quinta-feira, 30 de março de 2017

A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell

Blade Runner, Matrix, A Origem, Avatar, AI: Inteligência Artificial, Minority Report: A Nova Lei, Westworld, essas são algumas das obras que vem à mente ao assistir a adaptação de Ghost in the Shell para os cinemas. Uma curiosa relação cíclica de referências, já que, à exceção de Blade Runner que é mais antigo, todos os títulos mencionados foram de uma forma ou outra influenciados pelo mangá de 1989 e/ou anime de 1995. Já estes últimos também tem suas referências, Blade Runner provavelmente é uma delas, fechando o ciclo maluco da era das referências em que vivemos.

Mas, estou me adiantando. Se você ainda não pescou, A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell é um filme de ficção-cientifica. Adapta para as telas a franquia originada do mangá homônimo do artista japonês Masanori Ota, que também conta com a animação O Fantasma do Futuro de 1995, sua sequencia de 2004 e séries de TV ambientadas no mesmo universo.

Em 2029, a tecnologia avançou ao ponto de aprimorar seres humanos, computadores e inteligência artificial não apenas são uma verdade como estão em toda parte e crimes cibernéticos são os piores que uma pessoa pode cometer. Major Mira Killian (Scarlett Johansson) é o auge da tecnologia, e também o recurso mais poderoso da divisão de elite que combate o cibercrime. Entretanto, uma nova ameaça vai fazer a protagonista questionar sua origem e tudo o que acredita.

E para contrariar quem reclamou da escalação da estrela estadunidense para o papel de uma personagem originalmente japonesa, Johansson não apenas se esforça muito, mas entrega um bom desempenho. Major é tanto humana quanto máquina, logo não se encaixa em nenhuma das duas "categorias", para enfatizar isso sua movimentação em cena é sempre destoante dos restante dos personagens. Ela causa estranheza apenas por existir e parece sempre estar fisicamente desconfortável, como se "o fantasma não se ajustasse a casca", embora ela mesma não saiba o motivo.

Para completar, o roteiro que mudou o nome da personagem para um nome americano, tem explicações coerentes para sua aparência - mais informações que isso, seria spoiler. E o mundo globalizado que o filme apresenta abraça personagens de todas as etnias, trazendo um elenco vindo de diversas partes do mundo.


E por falar em aparência, o visual do filme é um show à parte. Te desafio a não querer conhecer essa Tóquio futurista, colorida, vibrante altamente tecnológica e ao mesmo tem com ecos da época em que foi criada. Um futuro dos anos de 1980 criado com tecnologia de 2017. Referências a todas aquelas obras que mencionei no início do tempo e principalmente do mangá e animes, não faltam. Eles garantem uma familiaridade para os não iniciados que já tiveram contato com esse mar de referências, além de nostalgia e fidelidade para os fãs de longa data.


Essas referências que geram familiaridades não ficam apenas no visual, se estendem para a temática da produção. Os limites da tecnologia, a existência além do corpo, aprimoramento humano através da tecnologia, a relação homem versus máquina, são alguns dos temas familiares conhecidos - mas inesgotáveis - que o longa discute. Infelizmente esta qualidade de ser reconhecido pelas obras que inspirou pode ser seu ponto fraco. Já que seus temas foram abordados e recriados muitas vezes, para quem o conhece o rumo da trama é previsível. O que de forma alguma o torna ruim, ainda é uma ótima jornada, mas não oferece aquela novidade que explode cabeças, que conquistou quem viu o anime lá em 1996.

Inclua como outros bons motivos para assistir, as excelentes cenas de ação e bons efeitos visuais.  Além do elenco global engajado que incluí, Juliette Binoche, Pilou Asbæk (de Game of Thrones), Michael Pitt (Boardwalk Empire) e o veterano cineasta e ator japonês Takeshi Kitano, que rouba a cena sempre que aparece como chefe da Divisão 9, o grupo de elite contra os crimes cibernéticos.


Ainda que previsível, a jornada de Major é intrigante, bem construída e um deslumbramento visual. Vale o ingresso em 3D e o IMax, sem sustos. Além disso, deve falar tanto com os fãs quanto com o grande público. E quem sabe não inspira este último grupo a conhecer a obra original, outros animes e mangás relacionados, e por aí vai... Mantendo em constante movimento nosso universo louco de referências, criando mais boas obras com boas discussões como este  A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell.

A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell (Ghost in the Shell)
2017 - EUA - 97min
Ação/Ficção científica
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segunda-feira, 27 de março de 2017

Flash, Supergirl e seu crossover musical!

A empreitada já era uma ideia imaginada por expectadores mais atentos. Afinal, Melissa Benoist e Grant Gustin saíram direto da série musical Glee, para estrelar aventuras da DC. Além disso vários dos atores que integram o multiverso compartilhado de The Flash, Supergirl, Arrow e DC's Legends of Tomorrow tem experiência com palcos e microfones. Logo, não demorou muito para as produções encontrarem uma oportunidade de colocar essa galera para cantar. E a premissa até que era razoável: ambos os protagonistas se encontravam em meio a problemas amorosos, então porque não sair do lugar comum e criar uma situação leve e divertida, um musical. Um respiro para resolver isso antes de voltar as ameaças principais. Uma pena que a execução não estava à altura.

E o erro começa desde o início do crossover, que assim como em Invasion apenas começa em Supergirl. Apresentando a ameaça no final de um episódio comum da kriptoniana, leva expectadores de Supergirl para Flash, mas não o oposto já que os personagens explicam o que aconteceu nos três minutos de ação em National City. Comercialmente estranho já que a série do corredor escarlate é a mais popular das quatro produções. E ainda perde tempo de tela para trabalhar os personagens extras em cena. O resultado, é um episódio corrido e a sensação de estar faltando alguma coisa.

Assim, ao final de um episódio - muito bom por sinal, com as participações de Teri Hatcher (a Lois de Lois & Clark) e Kevin Sorbo (o Hércules) - vemos a Kara (Benoist) ser atacada e colocada em coma pelo misterioso alienígena Music Meister (Darren Criss, também de Glee e dessa vez a escolha foi de propósito). Vilão que convenientemente convenientemente consegue ali mesmo um caminho para visitar o Flash (Gustin) e faz o favor de avisar aos mocinhos o que pretende fazer. Mon-El (Chris Wood) e J'onn J'onzz (David Harewood) levan Kara para a Terra um para alertar e pedir a ajuda da equipe dos laboratórios Star. E não demora muito para o vilão aparecer novamente, já no episódio de Flash, e colocar o protagonista na mesma situação da super moça.

Bary e Kara se descobrem presos em suas mentes "vivendo" um musical passado na década de 1940 e precisam seguir o roteiro para escapar. Consequentemente vão resolver alguns conflitos amorosos em meio a cantoria. Enquanto o resto da equipe precisa deter impedir o vilão de assaltar um banco com os poderes roubados dos heróis e descobrir como acordar os protagonistas. Como trama pouca é bobagem, o episódio ainda quer resolver o problema de confiança que Wally (Keiynan Lonsdale) adquiriu depois de ficar preso na força de aceleração. É muita coisa para resolver nos 43 minutos de um episódio.

No trecho musical do episódio uma trama extremamente simples, que confunde que tenta disfarçar a falta de tempo para contar a história com a piada de que as coisas se resolvem muito mais facilmete em um musical. Pode até ser verdade, mas geralmente é preciso mais esforço que uma simples conversa, normalmente uma música inteira. A única música que realmente faz isso, é a interpretada por John Barrowman, Jesse L. Martin e Victor Garber, respectivamente Malcom, Joe e Martin Stein, que aqui vivem outros personagens. Rivais da máfia com problemas com seus filhos.

Benoist ganha um número solo interpretando "Moon River", (clássico de Bonequinha de Luxo) que soa meio fora de tom pra ela. Assim como Gustin que pede Iris (Candice Patton) novamente em casamento com "Running Home To You" composta por Benj Pasek e Justin Paul, responsáveis de "City of Stars" de La La Land. Um número divertido, mas descaradamente gratuito de sapateado coloca os protagonista no palco juntos para cantar "Superfriends", escrita por Rachel Bloom. Já para o Music Meister fica apenas com a música expositiva, onde explica o desafio para os heróis em um grande número com dança, com participação de Barrowman, Carlos Valdes e Jesse L. Martin (Cisco e Winn, também vivendo outros personagens).

A intenção era boa, mas a execução ficou aquém do esperado. A escolha de personagens na versão musical é aleatória, obviamente tentando encaixar todos do elenco que podem cantar mesmo que não faça sentido. Piadas repetitivas, soluções convenientes, números musicais que parecem ter sido criados de forma apressada e pouco tempo para desenvolver tudo. O sub-aproveitado Music Meister, por exemplo, canta pouco e não é derrotado de fato. Seus "maus atos" são perdoados, pela lição que ele proporcionou, e porque ele desaparece do mesmo jeito que apareceu, sem explicação.

A escolha de exibição da Warner Channel Brasil não ajudou em nada. Aparentemente desesperada para exibir logo - seria medo da pirataria? - a emissora jogou os dois episódios tarde da noite em horários normalmente ocupados por reprise, sem a opção de dublagem. Além de não se preocupar com a cronologia, pulando um episódio de cada série, assim vemos Wally fora da força de aceleração, sem saber como ele saiu de lá. Desrespeitoso com o expectador que acompanha a série pelo canal semanalmente, e além de procurar o episódio em outro horário vai ter que montar o quebra-cabeças.

Fica a dica: nem precisa de transmissão simultânea como  Game of Thrones, siga o exemplo de Legion exiba no dia seguinte, ou na mesma semana ,em horários que as pessoas possam assistir. Ou assumam que estão atrasados e mantenham a cronologia.


Flash, Supergirl e seu crossover musical, poderia ter sido melhor executado. A intenção era boa, mas a pressa tanto de trazer a ideia a vida, tanto da exibição nacional deixou a desejar. Ao menos é sempre legal bom ver o elenco com bons cantores soltando a voz e aparentemente se divertindo. Acabamos nos divertindo por tabela, desde que não exijamos muito e o impacto na temporada como um todo é pequena. Este foi "ok!", mas se esforcem um pouco mais na próxima!

Supergirl e The Flash são exibidas pela Warner Channel na quarta e quinta feira, respectivamente. O crossover musical composto pelos episódios Star-Crossed (Supergirl) e Duet (Flash) foi exibido pelo canal no último domingo à partir das 23h15, mas provavelmente será reprisado no ponto certo da cronologia.

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sexta-feira, 24 de março de 2017

Bidu: Caminhos

Quem diria? A primeira jornada solo de Bidu em uma GraphicMSP é uma história de origem. Não exatamente a origem do cãozinho azul, mas de sua amizade com Franjinha. É a história de como começou a amizade mais antiga de toda a turma criada por Mauricio de Souza, já que a dupla foram os primeiros personagens criados pelo quadrinista.

Bidu vive pelas ruas do bairro do Limoeiro, fugindo da carrocinha, e tentando encontrar um cantinho para chamar de seu. Mas a “vida de cão” não é fácil, nas ruas a concorrência é constante e sempre há alguém mais forte que você. Enquanto isso Franjinha só deseja um amigo, mas parece não encontrar o certo.

A trama do inventor da turminha corre por fora, enquanto a jornada que realmente acompanhamos é a de Bidu. E apesar de ser apenas um cachorro, ele precisa aprender a enfrentar seus medos, distinguir o certo do errado e corrigir seus erros. Encontrar seu dono é apenas a recompensa ao fim da jornada.

E por ser protagonizada majoritariamente por cães é que esta HQ ganha sua característica mais inusitada e interessante: a fala canina. Eu sei, cães não falam de verdade. Os criadores também sabem, por isso o desafio foi descobrir uma forma de Bidu, Bugu e companhia conversarem sem palavras. Ao invés de letras, os balões de fala dos cães trazem imagens simples o suficiente para molecada compreender, mas que também transmite tudo que os personagens precisam dizer.

Outro detalhe interessante é observar as onomatopeias incorporadas à cena, ao invés de aparecerem sozinhas ou destacadas da ação. O traço, aliás é rico em detalhes e brinca com cores predominantes e contrastes que se intensificam ou suavizam de acordo com a situação.

Além da história, a publicação ainda traz extras com processo de criação dos quadrinistas. Uma breve biografia de ambos, além de um pequeno histórico da trajetória de Bidu e Franjinha.
Talvez Maurício de Souza nunca tenha pensado em como essa dupla se uniu, mas Eduardo Damasceno e Luis Felipe Garrocho preencheram muito bem essa lacuna. Bidu: Caminhos cria uma origem interessante para essa amizade e recria bem o espírito de amizade do “universo mauriciano”. Divertido e adorável!

Bidu: Caminhos
Eduardo Damasceno, Luis Felipe Garrocho
Panini Comics
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quarta-feira, 22 de março de 2017

Power Rangers

Assistindo Power Rangers mesmo ainda enquanto criança, quando a franquia de heróis virou uma febre lá nos anos de 1990, já percebíamos que algumas coisas não eram exatamente o que nossas mentes infantis imaginavam. Não que isso importasse muito na diversão ou vontade de assistir, mas sabíamos que o excesso de cores e os vilões eram meio cafonas e que as pessoas nos trajes de heróis não eram as mesmas que víamos "morfar". Incluindo a sensação estranha de que a pessoa dentro do colante amarelo mais parecia um homem (é porque era mesmo!). É claro, só depois de mais velhos, e com acesso à internet, que a maioria de nós descobriu que o programa era um quebra cabeças que misturava cenas de ação do Super Sentai original do Japão com cenas de atores americanos, para tornar mais "acessível" para o público ocidental. Informação que que também não tem nenhum impacto na memória afetiva de quem cresceu assistindo, ou da molecada que ainda acompanha as aventuras dos heróis coloridos.

Entretanto, é provavelmente por causa dos fãs mais velhos, somado à popularidade dos heróis nas telonas e o sucesso da franquia de robôs gigantes Transformers, que o revival dos Rangers na tela grande se tornou uma possibilidade. A grande questão seria acertar o tom, já que além de falar com o grande público, o novo filme teria que agradar os fãs, muitos deles já adultos e com critérios de qualidade mais rígidos. Manter o tom juvenil, sem ficar caricato e ainda causar nostalgia era o desafio. Descomplicar e retornar à primeira e mais simples versão da equipe foi o primeiro passo.

Assim Jason, Zack, Billy, Trini e Kimberly (cujos nomes só sei de cor necessariamente nesta ordem graças ao hit de Sandy e Júnior) mal se conhecem apesar de morarem na pequena Alameda dos Anjos. Mas, por circunstâncias diversas, acabam juntos em uma pedreira onde encontram pedras mágicas de diferentes cores. Depois de descobrirem que foram afetados pelos artefatos os jovens se reúnem em busca de uma explicação, descobrem a existência de Zordon e da vilã Rita Repulsa a quem precisam derrotar, já que agora são os portadores dos poderes dos cristais, os novos Power Rangers.

Sim, é a mesma historinha da TV, simples e direta, bem contra o mal. A diferença aqui, é que o filme se preocupa em apresentar os protagonistas e criar uma conexão entre eles. São cinco "histórias de origem" a serem trabalhadas em apenas duas horas de projeção, além da ameaça principal, logo não espere dilemas muito complexos ou um grande aprofundamento. No geral, os novos Ranges temos mesmos problemas dos adolescentes de hoje, aceitação, preocupação com o futuro, conflitos com os pais. E alguns desses temas como assumir responsabilidades de adultos e orientação sexual são apenas citados, mas não explorados. Mesmo assim, já é muito mais do que a série de TV entregava.

Além disso, Jason (Dacre Montgomery), Zack (Ludi Lin), Billy (RJ Cyler), Trini (Becky G) e Kimberly (Naomi Scott), também precisam conhecer uns aos outros, criar uma amizade antes de poderem formar uma equipe. Entram aqui momentos de referência a clássicos de temática adolescente como Clube dos Cinco, Conta Comigo e filmes mais recentes Poder Sem Limites e Projeto Almanaque (este último do mesmo diretor de Power Rangers, Dean Israelite). Uma boa escolha, especialmente porque o grupo de atores funciona bem junto, embora alguns se saiam melhores do que outros. Montgomery, Ranger Vermelho e suposto líder da equipe, é o menos expressivo, enquanto o Cyler, intérprete do Azul, rouba a cena.


Essa escolha de focar nos personagens, e deixar a batalha para mais tarde pode não soar tão bem para quem busca muita ação, inclusive alguns fãs. O grupo demora bastante para assumir os uniformes - que agora na verdade são armaduras -  bem como para se engajar em lutas, com ou sem os figurinos coloridos. Porém quando finalmente o fazem, sobra referência, nostalgia e fã-service para todo lado.

Os efeitos especiais não são incríveis, mas funcionam. Outra escorregadela, aos olhos de alguns, pode ser um ponto de virada, mais dramático perdido no meio do bem-humorado roteiro. Já direção de arte atualiza o visual para 2017 mantendo o colorido, sem o alto nível de cafonice. Isto é, para os dias de hoje, vamos ver se os novos visuais sobrevivem ao teste do tempo - provavelmente não.

No elenco "adulto" Bryan Cranston dá vida Zordon, em uma interpretação que não exige muito dele. Enquanto, Elizabeth Banks parece se divertir - e também diverte - com a malvadeza pura e o visual extravagante de Rita Repulsa.

Divertido, visualmente interessante e mais focado nos personagens que na ação, o novo Power Rangers não é um filme perfeito. Muito menos traz dilemas adolescentes ou, mesmo heroicos, muito complexos, e nunca pretendeu trazer. Mas acerta no tom, tem coerência visual, é bem produzido, e tem um elenco entrosado, além de falar tanto com fãs quanto com o grande público. Se já era um fenômeno, quando eram apenas uma equipe de heróis coloridos com design caricato e tramas rasas e cheia de falhas, imagina agora!

Power Rangers
2017 - EUA - 124min
Aventura/Ação/Ficção científica
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sexta-feira, 17 de março de 2017

A Colônia

Um livro para ler de supetão, de uma só vez em uma longa tarde chuvosa. Particularmente prefiro obras que me levem para seu universo e me deixem viver um pouco por lá. Mas a história de Ezekiel Boone se passa em nosso mundo mesmo, então nem faria tanto sentido assim.

Uma série de eventos estranhos estão acontecendo ao redor do mundo. Desde mortes misteriosas em uma floresta no Peru, até o lançamento “acidental” de uma bomba nuclear chinesa em seu próprio território. O que o nosso mundo globalizado, cheio de recursos de comunicação demora a notar é que estes eventos estão conectados e envolvem uma espécie completamente desconhecida de aranhas.

A Colônia lembra um daqueles filmes de desastre global (como 2012 ou O Dia Depois de Amanhã), quando acompanhamos a evolução de uma catástrofe em escala mundial através de casos isolados ao redor do mundo. Até que em algum momento a devastação chega à um ponto crítico e os personagens que ainda estão vivos à essa altura precisam unir esforços para salvar a humanidade.

Um policial comum, sobrevivencialistas em uma cidadezinha do interior, um grupo militar, a equipe da presidência estadunidense e, claro, a cientista especialista em aranhas, estão entre os vários personagens que acompanhamos durante o desenrolar deste apocalipse. Apesar da promessa abordagem global, logo fica evidente: assim como nos filmes o foco é os Estados Unidos.

À exceção de um incidente no Peru e um casal em uma ilha britânica, é pelos olhos de estadunidenses que acompanhamos os incidentes próximos a eles, e os ao redor do mundo. Estes últimos através das notícias confusas e desencontradas, comuns em situações de crise. Não é surpresa, considerando a nacionalidade do seu autor.

A narrativa corre em um ritmo ágil, trocando de ponto de vista a cada capítulo. Criando assim, um quebra-cabeças a ser desvendado pelo leitor sobre o que realmente está acontecendo. O que não demora muito, já que temos informações privilegiadas em relação aos personagens. A partir daí é com a reação deles que nos preocupamos. Embora sejam muitos, e haja pouco tempo para desenvolvê-los, é fácil nos relacionar com estes arquétipos já bastante conhecidos.

Quando alcançamos o meio do livro começamos a notar que alguma coisa está errada, e não tem nada a ver com as aranhas. O problema é o andamento da trama. Novos personagens ainda estão sendo apresentados, para terminar a tempo a narrativa teria que acelerar ao ponto de destoar da primeira metade, ou ter um final súbito, brusco e definitivo (esta segunda opção, até me parece interessante). Mas a explicação não era nenhuma das alternativas anteriores!

A história de A Colônia não termina em seu próprio livro, existe uma sequência. Faltou apenas a publicação nos indicar isso! A continuação Skitter (ainda sem título em português) deve ser lançado em abril deste ano nos Estados Unidos. Esta é provavelmente a maior decepção da publicação, não ser uma história fechada em si mesma e demorar para dar indícios disso. - Isso foi um pouco frustante! - Não custava nada colocar "volume I" na capa. Ou ao menos anunciar a sequencia em algum lugar, como na curta biografia do autor.

Sob outros aspectos a publicação entrega o que promete, uma leitura rápida e descompromissada de uma história de terror e suspense. Com personagens reconhecíveis e fáceis de se relacionar. Tenho minhas ressalvas apenas pela escolha da presidente dos EUA ser uma mulher, corroborando o cliché de que as catástrofes acontecem quando negros ou mulheres comandam a nação. Mas se ela conseguir salvar a humanidade na sequência...

Até lá, A Colônia é um entretenimento fácil e rápido, para quem curte o gênero. Não chegou a me aterrorizar, mas aracnofóbicos podem ter problemas. Uma pena, que a história não tenha um fim, deixando a tensão esfriar à espera da continuação. Aproveitará melhor quem puder ler tudo em uma tacada só!

A Colônia (The Hatching)
Ezekiel Boone
Suma de Letras
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quarta-feira, 15 de março de 2017

A Bela e a Fera

Em Malévola a Disney tinha Angelina Jolie para sustentar um filme e um novo ponto de vista para sustentar. Mogli já era um desconhecido para muitas gerações e ganhou novas possibilidades com o avanço da tecnologia. A saga de Cinderela é contada e recontada tantas vezes na tela grande que ninguém se espantou quando o estúdio do camundongo resolveu fazer sua versão em live-action. Já com A Bela e a Fera a situação é muito mais complicada.

O jovem clássico da animação que chegou a concorrer ao Oscar de melhor filme, é a principal referência do conto francês. Em outras palavras, é no filme de 1991 que a maioria pensa quando se fala da história da jovem que enxergou a beleza no interior de uma fera. E com apenas 26 anos, não apenas está fresco na memória afetiva do público (os muitos relançamentos em home-vídeo, ajudam) como tem uma legião de fãs, parte deles já adulto e mais exigente quanto ao que consome. Dito isto, uma refilmagem com atores é um passo no mínimo arriscado.

E quando digo “refilmagem” é ao pé da letra. A Bela e a Fera de 2017 é praticamente a animação filmada, talvez em uma tentativa de aproximar o público fiel à animação. Caso você tenha passado os últimos 26 anos sob efeito de um feitiço segue uma breve sinopse. Bela (Emma Watson) uma sonhadora moradora de uma pequena aldeia francesa tem o pai (Kevin Kline) capturado por uma Fera (Dan Stevens, de Legion). Trocando sua liberdade pela do pai, a moça passa a viver em um castelo enfeitiçado cheio de residentes mágicos e com o tempo descobre que seu mestre pode não ser o monstro que aparenta.


Quase tudo que você amou na animação está em cena nesta nova versão, inclusive as músicas. Mas os produtores aproveitaram a nova chance de dar um estofo maior para os personagens. Assim, descobrimos um pouco mais do passado da protagonista e de seu pai Maurice. Aprendemos como a Fera se tornou a pessoa que merece tal castigo, e por que seus serviçais também foram punidos. Enquanto Gaston (Luke Evans) e Le Fou (Josh Gad, a voz de Olaf em Frozen) ganham mais tempo de tela. Uma novidade bem-vinda especialmente para Le Fou, o personagem que causou polêmica ao ser anunciado gay antes da estreia é um dos pontos fortes desta nova versão.

Um elenco de peso foi escolhido à dedo para que as criaturas animadas do palácio fizessem frente às pessoas de carne e osso em cena. Ian McKellen (Horloge), Emma Thompson (Madame Samovar), Stanley Tucci (Cadenza) e Ewan McGregor (Lumiere*) cumprem a o desafio. E ainda dão o ritmo para nomes menos conhecidos do público, que os acompanham muito bem, como Gugu Mbatha-Raw (Plumette) e Audra McDonald (Garderobe). Ambas atrizes negras, já que – finalmente – perceberam que o universo fantasioso dos contos permite pessoas de todas as etnias, que também podem ser vistas na vila.

A grande questão fica mesmo por conta de Emma Watson e Dan Stevens. A eterna Hermione consegue sim, se afastar da personagem que a marcou, mas não muito da persona pública que conhecemos. Muitos podem não conseguir desassociar da Emma feminista que vemos constantemente engajada, mesmo porque a atriz tem um estilo de atuação, em que parece acreditar que suas personagens precisam ser intensas todo o tempo. Enquanto Bela, permite e deveria ter momentos de suavidade e sutileza.


Menos conhecido do grande público, Stevens precisa atuar com as limitações da técnica de captura de movimentos. O que faz relativamente bem, mas em alguns momentos é traído pela própria tecnologia que torna a Fera artificial. Ainda assim, a dupla carrega o filme, é o expectador que vai decidir seu nível de tolerância à estas novas versões dos protagonistas.

Alan Menken e o letrista Tim Rice recriam a parceria que lhes de um Oscar de melhor canção por "A Whole New World", de Aladdin, para criar novas canções. As três músicas originais vêm atender às novas características que os personagens ganharam, especialmente Bela e Fera. São lindas, funcionam para a narrativa, mas destoam das músicas já existentes. Duas delas parecem saídas de Wicked e Les Miserables, ao invés de pertencer ao filme. O que nos faz questionar: por que não usaram as canções da versão para os palcos da animação? (por estas não poderiam concorrer ao Oscar de Canção Original, claro!)


O design de produção é impecável, faz referências ao filme original da Disney. E até arranja espaço para homenagear o longa francês de 1946. Apenas por este visual impecável já valeria o ingresso.

O novo A Bela e a Fera talvez não conquiste tantos devotos quanto o original animado. Mas compre a tarefa a que se propôs, criar uma boa nova versão para o clássico Disney. E o faz com um nível de fidelidade que vai dificultar a tarefa do expectador de criar uma opinião sobre o filme. É muito igual ao filme que amam, mas também não é! Como saber se gostou mesmo, ou se foi influenciado pela nostalgia? Particularmente, ainda estou na dúvida!

A Bela e a Fera (Beauty and the Beast)
EUA - 2017 - 129min
Musical/Fantasia


*P.S: O longa mantém a curiosa tradição de Lumiere ser o único personagem com sotaque francês em toda a França!
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segunda-feira, 13 de março de 2017

Riverdale

Admito, a estreia de Riverdale me deixou perplexa: eu achava que conhecia Archie, Betty e Verônica de algum lugar. Quando Josie e as Gatinhas deram as caras, aí eu tive certeza que não estava prestando atenção em alguma coisa. Por isso antes de falar sobre a nova série da Warner, uma pausa explicativa para você que como eu pode estar com algumas dúvidas.


Começando por um fato: Archie é um personagem de quadrinhos criado em 1941. Com 76 anos de existência é bem provável que a grande maioria de nós tenha esbarrado em um ou mais elementos de seu universo, sem nunca saber. Apesar dessa longevidade e do sucesso nos EUA (a ponto da editora MLJ Comics, mudar o nome para MLJ Comics) , aqui no Brasil os quadrinhos do personagem nunca causaram tanto interesse quanto os de super-heróis. Afinal, em seu início era apenas a história dos dilemas um adolescente de cidade pequena (em sete décadas, Archie já mudou e fez de tudo um pouco, mas isso é assunto para outro post).

Eu com certeza assistia a animação Josie e as Gatinhas na década de noventa, e também vi o filme homônimo de 2001, com Rosário Dawson no elenco. Tinha uma vaga lembrança de Archie e seus Mistérios (1999-2000), que na época me parecia um Scooby Doo genérico, com seus vilões caricatos e mistérios mirabolantes. Também já ouvi dezenas de versões da música Sugar, Sugar, a lembrança mais antiga é da abertura da novela Despedida de Solteiro. Os mais novos provavelmente a ouviram no início de todos os episódios de Cake Boss. E tem quem lembre de Raj mencionar que lê os quadrinhos de Archie em um episódio de The Big Bang Theory. Só precisou uma série de TV para eu perceber, que tudo estava conectado.

Sucesso desde que foram lançados, os quadrinhos do Archie um adolescente comum, já tiveram diversas versões animadas. Assim como outros títulos da editora como Josie e as Gatinhas. Sempre ganhando atualizações para se adaptar a cada época. Crossovers entre as publicações, as animações e outros quadrinhos também aconteceram ao longo das décadas. Já Sugar, Sugar foi criada em 1969 para a banda The Archies da animação The Archie Show (1968-1969), logo virou um hit, e vem ganhando novas versões de diferentes artistas desde então. Em 2015, uma nova versão dos quadrinhos foi lançada em 2015, seu sucesso provavelmente inspirou a produção da série de TV.

De volta à Riverdale...


A série é baseada nos quadrinhos de Archie, mas pretende trazer os dilemas adolescentes situados em um um universo de mistério inspirado por Twin Peaks. Logo o ponto de partida é a morte misteriosa de Jason Blossom (Trevor Stines) durante passeio com sua irmã gêmea Cheryl Blossom (Madelaine Petsch). Filhos de uma família influente, e "os populares" do colégio, o incidente com a dupla abala a pacata cidadezinha. É nesse momento que Veronica Lodge (Camila Mendes) e sua mãe retornam à cidade em busca de nova vida. Archie (KJ Apa) e Betty (Lili Reinhart) são melhores amigos e vizinhos. Josie (Ashleigh Murray), e as outras Gatinhas também frequentam o "High School", nesta cidade cheia de eventos estranhos, que apenas Jughead Jones (Cole Sprouse, de "Zack & Cody: Gêmeos em Ação") parece se importar.

Além do típico dilema adolescente de querer seguir seus sonhos, e agradar o pai ao mesmo tempo, Archie já começa a história envolvido em um romance proibido. Além, claro, de começar a tecer seu tradicional triângulo amoroso com Betty e Veronica.

As meninas também tem seus próprios dilemas Betty se sente sufocada pelo seu papel de boa moça. e carrega o peso do misterioso relacionamento entre sua irmã e Jason. Enquanto Veronica tenta deixar de ser a "menina malvada" que era na cidade grande.

Já Jughead, resolve investigar por conta própria os estranhos acontecimentos de Riverdale. E está sempre atento aos problemas em que seus amigos se colocam. Eventualmente o quarteto de amigos se juntará para desvendar o mistério da morte de um de seus colegas.

A trama traz os tradicionais conflitos de séries adolescentes, temperada com um pouco mais de dubiedade dos personagens - em relação à suas versões originais - e principalmente pelo universo que os cerca. Riverdale é uma cidade esquisita, cheia de mistérios disfarçados nas ruas do subúrbio e povoada por personagens cuja personalidade em construção e interesses tornam suas atitudes instáveis.

Riverdale é uma série assumidamente para adolescentes e jovens adultos, que tenta se diferenciar oferecendo um atmosfera diferente para trabalhar personalidades conhecidas do gênero. Como ponto forte, personagens bastante conhecidos dos público estadunidense. A grande questão que fica é: mesmo repaginado o adolescente de 76, Archie, é capaz de agradar os Millenials?

Riverdale é exibida nas segundas-feiras, às 21h30 na Warner. O primeiro ano da série tem 13 episódios e a segunda temporada da série já foi confirmada.

P.S.: Caso esteja se perguntando Cole Sprouse era o Cody nas séries do Disney Channel que estrelava com o irmão, que não está atuando no momento.

E fica a dica, se achar certa aluna de Riverdale familiar, a imagine com óculos gigantes dos anos de 1980. Shannon Purser a Barb de Stranger Things aparece em alguns episódios da série.

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quinta-feira, 9 de março de 2017

Kong: A Ilha da Caveira

É 1973 logo após a derrota desistência dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã. E um dos recém-lançados satélites espaciais encontra uma das últimas regiões do planeta ainda intocadas pelo homem, uma ilha cercada por uma tempestade eterna. É claro, que os estatunidenses não pensariam duas vezes antes de tentar chegar primeiro nesta terra inexplorada. E que, caso, você tenha prestado atenção no título é lar de ninguém menos que o King Kong.

Depois desta premissa, o espectador que esperar algo mais deste filme que um blockbuster de aventura pela selva vai obrigatoriamente se decepcionar. Mas não se engane, isso não é uma coisa ruim. Kong: A Ilha da Caveira se assume como uma produção despretensiosa, que pretende divertir sem se levar muito à sério, e entrega exatamente o que promete.

De volta à aventura, uma caravana parte para a ilha com propósitos científicos. No grupo, a equipe de cientistas de Bill Randa (John Goodman), os soldados recém-saídos do Vietnã comandados por Preston Packard (Samuel L. Jackson), o rastreador James Conrad (Tom Hiddleston) e a fotógrafa de guerra Mason Weaver (Brie Larson). É claro, nenhum deles faz ideia do que vão encontra e como bons estadunidenses orgulhosos chegam com o “pé na porta”.

Esse é o máximo de crítica social que a produção entrega. Uma amostra do ego inflado da humanidade, seu pensamento bélico e a mania de subestimar o inimigo (o que teriam acabado de fazer com o Vietnã). Pensar isso mais tarde fica a cargo da rodinha de amigos após o filme.

Enquanto isso o elenco assume sem pudores os estereótipos saídos de um "filme B" aventuresco. Hiddleston mantém uma constante postura de herói aventureiro, estilo Indiana Jones. Goodman arregala os olhos de seu cientista obcecado e imprudente. Enquanto Jackson abraça seu determinado veterano de guerra, que não consegue ver o diferente ou desconhecido como nada além de um inimigo a ser derrotado.

Atualização só na personagem de Larson, que ainda é a “mocinha” do filme, mas agora depende menos do herói e toma atitudes para defender a si e ao outros. Eventualmente ela ainda será resgatada por Kong ou Conrad, mas não se coloca no papel de vítima. E não ganhou um figurino sensualizado.
Entre o elenco de apoio, presente apenas para somar números (e posteriormente baixas), alguns rostos conhecidos como Toby Kebbell (Ben-Hur), Corey Hawkins (24h: Legacy e The Walking Dead), Jason Mitchell (Straight Outta Compton - A História do N.W.A.), Thomas Mann (Dezesseis Luas) e Jing Tian (A Grande Muralha). Já o personagem de John C. Reilly é uma divertida surpresa, que rouba a cena.

Apesar desse monte de humanos em cena o protagonista é mesmo Kong. A maior versão do macaco já vista em tela não decepciona, com boas impressões e CGI impecável que se estende as outras criaturas gigantes da ilha. Sua primeira aparição, acontece em uma bem coordenada cena, que acerta ao imergir o expectador na ação estilo “não vi o que nos atingiu”, e justifica o ingresso em IMAX 3D.
A mesma qualidade vale para a reconstrução de época, coreografia de batalha e fotografia. Esta última ajuda a criar imagens icônicas e diversas referências. Te desafio a ver a cena, ainda nos trailers da silhueta de Kong em frente ao sol avermelhado cercado por helicópteros e não pensar em Apocalipse Now.


Referências aliás não faltam. Seja à filmes de guerra, aventuras na selva e a cultura pop em geral. Vide a trilha sonora formada por clássicos do rock'n'roll, que para alguns pode soar exagerada em alguns momentos. Assim como algumas das atitudes heroicas dos humanos.

Mas convenhamos, é um filme sobre monstros gigantes em uma ilha cercada por tempestade. O exagero é proposital e assumido, se você busca por realismo e personagens complexos entrou na sessão errada. Kong: A Ilha da Caveira não é um filme perfeito, mas acerta em se assumir ser o que se propõe, ser um blockbuster despretensioso. Diversão por duas horas e nada além disso.

Kong: A Ilha da Caveira (Kong: Skull Island)
2017 - EUA - 119min
Ação/Aventura/Fantasia

P.S.: Não saia ante do fim dos créditos!

Se gosta de monstros gigantes leia também a crítica de Godzilla
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