segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Observações da vida cotidiana: o bom samaritano da Bienal

Bienal do Livro, setembro de 2013, entrada do Pavilhão Laranja, Rio Centro, Rio de Janeiro.

Uma correnteza de pessoas seguia lenta e interruptamente para as bilheterias em uma caminhada que poderia levar até 40 minutos. Conforme chegavam ao centro de convenções, os visitantes entravam em qualquer ponto da fila, especialmente aqueles que desciam de seus veículos no gramado, bem em frente às portas. O fluxo era constante e as aquisições de novos membros durante a caminhada não parecia incomodar os outros.

Mesmo assim lá estava ele. A primeira vista  um funcionário da organização do evento tentando inutilmente ordenar a fila inibindo aqueles que tentassem "furar fila". Seu dedo em riste e a gritaria realmente intimidava alguns, que abaixavam a cabeça e se encaminhavam para o distante fim da fila.

Aqueles que persistiam em olhar com mais atenção, no entanto, ficavam apenas intrigados. Ele não fazia parte da organização da feira. De fato, usava uma camisa da Jornada Mundial da Juventude, o que também era estranho. Ele não era jovem!

Então quem era ele? Porque gastava sua saliva e apontava o dedo para pessoas que não conhece? Porque não entra no pavilhão, ou se encaminha até o temido final da fila? Afinal, qual era o problema dele? A dúvida ficou na mente apenas até a moça, que realmente trabalhava, na organização anunciar bilheterias vazias no megafone. Mas isso foi comigo.

Não é que teve gente curiosa o suficiente para argumentar com o tal senhor! A história era a seguinte. Ele apontava para cada pessoa que entrava na fila e gritava:
- Esse é o exemplo que vocês estão dando para as crianças? Que país é esse?
Enquanto isso sua paciente esposa cobria a pé e sozinha os 40 minutos de fila desde o final.

A grande questão é: quando sua esposa finalmente alcançou a porta o que ele fez? Entrou na fila, é claro! E caminhou apenas aqueles poucos metros até a porta. Seria ele tão diferente dos que ele criticava e apontava? Digo que ele ainda é pior, deixou sua esposa sozinha, apenas para se exibir como superior e muito educado ao ponto de poder dar lições de moral. Típico: o torto falando mal acabado!


2 comentários:

Hugo disse...

Infelizmente estas situações são absurdas em todos os sentidos, tanto o sujeito metido a xerife, como os espertinhos que gostam de furar fila.

Quando ocorre a bienal em SP o ideal é chegar no primeiro horário para escapar das filas. No Rio deve ser a mesma coisa.

Abraço

Fabiane Bastos disse...

A tentativa é sempre chegar cedo Hugo. Mas infelizmente não moro no Rio, mas em uma cidade vizinha. Se hoje em dia é difícil para o pessoal de lá driblar o trânsito, imagina para quem mora mais longe.

Se saíssemos mais cedo seria no dia anterior, hehehe.

Valeu pela visita ;)

 
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