sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Inferno (o livro)

O professor Robert Langdon, especialista em símbolos, normalmente é chamado para solucionar um signo ou código, e aí começamos a acompanhar suas aventuras. Porém, dessa vez, ele é o enigma! 

Desprovido de suas roupas, seu relógio de Mickey Mouse e das memórias dos últimos dias, o simbologista acorda com um ferimento na cabeça, em um hospital em outro país, com apenas para descobrir que sua vida ainda corre perigo. Com ajuda da jovem Dra. Siena Brooks, ele divide seu tempo entre fugir de seus misteriosos perseguidores, desvendar um mistério relacionado ao Inferno criado por Dante Alighieri em A Divina Comédia, e tentar compreender as macabras alucinações causadas pelo tal ferimento.

Caso você tenha lido alguma aventura do personagem já lançada, deve imaginar o que acontece acontece a partir deste ponto. Dan Brown leva seus personagens em um verdadeiro tour, com breves explicações sobre deslumbrantes pontos turísticos históricos, obras primas da arquitetura e das artes plásticas. A rota em questão começa em Florença, na Itália e passa por mais duas locações antes de seu desfecho. Todas prontinhas para agências de viagem adaptarem, e saciarem a sede dos turistas por recriar os passos do protagonistas.

Quanto à ameaça, diferente do que muita gente pode pensar por causa do título, não há instituições religiosas envolvidas. Desta vez o perigo está em uma ideia radical para resolver um problema real do nosso planeta, a superpopulação. E na possibilidade desta ideia abandonar o campo da teoria.

Essa ameaça global é provavelmente a maior novidade (mas não muito, já que todos tem uma ameaça em menor escala) da franquia, juntamente com a condição do protagonista. Pela primeira vez, não é só o controle da situação que Robert Langdon não tem, mas o de si mesmo. Uma vez que ele não sabe o que fez para chegar àquele ponto da história. Teria ele alguma parcela de culpa?

Mas no geral, a personalidade do protagonista continua a mesma, e é com ele, que o leitor se importa. Já que seus coadjuvantes por vezes beiram a caricatura, em suas ações e as vezes até mesmo em sua descrição física.  Aliais, o leitor se importa com Langdon e com a overdose de pílulas de informações sobre obras e pontos turísticos já tradicionais na franquia.

Esse mosaico louco e despretensioso de lugares, informações, conceitos e ideologias, geralmente é tanto a maior crítica dos que não gostam do autor, quanto atrativo para quem gosta. E desta vez há uma crítica extra, a falta de novidade. A fórmula continua a mesma, uma caça ao tesouro, uma ameaça iminente e reviravoltas. Para os que gostam do estilo funciona. A questão é: até quando?

É verdade que o protagonista em uma nova condição (literalmente nos sapatos de outra pessoa). E que o desfecho tem consequências diferentes, mas a jornada segue o mesmo ritmo de Anjos e Demônios, O Código Da Vinci e  O Símbolo Perdido. O que inclui os capítulos curtos e alternados entre personagens, e os muitos ganchos que prendem o leitor com eficiência.

Colocando tudo na balança Inferno, é prioritariamente um entretenimento. Uma aventura, características de um produto, como toda obra pertencente há uma franquia. De positivo, tem um protagonista que já tem o carinho do público, e é bastante ágil e divertido. Joga conceitos importantes, e coisas que gostaríamos de conhecer melhor , aleatoriamente na correria? Sim, joga. Mas se nos fizer buscar* esses assuntos posteriormente, e  quem sabe até discuti-los, já é um bônus.

Inferno (Inferno)
Dan Brown
Arqueiro

*Eu não sei vocês, mas eu li boa parte do livro com smartphone à postos. Para ilustrar os lugares descritos, ou pesquisar quais fatos e conceitos eram reais.

Leia mais sobre Dan Brown, e confira a crítica de Inferno, o filme.

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