quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Cinquenta Tons Mais Escuros

"Se entregue a algo um tom mais escuro"; "Sem mais regras"... Não se deixe enganar pelo tom supostamente ousado do marketing de Cinquenta Tons Mais Escuros. Em matéria de ousadia, este longa chega ser até mais comportado que seu nada audacioso predecessor. De fato, a tal ausência de regras significa o oposto do que o imaginário coletivo esperaria.

Após a negativa de Anastasia Steele (Dakota Johnson) às práticas de sadismo de Christian Grey (Jamie Dornan) no final de Cinquenta Tons de Cinza, neste longa o rapaz volta à procurá-la disposto a deixar seus hábitos para ter a amada de volta. Antes disso uma sequência de abertura envolvendo um pesadelo/flashback de infância está presente para justificar o comportamento do mocinho. Afinal, neste mundo de "falsa ousadia" nenhuma pessoa saudável seria adepto de BDSM.

Ao menos neste longa, o sadismo extremado do personagem tem consequências que justificam a vergonha por cometê-los. Elas vem nas figuras da traumatizada ex-submissa de Grey, Leila (Bella Heathcote, de Orgulho Preconceito e Zumbis e Sombras da Noite), e da ex-mentora obcecada Elena (Kim Basinger), que aparecem para apontar todas as coisas que podem dar errado na relação dos protagonistas. Junta-se a elas, o chefe abusivo de Ana, Jack Hyde (Eric Johnson) como antagonistas do casal. Com três opções a trama nunca escolhe qual antagonismo vale uma abordagem mais profunda. Até porque, o foco real é a relação do casal e seus supostos limites.

Neste ponto, o dilema não avança muito. Agora supostamente as vontades da mocinha são levadas em conta, embora pouco à pouco estas se mostrem bastante suscetíveis as vontades no agora oficialmente namorado. Assim, apesar de melhor filmadas, as cenas de sexo seguem o mesmo padrão de evolução do filme anterior. Saindo do "amor comportado" até o retorno do controverso quarto vermelho. A grande diferença seria que agora há uma relação romântica igual entre as partes, infelizmente a química dos atores não ajuda muito a nos convencer disso. Nem mesmo com o aumento de cenas de romance água-com-açúcar.

Entretanto há sim, no longa um tema interessante a ser abordado. Transformado em um transtorno de personalidade, as preferências de Grey tem consequências desastrosas em relação à Leila, em uma cena que temos um vislumbre de um nível absurdo de submissão. Infelizmente o aprofundamento para por aí, e o tema é desperdiçado. O mesmo vale para a breve participação de Basinger, mas ao menos à indicação de que a veterana terá um papel maior no próximo longa. Cinquenta Tons de Liberdade já está filmado e tem uma prévia exibida durante os créditos e data de estreia: Fevereiro de 2018.


Quanto à Cinquenta Tons Mais Escuros, diálogos previsíveis, tentativas fracas de suspense com soluções absurdas (atenção à sequencia do helicópitero) e uma trilha sonora mais interessante são as principais características do filme. Seu melhor feito é ser uma versão melhor lapidada do primeiro longa e trazer a esperança de mais conteúdo para a sequencia, ao apresentar novos personagens. Enquanto isso, ficamos na esperança que o desfecho da versão para o cinema da trilogia literária de E.L. James, tenha o mínino conteúdo para justificar o burburinho que a acompanha nas páginas e nas telas.

Cinquenta Tons Mais Escuros (Fifty Shades Of Grey 2: Fifty Shades Darker)
2017 - EUA - 118min
Drama/Romance


Leia também a crítica de Cinquenta Tons de Cinza

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