sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

O Estrangeiro

Uma explosão mata entes queridos de uma pessoa com "habilidades especiais", que não vai descansar até que a justiça - ou vigança - seja feita. Você provavelmente já assistiu este filme com diferentes astros de ação. A diferença de O Estrangeiro, é que o protagonista habilidoso em questão é vivido por Jackie Chan, em um esforço para mostrar que pode ir além do astro de ação.

Quan (Jackie Chan) é um dono de restaurante chinês em Londres que vive para cuidar da filha Fan (Katie Leung, a Cho Chang de Harry Potter). Quando a menina é vitima de um atentado organizado por terroristas irlandeses(!), e o trabalho da polícia local se mostra lento de mais, ele sai em busca de respostas e consequentemente de justiça. Dificultando o já complicado trabalho do vice-primeiro ministro irlandês Liam Hennessy (Pierce Brosnan), que tenta abafar o caso enquanto defende seus interesses políticos.

O diretor Martin Campbell (007 - Cassino Royale), equilibra bem busca de Quan e a trama de política. Esta última, bastante elaborada para um filme do gênero, mas não chega a ser excepcional. É provável que você descubra os culpados lá pelo meio da projeção, mesmo que não compreenda completamente a ligação entre eles. Mas tudo bem, pois é no carisma de Brosnan e principalmente de Chan que o longa se sustenta. E claro, na expectativa do embate entre eles que quando acontece,  curiosamente não envolve ação, mas tensão criada por uma boa química.

Caso os fãs de Game of Thrones estejam se perguntando,
sim Roose Bolton (Michael McElhatton) é capanga do 007!
Enquanto o ex-007 entrega um político nada charmoso, apesar de sua persona. Chan surpreende ao assumir seus 63 anos, e deixar de lado o humor que víamos até nas lutas para dar vida a um homem que perdeu tudo. Sem mais nada a perder Quan assume uma falta de empatia, que em chega a ser catatônica em alguns momentos. Estado de torpor que desaparece,  quando o personagem está em ação dando espaço à uma máquina com objetivos claros.

É uma pena apenas, que Campbell não tenha encontrado uma forma mais fluida de filmar seu astro de ação. A graça de ver Chan é acompanhar seus movimentos, o que a edição com excesso de cortes desfavorece. Por outro lado, talvez o estilo tenha sido adotado devido à idade do ator. Como o próprio longa faz questão de lembrar, o astro já está na faixa dos 60 anos, idade que pode desfavorecer as coreografias de lutas alucinadas, mas com certeza favorece o impacto dos golpes sofridos pelo personagem. Seja por atuação, ou efeito da idade, o sr. Quan, é mais pesado e demora a se levantar em muitos momentos, nos deixando preocupados com o sucesso de sua missão, e seu desfecho.

Baseado no livro The Chinaman de Stephen Leather O Estrangeiro, entrega o que promete e o faz muito bem. Uma pena a produção não ter encontrado um caminho para ir além dos estereótipos de filmes de ação. Mas é um bom exemplar do gênero que deve agradar aos aficionados por lutas, tiros e explosões.

O Estrangeiro (The Foreigner)
2017 - China/Reino Unido - 113min
Ação, Drama

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