quinta-feira, 12 de outubro de 2017

The Leftovers (o livro)

A maioria das pessoas que conhece The Leftovers provavelmente o fez através da excelente série da HBO. Mesmo assim, não é muita gente que conhece a trama, apesar de primorosa a produção de TV não recebeu a atenção que merecia, inclusive da própria emissora que a ignorou na campanha para o Emmy. Mas não é o momento de valar da série - tem posts sobre todas as temporadas caso esteja curioso - este post é sobre a obra que a inspirou o livro homonimo de Tom Perrotta. Um material ao mesmo tempo diferente e muito parecido com a versão para as telas. Curioso, mas é possível.

Faz três anos que 2% da população mundial desapareceu, em um instante, sem aviso prévio, explicação, e retorno. Não parece muito, mas este percentual é suficiente para que todo mundo que ficou para trás conheça ao menos uma pessoa que tenha partido. Acompanhamos uma fase da vida destas pessoas que ficaram para trás, em sua jornada em busca de superação, ou o mais perto que conseguirem chegar disso.

Kevin Garvey se tornou prefeito e além de seus compromissos que nem são muito trabalhosos, tenta dar conta da filha adolescente e encontrar algo que o complete depois que a esposa o abandonou. A tal esposa Lauren, reagiu à dor da partida rejeitando as "futilidades" do mundo e se unindo a seita dos Remanescente Culpados, onde no ponto da história onde a encontramos, ela treina Meg, uma nova recruta. A filha do casal Jill sofre com a falta da mãe do típico jeito adolescente, se rebelando. Ela e o pai abrigam sua amiga de colégio e má influencia assumida Aimee. Outro que procurou novos caminhos espirituais foi Tom, filho de Lauren, atualmente protetor de uma adolescente grávida do "filho prometido" de um suposto messias. A única que acompanhamos que não faz parte da família Garvey é Nora, típica mãe de subúrbio que perdeu marido e os dois filhos na "partida repentina" e só busca uma forma de continuar.

Assim como parentes de pessoas desaparecidas do mundo real, estes personagens, anseiam por um encerramento. A maioria nem sequer consegue vivenciar o luto, pois já que não há explicação para o que aconteceu, sempre há a esperança do retorno dos entes queridos. Mas este livro é sobre pessoas, não sobre um mistério, ele não traz uma solução para o "arrebatamento". E nem se propõe a isso, o interesse é nas pessoas que ficaram e em como cada uma segue em frente.

Entre seitas estranhas, atitudes insanas, comportamento rebelde, busca e perda de fé e esperança quase todos encontram seu caminho de uma forma ou de outra. Uns melhores do que outros. Há inclusive quem cresça como Aimee, cuja jornada de amadurecimento e relação com Kevim é delicada e bem construída. Já as jornadas de Nora e Christine (adolescente de quem Tom toma conta), apesar de distantes acabam um paralelo curioso, seguindo em direção oposta em sua relação com a fé e esperança no futuro.

A trama é focada nas experiências de Kevin, Jill, Lauren, Nora e Tom, o que faz com que personagens que se relacionam com eles sumam e reapareçam de acordo com a necessidade. Entretanto, aqui o vai-e-vem é proposital e não um erro de desenvolvimento. Tentando emular a vida de uma sociedade conturbada e traumatizada, os encontros e desencontros enfatizam a sensação de quão desconectados e solitários estão nossos personagens, cada um lidando com seus conflitos, embora a origem do problema de todos seja comum. Propositais também são os saltos de tempo. Inicialmente causam estranheza, mas não demoramos muito para nos acostumar com o ritmo deste mundo, onde as pessoas estão se curando lentamente. Talvez em compasso de espera por um retorno, por medo de um novo evento, pelo fim de tudo. De qualquer forma, as ações levam tempo.

Nem os saltos de tempo, nem as múltiplas linhas narrativas centradas em personagens distintos atrapalham a fluidez do texto. Conciso, simples e envolvente, só deve desagradar aqueles que precisam de um desfecho com grandes respostas. Assim como os personagens nunca tem uma explicação para o desaparecimento de 2% da população mundial, nós também não temos muita certeza de como as histórias de Kevin, Jill, Lauren, Nora e Tom vão terminar. Mas, sabemos que elas vão continuar, para mim, isto é mais que satisfatório. Ainda sim, se para você não for o suficiente, tem sempre a série da HBO, que.... bom, também não dá uma resposta clara, mas vai mais fundo na jornada de cada um dos personagens!

The Leftovers (The Leftovers)
Tom Perrotta
Intrínseca

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