segunda-feira, 29 de maio de 2017

Z - A Cidade Perdida

Se até nos dias de hoje acreditamos que existe muito mais escondido na Floresta Amazônica do que podemos imaginar, imagine no início do século XX. Antes das imagens capturadas por satélite, quando a maior parte do interior do continente era inexplorada e "cidades perdidas" como Machu Picchu começavam a ser "descobertas". Não é atoa que o explorador britânico Percy Fawcett (Charlie Hunnam) estava certo de poderia encontrar vestígios, ou mesmo uma civilização avançada perdida por aqui.

Z - A Cidade Perdida adapta para as telas a história deste explorador que se empenhou em uma série de expedições à Amazônia no início do século XX. No filme, Fawcett vem a primeira vez para a Amazônia para ajudar da disputa territorial entre Brasil e Bolívia que estava encarecendo o preço da borracha para os britânicos. O objetivo inicial era mapeamento, mas nessa primeira missão, ele encontra vestígios de civilizações avançadas no coração da floresta e se convenceu que haveria uma cidade evoluída e cheia de riquezas a ser encontrada, motivando as expedições posteriores.

Além dos perigos inerentes à se arriscar selva à dentro, como doenças, predadores e "índios hostis", o protagonista ainda encararia outras dificuldades. Desde à descrença de seus compatriotas, passando por intrigas nas equipes de expedição e até uma guerra mundial estão no caminho entre Fawcett e seu objetivo. Isto antes de encarar o desfecho, que não é difícil imaginar, mesmo que você não conheça a história do explorador. Afinal, não aprendemos na escola sobre nenhuma cidade avançada com pirâmides feitas de ouro situada na amazônia.

Mas, tudo bem o final conhecido, já que é a jornada que interessa. E esta é apresentada de forma bastante romanceada no filme: o explorador bondosos, branco e destemido enfrenta os maiores perigos para descobrir "um novo mundo" civilizado como o dele. Fawcett até discursa como bom moço defendendo os indígenas como iguais diante de seus compatriotas, e na cena seguinte trata sua esposa como inferior por ser mulher.  Uma tentativa de dar um propósito mais nobre que seus verdadeiros objetivos gritantes. Primeiro de reerguer o nome de sua família, depois de entrar para a história e mais tarde provar que não está louco e supostamente se reconectar com o filho. Objetivo que sim poderia ser mais nobre, caso esta relação fosse melhor trabalhada ao longo do filme. E se o expectador ignorar o fato de que o pai em processo de redenção deixa para traz, novamente, a mulher e dois filhos nesta jornada para se conectar com o primogênito.


Apesar do retrato duvidoso, ainda é possível se identificar com o protagonista, afinal quem nunca teve propósitos pouco altruístas, vez ou outra na vida.  Hunnam embora se esforce visivelmente, ainda não consegue sustentar o filme sozinho, mas já entrega uma atuação melhor que no recente Rei Arthur: A Lenda da Espada. São os coadjuvantes que vão chamar a atenção. Desde o explorador polar James Murray (Angus Macfadyen), até Henry Costin (Robert Pattinson) e do filho Jack Fawcett (Tom Holland). Pattinson e Holland impressionam em suas boas atuações no tempo de tela que tem.


Outra boa intenção do filme é mostrar a esposa de Fawcett, Nina (Sienna Miller), como uma mulher forte e independente - relatos afirmam que ela realmente era. Além de criar e sustentar os filhos sozinha, e apoiar o marido, ela tinha interesse nas expedições. Claro, proibida pelo marido nunca o fizera, e explorar isso no filme por muito tempo arranharia a imagem de bom moço do herói.

Com quase duas horas e meia de projeção, o filme acerta no ritmo as muitas jornadas, mas perde a mão nas pausas entre elas. Perdendo muito tempo por exemplo na passagem da primeira guerra, fazendo a projeção se estender um pouco mais que o necessário. Já o retrato das tribos amazônicas, além de curto é caricato. Os índios são apenas mais uma ameaça na paisagem e o tempo destinado à interação com eles é curto. Assim, chegamos ao fim do filme com um explorador que após décadas de incursões não mantém amizade com as tribos que se relaciona, e a única forma de comunicação com os nativos é a palavra "amigo". Mesmo com todo o discurso de índios como iguais.

Z - A Cidade Perdida pretende contar uma história real pouco conhecida e muito interessante. Seu protagonista é inspirado em um homem verdadeiro e complexo - vale fazer uma pesquisa sobre o verdadeiro Fawcett. Mas a produção perde a oportunidade de contar uma excelente biografia, ao se preocupar em romantizar a jornada e  tentar transformar seu personagem principal em um herói. Seu maior valor está no pontapé inicial para descobrir a história verdadeira e pelas atuações dos coadjuvantes.

Z - A Cidade Perdida (The Lost City of Z)
2017 - EUA - 141min
Biografia/Aventura

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