sexta-feira, 5 de setembro de 2014

As Tartarugas Ninja

Apenas crianças acreditariam em Tartarugas Ninja Mutantes Adolescentes, comedoras de pizza, que vivem nos esgotos de Nova York sob a tutela de um rato. Crianças, e adultos que eram crianças na década de 1990. Mas foi pensando muito mais nas novas gerações que Hollywood trouxe de volta Leonardo, Rafael, Donatello e Michelangelo.

Talvez seja por isso, ou por se tratar de uma produção de Michal Bay (Transformers), que o roteiro explica exaustivamente cada acontecimento em cena. Super-didático o longa traz uma cena inicial bem construída que resume a existência do quarteto de heróis e a situação da criminalidade de Nova York. O que não impede de que o roteiro subestime o expectador e explique tudo novamente sempre que possível.

Então, Nova Yorke é uma cidade extremamente perigosa, que está sofrendo com a onda de crimes orquestrada pela Gangue do Pé. April O'Neil (Megan Fox), é uma repórter de TV que está insatisfeita com as pautas leves que sempre recebe. Logo a moça resolve investigar becos escuros por conta própria e acaba descobrindo a existência de estranhos vigilantes.

Reparou que não mencionei os heróis na sinopse acima? É por que é assim mesmo, com Megan Fox como cicerone que conhecemos a existência das tartarugas, seu universo e a primeira aventura de combate ao crime desta nova franquia. A moça, que não faz esforço algum para te convencer como personagem, não apenas está presente em quase todas as cenas, mas ganha também uma relação (por falta de palavra melhor) familiar com nossos heróis.

Com isso leva um tempinho para finalmente ficarmos cara a cara com as tartarugas com nomes de artistas da renascença, se seu também mutante Mestre Splinter. É nos repteis e no roedor que se encontra o ponto forte do filme, o visual mais "brucutu" em relação aos filmes e animação dos anos 90, funcionam ao tornar os personagens mais perigosos, embora se trate de um bando de adolescentes.

O mesmo realismo está presente no visual do rato. Resultado da evolução na técnica de captura de movimentos que permitiu que os interpretes das tartarugas dividissem o set, com Will Arnett e Megan Fox. O elenco Pré CGI traz Alan Ritchson (Rafael), Noel Fisher (Michelangelo), Pete Ploszek e Johnny Knoxville (respectivamente corpo e voz Leonardo), Jeremy Howard (Donatelo), Danny Woodburn e Tony Shalhoub (corpo e voz de Splinter).

Falta no entanto o bom humor e as piadas características dos personagens. Talvez pela falta de tempo em cena. Com o foco em Megan, quando os heróis finalmente entram em cena já é hora da ação. Ação grandiosa e exagerada, estilo Michael Bay, mas bem feita. Diferente de Transformers apesar da escala, é possível entender o que está acontecendo em cena, e onde cada personagem foi parar.

Acertando nos efeitos especiais e na caracterização dos personagens, As Tartarugas Ninja, tem um roteiro fraco e aposta na personagem (ou seria intérprete) errada para servir de fio condutor da história. Não é um representante satisfatório para as personagens, que nasceram sombrias nos quadrinhos Kevin Eastman e Peter Laird, e ficaram mais leves para agradar crianças de várias gerações (vale lembrar que existe um desenho atual do quarteto). Mas a ação funciona com a criançada. E vai fazer bilheteria, suficiente para criar uma franquia. Talvez com os personagens principais, já bem construídos talvez sobre disposição para trabalhar no roteiro.


O jeito é torcer para que a próxima incursão de Leonardo, Rafael, Michelangelo e Donatelo, na tela grande descubra como corrigir os erros. Será, que já é tarde para re-escalar a April O'Neil?

As Tartarugas Ninja (Teenage Mutant Ninja Turtles)
EUA - 2014 - 101min
Aventura

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