quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Viva - A Vida é uma Festa

As tradições mexicanas do dia de finados, "dia de los muertos"há tempos despertaram o fascínio de quem não está inserido nesta cultura. Mas as tradições vão muito além da festa e das caveiras estilizadas que viraram "modinha" pelo mundo afora. É uma festividade sobre família, memória e reverência. É nesses valores que Viva - A Vida é uma Festa, centra sua história. Usando de sua fórmula tradicional para ancorar o olhar sobre uma nova cultura.

Miguel (voz de Anthony Gonzalez) é um menino que sonha em ser músico, mas por causa de um trauma, sua família baniu a música de sua casa há gerações. Determinado a seguir seu sonho, ele confrontar seus pais e avós em pleno dia de finados, e acaba quebrando a barreira entre o mundo dos vivos e mortos. Em sua jornada para voltar para casa, ele descobre o verdadeiro valor da família.

A aventura que começa com um conflito de gerações, se mostra uma jornada com muito mais mensagens e discussões que a simples diferença de pensamento entre pais e filhos. O longa, fala de mágoa, memória, amor, e claro, morte. Não apenas a morte física e simples, mas a morte espiritual, morte por ausência, pela incapacidade de perdoar, e pelo esquecimento. Há sim, um destino pior que a morte para os personagens já falecidos em Viva,  deixar de existir pois ninguém mais se lembra de você. Mensagens que embora pesadas, são inseridas de forma leve e orgânica na aventura, para serem captadas em diferentes níveis de acordo com a maturidade do expectador. E sim, tem espaço para as piadas acessível para os pequenos.

É também neste pós-vida possibilitado pela memória que reside uma mensagem acidental, que não é exatamente das melhores. Neste mundo dos mortos - que é incrivelmente detalhado e conta com metáforas e relações com o mundo dos vivos - vive bem, quem é bem lembrado, seja por amigos, família ou mesmo fãs. É aí que mora o perigo, alguns personagens falecidos tem status simplesmente porque são lembrados, independente de sua conduta em vida. O que pode passar a ideia de que ser famoso em vida é um objetivo a ser seguido a qualquer custo, simplesmente para ter um pós-vida melhor.

Talvez eu esteja exagerando, e meu estranhamento seja apenas porque fui criada em uma sociedade em o conceito de vida após a morte é situado em um cenário bem diferente desta metrópole que recebe todas as almas independente de seus feitos. Pessoalmente, não pude ignorar a ideia, já que as mazelas que a cidade dos mortos são centradas nesta condição da lembrança. A escolha transforma o mundo dos mortos em um espelho dos mundo dos vivos, adicionando outra camada de críticas e metáforas, que acidentalmente alimentaram esta mensagem de busca a fama. Não era a intenção da produção, mas a mensagem está lá.

Mas calma, esta mensagem acidental é um erro pequeno diante do universo de acertos do longa. E nem de longe atrapalha os bons conceitos que ele pretende e consegue passar, sem ser demasiadamente piegas ou panfletários. São lições atreladas a história assimiladas de forma orgânica pelo expectador.

E sempre há a qualidade de produção da Pixar, que aqui cria uma megalópole multicolorida e tão, ou mais viva, que o mundo dos vivos. A alegoria não é original é verdade (já vimos mundos dos mortos vibrantes em A Noiva Cadáver e Festa no Céu, por exemplo), mas a escala é gigantesca. A cidade dos mortos não é apenas deslumbrante, é funcional, é cotidiana. Existem regras,  trabalho, burocracia, entretenimento, classes sociais, relacionamentos, falecidos ou não, aqueles personagens realmente vivem ali.

O mundo dos vivos, também não fica atrás em qualidade ao retratar uma realidade mais realista e limitada (em atividades dos personagens, não em qualidade de criação) que seu contraponto sobrenatural. Uma cidadezinha do interior, onde uma família vive focada em seus sustento e tradições.

Já os seres que povoam estes universos são muitos, e acertadamente todos tem sua função para avançar a história e  personalidades bem construídas. Entretanto é o design de produção dos falecidos que vão chamar sua atenção. A produção consegue não apenas criar traços marcantes que distinguem  bem os personagens, e oferecer expressões para esqueletos, como criar suas versões vivas e mortas que combinam perfeitamente entre si.

A música completa o pacote.  Afinal seu protagonista é apaixonado por música, e o longa é um musical que mais assemelha aos longas da Disney que da Pixar, inclusive nos acertos. As canções são excelentes e servem a narrativa, impulsionando os personagens para a frente, e fortalecendo o tom emocional de cada cena. 

Vale lembrar que o filme é todo passado no México, e inclui expressões mexicanas nas falas, traços e e visual inspirado no país e apresenta algumas tradições do país para estrangeiros. E apesar de falar de tradições e rituais do dia dos mortos, evita expressar conceitos de religião. E até traz atores de origem latina em seu elenco original como Gael García Bernal e Jaime Camil. Se a produção foi respeitosa o suficiente com a cultura de nossos "hermanos", só eles podem dizer. Aos olhos dos demais parece que sim.

Viva - A Vida é uma Festa, aposta em uma trama simples para apresentar seu universo complexo e investir nos personagens, e consequentemente suas emoções. Acerta ao falar de morte, assunto que animações costumam evitar (a menos que você seja o vilão e mereça uma morte dramática em uma queda). Talvez seja o longa mais melancólico do estúdio para alguns, mas além dessa melancolia é uma aventura doce, sobre manter aqueles que amamos sempre conosco.

Viva - A Vida é uma Festa (Coco)
2016 - EUA - 105min
Animação, Fantasia, Musical
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segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Brinquedos que Marcaram Época

Hora de recomendar uma maratona diferente na Netflix. A produção em questão tem episódios solo, focados em personagens, que você já conhece. Aliais, são nomes para quem você provavelmente inventou suas próprias aventuras. Não adivinhou? Trata-se da série Brinquedos que Marcaram Época.

Em episódios de uma hora aproximadamente, acompanhamos os processos de criação, desenvolvimento e as trajetórias de quatro produtos voltados exclusivamente para a diversão infantil. Muitas entrevistas (algumas inéditas), comerciais antigos e até algumas reconstruções, ajudam a contar as histórias de brinquedos de sucesso. Inclua aí, as boas idéias, as soluções de última hora que deram certo (ou não) e até as escolhas comerciais mais absurdas.

As estrelas são conhecidos ícones de consumo da segunda metade do século XX. A primeira linha de bonecos de Star Wars, que foi rejeitadas por quase todos, antes de tirar uma pequena fábrica do anonimato. A adaptabilidade da Barbie aos novos tempos. O universo expandido, e loucamente criativo (a palavra chave é louca!) de He-Man. E as duas era das bonecas para meninos action-figures do G.I. Joe, que chegaram no Brasil como Falcon e Comandos em Ação. Curiosamente, todas as histórias centradas em bonecos, mas não se engane, todos eles tem acessórios (vendidos separadamente, é claro).

Apesar de se tratar de brinquedos originalmente estadunidenses e de seu mercado, todos eles tem boa popularidade em terras tupiniquins. A Barbie ainda está por aí e o Falcon era objeto de desejo caro da molecada. Já os bonecos de Star Wars e He-Man podem não ter tido tanta popularidade por aqui, mas seus universos "tem a Força" em nossos imaginários. Logo, não é nada difícil se relacionar com a trajetória de cada um deles, mesmo que você só tenha visto os Comandos na prateleira do seu vizinho. Além disso suas histórias curiosas são dignas de roteiros de ficção.

A narrativa dos documentários, adota uma linguagem atrevida, leve e divertida - ou seria brincalhona? - dando um tom bem humorado e fácil de acompanhar mesmo em momentos que abordam temas empresariais e até disputas judiciais. A edição, cheia de montagens engraçadinhas, também segue este estilo. Sem, no entanto, deixar de apontar que o mercado de produtos infantis não é brincadeira. A identidade dos profissionais entrevistados, também ajuda no tom. A maioria "gente grande" que gosta de trabalhar com brinquedos, e talvez por isso tenha assimilado um pouco desta diversão na forma de ver a vida. Embora seu humor em alguns momentos não seja exatamente apropriado para crianças.

O formato é o mesmo de séries documentais vistas em canais como History e Discovery Channel, bem familiar ao público atual. O único grande problema vai ser notado por quem optar pela versão dublada. Assim como esse tipo de documentário na TV, a versão em português mantém o áudio original das entrevistas como som de fundo. Prática que aliás nunca entendi, será que só eu fico incomodada com o duplo áudio?

Informativo, divertido e carregado de nostalgia, Brinquedos que Marcaram Época é uma produção acertada, que a Netflix lançou sem muito alarde. Deve agradar as gerações que brincaram com estes produtos, interessados no tema, além de atiçar a curiosidade dos mais novos. Vem molecada! Bora descobrir como se brincava antigamente, e porque estes estranhos pedaços de plastico sem grandes recursos tecnológicos fizeram tanto sucesso.

Brinquedos que Marcaram Época (The Toys That Made Us), é uma série documental de 8 episódios, os primeiros quatro estão disponíveis na Netflix desde 22 de dezembro, os demais devem chegar na plataforma em 2018. Estes devem trazer as histórias dos brinquedos de LEGO, Transformers, Hello Kitty e Star Trek.
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sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

O Estrangeiro

Uma explosão mata entes queridos de uma pessoa com "habilidades especiais", que não vai descansar até que a justiça - ou vigança - seja feita. Você provavelmente já assistiu este filme com diferentes astros de ação. A diferença de O Estrangeiro, é que o protagonista habilidoso em questão é vivido por Jackie Chan, em um esforço para mostrar que pode ir além do astro de ação.

Quan (Jackie Chan) é um dono de restaurante chinês em Londres que vive para cuidar da filha Fan (Katie Leung, a Cho Chang de Harry Potter). Quando a menina é vitima de um atentado organizado por terroristas irlandeses(!), e o trabalho da polícia local se mostra lento de mais, ele sai em busca de respostas e consequentemente de justiça. Dificultando o já complicado trabalho do vice-primeiro ministro irlandês Liam Hennessy (Pierce Brosnan), que tenta abafar o caso enquanto defende seus interesses políticos.

O diretor Martin Campbell (007 - Cassino Royale), equilibra bem busca de Quan e a trama de política. Esta última, bastante elaborada para um filme do gênero, mas não chega a ser excepcional. É provável que você descubra os culpados lá pelo meio da projeção, mesmo que não compreenda completamente a ligação entre eles. Mas tudo bem, pois é no carisma de Brosnan e principalmente de Chan que o longa se sustenta. E claro, na expectativa do embate entre eles que quando acontece,  curiosamente não envolve ação, mas tensão criada por uma boa química.

Caso os fãs de Game of Thrones estejam se perguntando,
sim Roose Bolton (Michael McElhatton) é capanga do 007!
Enquanto o ex-007 entrega um político nada charmoso, apesar de sua persona. Chan surpreende ao assumir seus 63 anos, e deixar de lado o humor que víamos até nas lutas para dar vida a um homem que perdeu tudo. Sem mais nada a perder Quan assume uma falta de empatia, que em chega a ser catatônica em alguns momentos. Estado de torpor que desaparece,  quando o personagem está em ação dando espaço à uma máquina com objetivos claros.

É uma pena apenas, que Campbell não tenha encontrado uma forma mais fluida de filmar seu astro de ação. A graça de ver Chan é acompanhar seus movimentos, o que a edição com excesso de cortes desfavorece. Por outro lado, talvez o estilo tenha sido adotado devido à idade do ator. Como o próprio longa faz questão de lembrar, o astro já está na faixa dos 60 anos, idade que pode desfavorecer as coreografias de lutas alucinadas, mas com certeza favorece o impacto dos golpes sofridos pelo personagem. Seja por atuação, ou efeito da idade, o sr. Quan, é mais pesado e demora a se levantar em muitos momentos, nos deixando preocupados com o sucesso de sua missão, e seu desfecho.

Baseado no livro The Chinaman de Stephen Leather O Estrangeiro, entrega o que promete e o faz muito bem. Uma pena a produção não ter encontrado um caminho para ir além dos estereótipos de filmes de ação. Mas é um bom exemplar do gênero que deve agradar aos aficionados por lutas, tiros e explosões.

O Estrangeiro (The Foreigner)
2017 - China/Reino Unido - 113min
Ação, Drama
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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

O Touro Ferdinando

Desde pequeno Ferdinando é diferente de todos à sua volta, é discriminado por isso, e vai ter que provar que diferenças tem seu valor. A premissa da nova animação do diretor Carlos Saldanha até poderia passar como batida e repetitiva, não fosse seu protagonista um enorme touro e sua história inspirada em um clássico infantil espanhol. O Touro Ferdinando traz lições de moral para crianças e discussões atuais para os adultos em sua aventura bem humorada.

Ferdinando (voz de John Cena no original e Duda Ribeiro na versão brasileira) é um touro de temperamento doce, que aprecia flores e a sombra de uma árvore ao invés de dar cabeçadas como os outros touros. Quando adulto, ele se torna o maior e mais forte touro, mas continua com seus interesses pacíficos. Quando é selecionado para enfrentar o maior toureiro de Madrid, ele precisa convencer seus colegas de que as touradas não são uma boa ideia para os touros.

Em sua jornada Ferdinando encontra todo tipo de personagens diferentes que tentam, ou acreditam, estar no mesmo padrão. Os touros Valente (Bobby Cannavale/Leonardo Rabelo), Guapo (Peyton Manning), Magrão (Anthony Anderson) e Angus (David Tennant), competem obsessivamente para serem o touro escolhido. A louca cabra Lupe (Kate McKinnon/Thalita Carauta) só quer ter amigos. Ouriços, cavalos e o cachorro Paco (Jerrod Carmichael) completam o elenco animal. Já os humanos estão lá para prover acontecimentos que movem a trama dos animais. Entre eles a menina Nina (Lily Day/Maisa Silva), seu pai Juan (Juanes) e o toureiro El Primeiro (Miguel Ángel Silvestre).

Uma história simples não apenas de aprender a conviver com as diferenças, mas também de descobrir as vantagens da diversidade. O roteiro acerta em apostar na simplicidade da história para trabalhar bem seus personagens, carismáticos e bem construídos cada um tem espaço suficiente em tela para contribuir com a trama e conquistar a audiência.

O roteiro bem delineado, também encontra espaço para fazer críticas à crueldade com os animais em espetáculos como as touradas e a criação de animais para o abate. Discussões mais claramente percebidas por adultos, mas que já plantam uma sementinha na mente dos pequenos - mas porque o touro precisa morrer? - a molecada vai se perguntar.

Caso ainda faltem atrativos, o longa é baseado no clássico literário espanhol Ferdinando, o touro de Munro Leaf. O elenco de estrelas bem escolhidas (que ainda conta com Gina "Jane, the virgin" Rodriguez e Otaviano Costa) entrega boas atuações, tanto na versão original quanto na dublada. E a qualidade da animação tem o selo de qualidade do estúdio que nos entregou as franquias Rio e A Era do Gelo. Apenas o 3D se prova desnecessário, não acrescentando muito nem a história, nem a qualidade da projeção.

O Touro Ferdinando é simples, mas é bem construído, traz personagens carismáticos, boas piadas, mensagens e até sugere discussões pertinentes à sociedade atual. Acerta em apostar na sensibilidade acima de personagens exagerados e sequencias mirabolantes. Provando que boas histórias, bem contadas nunca perdem seu valor e impacto, sobrevivendo aos tempos.

O Touro Ferdinando (Ferdinand)
2017 - EUA - 108min
Animação, aventura
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segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Tabuleiro vs Video Game: Jumanji

Jumanji voltou, mas as regras mudaram e a plataforma também. Hora de descobrir qual a modalidade do jogo é sua favorita. Mas antes:

O ministério da cinefilia adverte: este post contém spoilers de Jumanji: Bem-Vindo à Selva,
prossiga por sua conta e risco.


A temática e as regras básicas são a mesma. As ameaças vem de uma selva africana e o jogador precisa chegar ao final do desafio e pronunciar a palavra "Jumanji" para poder vencer. Agora vamos às diferenças:

1 - Consequências do jogo
Quem optar pela versão de tabuleiro, vai poder presenciar as excitantes consequências do jogo no lugar em que decidir jogá-lo. Trazendo as ameaças para o mundo real, e consequentemente envolvendo não jogadores na balbúrdia. Podendo eventualmente ser sugado para dentro do jogo sozinho, como uma das tais consequências, e esperar até alguém tirar a combinação correta nos dados.

Os aficionados por jogos eletrônicos são inevitavelmente assimilados pela aventura, vivenciando o primeiro jogo de realidade virtual que realmente funciona. Ninguém fora do jogo é afetado, a não ser pela sua ausência caso você demore demais jogando, ou coisa pior.

2 - Jogadores
Era preciso de 2 a 4 jogadores para a versão de tabuleiro, representados por peças em formato de animais, macaco, rinoceronte, elefante e crocodilo.

Já o game pode ser jogado sozinho (não recomendamos), e por até 5 pessoas. Vale dizer que a equipe completa tem muito mais chances de sobreviver terminar o jogo. Os jogadores são representados por avatares que agora determinam também a aparência, habilidades e fraquezas de cada um. São eles, Dr. Smolder Bravestone, Professor Sheldon "Shelly" Oberon, Franklin "Mouse" Finbar, Ruby Roundhouse e Jefferson "Seaplane" McDonough.

3 - Vidas
Com em todo bom video-game, o jogador tem um número limitado de chances para cumprir a missão: 3 vidas. Partindo do ponto em que parou, sempre que morre.

Já os jogadores raiz da versão de tabuleiro, não tem vidas extras. Morreu? Game over!

4 - Referências
O board-game era um jogo de época, provavelmente do século XIX (o primeiro registro que temos é de 1869), e isso refletia nas ameaças, repara no visual do vilão Van Pelt. Já a versão eletrônica foi moldada para atrair novas vitimas gerações, logo nada mais lógico que assimilar elementos da cultura pop. Infelizmente para os jovens de hoje, são da cultura pop de 1996. Quem sabe não rola uma atualização?

5 - Trapaças
Trapaceie nos dados de Jumanji e será punido, fisicamente. Já o game é mais flexível quanto a regras e trapaças, como desperdiçar uma de suas vidas para se colocar em uma melhor posição. Basta saber qual é o limite de macetes que o jogo permite. Será que tem algum bug?

6 - Vilão
E por falar de Van Pelt o vilão original era bem mais profundo. Mandado para caçar Alan, ele assume a face de alguém que o garoto(?) teme, seu pai. Já a versão eletrônica tem um vilão mais genérico, com motivações fracas e poderes de comandar animais.

7 - Jogadores de épocas distintas
Na versão eletrônica jogadores de diferentes períodos de tempo podem jogar o mesmo jogo. E se vencerem todos se lembrarão da aventura, e serão levados de volta a suas respectivas épocas.

Já a versão de tabuleiro retorna ao momento do início da partida, eliminando os efeitos ocorridos durante a "brincadeira". E se esta durou muito tempo, criando uma linha temporal completamente nova, consequentemente jogadores, que entraram tarde na disputa podem não se lembrar da linha temporal em que jogaram.
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Brincadeiras à parte, a maior mudança entretanto é o sistema de avatares que permite que a franquia traga de volta o elenco composto por Dwayne Johnson, Jack Black, Kevin Hart, Karen Gillan, Nick Jonas e Bobby Cannavale, caso o filme ganhe sequencias. Enquanto no clássico da sessão da tarde não haveria motivos para O Alan Parrish (Robin Williams) e Sarah Whittle (Bonnie Hunt) rolarem os dados do mal novamente. E claro, o novo filme é muito mais cômico que aventuresco. 

Agora que listamos os prós e contras, qual a sua versão favorita de Jumanji? Ou já acha que o jogo precisa de uma atualização para celulares? Eu ainda sou fã do tabuleiro, quem topa jogar comigo?

Leia a crítica de Jumanji: Bem-Vindo à Selva
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sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

The Crown - 2ª temporada

Sempre olhei para meus avós e outros de sua geração em pensei: que época incrível eles viveram! O século XX foi formado por uma sucessão de mudanças e evoluções, a que eles precisaram se adaptar. Nunca a humanidade mudara tão rápido em tão pouco tempo. É nesse rumo de adaptação e adirmação que segue a segunda temporada de The Crown, série da Netflix que retrata a vida da Rainha Elizabeth II.

No trono há cerca de uma década, as dúvidas quanto a maturidade e competência da jovem monarca vão ficando para trás neste segundo ano. Elizabeth (Claire Foy) agora precisa lidar com a impulsividade do marido, a insatisfação da irmã com as exigências em sua vida amorosa e o início da independência de várias colonias do império britânico. Tudo isso, lidando com a burocracia e responsabilidades de seu cargo.

 Com uma temporada mais episódica que a anterior, a série traz capítulos dedicados há figuras e situações importantes na trajetória de sua protagonista. Entre eles, o crítico que à contragosto de todos, apontou a necessidade de modernização. O relacionamento entre o prícipe Philip (Matt Smith) e seu filho Charles (Julian Baring). Além do desfecho da trajetória do Duque de Windsor (Alex Jennings), o tio de Elizabeth que abdicou do trono para se casar com uma mulher divorciada.

E por falar em Philip, Matt Smith que já havia deixado a personalidade expansiva do 11º Doctor para trás na temporada anterior, agora aumenta as nuances de seu personagem. O ator acerta ao retratar as inquietações de um "espírito livre", condenado à viver preso à convenções e sempre um paço atrás da esposa em uma sociedade machista. Da inquietação contida, rebeldia, conflito e até conformidade forçada estão presentes no arco do consorte da rainha. As sequencias de sua complexa relação de casal, são as melhores da produção. Talvez porque sejam, nelas que Foy pode demonstrar o lado mais "passional" de Elizabeth.

Outra que continua em destaque, é a princesa Margareth (Vanessa Kirby). Sem rumo, desde que foi proibida de casar com o homem que ama, a personagem se entrega à desesperança à rebeldia no caminho para encontrar seu papel na família real. junto com Foy e Smith, Kirby completa o trio de atores que mais vemos em cena, e que também parecem completamente confortáveis na pele os personagens que construíram. Já entre as novas adições contam com Matthew Goode (Downton Abbey) e Michael C. Hall (o Dexter da série homônima), se destacam.

É claro, que o maior destaque se mantém em Foy. A monarca inexperiente que sabia ouvir conselhos dos mais velhos, aos poucos se transforma em uma regente que consegue evoluir com os novos tempos e precisa ser firme com a imutável geração anterior, aprender com as críticas e ainda lidar com a "humanidade" da família real em contraponto com a rigidez de sua função. O peso de tantas responsabilidades é visivel tanto na postura, quanto no semblante e maneirismos da rainha. Estes últimos se assemelhando aos poucos com o gestual da regente que conhecemos na vida real.

O figurino também segue esse amadurecimento da protagonista, ficando cada vez mais sóbrio, apesar de ainda deslumbrante. Além deles, fotografia, direção de arte e maquiagem, continuam a entregar um excelente trabalho de reconstrução de época e criação da atmosfera para atender aos diferentes momentos da narrativa.

The Crown mantém sua trajetória de abordar de forma realista e respeitosa algumas das figuras mais conhecidas e importantes do último século. E tendo uma mulher como protagonista, ainda sobra espaço para abordar seu empoderamento apesar das restrições da época e cargo (sim, uma rainha também tem limites!). Ritmo próprio, roteiro bem escrito, a série tem no elenco um de seus pontos mais fortes. É uma pena termos que nos despedir de Foy, Smith e Kirby na terceira temporada, que vai escalar atores mais velhos para os papéis.

The Crown tem duas temporadas, com 10 episódios cada, todos disponíveis na Netflix. O terceiro ano já foi confirmado, deverá abranger o período de 1957 a 1964 com Olivia Colman assumindo o manto de protagonista.

Leia a crítica da primeira temporada.
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quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Bright

É amante de fantasia? Então provavelmente já imaginou como seria a vida se os elementos fantásticos da ficção existissem de verdade. Esta é a premissa de Bright, empreitada ambiciosa da Netflix com Will Smith e o diretor David Ayer (de Esquadrão Suicida).

Nick Jakoby (Joel Edgerton) é o primeiro orc policial dos Estados Unidos, e tem como parceiro no nada satisfeito policial humano Daryl Ward (Will Smith). Em uma de suas missões a dupla se depara com uma "arma de destruição em massa"(?), cobiçada por  diferentes gangues, seitas e até autoridades. Inclua aí diferentes raças, cada uma com suas rixas e interesses.

Fazendo um paralelo nada sutil com mundo real, a Los Angeles de Jackoby e Ward é bem parecida com qualquer grande cidade dos dias atuais. Divisões de classe, preconceito, segregação e claro, a violência gerada por tamanha discrepância social. A classe marginalizada aqui é a dos orcs. Os ogros (sim, tem palavra em português, vamos usar) escolheram o lado errado de uma batalha há dois mil anos e ainda são rejeitados por isso. No outro extremo da sociedade os privilegiados elfos sentem-se superiores e talvez burlem as regras (leia-se usam magia) para manter sua posição. Os humanos ficam no meio do caminho, como a classe média trabalhadora.

Apesar de óbvio, o roteiro acerta ao trabalhar a briga de classes mágicas, especialmente a situação de Jakoby. Deslocado socialmente, sofre preconceito diário de todas as castas, fazendo seu trabalho da melhor forma possível, e até se faz de sonso para suportar tais agressões. Conflitos que Edgerton consegue transmitir bem sob pesada - e bem feita - maquiagem. A relação com seu preconceituoso parceiro, Ward também é bem construída à partir não do trabalho em conjunto, mas dos conflitos da dupla. Sim, mais uma equipe que precisa aprender a confiar um no outro! Mas tudo bem, pois Smith e Edgerton tem uma excelente química. A relação não apenas funciona, como sustenta o filme.

O escorregão fica por conta daquilo que deveria ser o diferencial da produção, os elementos fantásticos. É na hora de explicar o misticismo, as crenças e motivações das diferentes raças que a produção se enrola e não consegue desenvolver os vários conceitos que apresentam. Quem é esse Senhor das Trevas? E as pessoas que o seguem? E os tais de Bright, personagens que fão nome ao filme? É claro, que com a sequencia já anunciada estes temas poderão ser melhor explorados, mas o filme deveria se sustentar sozinho, sem contar com continuações que não existem.

A pior consequência na falha ao explicar os conceitos fantásticos, é não oferecer estofo à queles que dependem deles. Assim, temos vários bandos e gangues genéricas perseguindo a dupla, enquanto os grandes vilões do filme carecem de personalidade para justificar seu nível de ameaça. Basta saber que ao fim do filme, não conseguimos sequer lembrar o nome da chefe dos vilões vivida por Noomi Rapace. É Leilah, segundo o IMDB.
Admito, fugiria da Rapace com essa cara de má sem pestanejar, mas ela é terrível porque mesmo, hein?
Esperando esse cara ficar malvado...
Outras falhas ficam por conta do roteiro didático e conveniente. Como habilidades extraordinárias que podiam ter solucionado problemas facilmente, mas são esquecidas pelos seus portadores. Longos discursos explicativos para personagens que já deveriam ter essas informações. E o que dizer do federal elfo e seu caráter ambíguo que não resulta em nada? Seu desenvolvimento também ficou para a sequência? 

Apesar da comparação inevitável com Esquadrão Suicida, uma vez que traz uma segunda parceria entre Will Smith e o diretor David Ayer, Bright não chega nem perto do desastre do longa com os supervilões. A produção da Netflix, não está livre de falhas, mas acerta ao criar empatia com seus protagonistas. Falta só explorar melhor seus conceitos fantásticos e evitar deslizes óbvios. Por hora serve como entretenimento despretensioso.

Bright (Bright)
2017 - EUA - 117min
Ação/Policial/Fantasia


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