quarta-feira, 5 de abril de 2017

Legion - 1ª temporada

Há quem diga que o mercado de adaptações de quadrinhos para a TV está ficando saturado e repetitivo. Que as séries estão muito parecidas, variando apenas entre as fórmulas do universo DC na CW (Warner Channel no Brasil), e das séries da Marvel na Netflix. O que de forma alguma significa que estas produções sejam ruins, mas que há uma necessidade de novidade. Se você é uma dessas pessoas à procura de um frescor televiso, Legion é a série para você.

 Baseada nos quadrinhos dos X-Men, a série se concentra na história de David Haller (Dan Stevens, de Downtown Abbey e o novo A Bela e a Fera), diagnosticado ainda na adolescência com esquizofrenia. Mas, um incidente em sua clínica abre uma nova possibilidade para sua realidade de ouvir vozes: talvez não seja um distúrbio e sim um poder. O evento chama a atenção de amigos e inimigos para sua existência, e descobrir quem é quem nessa nova realidade é apenas um dos desafios do personagem principal (também conhecido como Legião) e dos expectadores.

Criada por Noah Hawley (da série Fargo), a produção utiliza tanto os complexos poderes quanto a condição psicológica de David para contar a história. O resultado é um mosaico a ser montado com paciência pelo expectador que a cada episódio tenta descobrir o que é real, e o que é delírio. Após viver anos acreditando que era louco, e tendo os sentidos entorpecidos por drogas, lícitas e ilícitas, o próprio protagonista não tem certeza da realidade, ou mesmo em quem confiar, inclua aí suas próprias memórias e pensamentos.

A produção aproveita esta incerteza e a incorpora nas memórias, flashbacks, visões, vozes e outras habilidades complicadas do personagem. Tornando a história um grande exercício de linguagem e um desafio ao expectador, convocado a entender a loucura de David, literalmente.

O visual da produção também abraça essa loucura, e não se envergonha de usar cores vibrantes, jogos de luzes e até psicodélica para extrair a sensação certa de cada momento, seja confusão, medo ou histeria. A estética também é responsável por desconfigurar a noção de época. Um visual retrô e alta tecnologia combinados, não apontam em que momento da cronologia dos mutantes nas telas a série se encontra. Uma excelente escolha considerando a confusa linha do tempo dos X-Men.

E por falar no universo mutante, sim Legion faz parte dele. Inclusive tem produção de Singer diretor de vários longas e produtor da franquia. Entretanto, a série caminha por conta própria, não há conexões ou personagens em comum na primeira temporada. Assim como não é confirmada se a origem de David será a mesma dos quadrinhos, onde é filho de Charles Xavier. Apesar de Patrick Stewart já ter afirmado que toparia participar da série, e participações especiais não tenham sido descartadas, o interesse por manter a série impendente continua.

O destaque no elenco fica por conta de Stevens e Aubrey Plaza (Lenny), curiosamente (ou não) os dois interpretes que precisam mergulhar mais na loucura. O resto do elenco, que conta com Rachel Keller, Bill Irwin, Jeremie Harris, Amber Midthunder, Jean Smart, Jemaine Clement e Hamish Linklater, apenas os acompanha. Uns com mais eficiência do que outros, mas nada que comprometa seriamente o desenvolvimento da trama.

Criado em 1985 por Chris Claremont e Bill Sienkiewicz, Legião é um dos mais complexos e poderosos mutantes do universo dos X-Men. Legion aproveita essa complexidade para fugir do lugar comum e criar algo uma abordagem diferente, narrativa e visualmente, das adaptações de quadrinhos que abarrotam as telas atualmente. Tudo isso sem subestimar o expetador, ou ter medo de ser complexa e exagerada quando preciso. Um bem-vindo frescor ao gênero.
A segunda temporada de Legion já foi confirmada, com previsão para 2018. O primeiro ano teve oito episódios e foi exibida no Brasil pelo FX com apenas um dia de diferença da transmissão estadunidense.

Leia mais sobre os X-Men ou confira as primeiras impressões de Legion!
*Crítica originalmente publicada no blog Roteiro Adaptado

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