quinta-feira, 30 de março de 2017

A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell

Blade Runner, Matrix, A Origem, Avatar, AI: Inteligência Artificial, Minority Report: A Nova Lei, Westworld, essas são algumas das obras que vem à mente ao assistir a adaptação de Ghost in the Shell para os cinemas. Uma curiosa relação cíclica de referências, já que, à exceção de Blade Runner que é mais antigo, todos os títulos mencionados foram de uma forma ou outra influenciados pelo mangá de 1989 e/ou anime de 1995. Já estes últimos também tem suas referências, Blade Runner provavelmente é uma delas, fechando o ciclo maluco da era das referências em que vivemos.

Mas, estou me adiantando. Se você ainda não pescou, A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell é um filme de ficção-cientifica. Adapta para as telas a franquia originada do mangá homônimo do artista japonês Masanori Ota, que também conta com a animação O Fantasma do Futuro de 1995, sua sequencia de 2004 e séries de TV ambientadas no mesmo universo.

Em 2029, a tecnologia avançou ao ponto de aprimorar seres humanos, computadores e inteligência artificial não apenas são uma verdade como estão em toda parte e crimes cibernéticos são os piores que uma pessoa pode cometer. Major Mira Killian (Scarlett Johansson) é o auge da tecnologia, e também o recurso mais poderoso da divisão de elite que combate o cibercrime. Entretanto, uma nova ameaça vai fazer a protagonista questionar sua origem e tudo o que acredita.

E para contrariar quem reclamou da escalação da estrela estadunidense para o papel de uma personagem originalmente japonesa, Johansson não apenas se esforça muito, mas entrega um bom desempenho. Major é tanto humana quanto máquina, logo não se encaixa em nenhuma das duas "categorias", para enfatizar isso sua movimentação em cena é sempre destoante dos restante dos personagens. Ela causa estranheza apenas por existir e parece sempre estar fisicamente desconfortável, como se "o fantasma não se ajustasse a casca", embora ela mesma não saiba o motivo.

Para completar, o roteiro que mudou o nome da personagem para um nome americano, tem explicações coerentes para sua aparência - mais informações que isso, seria spoiler. E o mundo globalizado que o filme apresenta abraça personagens de todas as etnias, trazendo um elenco vindo de diversas partes do mundo.


E por falar em aparência, o visual do filme é um show à parte. Te desafio a não querer conhecer essa Tóquio futurista, colorida, vibrante altamente tecnológica e ao mesmo tem com ecos da época em que foi criada. Um futuro dos anos de 1980 criado com tecnologia de 2017. Referências a todas aquelas obras que mencionei no início do tempo e principalmente do mangá e animes, não faltam. Eles garantem uma familiaridade para os não iniciados que já tiveram contato com esse mar de referências, além de nostalgia e fidelidade para os fãs de longa data.


Essas referências que geram familiaridades não ficam apenas no visual, se estendem para a temática da produção. Os limites da tecnologia, a existência além do corpo, aprimoramento humano através da tecnologia, a relação homem versus máquina, são alguns dos temas familiares conhecidos - mas inesgotáveis - que o longa discute. Infelizmente esta qualidade de ser reconhecido pelas obras que inspirou pode ser seu ponto fraco. Já que seus temas foram abordados e recriados muitas vezes, para quem o conhece o rumo da trama é previsível. O que de forma alguma o torna ruim, ainda é uma ótima jornada, mas não oferece aquela novidade que explode cabeças, que conquistou quem viu o anime lá em 1996.

Inclua como outros bons motivos para assistir, as excelentes cenas de ação e bons efeitos visuais.  Além do elenco global engajado que incluí, Juliette Binoche, Pilou Asbæk (de Game of Thrones), Michael Pitt (Boardwalk Empire) e o veterano cineasta e ator japonês Takeshi Kitano, que rouba a cena sempre que aparece como chefe da Divisão 9, o grupo de elite contra os crimes cibernéticos.


Ainda que previsível, a jornada de Major é intrigante, bem construída e um deslumbramento visual. Vale o ingresso em 3D e o IMax, sem sustos. Além disso, deve falar tanto com os fãs quanto com o grande público. E quem sabe não inspira este último grupo a conhecer a obra original, outros animes e mangás relacionados, e por aí vai... Mantendo em constante movimento nosso universo louco de referências, criando mais boas obras com boas discussões como este  A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell.

A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell (Ghost in the Shell)
2017 - EUA - 97min
Ação/Ficção científica

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