quinta-feira, 9 de março de 2017

Kong: A Ilha da Caveira

É 1973 logo após a derrota desistência dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã. E um dos recém-lançados satélites espaciais encontra uma das últimas regiões do planeta ainda intocadas pelo homem, uma ilha cercada por uma tempestade eterna. É claro, que os estatunidenses não pensariam duas vezes antes de tentar chegar primeiro nesta terra inexplorada. E que, caso, você tenha prestado atenção no título é lar de ninguém menos que o King Kong.

Depois desta premissa, o espectador que esperar algo mais deste filme que um blockbuster de aventura pela selva vai obrigatoriamente se decepcionar. Mas não se engane, isso não é uma coisa ruim. Kong: A Ilha da Caveira se assume como uma produção despretensiosa, que pretende divertir sem se levar muito à sério, e entrega exatamente o que promete.

De volta à aventura, uma caravana parte para a ilha com propósitos científicos. No grupo, a equipe de cientistas de Bill Randa (John Goodman), os soldados recém-saídos do Vietnã comandados por Preston Packard (Samuel L. Jackson), o rastreador James Conrad (Tom Hiddleston) e a fotógrafa de guerra Mason Weaver (Brie Larson). É claro, nenhum deles faz ideia do que vão encontra e como bons estadunidenses orgulhosos chegam com o “pé na porta”.

Esse é o máximo de crítica social que a produção entrega. Uma amostra do ego inflado da humanidade, seu pensamento bélico e a mania de subestimar o inimigo (o que teriam acabado de fazer com o Vietnã). Pensar isso mais tarde fica a cargo da rodinha de amigos após o filme.

Enquanto isso o elenco assume sem pudores os estereótipos saídos de um "filme B" aventuresco. Hiddleston mantém uma constante postura de herói aventureiro, estilo Indiana Jones. Goodman arregala os olhos de seu cientista obcecado e imprudente. Enquanto Jackson abraça seu determinado veterano de guerra, que não consegue ver o diferente ou desconhecido como nada além de um inimigo a ser derrotado.

Atualização só na personagem de Larson, que ainda é a “mocinha” do filme, mas agora depende menos do herói e toma atitudes para defender a si e ao outros. Eventualmente ela ainda será resgatada por Kong ou Conrad, mas não se coloca no papel de vítima. E não ganhou um figurino sensualizado.
Entre o elenco de apoio, presente apenas para somar números (e posteriormente baixas), alguns rostos conhecidos como Toby Kebbell (Ben-Hur), Corey Hawkins (24h: Legacy e The Walking Dead), Jason Mitchell (Straight Outta Compton - A História do N.W.A.), Thomas Mann (Dezesseis Luas) e Jing Tian (A Grande Muralha). Já o personagem de John C. Reilly é uma divertida surpresa, que rouba a cena.

Apesar desse monte de humanos em cena o protagonista é mesmo Kong. A maior versão do macaco já vista em tela não decepciona, com boas impressões e CGI impecável que se estende as outras criaturas gigantes da ilha. Sua primeira aparição, acontece em uma bem coordenada cena, que acerta ao imergir o expectador na ação estilo “não vi o que nos atingiu”, e justifica o ingresso em IMAX 3D.
A mesma qualidade vale para a reconstrução de época, coreografia de batalha e fotografia. Esta última ajuda a criar imagens icônicas e diversas referências. Te desafio a ver a cena, ainda nos trailers da silhueta de Kong em frente ao sol avermelhado cercado por helicópteros e não pensar em Apocalipse Now.


Referências aliás não faltam. Seja à filmes de guerra, aventuras na selva e a cultura pop em geral. Vide a trilha sonora formada por clássicos do rock'n'roll, que para alguns pode soar exagerada em alguns momentos. Assim como algumas das atitudes heroicas dos humanos.

Mas convenhamos, é um filme sobre monstros gigantes em uma ilha cercada por tempestade. O exagero é proposital e assumido, se você busca por realismo e personagens complexos entrou na sessão errada. Kong: A Ilha da Caveira não é um filme perfeito, mas acerta em se assumir ser o que se propõe, ser um blockbuster despretensioso. Diversão por duas horas e nada além disso.

Kong: A Ilha da Caveira (Kong: Skull Island)
2017 - EUA - 119min
Ação/Aventura/Fantasia

P.S.: Não saia ante do fim dos créditos!

Se gosta de monstros gigantes leia também a crítica de Godzilla

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