explorar melhor as peculiaridades das crianças. Incluí todas no clímax (no livro o foco é em um grupo pequeno) e tornar toda a ação mais grandiosa e espetacular. A reorganização funciona, mas fãs devotados da versão literária podem não aceitar tão bem assim tantas mudanças.

Outro detalhe curioso é que embora hajam espaço para continuar a história. O filme não deixa grandes ganchos para uma trilogia como é na versão impressa. É possível fazê-las, há mitologia para isso. Mas se as sequencias não acontecerem o expectador comum não vai ficar com a sensação de história não concluída. Se isto é uma especie de "seguro" diante das várias adaptações fracassadas de franquias literárias dos últimos anos. Ou se a produção está indo na contra-mão de Hollywood e resolveu propositalmente contar sua história em apenas um filme, não sei dizer.

O que posso afirmar é que o 3D é eficiente, mas não indispensável. E que apesar de ter o jeitinho bizarro familiar ao diretor desde que era apenas um livro. A história das crianças peculiares traz um frescor à filmografia do diretor que aos olhos de muitos já se tornava repetitiva.

O Lar das Crianças Peculiares (Miss Peregrine's Home For Peculiar Children)
2016 - Eua, Bélgica, Reino unido - 127min
Aventura/Fantasia

Confira a crítica do livro O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares de Ransom Riggs, no qual O Lar das Crianças Peculiares foi baseado.
Leia Mais ››

terça-feira, 27 de setembro de 2016

O Bebê de Bridget Jones

Admito não fiquei animada ao assistir os trailers de O Bebê de Bridget Jones. Reencontramos a personagem uma década após o "final feliz" do segundo filme, em uma posição similar a do início do primeiro longa, mas com uma atitude completamente diferente. Separada de Darcy, ela é bem sucedida no trabalho, conseguiu se tornar uma quarentona sarada, cercou-se de amigos e não se preocupa mais em morrer sozinha. Além disso, Daniel Cleaver não está no longa. E Impossível não temer: será eliminaram as principais características da protagonista?

Felizmente, à exceção da forma física, Bridget (Renée Zellweger) continua sendo uma solteirona adorável e desajeitada. E agora tenta aproveitar a vida mesmo que esta não saia como planejado. O resultado é uma noite casual ao lado de Jack Qwant (Patrick Dempsey) e uma inesperada recaída com o ex Mark Darcy (Colin Firth) em um curto período de tempo. E uma gravidez inesperada. Sem saber quem é o pai, a protagonista embarca novamente em um triangulo amoroso maluco à ser resolvido em nove meses.

Este terceiro longa baseado na personagem criada por Helen Fielding é o primeiro roteiro original. Assim como os outros é escrito pela própria autora, dessa vez em parceria com com Dan Mazer e Emma Thompson (que também está no elenco). E passa longe da trama de Bridget Jones: Louca pelo garoto, lançado em 2013.

O Bebê de Bridget Jones é uma grata surpresa para os fãs. Especialmente aqueles que não curtiram tanto assim a sequencia No limite da Razão. Este terceiro longa é mais coerente que o segundo filme e tão engraçada que o primeiro. Ajustes precisaram ser feitos é claro, mas o roteiro foi é bem desenvolvido e traz o personagem para os tempos de hoje. Sim, muita coisa mudou desde 2004.

A mudança mais gritante é que o diário de Bridget agora é digital, e ela não faz mais tantas listas. Mas estas são as únicas coisas de que você sentirá falta, já que até a ausência de Daniel Cleaver (Hugh Grant não quis reprisar o papel) é justificada. E pensando bem, se a paternidade fosse dividida entre Cleaver e Darcy, talvez o clima ficasse mais tenso. Afinal, quantas vezes a protagonista teria uma recaída pelo mulherengo vivido por Grant? Sendo assim, Dempsey cumpre bem seu papel e dá um frescor à serie.


Os velhos, e peculiares, amigos de Bridget estão todos de volta. Mas agora tem suas próprias famílias e preocupações. Assim como seus pais. Tudo bem, pois não faltam novos amigos, e Miranda (Sarah Solemani) é a mais divertida delas. Quem rouba a cena no entanto é Emma Thompson no papel da sincera obstetra da protagonista.

O escorregão fica por conta da maquiagem, que parece oscilar entre uma sequencia e outra. Especialmente em Firth, que envelhece e volta a rejuvenescer de uma cena para outra. Vale apontar a estranheza na aparência de Zellweger não é culpa apenas da maquiagem, mas de uma polêmica interferência estética que atriz fizera há algum tempo. Enquanto a sequência com 'flashbacks' do primeiro longa também não ajuda a disfarçar a diferença.

Um ponto forte da franquia que está presente neste novo filme é a trilha sonora. Atualizada para os hits da época, e com alguns clássicos da franquia (sim, All by Myself!). Ed Sheeran não apenas está presente na trilha, mas também faz uma bem vinda aparição no longa.

Bridget Jones está diferente é verdade. Mas a preparação para ser mãe vai mostrar que sua essência continua a mesma. Tudo isso de forma inteligente, desbocada e muito divertida!

O Bebê de Bridget Jones (Bridget Jones's Baby)
2016 - Reino unido/Irlanda/França/Eua - 123min
Comédia
Leia Mais ››

domingo, 25 de setembro de 2016

Fã de Carteirinha: Stranger Things

Hora de uma inversão na série de posts Fã de Carteirinha. Ao invés de um vídeo com a performance caprichada de um fã, sobre sua série, o que veremos a seguir é um show de um elenco de quem quase todo mundo é fã. Estou falando das crianças de Stranger Things!

O ministério da blogsfera adverte: este post é uma explosão de fofura!

Eles foram de longe a surpresa mais fofa do Emmy Awards exibido no último domingo. Durante a premiação Millie Bobby Brown, Gaten Matarazzo e Caleb McLaughlin (intérpretes de Eleven/Onze, Dustin e Lucas respectivamente) serviram sanduíches de manteiga de amendoim para os famosos na platéia. Devidamente caracterizados como seus personagens da série da Netflix, e de bicicleta.


Mas a internet foi mesmo à loucura quando nos dias seguintes começaram a pipocar na rede vídeos de sua performance pré-show. A molecada cantou "Uptown Funk" para aquecer a platéia de famosos, que se provaram Fãs de Carteirinha ao soltar trechos deste momento único na internet.

Não demorou muito para um vídeo oficial e completo da performance aparecer no Canal do programa Jimmy Kimmel Live no YouTube. Kimmel foi o chato anfitrião da premiação.

Confira a performance completa!



Os atores mirins ainda tiraram onda no tapete vermelho, com as estatuetas (e olha que Stranger Things nem compete este ano! A série estreou muito tarde e a primeira temporada deve competir em 2017) e interagindo com os famosos. O que tornou impossível não anexar uma micro-galeria de imagens à este post.

Abiaxo America Ferrera (Ugly Betty) e John Snow Kit Harrington (Game of Thrones). Este último tentando conseguir mais um sanduíche ou quem sabe uma ajudinha para derrotar os White Walkers...



Os oito episódios da série original da Netflix já estão disponíveis no serviço de streaming. Se ainda não viu corra para assistir Stranger Things e divirta-se! Com certeza essas crianças estão...


Leia mais sobre Netflix, ou confira nossas Informações úteis para sua maratona de Strager Things e a crítica do primeiro ano da série. 
Leia Mais ››

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares

Simples e criativo, O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares é um enredos nascido de uma daquelas idéias das quais nos perguntamos: porque não pensei nisso antes? Ramson Riggs usou fotografias antigas resgatadas de feiras de antiguidades, brechós e similares. Todas com uma história intrigante por trás das imagens.

Jacob Portman cresceu ouvindo de histórias de aventuras incríveis, e provavelmente impossíveis de seu avô. Quando este morre de forma misteriosa e violenta nos braços do neto, Jacob tem problemas com o luto e decide viajar para a ilha galesa que abriga as ruínas do orfanato que seu avô frequentou na infância. Lá ele descobre o peculiar passado de seu avô e o perigo que o envolvia.

Mistério, aventura, perigos enfrentados por jovens muito peculiares, todos ilustrados por fotografias antigas e curiosas. Curiosamente apesar das fotos terem servido como base para a história, esta não depende das imagens para se desenvolver. Uma versão não ilustrada funcionaria bem, perdendo apenas um pouco do charme.

Com pouco ou nenhum tratamento, as fotografias antigas trazem um ar de autenticidade à trama. Sombrias e com cenas curiosas, trazem cenas que aguçam a curiosidade para além da trama ficcional. Ok, sabemos como o autor escolheu inseri-las na história, mas é difícil não nos perguntar qual era a intenção ao registrar poses e momentos tão curiosos. Aliais peculiares!

E por falar em peculiares, é o mistério o que cerca os personagens do título. Assim como Jacob, não temos ideia do que vamos encontrar na jornada. Nenhuma mesmo, já que as escassas pistas deixadas pelo vovô Portman, não fazem sentido algum. É assim, revelando detalhes e mistérios em doses muito pequenas que Riggs prende a atenção do expectador. Quando os segredos são por fim desvendados, os perigos também e resta aos personagens enfrentar as ameaças.

Esta é a "peculiar" primeira capa
nacional da publicação.
Com um protagonista adolescente e um universo povoado por crianças (ou quase isso), a linguagem é simples, direta e objetiva. Proporcionando um ritmo confortável de leitura. Cineasta, reporter e blogueiros o autor é eficiente em descrever cenários e características, criando uma gama de personagens carismáticos e um universo com muito potencial.

Potencial esse muito bem vindo, uma vez que a aventura se tornou uma trilogia. Cidade dos Etéreos e Biblioteca de Almas completam a série. Enquanto o recém lançado Contos Peculiares, traz uma coletânea dos contos mencionados dentro da série. São as histórias que a Srta. Peregrine conta e reconta para os jovens peculiares.

O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares é o resultado de uma boa ideia desenvolvida de forma eficiente. Resultando em um produto divertido, interessante e diferente. Peculiar assim como seus personagens.

O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares (Miss Peregrine's Home for Peculiar Children)
Ransom Riggs
Leya

*A adaptação para os cinemas de O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares estreia dia 29/09/2016. É dirigida por Tim Burton e traz Asa Butterfiel, Eva Green e Samuel L. Jackson no elenco.
Leia Mais ››

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Bates Motel - 4ª temporada

...ou como criar um psicopata: produto final! Os personagens à sua volta ainda não sabem, mas Normam (Freddie Highmore) já é a figura aparentemente pacata e solitária que administra o Motel Bates no início de Psicose, longa no qual a série é inspirada.


"Vale sempre alertar: resenha a seguir pode conter spoilers de Psicose, clássico do mestre do suspense Alfred Hitchcock. Mas se você já passou por duas temporadas sem assistir ao original, é porque é um péssimo cinéfilo, não está a fim de ver mesmo né!"

Bates Motel é aquela série curiosa que te provoca sentimentos confusos. Você (que conhece o longa) sabe como a história termina. Mesmo assim, fica surpreso com o que acontece e receoso pela segurança de personagens cujo destino já conhece. Talvez isso aconteça porque pela primeira vez estamos vendo como acontece! E como já dizia Lisbela (aquela do filme nacional, com o "Prisioneiro") - O importante não é saber o que acontece. Mas, como acontece, e quando acontece!

O quando foi a grande surpresa da temporada - SEGURA QUE AÍ VEM SPOILER- A decisão de retirar Norma (a verdadeira, não a alucinação) de cena faltando ainda um temporada inteira a ser produzida,  foi uma escolha ousada. E até funcionaria como final da produção, caso a quinta e última temporada não tivesse sido confirmada.

Agora com a personagem de Vera Farmiga morta, vamos descobrir como Norman lida com sua "condição", evitando que o mundo à perceba. Já a mãe super protetora, Norma, só deve aparecer em memórias, flashbacks ou na versão que existe apenas na mente de seu perturbado filho. Uma mudança e tanto para a escala de trabalho da atriz. - FIM DO SPOILER

Nesta temporada Norma finalmente entendeu a condição de seu filho, buscou ajuda necessária a qualquer custo. E no caminho, acidentalmente acabou se apaixonando, e descobrindo uma possibilidade de futuro que não girava 100% em torno de seu caçula.

Além da atarefada matriarca, Farmiga também encarna outras duas versões de Norma. A imaginária que conversa com Norman, sem que ele perceba a diferença entre alucinação e sonho. E aquela que é na verdade Norman assumindo a identidade da mãe. É com esta última personalidade que temos as sequencias mais intrigantes da produção. No complexo trabalho de caracterização, ao vermos Highmore, atuando como Norma. E Farmiga incorporando Norman, se vendo como Norma. Achou confuso? É um trabalho em conjunto onde a dupla precisa estar em harmonia para que o trabalho soe coerente e fuja da caricatura. E eles o fazem muito bem.

Com tanta coisa acontecendo na mente de nosso protagonista. A cidade de White Pine Bay, apresentada no primeiro ano como fator importante na criação da psicopatia de Norman, aparece muito menos. Continuando o processo de isolamento da dulpa do mundo real, iniciado ainda na terceira temporada. Quanto mais o jovem se perde em sua mente, menor fica seu mundo e menos vemos da cidade e seus moradores. Estes agora se resumem a Emma, Dylan e o Xerífe Romero (Nestor Carbonell). Este último finalmente se firmando como interesse amoroso de Norma e contraponto à sua vida de dedicação ao filho.

Enquanto seu primogêntio Dylan (Max Thieriot) segue em arco paralelo, desenvolvendo um relacionamento saudável com Emma (Olivia Cooke) e conseqüentemente se afastando da conturbada família. Agora, observando a situação "de fora", o rapaz até tenta interferir mas é excluído da "bolha" em que sua mãe e irmão vivem.

Com todas as peças (ou seriam referências?) prontas no tabuleiro, Bates Motel termina sua quarta temporada quase pronta para a trama do consagrado longa de Hitchcock. Para o quinto e derradeiro ano, ficam o destino de alguns poucos personagens e estabelecer o "pacato" estilo de vida do novo dono do Motel Bates, Norman.

Bates Motel é exibida pelo canal pago Universal Channel,e tem algumas temporadas disponíveis na Netflix. Assim como as temporadas anteriores, esta tem 10 episódios. O quinto ano será o último.

Leia mais sobre Bates Motel aqui, ou descubra o clássico de Hitchcock que a inspirou a série, no especial Psicose do blog parceiro DVD, Sofá e Pipoca.
Leia Mais ››

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Um olhar mais atento sobre Full House

Ainda estou no meio da maratona para colocar em dia os episódios de Full House (Três é Demais no SBT). Se você, como eu, assistia pela TV aberta provavelmente perdeu as duas primeiras e a última das 7 temporadas.
E mesmo se tratando de uma comédia despretensiosa para toda a família, um detalhe me chamou atenção: Full House era um retrato das mudanças de sua época. Calma, eu explico!

Apesar de não ser o argumento original (a ideia inicial era de uma casa povoada por humoristas), a série trazia três homens jovens criando três meninas. Verdadeiros "donos de casa" em treinamento, na TV, em 1987. Por mais que a situação existisse na vida real, era raro ver na TV crianças serem criadas sem uma figura materna. Seja uma avó, tia, amiga, empegada, interesse amoroso do pai, havia uma figura feminina por perto, especialmente se todas as crianças em questão fossem meninas. Esse formato de família disfuncional era incomum para a TV aberta e abriu portas para outras famílias sem patriarcas.

Fabi, mas e a Becky? - Calma, não esqueci do interesse amoroso do Tio Jesse que chegou na segunda temporada e acabou se tornando tia da garotada. É aí que está a parte curiosa, Rebecca era uma excelente profissional, mas uma péssima dona de casa. Ajudava sim, mas o "trabalho duro" continuava com os rapazes.

Tem ainda a iniciação ao "politicamente correto". Pense em outros produtos típicos dos anos 80. Marty McFly beija a própria mãe, Os Goonies trancam o Gordo com um cadáver no Freezer (isso para mencionar apenas os que lembrei de cabeça). Mas na TV o politicamente correto chegava mais cedo, e como muitas séries em Full House tudo era resolvido exageradamente com conversas compreensivas e muitos, muitos abraços. Uma criança apanhando como castigo, como vimos uma década antes em Arnold (Diferent Strokes) já era impensável.

Infelizmente quanto ao politicamente correto, ainda estamos acertando o tom entre o necessário e o exagero. Mas a expressão "Pãe" (Pai+Mãe), não é mais uma coisa tão estranha na sociedade. Óbvio, não estou dizendo que Full House é responsável pela mudança, porque não é! Esta aconteceria de qualquer jeito seguindo o curso que a sociedade escolhera. Mas é curioso perceber a série como um registro desse período de transição.

Agora vem Fuller House...
Inteligente e descaradamente recriando a série apenas invertendo os gêneros dos personagens. Agora temos três mulheres comandando a casa. Uma mulher sustentando a família não é novidade, nem na TV, nem na vida real. É fato! Mas estamos na era do empoderamento feminino e da diversidade. Será que a série vai como sua antecessora refletir nossos tempos?

Os muitos abraços, é claro, continuam...

Quanto a diversidade já deram um passo à frente, ao incluir Ramona na trama. A filha de Kimmy é bi-racial e bilíngue. Pode não parecer muito, mas já um começo considerando a profusão de pessoas loirinhas que era a série original.

Falta só descobrir como empoderar melhor DJ, Stephanie, Kimmy e Ramona. Que venha a segunda temporada, e se possível mais o retrato de uma época, escondido por trás de uma série despretensiosa e até meio bobinha!

O revival Fuller House  é uma série original Netflix tem 13 episódios, todos disponíveis na plataforma de streaming. Os 192 episódios das sete temporadas de Full House também estão disponíveis no serviço.

Leia mais sobre séries, e não deixe de ver nossas Informações úteis para sua maratona de Fuller House
Leia Mais ››

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Pausa para falar dos Jogos Paralímpicos Rio 2016

Isso mesmo, diferente da grande mídia, esta blogueira que vos escreve não vai demostrar menor interesse pelos paraolimpíadas. E já que reservei um momento para falar da primeira etapa deste ciclo olímpico, nada mais justo que também fazer uma pausa para falar da "parte 2".


Especialmente porque, diferente dos mais badalados Jogos Olímpicos, a então, menos visada competição com os para-atletas proporcionou para muita gente a possibilidade de vivenciar, o "espírito olímpico". Uma campanha massiva para vender os ingressos encalhados, e mais importante, preços mais acessíveis foram a solução para quem queria participar da festa, mas não tinha o orçamento à favor. Isto inclui esta blogueira que vos escreve.

Admito, não sou a fã número 1 de esportes (se você acompanha este blog já deve ter notado, meus interesses são outros), mas é claro que acompanho grandes eventos como a Copa do Mundo, os Jogos Pan-Americanos e Olímpicos (de verão e inverno), com tanto entusiasmo quanto qualquer um. Afinal, além dos jogos, aprendemos um pouco sobre outros países e culturas. 

Logo, não é surpresa, eu nunca havia acompanhado competições ao vivo. Como exímia expectadora via TV de competições ficou impossível não notar algumas diferenças gritantes da experiência. Eu assisti Basquete Feminino em Cadeira de Rodas.

De cara, senti falta dos "closes" da TV. Eu explico. As câmeras da TV delimitam a ação, em geral na bola, favorecem a tensão naquele close do atleta prestes à fazer um lance livre. Mas convenhamos, tem muita coisa acontecendo em quadra além daquelas quatro margens da televisão. Aliais no ginásio inteiro. Não é surpresa você eventualmente perder um lance legal, porque estava prestando atenção em outro jogador, ou em algo na platéia, na equipe técnica, no pessoal da imprensa. E sim há um telão com as mesmas imagens do jogo geradas para a TV. Mas, sério? Com tanta coisa acontecendo quem vai olhar para o telão?
Quando a festa é sua, mas seu irmão acaba roubando as atenções. Pelo menos o Tom tem o cabelo mais legal!!!
Também senti falta do Tom. Não. Não é verdade que todas as áreas de competição tem um mascote presente durante os jogos. O boneco azul não deu as caras por lá. E é até difícil encontrar peripécias suas na rede como aconteceu com seu irmão Vinícius. Mas atração do intervalo não faltou, DJ e animador, isso sim tinha! 

O mesmo vale para as atrações legais no Parque Olímpico. Aquelas que você via na TV e no Snapchat oficial dos jogos. Elas acontecem sim, só lá pelo o fim do dia, desfavorecendo a galera que assiste as competições da manhã e não pretende ficar o dia inteiro lá. Inclua nessa lista, gente que mora mais longe e famílias com crianças e idosos.

Mas, não entre em pânico! É claro que a experiência vale muito o ingresso (e a jornada para chegar lá, dependendo do onde você more).

Entre as coisas que compensam, conhecer um lugar novo, que não estará disponível nesta formatação por muito tempo. Descobrir esportes novos, e compartilhar a empolgação com a galera. Não apenas o pessoal que está com você mas com os público como um todo.

Para a criançada, é bom aprender sobre limitações e possibilidades na prática. Além de entender que dá para torcer pelos dois times, pelo melhor jogo possível. Esse é espírito, e aí que está a graça.

Algumas verdades precisam ser ditas, sobre o Parque e o Boulevard Olímpico.

Megastore - Megafila - Mega-preços...
Os preços não são apenas caros. São absurdos, em muitos casos mais que o dobro do "mundo real" lá fora. E não há outras opções na área. Sim, você pode levar biscoitos, há bebedouros e com sorte até uma empresa ou outra oferecendo água de graça. Mas isso não sustenta quem vai ficar por lá o dia inteiro. Mencionei as inevitáveis filas gigantescas?

Nem tudo foi finalizado à tempo como deveria. Então tapumes, estruturas temporárias e outros "quebra-galhos" serão encontrados, nas instalações, e mesmo no caminho.

Isso não é falta de acabamento, mas curiosamente nem o Boulevard nem o Parque tinham áreas de sombra. O que mesmo no inverno do Rio de Janeiro é risco de insolação!

Não foi legal, esperar até a véspera da abertura dos jogos paralímpicos para avisar que agora transportes que durante os jogos olímpicos só eram acessíveis com o bilhete especial, poderiam ser utilizados com os cartões que o carioca já utiliza no dia-a-dia, desde que acompanhados do ingresso. Àquela altura, muita gente já tinha desembolsado os R$25, do cartão comemorativo.

Jogos Paralímpicos uma festa negligenciada

Dito tudo isso uma coisa fuca evidente: os jogos paralímpicos recebem muito menos atenção do que deveria. Mesmo tendo o saldo de medalhas para o brasil muito superior ao dos jogos tradicionais. E sendo disputado em nossa casa.

Desde as casas dos países, que fecharam as portas ainda em agosto (inclua a Casa da Coca-Cola aqui), até o número de atrações não exportivas reduzidas. A sensação é que abandoaram a festa antes do fim. Enquanto as emissoras que se diziam a "Casa oficial" dos jogos, nem a abertura exibiram (compacto não vale, viu!). Relegando aos telejornais as muitas conquistas de medalhas, e ignorando as competições.

Uma pena, considerando que não teremos tão cedo outros jogos "perto de casa". E que experiência que reúne o mundo como esta pode ser única, mesmo para quem só pode acompanhar pela TV. Os Jogos Paralímpicos são uma festa linda, pena que pouca gente pode ver!

Mas esta é apenas a opinião desta humilde blogueira que vos escreve. O que você pensa sobre o assunto?

Agora de volta à programação normal....

Leia Mais ››
 
Copyright © 2014 Ah! E por falar nisso... • All Rights Reserved.
Template Design by BTDesigner • Powered by Blogger
back to top