domingo, 13 de novembro de 2011

O Palhaço

Faço versos pro palhaço que na vida já foi tudo
Foi soldado, carpinteiro, seresteiro e vagabundo
Sem juiz e sem juízo fez feliz a todo mundo 
Mas no fundo não sabia que em seu rosto coloria
Todo encanto do sorriso que seu povo não sorria

Impossível não lembrar desse trecho de O Circo, música que eu ouvia repetidamente em um daqueles disquinhos de vinil na voz de Nara Leão, quando pequena. Embora Benjamim (Selton Mello), o palhaço pangaré, do circo esperança, nunca tenha sido de tudo na vida.

Filho do palhaço, e dono do circo, Puro Sangue (Paulo José) ele nasceu e cresceu no picadeiro. Vida que parece não satisfazer mais Benjamim, talvez pela constante dificuldade em que vive. Talvez porque já era a hora de Benjamim encontrar sua identidade metafórica e literalmente já que o rapaz só tem a certidão de nascimento.

Não é novidade a história do palhaço que não sorri por baixo do rosto pintado. Entretanto, é a forma como é contada que faz a diferença. Enquanto assistimos a busca de Benjamim, por sua identidade. Revisitamos as dificuldades que os artistas circenses enfrentam, a união da "família do circo", além de reconhecer diversas homenagens à ícones da comédia.

Sobra tempo ainda para o olhar do circo pelos olhos de uma criança. A pequena Guilermina (Larissa Manoela), também vive no circo e observa constantemente atividade dos pais e colegas, com o brilho nos olhos de quem visita o picadeiro pela primeira vez. Garantindo para os mais velhos, a lembrança de como o circo pode ser mágico. Também é através dela que descobrimos a maldade do ser humano, e sentimos o frescor da renovação.

Direção de arte, e fotografia criam a atmosfera itinerante, as vezes mágica, as vezes realista e melancólica de  uma arte em extinção. Em um filme cheio de símbolos, metáforas e referências, que pediriam mais uma seção apenas para encontrar e admirar todas.

O filme tem várias participações especiais. Ícones do humor brasileiro, como Jorge Loredo (o Zé Bonitinho), e Tonico Pereira, ganham espaço em uma clara homenagem a contribuição de cada um para o gênero. A melhor delas protagonizada por Moacyr Franco na pele de um delegado. Fabiana Carla, Danton Mello e Jackson antunes também estão entre as várias participações.

Atenção pais desavisados (haviam alguns na minha sala), embora tenha o título de O Palhaço e muitos humoristas, não é exatamente uma comédia, ou infantil. Existam algumas piadas, e crianças possam assitir sem grandes danos (e provavelmente vão gostar bastante). O filme é sobe as pessoas de verdade e não as personagens no picadeiro.

O final é até previsível, mas nem por isso menos interessante, lúdico ou identificável com o respeitável (e respeitado) público. Que pode curtir um filme lúdico, delicado e inteligente.

O Palhaço
Brasil - 2011 - 88 minutos
Comédia


4 comentários:

Michelle disse...

Eu gostei muito do filme. Essa atmosfera de "sonho encontra a realidade" é muito bonita. Como vc disse, não é original, mas não deixa de ser tocante.
bjo

Fabiane Bastos disse...

Pois é, já entrou na minha lista de favoritos.

Obrigada pela visita!

Giselle de Almeida disse...

Achei lindo esse filme!

Fabiane Bastos disse...

Ih já somos três, q acharam lindo. Conta como formação de quadrilha?

 
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