segunda-feira, 10 de março de 2014

Walt nos Bastidores de Mary Poppins

Evite conhecer a fundo seus maiores ídolos, especialmente se terceiros escolherem a versão que será apresentada à você. Afinal, na realidade ninguém é perfeito, e na versão de terceiros, qualquer figura pode ser manipulada para atender a seus objetivos. Logo, ficamos desapontados ao conhecer a P. L. Travers, verdadeira protagonista de Walt nos Bastidores de Mary Poppins.

Embora seja verdade que a escritora de Marry Poppins fosse uma pessoa extremamente rabugenta, é difícil acreditar que a nada simpática senhora, criara um dos mais adorados personagens imortalizados pelos estúdios Disney. E ela não criou mesmo! Sua Marry era muito mais fria que a vivida por Julie Andrews, que foi, à contragosto da autora, modificada por Walt.

É essa relação entre autora e cineasta que Walt nos Bastidores de Mary Poppins se propõe a apresentar, supostamente de forma fiel, mas deixando de lado detalhes inconvenientes à magia do reino do Mickey. Além de fazer um paralelo entre a infância difícil de Travers e sua relação com sua obra, especialmente o personagem Sr. Banks. Por isso o título original Saving Mr. Banks, em tradução livre, Salvando o Sr. Banks.

Assim P. L. Travers (Emma Thompson) é apresentada como uma caricata britânica* esnobe, e até um pouco patética, que reclama sem pudores de tudo e todos. Enquanto Disney (Tom Hanks), é um magnata bonachão do entretenimento, que se importa mais com a magia que suas obras oferecem às pessoas que com os lucros. A ponto de tentar negociar por 20 anos os direitos do livro com uma mulher rabugenta apenas para atender um pedido das filhas.

Eventualmente, Disney e as mágicas canções de Richard e Robert Sherman (Jason Schwartzman e B.J. Novak) resgatarão Travers de sua rabugice, como se só bastasse uma colher cheia de açúcar para tal. Psicologia barata, até porque na vida real Travers nunca aprovou a premiada versão cinematográfica, e impediu a adaptação de suas outras obras. A Mary Poppins que conhecemos, só surgiu graças a pressões financeiras, sob supervisão de roteiro pela autora e diversas condições que Disney desrespeitou, como as sequencias de animação, e as músicas.

Indicado ao Oscar de melhor trilha sonora este ano (perdeu para Gravidade) é nas canções não originais que está a graça do filme. Reconhecer não apenas as canções do longa de 1963, mas também de produções da Disney anteriores a essa época. Outro ponto forte são as locações incluem o Teatro Chinês e a Disneylandia.

A razão para ficar até o fim da projeção, no entanto, é o competente elenco. Emma Thompson apresenta uma atuação precisa em trejeitos embora caricata em personalidade. Confira durante os créditos as gravações reais das reuniões da produção e, assim como eu, demore para perceber que não é de Thompson a voz que ouvimos. E se é para "endeusarmos" Walt Disney (não podia ser diferente o filme é dos estúdios dele), ao menos é fácil acreditar no sempre bom moço Tom Hanks. O filme conta também com pontas de luxo de Paul Giamati e Colin Farrell.

Walt nos Bastidores de Mary Poppins tem grandes pretensões mas, hesita em apresentar todos os aspectos, bons e maus, da história. Tanto Travers quanto Disney ainda merecem serem retratados apropriadamente na tela grande. Ao menos, o longa faz com que fiquemos com vontade de rever Mary Poppins, este sim um clássico!

Walt nos Bastidores de Mary Poppins (Saving Mr. Banks)
EUA - Reino Unido - Austrália - 2013 - 125 min.
Comédia / Drama


*P. L. Travers era na verdade Australiana, mas se reinventou como britânica.

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