segunda-feira, 16 de março de 2015

A Esperança

A casa arena caiu, literalmente! O último esforço midiático para restaurar a ordem em Panem (leia-se submissão dos demais distritos), foi utilizado como plano revolucionário dos que descordam da Capital e do até então "extinto" Distrito 13.  Foi em meio a descoberta de um golpe ao Massacre Quaternário, nome fofo dado à edição comemorativa de 75 anos dos Jogos Vorazes, que Em Chamas terminou. Deixando mais dúvidas que respostas.

Em A Esperaça acordamos com Katniss no Distrito 13, que sobreviveu às escondidas por 75 anos, e vê no símbolo do tordo uma brecha para à revolução. Meio à contragosto, Katniss aceita ser o rosto da revolução comandada pela Presidente Alma Coin. Enquanto Peeta capturado pela durante o massacre é a arma do Presidente Snow para desacreditar os revoltosos. Enquanto os dois lados da revolta criam uma verdadeira guerra midiática colocando os "outrora amantes desafortunados do Distrito 12" em posições opostas Katniss, tenta descobrir em quem confiar. Ao mesmo tempo que lamenta pelo destino de seu antigo lar e de Peeta visívelmente sob tortura.

O Distrito 13 é uma instalação subterrânea cheia de regras e sem regalias, onde cada um tem uma função à cumprir seja nas tarefas do dia-a-dia, seja nos esforços de guerra. Essa nova condição traz uma nova perspectiva não apenas para Katniss, mas para outros personagens. Afinal a protagonista/narradora não está mais incomunicável em uma arena, e pela primeira vez pode observar o comportamento dos outros em relação à revolução.

Então descobrimos desde guerreiros engajados entre os sobreviventes do "12",  à tributos destruídos pelos jogos, e residentes da capital que se rebelaram por vontade própria, ou foram arrastados para aquela situação. Cada um com suas motivações. Mesmo Katniss não escapa deste novo ponto de vista. Ela é uma pessoa de reação e não de ação, e fica claro que na maioria das vezes o que a move são razões consideradas egoístas em uma guerra. A maior delas, proteger os seus.

Mas é claro, à certa altura a guerra midiática não é mais suficiente! A disputa vai para o campo de batalha, há perdas e reações inesperadas, porém coerentes com as reais motivações de cada personagem que passamos à perceber. Culminando em um desfecho corajoso, em se tratando de uma obra para jovens adultos.

Se em Jogos Vorazes e Em Chamas Suzane Collins discutia assuntos como fome, opressão, manipulação, propaganda política e discurso midiático. O último capítulo, abrange também a propaganda de guerra declarada, posicionamento político, tortura, as motivações de uma guerra, bem como a necessidade de se ir à luta e suas consequências. Já Katniss, tenta lidar com os traumas psicológicos de sobreviver à duas edições dos jogos, e com o peso de ser um símbolo, ao mesmo tempo que é tratada como uma criança por aqueles que a "escolheram".

A Esperança não apenas amplia as discussões iniciadas nos dois primeiros volumes da trilogia, mas também traz novos dilemas, cada vez mais complexos e graves. Sem no entanto abandonar o estilo simples de narrativa que adotou no início. O desfecho por sua vez não poupa as jovens mentes que pretende atingir das reais consequências de uma guerra. Terminando de forma coerente e inteligente a saga de Katniss, entrando para a seleta lista de produtos para adolescentes que não subestimam suas jovens mentes. E ainda colaboram para seu crescimento e compreensão do mundo.

A Esperança (Mockingjay)
Suzanne Collins
Rocco


Leia também as resenhas de Jogos Vorazes, Em Chamas, e das adaptações cinematográficas Jogos VorazesEm Chamas e A Esperança - parte I.

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