quinta-feira, 14 de novembro de 2013

A Invenção de Hugo Cabret

"Mas antes de virar a página, quero que você se imagine sentado no escuro, como no início de um filme. Na tela, o sol logo vai nascer, e você será levado em zoom até uma estação de trem no meio da cidade. Atravessará correndo as portas de um saguão lotado. Vai avistar um menino no meio da multidão e ele começará a se mover pela estação. Siga-o, porque este é Hugo Cabret. Está cheio de segredos na cabeça, esperando que sua história comece."

Nem de longe tentando desmerecer o trabalho de Scorsese, em sua adaptação para o cinema de A Invenção de Hugo Cabret,  mas quem lê a breve introdução deste livro pensa: está meio caminho andado!

E é assim, como em uma projeção de cinema que adentramos no mundo de Hugo. Desenhos quase quadro-a-quadro vão crescendo em uma tela escura, sobrevoando Paris adentrando a estação de trens e seus corredores labirínticos, antes que qualquer outra palavra seja dita (ou escrita). Quando finalmente podemos ler algo (lá pela página 45) somos apresentados ao protagonista Hugo e suas desventuras.

O menino vive sozinho, invisível entre as paredes da estação, consertando os relógios do edifício. Trabalho herdado do tio com quem vive desde que ficou órfão. Do pai herdou um estranho homem de metal e a missão de consertá-lo. Para tal, ele rouba pecinhas e ferramentas das loja de brinquedo da estação. E, é claro, que acaba se envolvendo com o velho dono da loja e sua aventureira afilhada Isabelle. Mas, isso é apenas a primeira parte do livro.

Dividido, narrativa e visualmente, em duas partes, lembra até aqueles clássicos de longuíssima metragem do cinema, que traziam uma pausa no meio da projeção. Depois da "intermission", leitor e protagonistas ganham novos mistérios para serem desvendados. Além de uma aula de história do cinema e um de seus ícones.

Classificado como uma obra de fantasia e aventura, pode ser facilmente confundida com um livro infantil. Mas não se engane, o livro pode e deve ser apreciado por adultos. Enquanto os pequenos podem encontrar uma ótima forma de fazer a transição dos quadrinhos ou livros de figuras para uma leitura mais rica. Os adultos vão descobrir um mistério intrigante, divertida e leve. E ambos, podem apreciar ou aprender sobre cinema. Tudo isso com o auxílio de ricas imagens, que não apenas ilustram, mas são responsáveis por contar longos trechos da trama.

Uma pena, que a encadernação nacional, em brochura com mais de 500 páginas, seja difícil de manusear e favoreça pouco os desenhos. Divididos em duas páginas, a perda de detalhes com o corte central é inevitável. Nada que comprometa a leitura fácil, da tradução de Marcos Bagno.

A Invenção de Hugo Cabret (The invention of Hugo Cabret)
Brian Selznick
Edições SM


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