quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

IBoy

Eu sei que já está ficando chato o excesso de comparações que as pessoas que as pessoas fazem entre qualquer coisa tecnológica e Black Mirror. Entretanto, neste caso, preciso entrar no coro: IBoy poderia tranquilamente figurar entre um dos episódios da antologia, mas também poderia estar inserido em qualquer universo de super-heróis. Embora, neste último quesito o filme da Netflix tenha sua própria identidade, se comparado ao que tem chegado ao cinema.

Tom (Bill Milner, o jovem Magneto de X-Men: Primeira Classe) presencia um ataque à casa da garota por quem é apaixonado, Lucy (Maisie Williams, a Arya de Game of Thrones). O Rapaz tenta fugir enquanto chama a polícia, mas é baleado. Ele acorda dias depois com fragmentos de seu smartphone em seu cérebro e a habilidade de se conectar com qualquer eletrônico. Morador de um bairro com uma onda de violência crescente, não é preciso ser um gênio para deduzir como ele decidirá usar suas novas habilidades.

Sim, o protagonista é um "super-hacker", com a mente consegue acessar e interferir na vida das pessoas através de nossos inúmeros dispositivos conectados à internet. Contexto que precisa sim de uma boa dose de suspensão de descrença do expectador, mas é a mesma que nos faz crer que um inseto radioativo pode fazer um adolescente ser capaz de escalar prédios. Logo, não é difícil comprar a ideia, especialmente graças a boa solução gráfica para colocar as atividades do hacker em tela sem precisar de explicações, falas, ou mesmo gestos grandiosos.

Uma história que começa como uma busca por justiça, se transforma em uma trama de vingança e posteriormente uma tentativa de salvar a cidade. No processo Tom descobre a extensão de suas habilidades. Podemos vê-lo utilizando-as tanto para coisas pequenas e banais até grandes interferências em instituições altamente protegidas, ações através de grandes distâncias e com enorme quantidade de dados. Por isso, soa um pouco discrepante quando, no auge de sua capacidade, Tom decide tomar uma atitude presencial à moda antiga, levando o filme para um clímax tradicional.

Felizmente, este clímax simplifica, mas não esquece completamente a premissa do filme. E principalmente seus temas: a violência urbana, o excesso de tecnologia em nossas vidas e a vulnerabilidade que ela traz. Nas questões que competem ao herói estão: como lidar com suas habilidades, as "grandes responsabilidades" que vem com ela, quais os limites, e tudo que pode dar errado ao escolher usá-las.

IBoy tem um protagonista fácil de se relacionar, cujas motivações são compreensíveis. Aborda problemas contemporâneos com estilo e tom próprios. Uma opção diferente para quem gosta tanto de super-heróis, quanto de tecnologia. A boa seleção de elenco traz ainda conta com Miranda Richardson e Rory Kinnear. O longa é uma produção da Netflix e já está disponível na plataforma de streaming.

IBoy
2017 - Reino Unido - 90min
Ação/Ficção-cientifica

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