segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Teletransporte e referências

Alguns anos atrás, assisti uma entrevista de David Benioff e D. B. Weissos, produtores de Game of Thrones,  dizendo que queriam fazer a série por causa do Casamento Vermelho. Já faz anos que a trágica cena foi ao ar, será que o interesse diminuiu e a dupla foi tomada por uma pressa burocrática em terminar a trama?

O ministério dos série maníacos adverte: este texto contém spoilers da 7ª temporada de Game Of Thrones!
 Achei difícil não pensar nisso, ou no peso das restrições orçamentárias de uma série que cresceu de mais ao assistir a sétima temporada desta produção da HBO. Ao invés dos dez episódios dos anos anteriores, a mais recente incursão em Westeros (só Westeros, desta vez não vimos absolutamente nada em Essos) teve apenas sete capítulos para fazer a história avançar para a reta final. O resultado? Muito teletransporte, várias falhas temporais e um abuso da capacidade da suspensão de descrença do expectador.

Sobre teletransporte e restrições orçamentárias


A não ser por Mindinho, que sempre foi "fora da curva", a série estabeleceu por exemplo que se leva certo tempo para viajar de um canto à outro. Mesmo quando não acompanhávamos a jornada, levava cerca de um episódio para se chegar em algum lugar. Com menos tempo para contar a história, esse tempo foi diminuído. Até aí não seria problema, compreendemos elipses, o problema é que o salto temporal não é o mesmo para todo mundo. 

Assim corvos, chegam de Pedra do Dragão e da Cidadela em Winterfell, mas nenhuma notícia da chegada do Bran na Muralha chega na casa dos Starks. O próprio Corvo de Três Olhos leva mais tempo para chegar em Winterfell que Jon na Ilha de Daenerys. O auge foi a maratona de Grendry, que enviou um corvo a jato para a mãe dos dragões, que por sua vez chegou para salvar todos em um dia e meio, tendo ela e o corvo percorrido meio continente de distância.

Benioff e Weissos admitiram que fizeram escolhas de roteiro para fazer a trama andar mais rápido. O problema é que estas escolhas foram as mais simples e óbvias, e ate mal executadas. O corvo sobre Bran na Muralha óbviamente não chegou para gerar um desencontro entre os irmãos. Já o tempo esquisito no cerco do "esquadrão suicida", poderia ter sido solucionando com alguém mencionando que "tantos dias" já passaram e que talvez o resgate nunca chegasse. Aliás, que plano mais absurdo esse, não é mesmo?

Para não dizerem que só reclamo, financeiramente fazer menos episódios foi uma escolha acertada para o esmero da produção. A economia permitiu que caprichassem nos efeitos especiais, nunca vimos dragões tão realistas na TV. Uma pena que o lobo gigante Fantasma também tenha desaparecido em prol da economia para fazer Drogon, Viserion e Rhaegal.

E por falar nos lobos, demorou sete temporada mas os Starks sobreviventes finalmente se encontraram, e a relação deles foi bem complexa.  Depois de tudo que passaram a realidade do encontro fica aquém da nossa vontade e imaginação de como seria. Mas no geral é coerente com seus status atuais, apesar da construção da vingança por mindinho ter transformado a Arya numa pessoa extremamente irritante.


Forçado em alguns momentos, e estranhamente eficiente em outros o ship Jonerys (será que mudaremos para Aegonerys?) finalmente aconteceu para gerar amor e ódio na mesma proporção nos fãs. E você ama ou odeia o encontro?

A relação entre Jaime e Cersey  foi outra que finalmente desencantou. O cavaleiro cresceu muito na terceira temporada ao lado de Brienne apenas para passar os anos seguintes como lacaio da irmã. Honestamente já estava a ponto de perder as esperanças no personagem.

Outras situações mal explicadas são a forma com Bran resolve usar seus poderes. O banco de Braavos patrocinar o escravagismo, a cidade foi fundada por ex-escravos. Pedra do Dragão está completamente vazia nem mesmo a esposa do caseiro estava por la vigiando a fortaleza. Stannis levou mulheres, crianças e idosos para a guerra também?  Como Sam um estagiário ainda no "nivel de limpar latrinas" conseguiu curar uma doença pesquisada por anos, por grandes estudiosos. De onde Jon tirou o apelido Danny? E o desaparecimento oportuno de Euron, como ele construiu uma frota gigantesca tão rápido, se nas Ilhas de Ferro não tem florestas? Não que eu me importe muito com os Greyjoy.

Mas vamos à parte divertida do título deste post, as referências!


Os roteiristas parecem ter feito uma maratona de Game of Thrones antes de escrever esta temporadas. Não faltaram, falas que retornam, situações semelhantes e ecos das temporadas anteriores. Coerente, divertido e um prato cheio para os fãs mais atentos e com boa memória.

Reencontros também entram na cota das referências. Seja em participações rápidas como Torta Quente e Nymeria ou retornos triunfais como o de Gendry. Só faltou alguém encontrar o Tio Edmure. Uma pena que o tempo não deixou que os reencontros fossem melhor explorados. Entregando apenas diálogos curtos entre os personagens.

É tanto Girl Power junto que a luta empata!

Aquela hora que você quer que o dois lados da luta vençam.
Não mata o Bron, nem o Dragão!
Mas, vou dizer o que amei nessa situação toda: Davos! Boa praça o Cavaleiro das Cebolas, fez todas as piadas que estávamos pensando. A bronca de Meera em Bran também foi acertada. Assim como todo o Girl Power até porque a maioria dos personagens que sobreviveram, são mulheres.

A sétima temporada de Game of Thrones, foi sim a mais cheia de emoções, fã-services e momentos bombásticos. Mas vale lembra: tornar todos os momentos épicos, é só um jeito complicado de fazer com que nada realmente se destaque. A calmaria entre os momentos de grande impacto faz parte da construção. Uma tensão que a série sempre foi eficiente em construir, especialmente com as intrigas políticas - favoritas de muita gente - que aqui precisou ser deixada de lado, pois a história é longa e o tempo é curto.

Meio burocrática, a sensação de pressa para acabar ficou. Faltou também um pouco de ousadia. Quem mais reparou que nenhum dos personagens principal morreu, nem ao menos ficamos com receio de verdade por eles? Tavez, a baixa mortalidade tenha sido a grande reviravolta deste ano - supresa, ninguém morre. Mas sim, eles mataram um dos Dragões menores, e aprendemos estávamos mais preparados para mortes de humanos do que de um dos bebês da Danny.

Mesmo com falhas aqui e ali, acompanhar Game of Thrones ainda é uma experiência única. Se empolgar com os personagens, admirar o esmero técnico da produção, especular e agonizar de ansiedade emnquanto espera o próximo episódio - shame, shame, shame para você que viu o vazado - tudo isso faz parte. É a melhor parte! É por isso que vemos a série.

Game of Thones é exibida pela HBO, simultaneamente com a estréia nos Estados Unidos. A oitava e última temporada chega ao canal apenas em 2019. Que nossa vigia comece!

Leia mais:  textos da segunda, terceira,  quarta e quinta temporadas, sobre  Game of Thrones - The Exhibition no Brasil, e mais tudo que já foi dito sobre a série no blog.

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