quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Então, vamos pensar sobre TV um pouquinho?

Faz bastante tempo que não escrevo sobre TV aberta. O motivo? Acredito que não, assisto seu conteúdo o suficiente para "dar pitaco". Porque não assisto? Porque pouca coisa lá me interessa. Entretanto, vez ou outra fica difícil sair imune de alguns "eventos televisivos" e a bola da vez tem proporções bíblicas. Literalmente!

O ministério do entretenimento, e do expectador pensante informa: não é porque é bíblico que você é obrigado à aprovar. Aliais, isso vale para qualquer religião ou filosofia de vida.

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Se você esteve perdido no deserto nos últimos 40 anos, e ainda não descobriu, estou valando da mega-alardeada abertura do Mar Vermelho na novela Os 10 Mandamentos da Record. Vendido como aquela que seria "a cena novelística do ano". Ficou difícil não assistir. Seja por curiosidade própria no momento de sua exibição, seja o alarde de posts com o vídeo nas redes sociais no dia seguinte.

A cena que segundo a emissora teve efeitos especiais orçados em R$1 milhão, e criados pela mesma produtora de The Walking Dead (série que até onde me lembro, se sai muito bem com efeitos práticos e maquiagem, mas nunca chamou atenção pelo CGI). Entregou o esperado para uma sequencia gigantesca resolvida com orçamento televisivo. E nada mais.

Tomadas à noite para não vermos a pouca figuração, que nem de longe conseguiria suprir a demanda: povo de Moisés e soldados Egípcios. Até aí tudo bem, "A Batalha do Água Negra" de Game of Thrones está aí para mostrar que usar a noite é uma escolha inteligente. Quanto aos efeitos especiais, o pouco que vi, não me impressionou mais que o víamos em séries de TV dos anos de 1990 (ainda acho, que vi esses efeitos em algum episódio de Xena ou Hércules).  E foi pouco mesmo, porque o foco era nos rostos surpresos/assustados/deslumbrados dos personagens e não nos supra-mencionados efeitos.

Não me entenda mal não estou desmerecendo o esforço da emissora. Até acho corajoso eles tentarem, apesar de o quão arriscado é contar histórias tão grandiosas e conhecidas do público. O que realmente me chamou atenção foi o deslumbramento do público com, uma cena que foi melhor vendida, que entregue.
Efeitos especiais, e o papel de parede para seu PC, oferecido pelo site da emissora, com "#MarVermelho"

Antes mesmo de assistir as pessoas já estavam achando maravilhosa. Quando finalmente foi ao ar, acharam emocionante, majestosa. De fazer chorar! Foi isso mesmo? Ou a maior parte dos expectadores já esta altamente sugestionado à isso? - Vai ser lindo, está na bíblia, é dramático, perigoso, eu vou chorar! - Ok. Tem um envolvimento com a história e os personagens, que os expectadores regulares tem, e eu não. Ainda sim...

... Não satisfeitos em exercer seu direito de não pensar e simplesmente se deslumbrar (se você não quer ter opinião própria é direito seu), os elogios vinham acompanhados de um sonoro: "ninguém aguenta o realismo da Globo. É sempre a mesma coisa! Ao menos a Record está apresentando algo novo!" - Oi? Novo? Essa história tem mais de 2 mil anos! (será que alguém vai considerar spoiler, se eu contar o final?). E já foi adaptada dezenas de vezes!!!

Abertura do Mar Vermelho nos filmes Os 10 Mandamentos (1956) e O Príncipe do Egito (1998)

Assumo e repito bem alto, não é de hoje que reclamo das produções da emissora do plimplim, as novelas em geral são repetitivas. Mas uma coisa, eles conseguiram alcançar, qualidade técnica. E volta e meia, fazem algo de época, alguma minissérie de cunho mais fantástico. Atualmente estão abordando espiritismo, liberdade sexual e..... Opa! Será que está aí o "grande realismo chato"?

Não estou defendendo um ponto de vista ou outro, mas é sério que achamos ruim o que vai de contrário à nossas filosofias e crenças, e aceitamos o que confirma nossa opinião, sem pensar por um segundo que seja? Somos um país com uma diversidade cultural tão grande, como ainda não superamos "essa fase"?

Você pode tirar à prova, rever na internet. A cena em si, não foi tão deslumbrante assim. Para aqueles que querem se deslumbrar com efeitos especiais, recriando momentos bíblicos especificamente do Êxodo, recomendo o filme de mesmo nome. O desenvolvimento é meio arrastado, os questionamentos pouco explorados e o elenco cheio de egípcios caucasianos, assim como na novela. Mas, os efeitos especiais de Êxodo: Deuses e Reis, são realmente grandiosos e deslumbrantes.

Se o objetivo é o espetáculo por espetáculo, este dura apenas 2h30min!

1 comentários:

Hugo disse...

Infelizmente a maioria das pessoas é influenciada pelo marketing nestas situações em que ocorre um evento em que "todos devem assistir". Como vc bem citou, muitos elogiam sem ao menos ter assistido.

Sobre as novelas, na minha opinião é um formato que já se esgotou há muito tempo, porém os canais abertos continuam explorando o filão porque ainda é algo lucrativo.

Abraço

 
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