terça-feira, 30 de junho de 2015

Minions

No cinema, volta e meia um coadjuvante rouba a cena, e vira o favorito do público. Com os Minions o efeito foi imediato, afinal os alívios cômicos da franquia Meu Malvado Favorito são seres amarelos de origem desconhecida, que falam o próprio idioma, tem raciocínio infantil e bastante estabanados. Mestres fofos da comédia pastelão. Sinal disso, é que foram eles os destaques da sequência Meu Malvado Favorito 2, e agora ganham seu próprio longa.

Minions traz uma introdução empolgante, apresentando o surgimento da espécie, e sua devoção à seguir o vilão mais malvado que encontrarem e até alguns vilões famosos que os tiveram como comparsas. Entretanto, quando fica interessante e você acredita que eles vão finalmente seguir e consequentemente arruinar o maior vilão do século XX (É! Eu queria ver os Minios seguindo Hitler. Sei que tenho uma mente perturbada) a trama segue novos rumos.

Após ficarem irremediavelmente sem mestre e perderem sua razão de viver um membro corajoso da tribo Kevin decide buscar um novo mestre para seu povo. Seus companheiros de jornada são Stuart e Bob. Separando, dando nomes, e características únicas, e até um vocabulário um pouquinho maior e mais compreensível a membros daquela massa amarela, que no em seu caos, pareciam até um único organismo. Ok, eu sei q eles já demonstravam personalidades distintas nos primeiros longas, mas levante a mão aí, quem souber identificar a maioria.

A partir daqui acompanhamos a trama simples, conquistar a honra de servir a maior vilã dos anos de 1960, Scarlet Overkill (Sandra Bullock/Adriana Esteves). Através de uma sequencia interminável de situações cômicas, que devem agradar os pequenos, mas entediar em alguns momentos seus acompanhantes em idade adulta.

Por outro lado, a animação é tecnicamente impecável. E a trilha acerta na trilha sonora de classicos do rock, que vão de Beatles à Jimi Hendrix. Aos cinéfilos, de plantão procure a referência ao musical mais conhecido de todos os tempos. Também não faltam, piadas com a época, a realeza e hábitos britânicos. Uma vez que essa aventura se passa em Londres.

Minions é bem produzido, e traz uma trama abertamente focada em seu público principal, as crianças. Quanto mais novas melhor! Não é excepcional, mas também não esgota seus personagens principais. O que não significa que existe muito material para uma sequencia. Este longa é ótimo como curiosidade, mas seus protagonistas funcionam bem melhor em seus curtas.

Minions (Minions)
EUA - 2015 - 91min
Animação

Leia mais sobre Minions ou confira a resenha de Meu Malvado Favorito 2

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domingo, 28 de junho de 2015

Princesas Sombrias #2

Há muitos anos atrás em um Halloween, publiquei as versões sombrias das Princesas Disney. Uma gelaria de desenhos do designer Jeffrey Thomas. Pois ele continua desenhando, garotas da realeza e outros moças nobre da terra no Mickey Mouse continuam aparecendo.

Logo, já era tempo de eu postar mais imagens desta série em particular. Thomas desenham outras coisas também, vá la no blog dele conferir. Seguem, as princesas que faltavam:

(Clique nas imagens para ampliar)




Na ordem, Rainha (ou seria Presidente?) Vanellope Von Schweetz de Detona Ralph, Wendy e Tinker Bell Sininho de Peter Pan, Lady Marian de Robin Hood, Sally de O Estranho Mundo de Jack, Esmeralda de O Corcunda de Notre Dame, Megara de Hércules, Kida de Atlântida: O Reino Perdido, Tiana de A Princesa e o Sapo, Rapunzel e Enrolados, e Merida de Valente.

P.S.: Não, ainda não apareceram, Elza e Anna!

Confira a primeira galeria de princesas sombrias.
Leia mais sobre Princesas Decaídas, ou sobre Disney.
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quinta-feira, 25 de junho de 2015

Informações úteis para sua maratona de "Orange is The New Black"

Já passou da hora de eu escrever sobre as séries originais do Netflix. A parte complicada, é que o formato da plataforma cria um fenômeno interessante. Cada expectador assiste a série no seu ritmo, tem quem assista um episódio por dia, tem aqueles que devoram a temporada em um dia, e tem que fique à merce dos horários do mundo real e assitirá, "quando der". Sendo assim como saber a hora certa para postar uma resenha?

Bem que eu queria, mas nem sempre é possível, assistir tudo correndo para postar assim que sai. A pressa também é inimiga da análise. E é provável, que eu poste muito tarde para alguns, e ofereça spoilers para outros. Enquanto eu descubro a melhor hora para resenhar este novo formato de exibição. Resolvi inaugurar um novo formato de post: Informações úteis para sua maratona! - Com dados aleatórios para te deixar munido quando for assistir, ou saciar sua sede enquanto espera a nova temporada da produção.

Informações úteis para sua maratona de Orange is The New Black


1 - Baseada no livro de Piper Kerman, Orange Is the New Black: My Year in a Women's Prison. Isso mesmo, a mesma Piper que é protagonista da série.

2 - E por falar na Piper, é muito provável que você canse da protagonista bem rápido. Ela está ali basicamente para apresentar o universo da prisão para "garotas aqui de fora". O que cria uma época de adaptação interessante, mas que logo acaba. Mas, não desista da série, são as outras mulheres que moram lá dentro, e até alguns dos guardas que interessam.

3 - Aliais a série tem muitos personagens, e com o tempo cada um ganha espaço para desenvolver seu arco narrativo, fique atento para lembrar quem é quem.

4 - Flashbacks, nos apresentam a vida das detentas antes da cadeia. Não obrigatoriamente o evento que as levou para atrás das grades, mas momentos que nos fazem entender suas atitudes.

5 - A série tem a liberdade de uma produção da Netflix, e um elenco majoritariamente feminino. Leia-se tem muito sexo, e homossexualidade. Pense duas vezes antes de convidar sua mãe para assistir com você.

6 - A cabeleireira transexual Sophia Burset é interpretada Laverne Cox que é realmente uma transgênera. Ela tem um irmão gêmeo o músico músico M. Lamar Cox, que faz os flashbacks, como Marcus, identidade da detenta antes de mudar de gênero.

7 - Litchfield é uma prisão de baixa segurança, e usa as próprias detentas para manter a instituição funcionando. As moças cuidam da comida, limpeza, manutenção e pasmem até servem de motoristas para tarefas fora da prisão. Ganham uma remuneração modesta para as tarefas assim podem comprar utilidades na lojinha da prisão. E sim, há facas na cozinha!!!

8 - Assim como no High School "estadunidense", a prisão também se divide em panelinhas. Brancas, negras, latinas, orientais, idosas, e claro, uma galera que não se encaixa. Adivinhou se pensa que esses grupos se misturam e entram em constates conflitos para deixar tudo mais interessante.

9 - Por mais que pareça um ambiente legal, cheio de gente interessante, com bibliotecas, trabalho remunerado e sessões de cinema mensais. Não se esqueça, ainda é uma prisão. Não é legal!E muito provavelmente não é permitido usar tanta maquiagem se você for presidiária na vida real.

10 - Apesar do título, só as novatas usam laranja, enquanto são novatas. Depois todas ganham uma elegante vestimenta caqui (ou bege? ou cor de burro quando foge?).

No fim das contas Orange is The New Black é uma comédia dramática, bem produzida, com personagens carismáticos (menos a Piper, rs), dilemas quase sempre realistas. Que consegue até críticas coerentes à sociedade, seja a real em que vivemos, ou aquela que se forma dentro da prisão. De fato, uma é reflexo da outra, não é mesmo?!


Orange is The New Black já teve sua terceira temporada liberada no Netflix, cada uma com 13 episódios de uma hora.

E deixo a pergunta; que tal esse formato de "não resenha"? Devo escrever mais dessas? Voltar à tradicional? Fazer as duas coisas? Manifestem-se!
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segunda-feira, 22 de junho de 2015

Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros

Desde o início primeiro Parque dos Dinossauros, lá em 1993, a gente sabia que não podia dar certo. Contudo o encantamento era tão grande por observar aquelas criaturas extintas realisticamente retratadas nas telas*, que bem no fundo torcíamos para o parque "dar certo" a cada reprise. O que explica a existência de duas não tão carismáticas continuações.

Então, 22 anos mais tarde Jurassic World, nos traz o parque idealizado por John Hammond, não apenas em pleno funcionamento, mas um sucesso de público há anos. É claro, ainda não soa uma boa ideia para nós, expectadores experientes. Especialmente quando a Masrani Global, empresa que comprou a ilha Nublar após o incidentes dos primeiros filmes, nos apresenta sua forma de manter o interesse do público. Só pode dar errado, mas que atire a primeira pedra âmbar, quem ainda não deseja visitar o parque.

A equipe comandada pelo Dr. Henry Wu (B.D. Wong, que nostalgicamente trabalhava no parque de 1993), cria híbridos, maiores e mais ferozes, para atrair novos visitantes, já que após uma década de funcionamento os dinossauros comuns não são mais tão interessantes. Sim uma abordagem cínica da própria franquia (e de muitas outras), que continua a aumentar a escala e número de monstros para levar multidões ao cinemas. Comentário com direito ao fã purista, que prefere os animais originais, assim, como muitos o primeiro filme.

Enquanto isso a gerente de operações Claire Dearing (Bryce Dallas Howard, vestida em um branco impecável assim como Hammond, em 1993), recebe os sobrinhos no parque após anos sem visitá-los. Do outro lado da ilha o ex-militar Owen Grady (Chris Pratt) conduz uma pesquisa comportamental com os Velociraptors. E quando a "nova atração" sai do controle são eles que vão sobrar para controlar o gigante, e evitar que os 20 mil visitantes do parque sejam comidos.


Eles salvam a maioria, mas ainda tem muita gente que vira petisco de dino pelo caminho. Durante cenas de ação bem coordenadas, que usam tanto monstros de CGI, quanto animatrônicos para criar o realismo. Apenas por isso é possível aceitar diálogos fracos dos personagens unidimensionais que desperdiçam o elenco talentoso.

Enquanto Grady desperdiça o talento cômico de Chris Pratt, que caberia muito bem na franquia (e daria uma ajudinha à sua candidatura à novo Indiana Jones. Sério, só falta o chicote). As crianças são o típico adolescente que não queria estar ali (Nick Robinson), e o garoto que ama dinossauros (Ty Simpkins). Mencionei o dono otimista e ingênuo, o cientista com intenções equivocadas e o militar o más intenções?

Nenhum deles no entanto é mais problemático que a personagem de Bryce Dallas Howard. Uma executiva fria, que não sabe lidar com os sobrinhos, cujo arco dramático descobrir seu instinto maternal na jornada. Correndo de salto, e diminuindo o volume de roupas, em 2015! Tratamento feminino herdado do livro de Michael Crichton, que Spilberg havia consertado. Estou surpresa por não haver mais reclamações feministas até o momento.


Talvez não haja tanta reclamação porque os humanos não são importantes. "Vamos" ao Jurassic World pelos dinossauros, tradicionais e híbridos, e pelo caos que eles criam. Nisso o filme é impecável! E ficamos pelas atrações bem sacadas do parque em funcionamento, uma versão jurássica da Disney, (lindo o dino-aquático comendo um tubarão, outro monstro predador de Spilberg, não é Spoiler está no trailer). Ou pelas referências orgânicas à franquia como um todo.

Não há como Jurassic World, superar o encantamento e o carisma de O Parque dos Dinossauros. Não acho que nenhum longa, existente ou futuro, da série consiga tal proeza. Entretanto é um bom ponto de partida para a renovação da franquia. Uma sequência, com características de re-make, que respeita o material original.

E apesar de ter dado errado novamente, não fique surpreso se tentarem colocar o parque em funcionamento mais uma vez. Afinal, apesar das atrações perigosas, eu mesma, ainda saí da sala de cinema querendo um passaporte para visitar o parque!

Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros (Jurassic World)
EUA - 2015 - 124min
Aventura

*Há controvérsias por parte dos Paleontólogos, quanto ao realismo científico das criaturas de Spilberg. Mas, o realismo a que refiro é o de efeitos especiais. Ou vai dizer que quando criança não ficou na duvida se eles eram reais? Ainda esta semana tive que explicar à minha prima de 7 anos, que não. Os dinossauros do filme original não existem de verdade, é só magia do cinema, duas décadas e ainda funciona.
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sexta-feira, 19 de junho de 2015

Lava

Eu não deveria precisar dizer mas... - não chegue atrasado no cinema! - Especialmente em um filme da Pixar. No caso de Divertida Mente por exemplo, você corre o risco não apenas de perder a sequencia inicial do filme (que por sinal é incrível), mas pode não assistir Lava, o tradicional curta-metragem que acompanha os filmes do estúdio.

E se o longa metragem é a prova que o estúdio de animação não perdeu seu "toque mágico de originalidade", o curta que abre as seções é um lembrete que eles são capazes de fazê-lo em qualquer formato. Pois além de um curta-metragem, Lava também é um musical!

E pode desfazer a careta de "não sou chegado à pessoas cantando e dançando sem motivo aparente". Pois não há forma melhor de contar a história de um vulcão, provavelmente havaiano, em busca do amor. "Someone To Lava", cobre toda a projeção, conta a história e dá o tom da animação. Uma história bonita e simples, mas que vai fazer muito marmanjo chorar.

Com visual sempre caprichado da Pixar, Lava tem 7 minutos e estreou no Hiroshima International Animation Festival em junho de 2014. No Brasil já havia sido exibido na íntegra na Comic Con Experience, durante o painel da Pixar, mas em versão legendada. A versão dublada da música foi muito bem estruturada, mas perde um pouco o charme, ao perder os trocadilhos entre as palavras "love" e "lava".

Dublado, ou com áudio original Lava é um encanto. E tem versão em 3D, logo chegue cedo às sessões de Divertida Mente!

Lava (Lava)
EUA - 2014 - 7min

Animação/Musical


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quarta-feira, 17 de junho de 2015

Divertida Mente

Você entende como as emoções comandam as suas escolhas? A Pixar entende. E claro, que faz o favor de explicar pra gente através da mente da pequena Riley. Mas não se engane, não é a menina a grande protagonista desse filme, mas suas emoções.

Com 11 anos de idade a menina tem sido regida sua vida toda por Alegria (Amy Poehler, Miá Mello na versão nacional), que se esforça muito para que a menina seja sempre feliz. Medo (Bill Hader/Otaviano Costa), Raiva (Lewis Black/Léo Jaime) e Nojinho (Mindy Kaling/Dani Calabresa) tem suas funções na tarefa de manter Riley segura e bem. Já a Tristeza (Phyllis Smith/Katiuscia Canoro) é a incompreendida da turma.

Tudo vai bem até que a família precisa se mudar, e a menina enfrenta novas situações e sentimentos que não compreende. É claro, as emoções ficam atarefadas na sala de controle (a cabeça de Ryley), e tudo piora quando Alegria e Tristeza se perdem no cérebro da menina.
A dupla de opostos precisa achar seu caminho de volta através da imensidão do cérebro humano, que tem cenários como ilhas de personalidades, mundos imaginários, depósitos de lembranças, produção de sonhos e claro, o limbo para onde vão aquela coisas que esquecemos completamente. Enquanto isso do lado de fora a vida de garota entra em colapso já que Medo, Raiva e Nojinho não são suficientes para manter o equilíbrio.

Os criadores de Divertida Mente estudaram bastante, e incluíram muitos conceitos de psicologia na construção desta aventura, todos devidamente palatáveis através de alegorias inteligentes. Aspectos da memória, personalidade, sonhos, temores e até depressão são trabalhados neste longa.

Calma, ainda é um filme de criança, da Pixar, e você não vai ouvir o termo depressão durante a projeção, mas vai sim identificar sintomas do mal do século. E consequentemente uma mensagem positiva de como lidar com a condição. Uma vez que o filme não traz a Tristeza como vilã, mas como alguém incompreendido que precisa de espaço e atenção de vez em quando. Chorar também é preciso, e não há nada de errado nisso! Não deixa de ser também uma crítica á nossa hipocondríaca sociedade, que tenta tornar o mundo controlável através de anti-depressivos em excesso.


E por falar em choro, é provável que você chore neste filme. E tudo bem, pois é apenas uma indicação da Pixar sendo "A Pixar" novamente. Após um período de continuações não tão brilhantes (à exceção de Toy Story 3) e seu primeiro ano sem lançamentos (2014) no cinema. A empresas precisava provar que não perdera seu "toque mágico". Mencionei, a "protagonista cenário" Riley, e suas emoções principais Alegria e Tristeza, ajudam a corrigir a escassez de protagonistas femininas do estúdio?

Divertida Mentefaz tudo isso, sem deixar de ser divertido e criativo, criando um universo completamente novo, e ousado, a nossa mente. E trazendo novos personagens carismáticos e profundidade interessante, apesar de simplificados para o público infantil. O visual, como esperado, é impecável, mas o 3D é recomendado principalmente por causa de um trecho que brinca com universos bidimencionais.

A Pixar, está de volta, e para toda a família. Embora adultos provavelmente vão se relacionar com a história em nível diferente. Leve lencinhos, afinal chorar pode!*

Divertida Mente (Inside Out)
EUA - 2015 - 94min
Animação/Aventura

*O longa vem acompanhado do curta-metragem Lava, que abre a sessão. Já mencionamos o curta que é um musical aqui. Leia a resenha de Lava.

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terça-feira, 16 de junho de 2015

Quem liga para os livros? Todos os homens devem morrer...

... e vão. Mulheres, crianças e pets também não serão poupados!!!

#EuNãoLiIsso, #NoLivroNãoÉAssim, #MasEssePersonagemTáVivoNolivro - se fossem hashtags, (acho que algumas são) essas seriam as mais encontradas aos lado dos comentários desta quinta temporada de Game Of Thrones. Aproveitando que as alterações até aqui em geral agradaram e que o material base está no fim, os produtores da série resolveram escolher seus próprios caminhos alterando a jornada de boa parte dos personagens.


Preciso dizer que haverão Spoilers à partir daqui?

A começar pela viagem relâmpago de Tyrion até Meeren, que cortou toda uma linha narrativa. Existe um novo possível Targaryen, e todo o seu "clã", se candidatando ao assento mais desconfortável do mundo, à essa altura da narrativa nos livros. Outros que foram ignorados foram os Greyjoy, que à deveriam estar lutando pelo poder após a morte de Baylon. Para quem apenas assiste a série o pai de Theon tecnicamente ainda está vivo. O que significa que a feitiçaria de Melisandre (aquela com as sangue-sugas e o Gendry) não funcionou corretamente. É aqui que reside o início da falha desta temporada. A incoerência!

Stannis é um homem de convicções fortes, que buscou em meio mundo uma cura para filha. Suportou a fome de um cerco de meses, comendo cavalos, cães, gatos e até livros. Viu que bastou apenas gotas do sangue de Gendry para matar dois de seus inimigos E que tal magia, até agora, na série, não funcionou com o "usurpador Balon Greyjoy".

Ainda sim, nesta temporada bastou uma nevasca e um dia sem suprimentos para que ele aceitasse queimar sua única herdeira sem questionar muito o plano. Queimar viva a única criança mentalmente sã de Westeros, é uma coisa terrível, ainda mais sem um contexto adequado. Provavelmente por isso, o sacrifício de Shireen incomodou tanto. Especialmente após o desfecho apresentado no último episódio.

Outra sequencia que causou muito "mimimi", foi o estupro de Sansa. Uma cena criada para desenvolver Theon, mas foi compreendida como um retrocesso no arco narrativo da moça, e situada no final do episódio deixou o questionamento rolando por mais de uma semana. Nesse caso, entretanto, o desfecho foi muito mais interessante, já que os dois "sofredores crônicos" da série finalmente encontraram apoio um no outro. Vale lembrar, que as duas sequencias citadas acima, não acontecem nos livros. Erros e acertos são mérito da produção da série, não do autor dos livros.

Quem realmente se beneficiou muito com essas mudanças foi Brienne. Sua longa (longa mesmo!) jornada nas páginas com Pod, não evolui a história. Por um bom tempo apenas apresenta novos cenários e lugares. Em outras palavras, é chata! Logo, apesar de ficar um pouco sumida, sua missão na série é mais interessante. Aliais, embora seu objetivo no momento seja proteger a única Stark que conseguiu encontrar, é sua primeira missão, e única auto-imposta que ela consegue cumprir, Será o início de uma maré de sorte para a moça?

De volta a Tyrion, sua jornada resumida ao lado de Jorah é outra das diferenças entre as obras. Para justificar sua necessidade ao lado de Daenerys, foi necessário o sacrifício de Sor Barristan, o ousado. Um encontro de personagens chave, à muito esperado pelos fãs. Entretanto, há quem sinta falta do núcleo escravo pelo qual o anão passa, e que dá a magnitude do caos em que Meeren se encontra. Aliais sua presença ao lado de Varys no comando da cidade pode gerar um resultado diferente do colapso em que a cidade escravagista está nos livros. Uma vez que a dupla tem muito mais experiência que Barristan.


E por falar em alterações, e encontros esperados, faz tempo que se queria ver Dorne na tela. Com seus costumes e cultura exóticos. E isso foi feito com outra jornada criada especialmente para a série e decepcionou bastante ao apresentar as Serpentes da Areia, mais sensuais que letais, ao eliminar Arianne Martell, verdadeira herdeira do trono de Dorne. Além de encurtar o arco de Myrcella (pois é, outra que ainda deveria estar viva) com soluções óbvias. Um núcleo fraco e desinteressante, mesmo para quem não tem conhecimento das mudanças.

Mas nem tudo corre fora dos trilhos. Arya e Cersei seguem satisfatoriamente seus arcos, apesar de alterações em outras linhas narrativas exigirem mudanças em alguns detalhes. A Rainha Lanister parece caminhar para cumprir as profecias feitas à ela na infância que abriram a temporada (na primeira sequencia de flashback feita na produção). E encara um novo desafio que muda toda sua percepção, objetivos e até aparência. Sua caminhada de espiação é de longe um dos melhores momentos da temporada.


Já Arya está ainda com mais pressa que nos livros para se tornar um homem mulher garota sem rosto, mas não consegue se desligar de seu passado. Ela vai mais longe que sua correlativa nos livros e usa magia da casa do preto-e-branco para, realizar vingança que poderia fazer muito bem de cara limpa.

E Daenerys finalmente voa em Drogon. Sequência que foi esmaecida, pois muitos ainda estava chocados com a morte de Shireen na cena anterior. Ainda sim, bem feita e emocionante. É claro, há diferenças e baixas que não deveriam acontecer. Mas o ponto chave o difícil voo do dragão, e a posterior descoberta de que um passeio não é o suficiente para treiná-lo, estão lá.


E chegamos a John, que agora é lorde comandante e toma todas as decisões certas, mesmo que seus irmãos da patrulham não compreendam ou apoiem. Seu único erro é ignorar esses irmãos, e sem o Sam como fiel conselheiro (Tarly e sua selvagem Gilly, se encaminham para cidadela, para que este se torne o novo meistre da patrulha, sim Meistre Aimon morreu, um pouco cedo, mas estava na lista), um motim é eminente. O problema é que assim como o arco de Stannis tudo é feito muito rápido, sem preparar bem o contexto.

Em apenas 10 episódios, ele é eleito novo comandante, enterra seu Meistre, negocia com os Stannis, com os selvagens, enfrenta o maior exército de mortos que já vimos e traz os povo livre para "cá da muralha". Parece que faltou tempo para explicar aos irmãos da patrulha a situação, e mesmo com esse agravante o motim é mal desenvolvido.

As posteriores alegações do interprete de Snow de que seu personagem realmente está morto, também parecem uma jogada de marketing equivocada, uma vez que fãs já avistaram o ator em Belfast, onde a série é gravada. E a alegação vai de encontro á diversas teorias dos fãs sobre seu destino. Mesmo que a morte do personagem seja real na série, qual a função de eliminar um anos de especulação dos expectadores sobre isso?


E por falar em especulações a maior delas deve ser os poderes de Melisandre, que desertou seu escolhido na hora "H". E além de ter se explicar com Sor Davos, parece precisar ela mesma de uma explicação de seu deus das chamas.

Algumas mudanças bem vindas, outras que parece estrategicamente criadas apenas para chocar a audiência (confere a lista de mortos ainda vivos nos livros*). Linhas narrativas ignoradas, ou excluídas, arcos mal desenvolvidos e acelerados criaram a temporada mais controversa de  Game Of Thrones até agora. A maioria ficou com a sensação de que pouco aconteceu até o oitavo episódio, quando tudo desandou de vez, deixando todos os personagens nas piores situações possíveis, até o ano seis. E os leitores ficaram na dúvida: será que a partir de agora teremos duas obras distintas sobre o mesmo universo, série e livros?

Começa agora a longa espera, para descobrir o que acontecerá com as personagens. Pela primeira vez espera compartilhada entre leitores e aqueles que são apenas expectadores. O que chegará primeiro, o livro ou a nova temporada? Game of Thones é exibida pela HBO, simultaneamente com a estréia nos Estados Unidos.

P.S.: Onde está Mindinho? E Fantasma?

*Xaro Xhoan Daxos, Talissa, Jojen Reed, Mance Rayder, Sor Barristan, Hizdahr zo Loraq, Shireen Baratheon, Selyse Florent, Stannis Baratheon, Myrcella Baratheon, além de alguns irmãos da patrulha, e provavelmente algum outro que esqueci, ou mesmo nem foi apresentado na série.

Leia mais:  textos da segunda, terceira e quarta temporadas, sobre  Game of Thrones - The Exhibition no Brasil, e mais tudo que já foi dito sobre a série no blog.
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