segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O Homem do Futuro

Desde o trailer o homem do futuro já chamava a atenção. E não é porque o cinema de São Gonçalo resolveu exibir o anúncio de traz para frente, e de cabeça para baixo. Mas por ser um filme nacional de um gênero incomum na cinematografia nacional atual.

Na mistura de comédia romântica com ficção científica, João "Zero" (Wagner Moura) é um homem amargurado desde que sofreu um bullying, tramado pela garota dos seus sonhos Helena (Alinne Moraes), em uma festa da faculdade. Vinte anos mais tarde quando está prestes a ser dispensado de seu próprio projeto para encontrar uma forma de energia sustentável, e mudar o mundo, ele resolve acelerar as coisas e ligar a máquina. O experimento não gera energia, mas um buraco negro, que o leva de volta a noite que mudou sua vida. Inevitável não tentar alterar as partes ruins com a oportunidade nas mãos.

Em uma respeitosa referência a longas como De volta para o futuro, Efeito Borboleta e Exterminador do Futuro, o longa mostra que mexer com o tempo não é brincadeira. E acerta em cheio ao explorar detalhadamente as consequências e possibilidades dos universos alternativos. E o mais importante, sem deixar furos, ou contradições na narrativa, coisa fácil de se fazer em filmes com o tema.

O argumento não é completamente original, mas a execução acerta em cheio e compensa as partes que conseguimos adiantar, apenas por já conhecer "o sistema", de paradoxo temporal. E conta com o apoio pelos bons efeitos especiais, (a exceção é o letreiro da faculdade, parece photoshop, ao menos para quem reconhece o prédio da UERJ).

O direção de arte se sai bem ao recriar os incio dos anos de 1990, na excentricidade de uma festa à fantasia. Encontrar o figurino mais criativo entre os fantasiados é um esporte a parte. O clima da festa é quente e vibrante, o que faz o contraste perfeito, a vida amargurada e fria de Zero em 2011. Contudo deixa sem brilho a  realidade alternativa do "Homem do Fututo". Apagada e sem destaque em meio as outras fases.

A trilha sonora que reúne musicas de Radiohead e R.E.M, acerta em cheio Principalmente quando encontra Tempo Perdido da Legião Urbana como tema principal. Sozinha, a música já é forte e carrega o clima de nostalgia da época. No contexto do filme, se torna pontual, o suficiente para tocar mais de uma vez na projeção e te acompanhar pelo resto do dia.

O elenco entrosado agrada. Apesar de Maria Luiza Mendonça e Gabriel Braga Nunes, fisicamente não convencerem como universitários. A dupla carrega carisma e dedicação suficiente, para engolirmos numa boa sua aparência de "40" aos "20".

Fernando Ceylão consegue transitar tranquilamente entre o melhor amigo/alívio cômico, e seu  tenso oposto criado por uma realidade alternativa. Alinne Moraes é perfeita para o papel de "principal motivação" para querer mudar o mundo, e ainda consegue nos deixar na dúvida sobre o carárter de sua personagem por uma boa parte do longa.

Mas o destaque fica, é claro, com Wagner Moura. O "Capitão Nascimento" consegue ao mesmo tempo diferenciar e unir tres fases distintas da vida de uma pessoa. Temos a percepção clara de que são a mesma pessoa, com habilidades, personalidade e sentimentos relativos a experiencia de vida que tiveram. 


E como a consciência do primeiro Zero, o que move a história, segue intacta, ainda podemos ver o crescimento da personagem. O cientista compreende o verdadeiro sentido daquela bagunça, e a partir daí assume atitudes heródicas. E de quebra, ainda insere uma lição de moral em um filme que já valeria apenas pela diversão.

Talvez o trailer de cabeça para baixo e de traz para frente, fosse uma referência do responsável pela projeção às lições filosóficas do longa: voltar no tempo pode deixar seu mundo de pernas para o ar, e ainda fazer quem está sentado do outro lado da tela rir bastante.

O Homem do Futuro
Brasil - 2011 - 103 min.
Comédia / Ficção científica / Romance

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