domingo, 15 de dezembro de 2013

Somos o que Somos

Definir o gênero de um filme não é tarefa fácil, especialmente se o diretor parece não se decidir o tom que deseja seguir. Talvez por isso, Somos o que Somos designado à categoria de terror parece se encaixar melhor no drama e/ou suspense.

A morte repentina da mãe não abala as secretas tradições da família Parker, que se prepara não apenas para a enxurrada que assola a região, mas para os rituais do seu "dia do cordeiro". Na ausência da matriarca a responsabilidade por manter a tradição passa para Iris (Ambyr Childers) e Rose (Julia Garner) que começam a questionar os rituais. Ao mesmo tempo, a misteriosa doença que matou sua mãe e artefatos trazidos pela água dão inicio à investigações que começam a ameaçar os segredos da família regida a punho de ferro pelo pai Frank Parker (Bill Sage).

Não é preciso muito tempo e esforço para deduzir quais tradições envolvem o "dia do cordeiro". Mesmo porque, é um clássico de "famílias caipiras reclusas estadunidenses" (melhor parar por aqui para evitar spoilers), apesar de se tratar de um re-make de um filme mexicano de 2010.

Apesar da falta de originalidade na temática, o longa acerta no tom sombrio e cinzento da fotografia, e na construção da tensão. Parte do mérito pertence a Childers e Garner, intérpretes das irmãs adolescentes, elas são as responsáveis por apresentar e ilustrar a tensão na qual vivem. Tentando lidar com o confuso fanatismo religioso do pai, a morte da mãe, os cuidados com o irmão caçula e seus novos deveres.

A falha fica por conta do tom, que não se decide entre o suspense, o drama e o terror. O filme aponta dilemas como o fanatismo religioso e a relação entre pai e filhos, mas nunca se aprofunda, dando preferencia a trama principal. Esta por sua vez, mantem a tensão em um crescente eficiente, mas decepciona no clímax, que apesar de surpreendente é destoa do tom de suspense psicológico para apostar no terror sangrento.

Sobra ainda tempo para voltar no tempo e apresentar a origem da tradição familiar dos Parker. Uma explanação desnecessária para entender que tradições são essas, uma vez que descobrimos sozinhos. E que apesar de oferecer uma origem plausível para o dia do cordeiro, deixa a dúvida de como esta deixou de ser uma necessidade e se tornou uma tradição religiosa fanática.

Apesar da indecisão de gêneros e na temática já conhecida, o longa consegue manter o interesse do expectador, desenvolve a trama em um ritmo uniforme e, até, surpreende no fim. Somado às boas atuações do elenco adolescente e a fotografia acertadamente sem vida, vale a sessão.

Somos o que Somos (We Are What We Are)
EUA , 2013 - 105 minutos
Terror

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