segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Estrelas Além do Tempo

Algumas histórias nos surpreendem tanto pela jornada em si, quanto pelo fato de nunca terem sido contadas. Estrelas Além do Tempo é um desses casos. Afinal, a maioria de nós sequer cogitou a existência de mulheres negras trabalhando na Nasa durante a corrida espacial, principalmente no segregado sul estadunidense.

Katherine G. Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughan (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe), faziam parte do grupo de "computadores", pessoas que faziam os complicados cálculos que a agência precisava antes da chegada dos computadores. É claro, todo o serviço era realizado na área destinada as pessoas de cor na instalação. Quando os Russos ameaçam tomar a liderança da corrida mais talentos e esforços são requisitados e é aí que as protagonistas encontram e aproveitam a oportunidade de crescer. Não que os "brancos" tenham de fato lhes dado tais oportunidades.

Prodígio da matemática desde a infância, Katherine, única capaz de compreender um determinado tipo de cálculo, vai trabalhar em um novo setor. É claro, um que nunca teve uma pessoa negra ocupando uma de suas mesas. Dorothy corre contra o tempo para se preparar para a chegada de um computador da IBM, que inevitavelmente tornará seu cargo atual obsoleto. Enquanto Mary luta para ter o direito de estudar e se tornar engenheira. Tudo isso sem deixar de lado os compromisso com família e umas com as outras, já que são retratadas como boas amigas.

No contraponto, seus coadjuvantes de luxo Kirsten Dunst e Jim Parsons, são as personificações mais diretas de todo o preconceito com que elas precisam lidar. Embora o filme traga tanto exemplos de racismo direto, quanto velado e ainda aqueles cometidos sem sequer perceber: é hábito! A dupla de antagonistas se sai bem, embora Parsons tenha apenas uma versão mais maliciosa do Sheldon Cooper para trabalhar. Ele é um bom ator, só precisa conseguir papéis diferentes.

Já o diretor da NASA Al Harrison (Kevin Costner) é uma espécie de mentor para Katherine, que divide a mesma paixão pelos números, mas não a mesma realidade. De fato, ele nem faz ideia das dificuldades de sua funcionária mais brilhante até que ela as exponha para ele em uma ótima cena de catarse. E mesmo quando ele toma uma atitude, não é por ela, ou por seus direitos, mas em prol da corrida espacial. Um detalhe como cor da pele, não pode atrasar o trabalho da Agência.

Não que o trio não consiga respeito de alguma forma. Não por quem são, ou por seu esforço, mas pelo resultado que entregam. Reconhecimento? Isso só virá no século seguinte. Embora cada uma delas tenha conquistado seu espaço dentro de suas áreas de trabalho.


Já do lado de cá da tela, o trio de protagonistas é carismático e não demora a conquistar o público. Mantendo o interesse, mesmo durante as pausas na corrida espacial para termos um vislumbre de seu dia-a-dia, e nos críticos momentos onde discutem matemática que está além do alcance do expectador comum.

Estrelas Além do Tempo é uma produção bem resolvida e eficiente ao retratar o esforço e o trabalho destas mulheres. Além de cumprir a importante tarefa de apresentá-las finalmente ao mundo.

Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures)
2016 - EUA -127min
Biografia/Drama

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