quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Interestelar

Para variar, em um futuro não muito distante, porém incerto, a Terra não é mais o ambiente ideal para a humanidade. Sem chuvas com muita poeira, e uma praga que se alimenta das mudanças na atmosfera e de qualquer coisa que possamos comprar, a humanidade não precisa mais de pessoas diplomadas, mas de bons fazendeiros. Gastar com tecnologias não relacionadas à sobrevivência, como viagens ao espaço, é considerado uma irresponsabilidade. É por isso que a NASA existe por baixo dos panos.

Mas a agência espacial não desperdiça dinheiro, eles tem um plano: encontrar um novo lar. Plano que se torna mais viável com a presença acidental do ex-piloto Cooper (Matthew McConaughey). Este vai ter que escolher entre ficar com os filhos e encontrar um novo mundo para eles. Simples assim, é o argumento de Interestelar, novo longa (põe longo nisso!) de Christopher Nolan.

Já seu desenvolvimento, não é tão fácil. Cheio de teorias da física quântica, devida e excessivamente explicadas nos mínimos detalhes, o filme alterna entre bons momentos, e tempo gasto com cientistas explicando uns aos outros coisas, que eles provavelmente já sabem. Ok, o expectador pode são saber sobre, buracos de minhoca, dobra temporal, a relatividade do contínuo espaço-tempo. Mas, nenhum falatório é melhor que mostrar essas teorias, e isto o filme faz muito bem.

Assim, temos uma boa introdução da relação familiar de Cooper, quando ele e os filhos (Mackenzie Foy e Timothée Chalamet) caçam um drone alucinadamente por um milharal. E depois uma enfadonha explicação (na escola), sobre o que é relevante na nova condição da terra. Assistimos um longo lamento explicativo da Dra. Brand (Anne Hathaway) sobre uma falha na missão para em seguida, ver essas mesmas consequências em cena.

E a necessidade de Nolan não é apenas de explicar, mas também dar sentido à tudo. Aqui o diretor escorrega ao abandonar a ciência e relacionar, resultados à questões emocionais, como fé e amor. Sim são questões relevantes, que interferem nas decisões mesmo das pessoas mais racionais. Mas falta jeito para incorporar isso à trama, e o resultado é meio robótico, e piegas.

Tudo isso com uma bela fotografia, e interessantes contrastes entre as diferentes locações. Tudo isso surpreendentemente sem chroma-key. A equipe fez uso de retroporjeções, antigas técnicas de filmagem, locações e sets construídos. Conseguindo apresentar um universo deslumbrante, especialmente na tecnologia IMAX. Entretanto embora seja muito interessante, e ajude a criar uma tensão diferente, assistir à corretas cenas nas quais o som não se propaga no vácuo. Algumas destas cenas podiam ser mais curtas.

Ficção científica tradicional, referências não faltam à clássicos do gênero. Especialmente, 2001 - Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick. Até mesmo, seu robusto porém estranhamente funcional robô auxiliar é a cara (ou seria forma geométrica?) do Monolito de Kubrick!

Cheio de conceitos interessantes, e boas exemplificações reais. Interestelar pode até escorregar no didatismo, e nas soluções que tenta mesclar razão e emoção. Mas, funciona ao apresentar um universo tenso e, cheio de perigos. Além de relações complicadas, resultado de boas atuações de Jessica Chastain, Michael Caine e McConaughey. Pode ser longo demais, mas não é perda de tempo.

Interestelar (Interstellar)
EUA/Reino Unido - 2014 - 169min
Aventura / Ficção científica

2 comentários:

Clay disse...

Assistir esse filme, eu gostei sim.. vários pontos a se pensar, mas sinto que ficou faltando algo, não foi tão bem contada a história.. Trabalhou bem a questão de fé e determinação humana, mas há cenas que teve falhas =/ Mesmo assim Nolan fez um excelente filme com um elenco incrivel ^^

Fabiane Bastos disse...

Sim, tem altos e baixos, mas é um bom filme.
Obrigada pela vista! ;)

 
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