quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Bingo: O Rei das Manhãs

Não se espante se achar a figura título de Bingo: O Rei das Manhãs familiar. De fato, se você trem 30 anos ou mais, provavelmente vai lembrar de um certo palhaço que fazia sucesso com a criançada na década de 1980. O longa é inspirado na vida de Arlindo Barreto, especificamente no período em que ele interpretava o Bozo na televisão.

Augusto Mendes (Vladimir Brichta) não tinha muita sorte na carreira de ator até conseguir o papel Bingo, palhaço apresentador que anima criançada diariamente nas manhãs de uma emissora de TV. Um sucesso meteórico de audiência, Bingo ficou famoso, mas seu intérprete por trás da maquiagem não. A frustração por não ter seu trabalho reconhecido e a vida desregrada de quem alcançou sucesso e fama sem estar pronto para lidar com isso colocam o protagonista em um caminho complicado.

Sim, é uma típica trama de potencial desperdiçado, deslumbre com a fama e problemas com drogas. Mas é uma história muito bem contada e com a peculiaridade de se passar nos "loucos" anos de 1980, relembrados sempre como uma época de excessos e exageros. O longa, aliás, acerta e muito na reconstrução da época sem ser negativamente crítico. Sim, era cafona, mega colorido, exagerado e até absurdo, mas era assim que as coisas eram e pronto.

A produção não precisou apenas recriar a década, mas também nomes, logos e cenários sem perder a familiaridade com o real. Já que questões de direitos autorais impediriam o uso do nome Bozo, o apresentador virou Bingo. Junto com ele, todos os nomes mudaram oferecendo maior liberdade criativa para o roteiro, que incluiu situações ficcionais e casos que aconteceram também com outros atores que deram vida ao palhaço -  o personagem teve mais de uma dezena de intérpretes por todo país entre 1981 e 1991. Se você não sabia, desculpe por estragar sua infância!

A única personagem que teve seu verdadeiro nome mantido é Gretchen. A rainha do rebolado foi divertida e acertadamente recriada por Emanuelle Araújo. Mas o destaque do elenco é mesmo Brichta, que mergulha de cabeça tanto na pesona do palhaço, quando na pessoa perturbada por trás do pancake. Além da falta de reconhecimento e do problema com drogas, Augusto ainda tem que lidar com as restrições e o roteiro ruim impostos ao personagem pelo criador "estadunidense", com a diretora linha dura  do programa vivida por Leandra Leal e a falta de tempo de brincar com seu próprio filho (Cauã Martins). E por mais que faça tudo errado - muito errado mesmo! -, seu carisma impede que o público não escolha torcer por ele.

Uma versão romanceada e muito bem construída de um ícone da infância de muita gente, Bingo: O Rei das Manhãs vai conquistar muita gente não apenas pela trama e boa atuação, mas pela nostalgia. Tente não sorrir ao reconhecer uma propaganda do pirocóptero no fundo de uma cena, ou ao perceber que a TV de hoje nunca exibiria programas infantis como aqueles que assistíamos. Filme de estreia de Daniel Rezende como diretor, é uma feliz surpresa do cinema nacional vai agradar e muito a todos que sobreviveram à TV da era "pré-politicamente correto", e não cresceram problemáticos por causa disso.

Bingo: O Rei das Manhãs
2017 - Brasil - 113min
Drama, Biografia
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segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Defensores - 1ª temporada

Em suas primeiras incursões na telinha Demolidor e Jessica Jones surpreenderam pela qualidade. Já Luke Cage tinha uma personalidade e ritmos bastante específicos que exigiam um pouco mais de empenho do espectador. Enquanto Punho de Ferro, sou simplista demais e ousada de menos. Quem acompanhou o desenvolvimento das séries da parceria Marvel-Netflix deve ter ficado curioso em como seu desfecho colocaria juntos personagens tão distintos em personalidade e tom.

É nesse contexto de curiosidade, dúvida e empolgação que Defensores chegou à plataforma de streaming este fim de semana. A trama principal desta série que une os quatro heróis urbanos da Marvel, foi contruída ao longo das produções anteriores. Gira em torno do Tentáculo. Organização apresentada na série do Demônio de Hell's Kitchen, que tem relação com a cidade mística onde Daniel Rand treinou e cujas ações interferem nas investigações de Jessica e no cotidiano do amado bairro de Cage. E claro, ameaçam toda a cidade de Nova York.

Explicar estas relações e costurar as histórias de cada um dos seus protagonistas. Os dois primeiro episódios são exclusivamente dedicados à isso. Uma escolha no mínimo surpreendente para a produção, que para alguns pode parecer arrastado. A escolha, porém, é acertada para encaixar tantos personagens na mesma história e evitar pontas soltas.

Depois das devidas introduções feitas a trama segue sem grandes enrolações. Existe uma ameaça, que embora não completamente compreendida, é grandiosa ao ponto de que os heróis deixem suas agendas de lado. É claro, eles não decidem trabalhar juntos de cara, mas as circunstâncias, aos poucos os deixam sem opção e vê-los discutir e tentar fugir das responsabilidades é parte da diversão. Uma pena o roteiro não ter falas mais inteligentes, e situações melhor elaboradas.

Também é nos esperados momentos de interação entre os personagens que descobrimos se a empreitada é bem sucedida. E sim, é ótimo vê-los juntos e a união traz alguns benefícios principalmente para Luke (Mike Colter) e Dany(Finn Jones). O ex-presidiário deixa um pouco de lado a parte ranzinza de ser o herói do Harlem e se diverte um pouco com suas habilidades. Já o Punho de Ferro Imortal - sim, ele continua se apresentando com toda essa pompa - está menos dramático embora ainda continue sendo o mais infantil do grupo. A dinâmica da dupla funciona e deixa portas abertas para aventuras dos Heróis de Aluguel, parceira dos dois nos quadrinhos.

Entretanto, os mais carismáticos ainda são Matt (Charlie Cox) e Jessica (Krysten Ritter), ambos conseguem melhorar um pouco a qualidade do roteiro com suas atuações. A investigadora mal humorada tem as melhores tiradas para apontar os absurdos de uma série de super-heróis. Enquanto o advogado cego está relutante quanto a sua vocação e depois é assobrado pelo seu passado. Passado em forma de Elektra (Elodie Yung), cujos trajes devem agradar os fãs.

Do outro lado da briga, Sigourney Weaver traz uma vilã sem escrúpulos que podia facilmente se tornar caricata, mas funciona nas mãos de sua boa intérprete. Madame Gao (Wai Ching Ho) e Stick (Scott Glenn) trazem sua sábia ambiguidade de volta. Boa parte do elenco das quatro produções também retorna, todos com alguma função na trama ainda que pequena. Entre eles Claire (Rosario Dawson), Colleen (Jessica Henwick) e Misty Knight (Simone Missick) tem mais tempo em cena.

Embora Nova York seja um personagem importante na trama - é pela cidade que os heróis lutam - ela nem de longe tem a personalidade que apresenta em Luke Cage. Ainda sim, é curioso observar como os criadores resolveram identificar a NY de cada um de seus protagonistas através das cores. O mundo do Demolidor é vermelho, de Jéssica é azul, de Cage amarelo, verde para o punho e da vilã Alexandra branco. Deixando evidente o perigo quando todos se encontram em um ambiente muito claro, ou criando um restaurante complexamente iluminado quando os quatro se reunem pela primeira vez. Efeito simples, e até exagerado em alguns momentos, mas completamente em sintonia com uma obra nascida nos quadrinhos.

A decepção novamente fica por conta das lutas. As coreografias não tem grande impacto em cena, parecem "mais do mesmo". Para Jessica e Cage, que não tem treinamento de luta, não é um grande problema. Mas as habilidades marciais pasteurizadas são frustantes quando as vemos em lutadores que supostamente deveriam ser os melhores em suas áreas.

Divertida, Defensores tem seus pontos altos e baixos, mas funciona - tem inclusive a já clássica cena de pancadaria no corredor da franquia. Resolve a trama do tentáculo, que se arrastava desde a primeira temporada de Demolidor. E impulsiona os arcos dos personagens, deixando todos em um ponto mais interessante do que começaram. E o expectador com esperanças quanto ao que está por vir. A segunda temporada de Jessica Jones é a próxima.

A primeira temporada de Defensores tem oito episódios de uma hora cada e todos já estão disponíveis na Netflix. Leia mais sobre DemolidorJessica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro.
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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Annabelle 2 - A Criação do Mal

Inspirada em uma boneca real, Annabelle foi apresentada ao público em 2013 no primeiro e excelente Invocação do Mal. O caso real do brinquedo amaldiçoado serviu como introdução para o casal de demonólogos que protagoniza a franquia. No ano seguinte ela ganhou seu primeiro filme solo. Eficiente porém não tão brilhante, a produção abusava dos clichês do gênero, mas assustou a audiência o suficiente para garantir uma segunda incursão nas telas. E que surpresa, Annabelle 2 - A Criação do Mal é melhor que seu antecessor.

O primeiro longa volta no tempo para as "aventuras" de sua personagem título antes de ser detida pelos Warren. Este novo filme repete a cronologia invertida e retrocede ainda mais, até a época em que a boneca artesanal foi construída. O casal Mullins (Anthony LaPaglia e Miranda Otto), fabricam brinquedos quando sofrem uma grande perda na família. Anos mais tarde transformam sua casa em abrigo para um grupo de órfãs desalojadas. Não demora muito, para as meninas "explorarem" a residência e coisas estranhas começarem a acontecer.

Mais parecido com os longas Invocação do Mal do que com o Annabelle original, o filme não escapa de usar os clichês do gênero. Apesar dos sustos fáceis estarem de volta, a produção é mais eficiente na construção de um clima de medo constante. Isso porque, mesmo uma coisa que fica no "lugar comum" pode funcionar se bem feita. E o diretor David F. Sandberg (Quando as Luzes se Apagam) sabe como construir a tensão mesmo em torno de um acontecimento esperado. Para isso,  tira um certo tempo apresentar o contexto, o que deve desagradar aqueles que entram no cinema esperando susto logo nos primeiros quinze minutos de filme.

Apesar desta preocupação em apresentar, o roteiro não é dos mais complexos ou profundos. Sim, se você assistiu alguns filmes de terror na vida vai deduzir muita coisa que está por vir. Alguém vai fazer o que não deve, eventos estranhos passarão despercebidos por muitos dos personagens, outros insistirão em vagar pelo escuro sozinhos, a música eventualmente vai subir e... Bú! Normalmente, esta obviedade me entediaria ou irritaria, mas os acertos compensam o "mais do mesmo" e mantém o interesse no filme.

O primeiro deles é a escolha das talentosas atrizes mirins que vão levar o expectador através da trama, e a apresentação de suas personagens. Não é difícil acreditar na amizade de Janice (Talitha Bateman) e Linda (Lulu Wilson), a partir daí é impossível não se preocupar com seus destinos. Linda inclusive, é surpreendentemente corajosa e até esperta para um personagem do gênero. 

Já o elenco adulto não surpreende, mas Anthony LaPaglia e Stephanie Sigman conseguem acertar o tom do chefe de família endurecido pelo trauma e da tutora preocupada das crianças, respectivamente. Já Miranda Otto é subaproveitada. Envolta em mistério no início da história a Sra. Mullins poderia ter um desfecho interessante, ou melhor trabalhado. Ao menos, sua resolução é graficamente assustadora.

E por falar em "graficamente assustador", a direção de arte acerta ao desenvolver o ambiente da casa. A residência, sem vida quando as meninas chegam, aos poucos escurece e se torna um ambiente opressor conforme o terror se intensifica. Também há pistas e detalhes nos objetos e paredes. Desde óbvias fotografias, até crucifixos escondidos no design da casa.

Também fico satisfeita em dizer que eles continuam resistindo a tentação de fazer a Annabelle se mover em cena - ela não é o Chuck!. Usando outros artifícios, que incluem efeitos práticos e digitais, para "perseguir" as vítimas. Ou usando a sugestão do que não a vemos fazer para nos assombrar.

Entre as já esperadas incapacidades dos personagens em seguir regras, encontrar interruptores, ou simplesmente correr na direção oposta, Annabelle 2 - A Criação do Mal, consegue criar bons momentos de tensão. Aqueles em que não estamos apenas esperando o próximo susto, mas realmente com medo do que está por vir. Não é o melhor do universo de terror produzido por James Wan, mas é eficiente e torna sua personagem título icônica o suficiente para continuar aterrorizando imaginário popular por mais algum tempo.

Annabelle 2 - A Criação do Mal (Annabelle: Creation)
2017 - EUA - 110min
Terror


P.S.: Existe uma cena pós-créditos.

Leia as crítica do primeiro Annabelle, e de Invocação do MalInvocação do Mal 2.
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segunda-feira, 14 de agosto de 2017

The Handmaid’s Tale

Nosso mundo não é perfeito, talvez por isso vivamos esquecendo: ele já foi pior e sempre pode voltar a ser. Basta apenas uma escolha errada. The Handmaid’s Tale é uma daquelas necessárias obras que vem para nos lembrar disso.

Nesta distopia passada em um futuro próximo de uma sociedade incomodamente muito parecida com a nossa, a humanidade passa por uma grave crise de fertilidade. Não demora muito para o medo da extinção criar o caos e uma nova ordem social se estabelecer nos Estados Unidos. A República de Gilead é um regime teocrático totalitarista, que reorganizou a sociedade em castas. Uma delas, as "Handmaids" (aias em português), é formada por mulheres comprovadamente férteis - leia-se que já tiveram filhos antes. Estas são designadas para as casas dos líderes governantes para gerar filhos para eles e suas esposas. 

É nesta situação que conhecemos a protagonista Offred, achou o nome estranho? Offred ="of Fred", literalmente "de Fred" em inglês, nome do comandante a que foi designada. Sim, nesta sociedade até mesmo os nomes destas mulheres foram retirados e elas não são as únicas em uma situação absurda.

Gradual e rapidamente, todos os direitos das mulheres são revogados, sem consulta, prévio aviso ou explicação, até o ponto em que elas passam a ser propriedade do estado. O que vemos através de bem colocados flashbacks de seu passado. Descobrimos também como o novo sistema foi implantado e a reação das diversas pessoas à ele. Desde aqueles que lutaram contra, até os que foram convencidos. Lavagem cerebral também está entre os temas, muitas das mulheres foram levadas a crer que seu novo "papel" é necessário para a humanidade, além de um dever divino. Técnicas de vigilância, controle e para evitar a união das "classes inferiores" também são mostradas em cena.


Mas a temática principal é mesmo o estupros ritualizados e mantido por lei, como ápice da exploração da mulher, mesmo as pertencentes às castas mais altas. As esposas dos comandantes também fazem parte do "ritual", e claro, não estão confortáveis com isso. Além da violência física, agressão moral e psicológica também são discutidas. As mulheres, não podem ter empregos, propriedades, ou mesmo ler. As aias não são mães dos bebês que geram, enquanto as esposas submissas ajudam seus maridos a terem filhos com outras, e criam as crianças posteriormente. E acima de tudo, são pessoas comuns que antes tinham trabalho, família, uma vida como a maioria de nós, o que torna todo o contexto uma realidade possível - e que existe sim de certa forma - fora das telas.

Apesar de levantar todas estas questões feministas The Handmaid’s Tale, não é uma série panfletária. O objetivo não é diminuir os homens, mas mostrar até onde uma sociedade pode chegar. E aliás já chegou em alguns momentos da história humana, e tem absurdos semelhantes ocorrendo no momento em que você lê este texto. O mundo totalitário e sexista da maternidade, é apenas uma das maneiras de que a humanidade pode "dar errado". E não é uma novidade, O Conto da Aia, livro de Margaret Atwood que inspirou a série foi lançado em 1985.

Nada disso no entanto teria impacto se a série não alcançasse a audiência coisa que ela consegue com uma bela construção de universo. O mindo de Gileard, é uma versão deliberadamente "atrasada" do nosso. A tecnologia existe, mas é limitada assim como a comunicação. As roupas são conservadoras tudo definido para supostamente criar um mundo "mais natural", que respeite o planeta e os preceitos desta religião extremista. O resultado é eventualmente nos surpreendermos ao ouvir a trilha sonora, cheia de clássicos modernos e percebermos que não se trata de uma produção de época. Jogando na cara do expectador novamente o fato de que esta realidade pode acontecer um dia.

 Essa construção também passa pelas cores. Uma fotografia desgastada e cheia de contra luz transforma aquele mundo em uma enorme pintura á óleo. Até o tom das roupas das mulheres tem seu propósito. Determinam seu papel naquele mundo e fazem um paralelo com figuras bíblicas. Enquanto os tons de azul e verde das esposas fazem alusão à virgem Maria, o vermelho das aias fazem paralelo com Maria Madalena. Além de as tornarem os elementos mais reconhecíveis e vívidos em cena, afinal são elas que trazem a vida. Mas vermelho também representa, agressividade, transgressão e desejo, muitas mensagens para apenas um figurino.

As atuações também chamam atenção, principalmente Elisabeth Moss. Conhecida por Mad Men, a atriz, vive uma protagonista bastante eloquente e articulada e cheia de opinião, mas que numa situação de repressão extrema, precisa - e consegue - transmitir tudo que pensa e sente através apenas de olhares, expressões e pequenos gestos. Samira Wiley (a Poussey de Orange is The New Black) que vive a melhor amiga de Offred, é eficiente mas tem um papel bastante parecido com que teve na série da Netflix. Yvonne Strahovski (Dexter, Chuck) acerta o viver a elegantemente contida Serena Joy, esposa do comandante da protagonista, que tem uma história muito mais densa que a fachada de "bela, recatada e do lar" demonstra. E por falar nele, o opressor chefe da casa é vivido por Joseph Fiennes.


A sempre excelente Ann Dowd (The Leftovers) continua intimidadora como a Aunt Lydia. A outra surpresa fica por conta de Alexis Bledel, a eterna Rory de Gilmore Girls, finalmente abandona os papéis de boa menina. Na pele de "Ofglen", não só encara seu trabalho mais denso e desafiador até então, como o faz muito bem. Basta dizer que à certa altura você esquece que ela já foi a Rory, pela primeira vez.

Falas inteligentes, e o bom ritmo do roteiro, apenas ajudam ao bom elenco entregar um trabalho intrigante e impactante. Não há como não parar para refletir a cada um dos dez episódios, ou ainda se preocupar com cada uma destas mulheres. Se a narrativa e as muitas discussões que a trama levanta não forem suficientes para você, o esmero visual ainda é um atrativo à parte, assim como a trilha sonora. The Handmaid’s Tale é uma das melhores surpresas televisivas do ano, e sua segunda temporada já foi confirmada. 

A parte ruim, é que a produção pertence a plataforma de streaming HULU, que não está disponível no Brasil. Mas este é um raro caso, em que encorajo as pessoas a assistirem, assim que puderem, como puderem. Além de excelente, a produção é um necessário lembrete de que o mundo pode "dar errado" a qualquer momento.
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domingo, 13 de agosto de 2017

Os pais em Harry Potter

É dia dos pais. Hora de aproveitar a data comemorativa em questão para exaltar figuras paternas de outro universo fantástico. Se você já acompanha o blog, já deve imaginar qual fantasia vamos visitar, assim como no Dia das Mães, vamos matar a saudade dos personagens de Harry Potter.

Tiago Potter

O pai do protagonista é o primeiro da lista. Foi morto antes da história começar, mas sabemos que era um pai dedicado - morreu tentando proteger a esposa e o único filho - e um bom amigo. Embora não tenha escapado de alguns deslizes de caráter na adolescência. É descendente de Ignotus Peverell, dono original da Capa de Invisibilidade, uma das três relíquas da morte, que deixou de herança para Harry Potter.

Arthur Weasley

É o paizão da franquia, não apenas porque tem muitos filhos - Gui, Carlinhos, Percy, Fred e Jorge, Rony e Gina - sete no total, mas porquê serve de figura paterna para todos os jovens com que convive. Aquele tipo de pai amigão, deixa os filhos aprontarem um pouco, e as vezes apronta junto, criando um equilíbrio na família em contraste com a esposa mais "linha dura".

Lúcio Malfoy

Arrogante e com complexo de superioridade, transmitiu estes péssimos valores para o filho único. Estava do lado errado da luta, mas acabou abandonando a causa no final e passou toda a batalha de Hogwarts à procura de Draco, ao invés de lutar.

Remo Lupin

Professor no terceiro livro, melhor amigo de Tiago e lobisomem desde adolescência Remo sempre temeu ter filhos e passar sua condição lupina para as crianças. Quando Edward "Teddy", seu filho com Ninfadora Tonks, ficou extremamente feliz pelo menino não ter herdado sua maldição. Em busca de um mundo melhor para o filho, lutou ao lado da esposa na Batalha de Hogwarts. Ambos morreram e Teddy foi criado pela avó materna, com a ajuda do padrinho Harry Potter.

Valter Dursley

O trouxa da nossa lista também mimou demais seu filho único Duda. Ao mesmo tempo foi um péssimo tutor para Harry, sobrinho de sua esposa Petúnia a quem teve que acolher depois da morte dos pais. Odiava magia, e consequentemente o sobrinho bruxo, provavelmente por temer e não compreender seus poderes.

Xenofílio Lovegood

O excêntrico pai de Luna, acredita e pesquisa coisas em que a maioria das pessoas não acredita. Cria sua filha como uma mente e espírito livre. É apoiador de Harry Potter, mas acaba armando uma emboscada para o escolhido, Ron e Hermione em uma medida desesperada de salvar a filha sequestrada pelos comensais da morte.

Draco Malfoy

Apesar de ter sido criado para ser arrogante e com complexo de superioridade, alguma coisa Draco deve ter feito certo. Seu filho Escórpio, que só aparece de fato na peça Harry Potter e a Criança Amaldiçoada, é uma criança adorável que cresceu isolada na mansão e só quer fazer amigos.

Ron Weasley

Pai de Rosa e Hugo, tem uma postura encorajadora em relação aos filhos. No primeiro ano de Rosa em Hogwarts encoraja a menina à se sair melhor que Escórpio Malfoy em todos os testes, o que ele afirma ser fácil já que a menina puxou a inteligência da mãe.


Harry Potter

Pai de Tiago Sirius, Alvo Severo e Lilian Luna, tem um péssimo gosto para combinar nomes - ou será que foi a Gina quem escolheu? - Mas é um pai compreensivo e consciente das diferenças entre seus filhos. Ele tranquiliza Alvo, sobre a possibilidade de ser sorteado para a Sonserina ao invés da Grifinória.

Não faltam bons exemplos paternos no universo criado por J.K.Rowling, qual é o seu favorito?
Parabéns aos pais, bruxos e trouxas de todo o mundo!

Leia mais posts dedicados aos pais e confira a lista de Mães de Hogwarts!
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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas

Depois de uma sequência que esclarece como uma única cidade pode ter mil planetas, somos apresentados a um belo povo de CGI - belo no melhor dos sentidos - e seu destino trágico. E então somos finalmente jogados na vida dos protagonistas, de Valerian e a Cidade dos Mil Planetas.

Sim, protagonistas, no plural porque apesar do título a "parceira" do personagem que dá nome ao filme tem tanto espaço quanto ele. Não que isso seja exatamente uma grande vantagem. Valerian (Dane DeHaan) e Laureline (Cara Delevingne) são um agentes espaço-temporal que trabalham em defesa da Terra e dos seus planetas aliados.

E isso é o máximo que podemos contar do filme sem dar grandes spoilers. Infelizmente, não porquê a trama seja complexa e cheia de surpresas, mas porquê é tão simples que seu desfecho pode ser adivinhado ainda nos primeiros minutos da projeção. Já o desenvolvimento é confuso e irregular, com muitas cenas desnecessárias para a narrativa, como a primeira missão dos protagonistas. Muito longa mas que acrescenta pouco à história. Não satisfeito, o roteiro repetitivo ainda acha necessário parar algumas vezes para re-explicar tudo que vimos.

Mas uma aventura simplista não seria o maior dos problemas se você se importa com aqueles que embarcam na jornada. O que também não é o caso. Valerian e Laureline são arrogantes e cheios de si, menosprezam os companheiros de trabalho ao ponto que a maioria deles não sobrevive a uma missão ao seu lado. A escolha de elenco também não ajuda.  DeHaan tenta fracassadamente emular um bad boy ao estilo de Han Solo - aliás um desvio enorme da versão original dos quadrinhos -, mas soa apenas com um canastrão cheio de trejeitos marcados. Já Delevigne é linda, e apenas isso. Ela não consegue imprimir verdade além das caras e bocas de uma modelo em uma personagem que deveria ser uma mulher forte, inteligente e cheia de atitude. Nem precisa dizer que a dupla não tem química para o romance jogado forçadamente na cara do expectador ainda na primeira cena da dupla.

Sem acreditar naqueles que conduzem a história, fica impossível para o expectador se importar com sua história. Mas gera o fenômeno curioso de nos importarmos mais com os coadjuvantes, criados por computação gráfica, mas não o suficiente para nos apegarmos à produção. Mesmo a personagem de Rihana é mais carismática que a dupla principal, embora sua participação seja curta e completamente descartável.

A parte de tudo isso, a produção cria um universo complexo e cheio de nuances que desperdiça ao focar apenas nos protagonistas. A premissa da tal Cidade dos Mil Planetas por exemplo é excelente, uma iniciativa humana de união entre os povos que cresceu ao ponto de ter povos de muitas raças vivendo juntas. Infelizmente pouco vemos da vida em Alpha e suas centena de povos. Tudo criado com um deslumbrante e criativo design de produção, que não tem medo de soar referencial à outras obras. Vale sempre lembrar que muitas destas obras que o longa parece fazer referência como Star Wars e Gardiões da Galáxia foram na verdade inspiradas pela HQ Valérian et Laureline, no qual o longa de Luc Besson é baseado.

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas é baseada em um material icônico, tinha potencial inclusive para virar uma franquia, e é visualmente deslumbrante. Mas seus protagonistas chatos e sem carisma e trama boba e mal desenvolvida infelizmente impossibilitarão novas incursões neste universo rico e cheio de possibilidades. O jeito é recorrer ao material original e conhecer os verdadeiros Valerian e Laureline nas páginas.

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas (Valerian and the City of a Thousand Planets)
2017 - França - 138min
Ficção científica, Aventura, Ação
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