quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Esquadrão Suicida

Criar uma força tarefa formada pelos mais perigosos vilões do mundo para enfrentar as missões mais difíceis. O que pode dar errado? Muita coisa! Na vida real seria uma proposta impensável, mas no maravilhoso mundo da ficção é uma ideia excelente. Personalidades distintas e difíceis de controlar, convivência forçada, conflitos.  É claro, não há argumento que se sustente quando sub-aproveitado.

Partindo do final Batman Vs Superman - A Origem da Justiça, o mundo está preocupado com uma possível nova ameaça na escala de poderes kriptonianas. Então Amanda Waller (Viola Davis, em uma versão mais Bad Ass de sua Annalise Keating)  coloca em curso o perigoso projeto do "Esquadrão Suicida". Recrutando o Pistoleiro (Will Smith), Arlequina (Margot Robbie), Bumerangue (Jai Courtney), Diablo (Jay Hernandez), Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje), Amarra (Adam Beach) e Magia (Cara Delevingne), para salvar o mundo sob a supervisão de Rick Flag (Joel Kinnaman) e Katana (Karen Fukuhara).

Logo somos apresentados a quase todos eles em uma montagem pop que abre o longa. Já aí percebemos o óbvio, alguns personagens tem mais atenção, outros estão lá para fazer volume. Cartas na mesa, partimos direto, sem maiores desenvolvimentos de personagens ou relacionamentos, para a missão. Isso mesmo, missão, no singular! Nada da missão teste que dá errado, mas serve para os personagens se conhecerem e terem algo para consertar, vamos direto para a grande batalha final. Como se não fosse o suficiente, a ameaça da tal missão em questão, só é necessária por causa da criação do grupo.

Como se sustenta um clímax de 90 minutos, com personagens mal apresentados? Ah! Com muitas cenas de ação, claro. Infelizmente, estas são mal coreografadas e montadas, o que junto com muitos closes, a fotografia escura e o óculos 3D, resulta no tradicional incompreensão do que está acontecendo.

Mas calma, ainda há de personagens a serem desenvolvidos ao longo do filme. O Pistoleiro, mais próximo de um anti-herói, que de um vilão de fato, tem uma história de culpa e redenção a ser contada. Will Smith bem que se esforça, mas o roteiro não consegue sustentar sua trama. Basta reparar que até a motivação do matador é confusa. O que ele mais deseja, rever a filha ou matar o Batman?

Outra que ganha maior desenvolvimento é Arlequina, que tem seu arco inevitavelmente atrelado à sua relação com o Coringa (Jared Leto). Este por sua vez aparece pontualmente tanto em flashbacks, quanto no decorrer da história, roubando a cena pela composição unidimensional e equivocada. De todos estes personagens, o mais conhecido do público é o Coringa, isso é fato! Logo, é aceitável que se queira criar uma nova versão do palhaço, mas a escolha pelo excesso de caretas e maneirismos, soa superficial e exagerada mesmo para uma pessoa com dentes metálicos (que Leto não cansa de exibir) e cabelo verde. O personagem acaba por tirar o brilho de Arlerquina sempre que aparece. Robbie criou uma psicopata adorável, que tem as melhores piadas do longa. Embora as melhores já tivessem sido reveladas nos trailers, e outras soam perdidas em meio à correria para a ação.

A maior preocupação no entanto fica por conta da romantização da relação de Coringa e Arlequina. É abusiva na pior versão possível. Quando ouvir alegarem que "ele pulou por ela", vale sempre lembrar que ele a convenceu de pular para começo de conversa. No caso do filme literal e figurativamente. Pode ter química, sintonia, ser bem escrito e até divertido, mas o casal de psicóticos não é fofo (como muitos memes insinuam) muito menos exemplo a ser seguido. O filme até mostra o abuso, mas pode haver que deixe passar batido diante da ação desenfreada e da figura icônica que o casal forma.

O restante do time é claramente sub-aproveitado. O relacionamento entre Rick Flag e a arqueóloga June Moone, que divide o corpo com a entidade Magia, foi reduzido a um par de cenas, tirando força das motivações do soldado. O ladrão Bumerangue parece não ter qualificações à altura do time, ou mesmo do elenco, Courtney é o mais fraco em cena. Diablo tem uma trama mais emocional, mas termina seu arco com motivações forçadas. Katana nunca tem a oportunidade de mostrar o verdadeiro poder de sua espada devoradora de almas. Sobre Crocodilo e Amarra, só podemos dizer que estão por lá. Como equipe, se conhecem há meia-hora, não tem nada em comum, ou motivos para se importarem uns com os outros. Logo, quando isso acontece, é impossível não soa forçado;

Não, você não vera essa cena no filme!
Enquanto isso a trama corre, sem muito tempo ou preocupação com  explicações. Assim, os furos são visíveis, ainda mais para quem acompanhou os trailers, e percebe que muitas sequencias foram descartadas. Diante das notícias de refilmagens e remontagens, influenciadas pelos resultados de DeadpoolBatman Vs Superman é inevitável pensar que este não era o filme que estava nos planos. Um roteiro confuso e uma edição malfeita, o resultado é um remendo ruim, de um filme que prometia mais.

No contexto do universo DC nas telas, o filme deixa apenas uma ponta, provavelmente para o filme do Homem-Morcego. O Batman aliais, aparece aqui e ali, para a felicidade dos fãs de Ben Afleck, e não é o único membro da liga da justiça à dar as caras. E existe uma cena durante os créditos.

Para fãs de quadrinhos fica a preocupação Esquadrão Suicida era a grande aposta da DC nas telas para este ano. E as reações serão mais controversas que de Batman Vs Superman. Como isso vai influenciar o futuro do universo, especialmente nas produções já em andamento?

O jeito é esperar para ver, enquanto tentamos superar a frustração causada pela sensação de que havia um bom filme ali, que foi retalhado e mal montado por motivos comerciais. E torcer para que isto não se repita!

Esquadrão Suicida (Suicide Squad)
EUA - 2016 - 130min
Ação


Leia a crítica de  Batman Vs Superman - A Origem da Justiça e do Homem de Aço.

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