quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Gilmore Girls: Um Ano para Recordar

Gilmore Girls: Um Ano para Recordar chegou no último fim de semana à Netflix. O tão celebrado revival pode (e provavelmente vai) causar sentimentos conflitantes. Dividida em quatro episódios de noventa minutos, cada um em uma estação do ano diferente a curta temporada revisita as vidas de Lorelay e Rory ao longo de um ano. E traz de volta, mesmo que em pequenas participações, quase todo o elenco.

A única grande ausência é de Edward Herrmann, o intérprete do patriarca da família Gilmore faleceu em 2014 e sua ausência foi incorporada à trama. A morte de Richard é o que permeia boa parte da história, mas não é o ponto de partida.

Na primeira estação, o inverno, Rory volta de uma longa temporada fora, construindo sua carreira. Em uma fase de transição profissional, e com a perspectiva fora da realidade, ela escolhe demais, toma decisões erradas e precisa redescobrir seu caminho.

Lorelay (Lauren Graham) está em uma relação estável com Luke (Scott Patterson), sua pousada chegou ao auge e a sensação é de estagnação. Com todos os sonhos iniciais alcançados, ela precisa descobrir qual o próximo passo. Tudo isso entre cafés, sarcasmo e referências.

De longe a narrativa mais interessante, no entanto, é a de Emily (Kelly Bishop). Sozinha pela primeira vez após 50 anos de casamento, a aristocrata exigente e cheia de regras precisa não apenas superar o luto, mas descobrir o que fazer com a vida. Nessa jornada, ela quebra as próprias regras, descobre novas relações com todos a sua volta, e ganha outras prioridades. Além de enlouquecer Lorelay no processo, claro. A sensação que fica é que agora as "Garotas Gilmore" são três!

Quanto ao retorno do restante do elenco, fica evidente: o roteiro foi escrito de acordo com a disponibilidade dos atores. Especialmente aqueles com carreira mais consolidada. O que funciona melhor em algumas situações que em outras. Faz muito sentido, por exemplo, que April (Vanessa Marano), filha de Luke apareça em uma rápida visita ao pai em uma folga dos estudos. Já a ausência da melhor amiga (e sócia) de Lorelay, Sookie durante toda a temporada, só é justificável pela disponibilidade de Melissa McCarthy para filmar apenas uma cena. - Isso mesmo, Sookie está apenas em uma cena. Contentem-se com Michel (Yanic Truesdale)

Já Dean (Jared Padalecki) e Lane (Keiko Agena) não tem muito a acrescentar à narrativa, estão lá por pura nostalgia. Novamente a diferença entre o tempo de tela, está diretamente ligado à agenda dos atores. Estas participações no entanto não chegam a ser um ponto ruim. Afinal, os moradores de Stars Hollow e suas histórias de fundo compondo aquele universo estão entre as características únicas e favoritas da produção.

Sammy Dean, Jess e Logan
Quem ganha com isso é Kirk (Sean Gunn), que cumprindo a tradição, está presente em toda parte - Toda mesmo! - E Logan (Matt Czuchry), irritante, porém aparentemente, o único ex-namorado de Rory com agenda livre (Jess - Milo Ventimiglia - também faz participações). 

Paris (Liza Weil, com o visual de Bonnie de How to Get Away with Murder) aparece bastante, mas some na segunda metade da temporada. Ainda é a personagem mais constante (mesmo que meio louca) e irretocável da produção.
Minha chefe Annalise está procurando um novo lugar para lecionar.... ops, série errada!
Some-se isso ao retorno às loucuras de Taylor (Michael Winters) - a organização da primeira parada Gay da cidade já é um clássico; as fofocas de Patt (Liz Torres, irreconhecível) e Babette (Sally Struthers), as estranhas festas anuais que nunca se repetem e a produção já acerta pela nostalgia. E até acrescenta novos devaneios como o impagável "Bar Secreto".

Propositalmente, ou não, o retorno acontece exatamente 16 anos após a primeira temporada. Rory (Alexis Bledel) agora tem a mesma idade que a mãe quando as conhecemos pela primeira vez. Isso já muda bastante a perspectiva, especialmente para quem compartilha idade com as protagonistas. Mas tudo bem, pois elas continuam exemplos de mulheres fortes, mas com conflitos como qualquer uma.Atendendo à tendencia do empoderamento feminino, que a série já abordava antes mesmo de virar moda.

Com mais pontos fortes que fracos, e algumas limitações de elenco, Amy Sherman-Palladino conseguiu recriar a atmosfera da série. As referências, os diálogos rápidos e inteligentes, e os personagens carismáticos estão de volta. Só faltou mesmo encontrar um espacinho para tocar a fofa música da abertura. Não a ouvimos em momento algum, mesmo com a participação de Carole King, compositora e intérprete, em um dos episódios.

Gilmore Girls: Um Ano para Recordar é um retorno sincero à série tanto para a equipe quanto para os expectadores. Mata a saudade, aplica doses de nostalgia e deixa um gostinho de quero mais (aquele final em aberto significa alguma coisa Netflix?), não apenas pelas protagonistas, mas de Stars Hollow como um todo. Provando um argumento que muita gente já defendia: sinto muito admiradores das "Lorelais" o melhor da série é o universo e seus loucos habitantes.

Gilmore Girls: Um Ano para Recordar tem quatro episódios de 90 minutos, todos disponíveis da Netflix. As sete temporadas da série original também estão disponíveis no serviço de streaming. 

P.S.: Para quem via dublado no SBT, sim as vozes são quase todas as mesmas. Já os fãs de Doctor Who devem adorar uma nova personagem. 

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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Está pronto para a CCXP 2016?

Está chegando a hora gafanhoto! Faltam poucos dias para você viver os quatros dias mais nerds e épicos da sua vida. A Comic Con Experience 2016 começa nesta quinta-feira, e a grande questão é: você está preparado?

Seja veterano ou marinheiro de primeira viagem, a convenção é sempre uma maratona para tentar aproveitar as atrações ao máximo. Esta blogueira que vos escreve foi nas duas edições anteriores do evento e tem algumas dicas acumuladas. As mais importantes são:
  • Foco: decida quais coisas são mais importantes para você e se organize para vê-las.
  • Paciência: Comic Cons e filas andam juntas. Tem fila para tudo, então relaxe e aproveite!
  • Aproveite o evento como um todo: é possível, que você não consiga ver algumas das atrações para que se programou, não deixe que isso estrague seu dia. É o maior parque nerd do mundo, sempre tem alguma coisa interessante acontecendo.

Quer dicas e detalhes mais detalhados para se preparar para a CCXP? Temos também.


Manual de sobrevivência na CCXP - é um bom lugar para começar. O texto reúne as respostas para a maioria das dúvidas dos visitantes. Além de dicas para aproveitar melhor o evento sem passar por perrengues.

CCXP 2015
Os textos sobre o evento do ano passado oferecem um vislumbre de como as tudo funciona por lá. Detalhes dos painéis e um pouco da experiência como um todo.

CCXP 2014
A primeira edição do evento foi única. Menos visada e muito mais confortável, haviam dúvidas quanto ao sucesso do evento, que surpreendeu logo no primeiro dia.

Agora que você tem todas as informações necessárias, resta apenas tentar controlar a ansiedade e viver o épico. Quem sabe a gente não se encontra por lá?

*Todos os textos indicados estão repletas de fotos das edições anteriores. Divirta-se!

#VaiSerÉpico!!!
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quinta-feira, 24 de novembro de 2016

A Chegada

Preciso assistir este filme outra vez. É o que pensei imediatamente após a sessão de A Chegada, ficção-cientifica de Denis Villeneuve. Não porque o filme seja ruim, pelo contrário, mas porque o filme tem conceitos complexos e os explora em tantas camadas, que merece uma atenção maior.

Doze misteriosas naves chegam à pontos aleatórios do planeta. Nos Estados Unidos o governo convoca uma linguista, Dra. Louise Banks (Amy Adams), para tentar entrar em contato com os alienígenas. Trabalhando com ajuda do matemático Ian Donnelly (Jeremy Renner), ela precisa descobrir o propósito dos visitantes. Entretanto, para isso ela precisa primeiro descobrir como se comunicar com eles.

Os governos dos outros locais de pouso também trabalham para entender os aliens. Mas a colaboração não vai muito longe, diante dos interesses políticos de cada um somado ao medo do desconhecido, o pânico da população e o questionamento da mídia. Colocando mais urgência e peso sobre o trabalho de Louise.

Abordando a linguagem de forma única, o filme traz Louise descobrindo (ou reforçando o conceito existente) de que a forma de comunicação de uma sociedade determina também a forma que pensam. Ela tenta entender como estes seres pensam, ao mesmo tempo precisa explicar para seus superiores como chegar a este entendimento. Curiosamente em alguns momentos, fazer homens que pensam em estratégias de batalha compreender as nuances e limitações de um estudo linguístico, parece ser mais complicados que entender seres de outros planetas.

A compreensão de um "novo idioma" e forma de pensar, a tradução para outros e as escolhas políticas tomadas à partir de cada avanço, e os vários conceitos que estes problemas trazem, já seriam conteúdo suficiente para criar uma ficção científica complexa. O roteiro no entanto, não tem medo da complexidade e inclui o drama pessoal de Louise.

Trazendouma introdução melancólica, conhecemos uma protagonista distante, triste e até um tanto alienada, até que o desafio de entender seres de outros planetas é imposto a ela. A partir daí, a vemos se dividir ente medo e excitação pelo desconhecido. Passando pela dedicação extrema e alcançando uma conexão única com os visitantes. Tudo isso enquanto aprende a compreende-los e a pensar como eles.

Com um ritmo um tanto lento para alguns especialmente no início, mas que cumpre bem sua função de criar tensão, o longa chama atenção por abordar conceitos complexos. Percepção do tempo, o ruido ou mesmo incapacidade da comunicação, mesmo quando o idioma é conhecido, escolhas individuais e em grupo, medo do desconhecido e a sempre mais provável resposta agressiva da humanidade, são alguns dos muitos temas discutidos diante de um simples argumento: alienígenas chegaram à Terra, não sabemos o que eles pretendem.

Quando todas essas peças e conceitos começam a se encaixar, e a linguagem dos ETs começa a fazer sentido. Descobrimos que todos estes dilemas servem muito mais a humanidade, que aos visitantes que causaram tudo.

Baseado no conto The Story of Your Life de Ted Chiang A Chegada é um longa bem executado, com bons efeitos e atuações acertadas. Além de fazer uma coisa rara em Hollywood, não menosprezar a capacidade intelectual do expectador. Pelo contrário, o longa nos instiga a discuti-lo, assistir novamente e tentar redescobrir cenas e diálogos, deixados como pista, que passam a fazer mais sentido ou mesmo finalmente ser notados, quando se tem compreensão do todo. Pois é, eu preciso assistir este filme outra vez.

A Chegada (Arrival)
2016 - EUA - 116min
Ficção-científica
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segunda-feira, 21 de novembro de 2016

The Art of the Brick - A arte de criar...

Quando se pensa em LEGO, os blocos coloridos de montar, a maioria das pessoas geralmente tem uma destas três relações com o brinquedo. A primeira é a de tentar criar algo, fracassar e partir para outro projeto. A segunda é de escolher um projeto, ser bem sucedido, admirar sua obra por um curto tempo, desmontá-la e começar uma nova. A última é a sensação desagradável de pisar em um das adoráveis porém doloridas pecinhas.
Imagem Facebook The Art of The Brick

Pois a exposição The Art of the Brick pretende mudar essa relação. As obras do "estadunidense" Nathan Sawaya já passaram por diversos países e fizeram uma bem sucedida passagem por São Paulo antes de chegar à cidade do Rio de Janeiro. Com mais de um milhão de peças de lego, espalhadas em dezenas de esculturas e a capacidade de encantar públicos de todas as idades.

Logo na entrada somos recebidos por uma peça exclusiva para a turnê brasileira, inspirada no país. A representação escolhida foi uma imagem de Pelé, prestes à marcar mais um gol. Sawaya cria uma peça nova dedicada cada país que suas obras visitam. Mal posso esperar para que ele resolva criar uma exposição que reúna essas obras. Por hora seguimos por alas para conhecer seu trabalho.

Em “Ateliê do artista”, temos um vislumbre do processo de criação do artista. Rascunhos, idéias, projetos, materiais (leia-se caixas enormes, com peças multicoloridas) e obras mais - por falta de palavra melhor - "simples", nos dão uma prévia do que está por vir.


A “Sala dos Retratos” traz fotos conhecidas reproduzidas com as pecinhas. A brincadeira aqui, é observá-las bem de perto para ver a intricada teia de bloquinhos. Depois se afastar e perceber que notaria que que são brinquedos se não soubesse.

Mas é nas alas “Expressões Humanas” e “Condições Humanas”, que o artista realmente diz à que veio. Hora criando réplicas impressionantes do corpo humano. Hora mesclando-os com diferentes formas e até ausências para expressar sentimentos e emoções de forma lúdica.

Fica à dica: não deixe de ler as plaquinhas informativas sobre as obras. Os títulos e textos são tão inspiradores e divertidos quanto as obras que apresentam. O mesmo vale para falas do artista espalhadas pela parede.

Uma homenagem à criançada é o esqueleto de Tiranossauro Rex com seis metros de comprimento e 80.020 peças, que ocupam uma sala inteira com ambientação especial. A ala “Dinossaurium”, traz um T-Rex filhote, como as crianças que o admiram tanto quanto aos blocos coloridos. Afinal oficialmente os "LEGOs" são feitos para crianças.
Imagem Facebook The Art of The Brick

Entre uma ala e outra, áreas para projeção de vídeos mostram um pouco mais do dia-a-dia de um escultor de lego. A criação, as dificuldades, os desafios são apresentados enquanto acompanhamos depoimentos e a construção de algumas peças.

  Na área dedicada aos “Mestres do Passado", o artista reproduz pinturas e esculturas famosas de diferentes épocas e partes do mundo. DaVinci, Michelangelo, Rodin entre outros grandes nomes estão lá recriados em tamanho natural com o brinquedo.

Suas duas obras finais tem alas dedicadas à elas. "Blue" traz um nadador que conta com projeção e efeitos sonoros que tornam a fluidez da escultura quase em movimentos reais. Já "Yellow" é a peça mais icônica do artista, um homem rasgando o peito que transborda pedrinhas e impressiona pela intensidade.

Mas não acaba por aí. O passeio termina em uma lojinha com produtos licenciados e lembrancinhas para todos os bolsos. E em uma sala onde os visitantes podem jogar os video-games da franquia LEGO e se liberar a criatividade com milhares de pecinhas à disposição em mesas enormes. Fica dica para você adulto: não precisa fingir que não está com vontade de montar. Mergulhe de cabeça! E se tiver filhos, boa sorte ao tentar tirar a criançada de lá.

Ex-advogado que abandonou a carreira segura, por uma muito mais interessante, Nathan Sawaya tem uma relação completamente única com os blocos. Aquela que todos desejamos ter algum dia (alguns ainda desejam), de criar qualquer coisa que a imaginação pedir. Quando a imaginação é o limite, as possibilidades são infinitas, e nessa "brincadeira", as esculturas criadas por ele criam em nós, meros expectadores de todas as idades, de sua arte uma nova relação, a de aprender sobre arte e se inspirar com o brinquedo.

A vontade de encontrar a vela caixa de LEGOs no armário é inevitável!


The Art of the Brick está no Museu Histórico Nacional, de – 17 de novembro de 2016 a 15 de janeiro de 2017. Visitações de terça a domingo (inclusive feriados), das 10h às 17h. Os ingressos custam R$20 (R$10, a meia entrada), podem ser comprados antecipadamente pela internet e dão direito à visitar à todas as exposições do museu. Mais informações no site.

Leia sobre outras exposições, ou confira a resenha de Uma Aventura LEGO.
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quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Animais Fantásticos e Onde Habitam

Os fãs já estavam conformados em só poder revistar o universo mágico criado por J.K.Rowling em reprises dos filmes ou relendo os livros de Harry Potter, sem conteúdo novo. Até que em 2013 foi anunciada a adaptação de Animais Fantásticos e Onde Habitam. Fazendo que a magia retornasse aos cinemas apenas cinco anos após o termino das aventuras do bruxinho.

Aliais, adaptação não é a palavra mais apropriada para descrever este filme. O longa e seus personagens foram sim inspirados em um livro. Mas a versão nas páginas de Animais Fantásticos e Onde Habitam é na verdade um catálogo de animais. Um livro utilizado pelos alunos de Hogwarts, que à exceção de uma breve apresentação dos feitos de seu autor Newt Scamander, não tem um arco narrativo. Sendo assim, de um ponto de vista mais objetivo o longa é na verdade um roteiro original.

Acompanhamos Newt Scamander (Eddie Redmayne) em sua primeira viagem aos Estados Unidos, mais precisamente à Nova York. Em sua maleta, óbviamente maior por dentro, todo seu trabalho de pesquisa, o que inclui os bichinhos aí do título. Em algum momento suas criaturas vão causar problemas na cidade, mas elas são apenas pano de fundo para uma trama mais complexa. É a década de 1920, em um pais que ainda não tínhamos visto naquele universo. O mundo, bruxo e trouxa, assim como as regras da sociedade eram bem diferentes do que conhecemos.

Newt esbarra por acidente neste problemas e faz novas amizades no percurso. A funcionária do Congresso Mágico dos Estados Unidos da América (MACUSA), Tina (Katherine Waterston) e sua irmã Queenie (Alison Sudol) nos apresentam a sociedade bruxa "estadunidense", seu dia-a-dia, suas normas, seus problemas.

Enquanto o no-maj (o trouxa) Jacob (Jacob Kowalski), é o cara para quem o mundo mágico precisa ser explicado (junto com alguns expectadores), e o ponto de vista trouxa e o alívio cômico. Mas, pasmem, ele vai além de uma mera ferramenta de roteiro, tem arco e carisma próprio. Vai se tornar um dos favoritos do público fácil.

Com um elenco completamente adulto, seus relacionamentos e problemas também são mais adultos. Um ponto de vista bastante diferente do universo da escola, e das amizades construídas desde a infância de que se tratava em parte os filmes anteriores. Mas chega de comparações, pois o filme se sustenta por conta própria apesar de fazer parte do mesmo universo. Um expectador familiarizado com a franquia vai ter uma experiência mais completa? Sim graças as referências. Mas o novato não vai deixar de entender ou se divertir com a aventura.


Sim, divertir. Pois apesar do tom mais adulto e sombrio (repara na paleta de cores cinzenta e no céu constantemente nublado de NY) o filme consegue equilibrar tensão e humor, nostalgia e novidade.

Redmayne consegue encontrar o tom certo da timidez, ingenuidade e deslumbre pelo mundo de Newt. Ele lida com aqueles animais todo o dia, mas seu olhar é sempre de encantamento, de alguém apaixonado pelo que faz. Fica difícil não se identificar. Alguns podem se incomodar com sua postura, especialmente no início do filme, por parecer com o trabalho de caracterização do mesmo em A Teoria de Tudo. Mas todo seu trabalho corporal serve às características do personagem e muda de acordo com as relações. Tímido e encurvado com pessoas, Newt aparece bem mais confortável com as criaturas.

O elenco acompanha o bom trabalho. Inclusive Colin Farrell que admito, não é um ator que eu imaginaria como feiticeiro. A intensidade de Ezra Miller também impressiona, assim como o carisma de Kowalski e Sudol.

Os efeitos especiais são eficientes. E sim, o 3D vale o ingresso. Existe um momento ou outro de excesso de CGI, mas não deve incomodar a maioria diante do deslumbramento e da imersão na aventura. Com mais quatro filmes anunciados, é claro que há ganchos para a sequência. Mas, à exceção de Newt e da sociedade bruxa, nenhum personagem deste ou mesmo a cidade de Nova York é certeza. Afinal Newt viaja pelo mundo estudando animais, vai saber qual será sua próxima parada.


De fato, mal podemos esperar pela próxima aventura de Animais Fantásticos e Onde Habitam, uma grata surpresa de fim de ano. Inteligente, e bem executado está longe de ser mais um caça-níquel. Pretende realmente expandir o universo, e explorar novas narrativas. Uma história nova, para um admirável mundo conhecido!

Animais Fantásticos e Onde Habitam (Fantastic Beasts and Where to Find Them)
EUA/Reino unido - 2016 - 133min
Aventura, Fantasia


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terça-feira, 15 de novembro de 2016

Westworld – Onde Ninguém Tem Alma

Caso você esteja acompanhando Westword na HBO e sua repercursão na internet já deve ter esbarrado com essa informação. A série é inspirada em um filme de 1973. Com isso, e muita teorias sobre a produção atual em mente é quase impossível não ficar curioso sobre Westworld – Onde Ninguém Tem Alma.

O argumento é o mesmo. Existe um parque de diversões que recria períodos distintos do tempo, usando robôs para povoar aqueles universo e satisfazer as vontades dos visitantes. A diferença está na complexidade. A trama do filme é muito mais simples apesar de compreender três parques, além do Westword (o "mundo do oeste" do título), também existem os mundos romano e medieval para os clientes escolherem.

Acompanhamos a visita do turista de primeira viagem Peter Martin (Richard Benjamin), e seu amigo já experiente John Blane (James Brolin) ao mundo do oeste. A dupla acaba comprando briga com o homem de preto Gunslinger (Yul Brynner), o que já era esperado na aventura do parque. Enquanto isso os técnicos do parque começam a falar de um defeito que se espalha entre os robôs como uma infecção. Mas mantém as atividades do parque normalmente.

Você já deve imaginar, que cedo ou tarde tudo desanda. E uma rebelião das máquinas acontece, centrada principalmente na figura de Gunslinger, o robô que interage com os protagonistas. A estes últimos resta tentar sobreviver.

A premissa já era excelente, mas a narrativa extremamente simples e com um final até decepcionante para quem criou muitas expectativas. Além do tempo limitado, o filme precisa contar toda a história em 88 minutos, acredito que a simplicidade se deve também à época de sua produção.

Os conceitos básicos estão lá, leis da robòtica, rebelião das máquinas, o limite da ética humana com relação as máquinas. Mas, em 1973 ainda não existia a evolução técnica necessária para contar esta história de forma contundente. Seja em efeitos especiais, apesar deste ser o primeio longa comercial à usar processamento digital de forma significativa (para mostrar o ponto de vista dos robôs), em complexidade narrativa, e principalmente em tecnologia.

Era o tempo dos computadores que ocupavam uma sala inteira. Tudo era criado com placas gigantescas e muitos fios. Tecnologia wireless, informação integrada por wifi, telas sensíveis ao toque, comandos de voz, são idéias que nem passavam pela cabeça do roteirista. Era o futuro tecnológico possível para alguém de 1973 afinal.

Logo o bate papo sobre as funcionamento do parque, hora soa antiquado, hora não faz sentido algum. Assim como as escolhas dos técnicos, que os põem em apuros sem necessariamente a interferência direta dos robôs. Talvez não se trate da revolução das máquinas apenas, mas sim da incapacidade do homem em administrar a própria criação.

E se você está achando injusto a inevitável comparação com a série de TV atual, fica a dica: é difícil não comparar e encontrar referências não apenas com a versão da HBO, mas com vários produtos de ficção-cientifica e até do western de diferentes épocas. Por exemplo, é difícil ignorar a aparência de Gunslinger muito parecida com a caracterização do personagem do próprio Yul Brynner em Sete Homens e um Destino (1960). Já seu andar duro e sua indestrutibilidade é semelhante a do Exterminador do Futuro. Enquanto seus olhos, brilham como os dos replicantes de Blade Runner. Referências anteriores e posteriores ao filme tem aos montes. quanto mais obras do gênero você assistir, mais temas vai reconhecer.

Westworld – Onde Ninguém Tem Alma é extremamente simples, e até visual e narrativamente datado e antiquado para os expectadores de 2016. Mas seu argumento e temas, criados por Michael Crichton (O Enigma de Andrômeda e Jurassic Park) continuam atuais. Que bom que a versão da HBO resgatou o argumento, colocando o original em evidência para que finalmente possamos redescobrir este filme curioso.

Westworld – Onde Ninguém Tem Alma (Westworld)
EUA - 1973 - 88min
Western/Ficção cientifica

Leia mais sobre Westword, a série.
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