sexta-feira, 21 de julho de 2017

7 Desejos

Para o bem o para o mal, toda magia tem um preço, especialmente em um filme de terror. Isso não é novidade, Logo deveria ser difícil encontrar alguém que acredite em artefatos mágicos misteriosos na tela grande. Mas é claro que personagens de ficção nunca aprendem, então 7 Desejos relembrar esse fato imutável da ficção.

Claire (Joey King) é uma típica adolescente estadunidense, tentando sobreviver ao bullying na escola e à uma vida complicada sem a mãe e com um pai acumulador. É em umas dessas catanças de lixo que Jonathan (Ryan Phillippe) encontra uma caixa bonita e decide presentear a filha. A garota toma o objeto como peça de decoração até que faz um desejo sobre ela e este se realiza. É claro, ela resolve testar o artefato e demora bastante a perceber que os acontecimentos horríveis à sua volta tenham relação com seus pedidos.

Objetos mágicos que concedem pedidos que não terminam muito bem não são novidade na cultura pop. Ou o pedido se realiza de uma forma equivocada no melhor estilo "cuidado com o que deseja", ou um alto preço é cobrado. É neste segundo "estilo" que a misteriosa caixa chinesa de Claire opera. Para cada pedido a adolescente perde algo que lhe é importante, e mesmo depois de consciente de seus atos a garota não consegue parar. Aqui o filme cria um arco interessante para sua protagonista. Fala um pouco de ambição e vício, sem nunca aprofundar demais no tema, afinal é um terror de verão para o público jovem.


E por falar no público alvo, é por causa dele que o filme desperdiça muito de seu potencial. A história não é novidade - nem acho que tinha pretensão de ser - e mesmo o desenrolar da história é previsível. Em outras palavras, sabemos que alguém vai morrer, as vezes até mesmo antecipamos quem será a vítima, mas tudo bem pois a "graça" está em quando e como estas mortes vão acontecer. O longa segue a linha da franquia Premonição ao colocar vítimas em diversas situações de risco aguçando a curiosidade do expectador sobre qual delas será fatal. Entretanto, a censura baixa (PG13 nos Estados Unidos, 14 anos aqui no Brasil) não permite que o filme de fato mostre as mortes chocantes. Boa parte das cenas fica na sugestão. Suficiente para assustar o público mais jovem, menos eficiente para quem curte o gênero, ou no mínimo já assistiu algum filme da franquia que coloca a morte inevitável no destino das pessoas. 

O ponto forte está no elenco jovem bem escolhido. Além de King, já veterana nas telas e no gênero terror (quem lembra dela em Invocação do Mal?), Ki Hong Lee (o Minho de Maze Runner), Shannon Purser (a Barb de Stranger Things) e Sydney Park (As Visões da Raven, The Walking Dead), garantem a empatia do público. O elenco adulto traz Kevin Hanchard (Orphan Black) e Sherilyn Fenn (Twin Peaks).

Do mesmo diretor de Annabelle, John R. Leonetti, este longa é mais eficiente em criar tensão e tem menos sustos gratuitos - aquele que a música sobe repentinamente de propósito para assustar no pior estilo "BÙ!" - mas estes ainda estão presentes em uma cena ou outra. Bem produzido, 7 Desejos precisava de um pouco mais de ousadia e uma censura mais alta para ir além do "mais do mesmo". Deve agradar e divertir o suficiente para garantir uma sequência - sim existe gancho parar isso - mas não vai ficar muito tempo na memória dos expectadores.

7 Desejos (Wish Upon)
2017 - EUA - 90min
Terror

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