segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Informações úteis para sua maratona de Desventuras em Série

Talvez este manual não sexa extremamente necessário por duas razões: primeiro porque Desventuras em Série já tem um Narrador, preocupado, cheio de alertas e informações úteis. E segundo, porque é altamente recomendável que você assista outra série caso esteja procurando entretenimento. Esta produção não deve lhe trazer nenhum segundo de felicidade. Entretanto, caso você esteja disposto, o texto a seguir traz informações que podem aprimorar sua maratona, ou prolongá-la, caso você já tenha terminado.

Na série da Neflix adaptada dos livros de Lemony Snicket Violet (Malina Weissman), Klaus (Louis Hynes) e Sunny Baudelaire (Presley Smith), perdem os pais em um incêndio que destrói completamente a mansão em que viviam. Órfãos, são enviados de tutor à tutor conforme o primeiro deles o malvado, e mal ator, Conde Olaf (Neal Patrick Harris) elabora e executa esquemas para roubar sua fortuna. Inclua aí, a incapacidade dos adultos que os cercam de compreender e acreditar em coisas óbvias, e um grande mistério sobre a morte dos pais das crianças.

Informações úteis para sua maratona de Desventuras em Série


1 - Esta primeira temporada tem 8 episódios e adapta 4 volumes da série de livros. Cada título é desenvolvido em dois episódios. Um Mau Começo, A Sala dos Répteis, O Lago das Sanguessugas e Serraria Baixo-Astral são os volumes abordados. A saga dos Baudelaire tem 13 livros no total.

2 - Cada par de episódios que abordam um livro tem sua própria abertura, que dá dicas sobre a aventura que está por vir. Não deixe a Neflix pular as aberturas e veja as variações da música interpretada por Neil Patrick Harris.



3 - Destes livros apenas Serraria Baixo-Astral não foi abordado na versão para os cinemas da franquia, lançada em 2004 com Jim Carrey.

4 - Sim, se você assistiu o filme, comparações são inevitáveis. Assim como quem leu os livros, vai procurar cada detalhe!

5 - E já que mencionamos, a luneta que Klaus encontra na mansão de seu pai, e que tem cópias reaparecendo aqui e ali, não existem nos livros. Elas são uma invenção do longa de 2004.

6 - Lemony Snicket é o pseudônimo usado por Daniel Handler. Além disso, Snicket é narrador e personagem vivido por Patrick Warburton, oferece informações preciosas sobre a trama, e apelos desencorajadores, para que você vá assistir algo mais alegre.

7 - Achou a Violet familiar? Provavelmente você já viu Malina Weissman antes em Supergirl onde ela viveu a jovem Kara. Ela também é bastante parecida com Emily Browning que interpretou a personagem no filme de 2004.

8 - Apesar de só falar em seu inteligíveis sons de bebê Sunny tem falas no roteiro sim. E elas são interpretadas por Tara Strong, a atriz é especialista em dar voz à personagens, e tem uma extensa lista de créditos de dublagem em animações e games.

9 - Catherine O'Hara interpreta a Doutora Orwell na série de TV. Ela também participou da versão para o cinema onde viveu a Juíza Strauss.

Daniel Handler
10 - Daniel Handler faz uma aparição especial em cena. Além de ser creditado duas vezes na produção, com o pseudônimo Lemony Snicket e com seu verdadeiro nome.

11 - Além de dicas da aventura em curso, a série tem várias referências aos livros e aos próximos episódios espalhadas em cena. Especialmente nas cenas em que Snicket aparece. Motivo para refazer a maratona com olhar mais atento.

12 - Apesar dos alertas que estão até na música de abertura, o programa é sim divertido. E melhor diversão para toda a família

13 - Como uma boa série dedicada a desfortúnios, o azarado 13 é seu numero chave. A série tem 13 livros, com 13 capítulos cada (o último tem também um epílogo). Seu nome original em inglês "A Series of Unfortunate Events", tem 26 letras (2x13). A adaptação da Neflix foi lançada em 13 de Janeiro, 13 anos depois do lançamento da versão para os cinemas.
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Todos os episódios do primeiro ano já estão disponíveis na Neflix. Os produtores planejam gravar a segunda, e talvez terceira, temporadas em breve para que as crianças não cresçam demais.

Confira a crítica de Desventuras em Série e leia mais sobre séries e Neflix.
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sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Oportunidade para autores de contos de amor!

PUBLIQUE SEU CONTO DE AMOR EM LIVRO!
Hoje é dia daquela pausa para dar uma dica para futuros autores de best-sellers: Se você escreve contos de amor e deseja ser publicado, eis a oportunidade.

Você pode participar da coletânea Sem Mais, o amor - Contos de Amor em forma de cartas, emails, páginas de diário e outras formas de registro escrito, organizada pelo escritor Leandro Schulai.

Qualquer pessoa pode participar. Para submeter um texto à avaliação, basta acessar o site da editora www.andross.com.br . O prazo para recebimento de textos vai até 30 de abril de 2017 e o lançamento será em outubro de 2017, no evento "Livros em Pauta".

Sinopse: Fernando Pessoa já dizia que “todas as cartas de amor são ridículas”. E afirmava veementemente: “não seriam cartas de amor se não fossem ridículas”. Mesmo não vivendo o suficiente para conhecer novas tecnologias de comunicação, o poeta sabia bem que a interação verdadeira entre duas pessoas que se amam se despe de vaidades e apresenta a pureza de um sorriso. Sem mais, o amor é uma coletânea de contos românticos em forma de cartas, emails, páginas de diário e outras formas de registro escrito. E o mais importante: são histórias ridículas! Exatamente como o poeta disse que tinham de ser.

Essa é sua oportunidade de se tornar um escritor! 

P.S.: Se você conseguir não esqueça de mandar uma cópia.
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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Beleza Oculta

Tempo, Amor e Morte, é na conexão que todos no planeta tem com estas três entidades que Howard (Will Smith) baseia as regras para o funcionamento de sua empresa, e provavelmente sua vida. Logo, também são eles quem ele culpa por sua tragédia pessoal. Preocupados com o estado depressivo do amigo e a consequente derrocada do trabalho de suas vidas, seu sócio Whit (Edward Norton) e seus amigos Claire (Kate Winslet) e Simon (Michael Peña) adotam medidas extremas e fazem Howard confrontar aqueles a quem culpa.

É aqui que entram em cena Brigitte (Helen Mirren), Raffi (Jacob Latimore) e Amy (Keira Knightley), atores de teatro que encaram o desafio de encarnar Morte, Tempo e Amor respectivamente. Para desempenhar os papéis eles seguem as dicas de Whit, Claire e Simon e não surpreendentemente influenciam as vidas destes também.

Assumidamente criado para ser um conto de natal, o filme inclusive se passa no período de festas sem que isso tenha grande importância para a trama, Beleza Oculta segue um caminho previsível e uma formula desgastada para tentar passar uma mensagem.

O problema é, já vimos este filme e já ouvimos esta mensagem. Logo, não demora muito para descobrirmos o curso da história. Mesmo com a tentativa (fraca) de manter algum mistério - um personagem muito doente, por exemplo, só passa a demonstrar sintomas quando é conveniente para a trama.

A história ganha alguns pontos, quando ao tratar de amor não se atém ao "amor romântico", mas as diferentes formas de amor. Escalar Michael Peña, para um papel dramático, e dar espaço a ele, também é uma escolha interessante. E claro, o elenco estelar também é um grande atrativo. Mas o que o elenco esforçado atrai com seu carisma, o filme perde na falta de originalidade e sutileza.

Boas mensagens são sempre bem vindas. E acredito que vamos gostar de praticamente qualquer papel em que Helen Mirren se engaje, seja ela uma atriz desconhecida ou a Morte em pessoa. Mesmo assim, Beleza Oculta apesar de bem feito, soa apenas como um filme que já foi feito. O expectador vai deixar, o bom elenco e as boas intenções do longa na sala escura e sair apenas com a sensação de que já viu aquele filme antes.

Beleza Oculta (Collateral Beauty)
2016 - EUA - 97min
Drama
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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Informações úteis para sua maratona de The OA

The OA estreou na Netflix no período das festas de fim de ano, por isso muita gente só esta descobrindo a série agora. A crítica da primeira temporada já está disponível no blog há algumas semanas, mas nunca é tarde para algumas dicas para os não iniciados, e aqueles que querem se aprofundar um pouco mais.

Praire (Brit Marling) reaparece de forma inusitada após sete anos desaparecida. As circunstâncias sob seu desaparecimento, onde estava e como voltou estão longe de serem os maiores mistérios em torno na protagonista: a jovem era cega quando desapareceu, e agora enxerga perfeitamente.

1 - Não se sinta culpado por não saber exatamente do que se trata a série. Todo o trabalho de divulgação apostou no mistério.

2 - Seus amigos não te falaram muito sobre a série? Isso pode ter dois motivos. 1 - Eles não querem estragar sua experiência. 2 - Eles não tem muita certeza de como explicar a trama.

3 - Esta é a terceira colaboração entre os co-roteiristas Zal Batmanglij e Brit Marling. Os outros trabalhos foram O Sistema e A Seita Misteriosa. Enquantoo Britt também protagoniza a série, Zal dirige.

4 - Brad Pitt é um dos produtores executivos de The OA.

5 - Não tente descobrir qual caminho a série vai seguir. Toda vez que você achar que entendeu, na cena seguinte vai descobrir que estava errado. Ficar meio perdido na narrativa é parte da graça de acompanhar a série.

6 - Dil humanos, fé, ficção cientifica, multiverso, viagens interdimensionais, EQMs (Experiências de Quase Morte), são alguns dos temas que a série aborda. Em uma curiosa mistura de ficção-ciêntífica e elementos sobrenaturais.

7 - Sim, a série exige uma grande dose de suspensão de descrença em alguns momentos.

8 - Por outro lado, uma vez "pego" o espectador não consegue abandonar a trama, mesmo quando nada faz sentido, ou quando o ritmo varia.

9 - O ritmo varia bastante. Especialmente porque os episódios transitam entre o passado de Praire e suas atitudes no presente. Os momentos no passado são inevitavelmente mais interessantes.

10 - Oficialmente é um drama de uma hora, mas o episódio inicial tem 71 minutos, e o sexto 31. Olha aí a falta de ritmo se fazendo presente novamente.

11 - Aquele cara que você acha que conhece é Jason Isaacs o Lúcios Malfoy da franquia Harry Potter, sem vestes de bruxo e aquela bela peruca loira. Já os fãs de The Walking Dead vão reconhecer Scott Wilson, o Hershel.

12 - Os cinco movimentos apresentados ao longo da série foram criados pelo mesmo coreógrafo dos clipes da Sia (aqueles com a Maddie), logo... (Cuidado a cena abaixo pode conter SPOILERS)


13 - A trama é cheia de mistérios e reviravoltas. Também não sabemos se tudo que nos é contado é verdade. E o final deixa grandes pontas soltas propositalmente.

14 - É provável que quando a série chegue ao fim, você esteja confuso. Uma mistura de sentimentos que vão de - Ué já acabou? - Passando por - Não entendi? - Até a completa incapacidade de definir se gostou ou não da produção, mas com a certeza de que fez bom uso de seu tempo de maratona e que precisa de uma segunda temporada.
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Existem planos para uma segunda temporada de The OA, mas a série ainda não foi renovada pela Netflix. A primeira temporada tem 8 episódios, todos disponíveis na plataforma de streaming.

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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Desventuras em Série - 1ª temporada

Se você está lendo esta resenha é porque passou, ou pretende passar, oito preciosas horas da sua vida assistindo uma história triste. Uma série que não vai te trazer nenhum momento de alegria, nem mesmo alguns poucos segundos de final feliz. Ao menos uma coisa posso lhe garantir: não vou passar toda o texto abaixo imitando a narração depressiva de Lemony Snicket para a aventura dos Baudelaire. Até porque, apesar de se trata de um incontável número de Desventuras em Série, a nova produção da Netflix vai sim te trazer momentos de diversão.

E por falar na narração desencorajadora Snicket (Patrick Warburton), ela é apenas um dos vários elementos encantadores da produção. Pausando, interrompendo, participando da cena, narrando de um local completamente diferente, não falta criatividade para as interrupções do autor/narrador/personagem. Mas antes uma breve introdução para quem esteve preso por um mau tutor nos últimos anos, e não faz ideia do que trata a série.

Violet (Malina Weissman, a joven Kara em Supergirl), Klaus (Louis Hynes) e Sunny Baudelaire (Presley Smith), perdem os pais em um incêndio que destrói completamente a mansão em que viviam. Órfãos, são enviados de tutor à tutor conforme o primeiro deles o malvado, e mal ator, Conde Olaf (Neal Patrick Harris) elabora e executa esquemas para roubar sua fortuna. Inclua aí, a incapacidade dos adultos que os cercam de compreender e acreditar em coisas óbvias, e um grande mistério sobre a morte dos pais das crianças.

Baseada na série de livros de Daniel Handler (sob o pseudônimo de Lemony Snicket), a produção da Netflix dedica dois episódios para cada volume da aventura. Assim na primeira temporada acompanhamos as histórias de Um Mau Começo, A Sala dos Répteis, O Lago das Sanguessugas e Serraria Baixo-Astral. É nesse tempo dedicado à cada história que está um dos pontos fortes da trama.

Há tempo de desenvolver cada nova desventura, e não é preciso cortar detalhes que os fãs dos livros tanto amam. Acerto que fica evidente na inevitável comparação com a versão para os cinemas estrelada por Jim Carrey em 2004. O filme é eficiente, mas precisou economizar e dar grandes voltas no roteiro para encaixar os três primeiros livros em apenas duas horas de projeção.

Já a direção de arte, acerta na variação entre uma quase monocromática paleta dessaturada e leve toques de cor (quase sempre em tons pastéis) para representar os breves momentos de esperança em meio a triste saga dos irmãos. Já os cenários e figurinos, situam a história quase em uma Terra alternativa, misturando características de diferentes épocas. Nunca sabemos com certeza, quando a história acontece.

Mas sabemos o que esperar das crianças. Weissman e Hynes abraçam seus papéis, e até a pequena Presley Smith funciona bem em cena. O escorregão fica por uma ou outra cena da bebê Sunny em CGI. Nada que comprometa, afinal não queremos ver um bebê de verdade brincando com uma cobra ou roendo coisas muito duras.

Aberturas exclusivas para cada livro, boas participações especiais (que não vou enumerar, pois caso você ainda não saiba, a surpresa é sempre melhor) o tom na medida entre o sombrio, lúdico e cartunesco. Tudo encaixadinho para tornar Desventuras em Série uma das melhores adaptações. Entretanto seu grande trunfo é também seu maior escorregão -  Neal Patrick Harris!

Calma, não precisa me xingar ainda. - Como a maioria dos expectadores, eu também acho que o ator é a escolha perfeita para o arqui-inimigo dos protagonistas, o Conde Olaf. A produção acertou em cheio na escolha e provavelmente se empolgou um pouco demais com isso. Harris não precisa "roubar a cena", pois estas são dadas à ele, antes mesmo que ele tente. E sim ele entrega um trabalho excelente, mas que perde a força diante da overdose do conde em cena.

Precisamos nos preocupar um pouco mais com os irmãos Baudelaire.  Mergulhar junto com o trio, em seus breves momentos de calmaria, causando maior impacto a cada nova aparição do vilão. Mas é difícil quando acompanhamos até o planejamento dos esquemas do vilão. Mencionei que Neal também canta a música da abertura? 

Ok. Admito, todos sabemos que é a série do Neal Patrick Harris. Assim como o filme era mais de Jim Carrey que das crianças. Mas seria muito melhor se o deixassem conquistar a série sozinho. Felizmente como mencionei acima Harris corresponde às expectativas. E os excessos podem, e serão encarados, não como um erro mas como um ajuste para as próximas temporadas. 

Bem produzida, divertida (apesar dos avisos do narrador/autor que dizem o contrário) e mais importante, para toda a família. Um dos poucos produtos da Netflix que serão apreciados independente da idade, e nichos. Conhecer os livros apenas tornará a experiência mais interessante, mas também não é exigência.  Desventuras em Série é uma das séries mais democráticas da plataforma de streaming

Desventuras em Série tem oito episódios de uma hora cada, todos já disponíveis na Netflix. Os produtores planejam gravar a segunda, e talvez terceira, temporada em breve para que as crianças não cresçam demais.

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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood

Não quero isso! - Foi essa a reação imediata e inevitável que tive (e acredito que não sozinha), ao descobrir durante a última Comic Con Experience a existência de Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood. Reação comum e justificável quando anunciam alguma obra que de certa forma interfere em um clássico do cinema, o mesmo, simplesmente com um favorito de infância. No meu caso Os Saltimbancos Trabalhões de 1991, se encaixa nas duas categorias.

A escolha por um retorno à obra circense é, no entanto, é compreensível. É o filme de maior sucesso dos Trapalhões, logo é a escolha perfeita para celebrar o 50º filme de Renato Aragão. Seu objetivo maior é homenagear não apenas o Didi, e Dedé que também está em cena, mas todo o quarteto trazendo de volta seu campeão de bilheteria e grande expoente da cultura circense que o grupo de palhaços de cara limpa tinha como cerne.

Grande Circo Sumatra está com dificuldades desde que os animais foram proibidos no picadeiro. Sem opções o Barão (Roberto Guilherme, o Sargento Pincel) coloca Satã (Marcos Frota) como gerente e permite que ele ocupe o espaço com os estranhos eventos do prefeito da cidade (Nelson Freitas). Didi (Renato Aragão) e Karina (Letícia Colin) precisam criar um novo espetáculo que traga de volta o público e a essência do circo.

Some aí a namorada/comparsa do vilão, a Tigrana (Alinne Moraes), e o par romântico da mocinha Karina, Frank (Emílio Dantas) e todos os nomes conhecidos da versão de 1981 estão de volta. Mas as semelhanças param por aí. Não se trata de um remake, tão pouco uma continuação, Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood é mesmo uma grande homenagem, inspirada pelo filme original. Talvez por isso sua trama e conflitos sejam tão simples e despretensiosos.

O circo tem problemas, e os artistas estão fazendo um esforço para salvá-lo, é verdade. Entretanto quando chega o clímax e o confronto entre mocinhos e vilões, basta um rosnado (literalmente) para que a gangue do mal desista. As canções do longa original estão de volta, com novos arranjos e belos números, mas a maioria não se encaixa na trama. Estão lá apenas para você que cresceu ouvindo as reconheça. Mas e quem não tem essa bagagem?

Outra situação confusa é a opinião ambígua do filme sobre a presença de animais circenses. Vários personagens repetem que a decadência começou após a proibição da exploração dos animais de circo, ao mesmo tempo que afirmam que era o melhor para os bichinhos. - Ué, sempre discordaram do uso de animais no espetáculo, mas nunca fizeram nada?  

O filme novo tem animais sim, em CGI 
Soa como um constante pedido de desculpas aos animais, por um comportamento de outra época, que felizmente superamos. Vale lembrar, o primeiro filme tinha animais. Ao tempo a ausência dos bichos é a causa de toda a ruína com o circo. O que de certa forma desvaloriza todos os artistas com números que usam apenas humanos. Uma opinião acidental, reforçada quando a solução para atrair o público é encontrada. Os artistas fariam os mesmos números, porém vestidos de bichos.

Ok. Eu sei que é um resgate dos Saltimbancos originais, mais uma homenagem em meio à tantas. Mas, a mensagem saiu diferente da intenção original. Parece que faltou um pouco mais de dedicação ao roteiro como um todo. Para encaixar bem as canções e evitar a ambiguidade de opiniões. E encontrar funções melhores para alguns personagens. Os de Maria Clara Gueiros, Lívian Aragão e Rafael Vitti parecem estar lá apenas para replicar situações e números do filme original, não contribuem muito com a história.

Salvam-se aí o esforço de Alinne Moraes para abraçar uma versão mais caricata de sua vilã, infelizmente ela faz isso sozinha e acaba fora de tom. E, claro, a reunião de Didi e Dedé em cena. Agora com as piadas físicas limitadas (nada de piruetas), a dupla é responsável por grande parte da nostalgia que o filme evoca. Eles trazem de volta aquele humor inocente e até meio bobo para os padrões de hoje. Mas que deve encantar e matar a saudade para quem cresceu com eles.


Nostalgia deve atrair os mais velhos. Os bem pequenos vão se divertir com as piadas. Já os jovens serão difíceis de conquistar. Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood, vale pela homenagem. E também por ela, merecia um esforço e detalhismo maior. Estamos homenageando pilares do humor nacional, e um dos clássicos de nosso cinema, podia ser mais. Não chega aos pés do original, mas se apresentar o filme de 1981 e o quarteto à novas gerações me dou por satisfeita.

Ah! E não deixe de acompanhar a sequencia de créditos.

Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood
2017 - Brasil - 99min
Comédia
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segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

La La Land - Cantando Estações

É mais um dia de engarrafamento em Los Angeles. Nos carros, jovens em busca do sonho de Hollywood, anunciam em alto e bom som, durante um excepcional plano sequencia que este é um filme musical. Embora, a esta altura há de se imaginar que o título do longa, La La Land - Cantando Estações, já tenha dado a dica. Mas não é só isso que eles apontam, o número também deixa claro que a disputa é grande e o caminho árduo.

Tudo isso é estabelecido antes mesmo de conhecermos os protagonistas. Mia (Emma Stone) é mais uma aspirante à atriz em meio a dezenas de candidatas, que trabalha como barista em um estúdio de cinema enquanto sua carreira não decola. Sebastian (Ryan Gosling) é um pianista de Jazz preocupado com o purismo do ritmo que tem problemas para manter os empregos onde precisa tocar outros estilos.

É claro, a dupla vai "se esbarrar" aqui e ali, até ajustarem os ponteiros em um fofo número de dança em que usam "os mesmos sapatos*". Depois disso passam a se encontrar de propósito e com frequência, por assim dizer. Presos na mesma fase de busca pelos seus sonhos, um impulsiona o outro a seguir em frente. E tudo vai bem, até que seus caminhos comecem a se distanciar.
Se você achou minha descrição acima reveladora demais, calma! Não há como "levar um spoiler" de La La Land, pois este não é um filme de reviravoltas mirabolantes. É um filme sobre relacionamentos, sobre não desistir de seus sonhos e os caminhos traçados por suas escolhas. Tudo isso pontuado por boa música e uma atmosfera que homenageia de forma sutil, porém eficiente, a era de ouro dos musicais.

Não é um filme de época. Mas as cores da cidade, a fotografia, os figurinos, as músicas e até os carros, tem esse tom lúdico e doce de clássicos como Cantando na Chuva. Stone e Gosling não são Fred Astaire e Ginger Rogers, mas protagonizam belos números de dança onde ao invés de vários cortes estilo vídeoclipe, podemos acompanhar a fluidez dos passos, a interação com o cenário como se assistíssemos um espetáculo de dança ao vivo. A coreografia não é tão complexa como nos antigos musicais, mas é bonita e bem executada, eficiente para seu intérpretes não dançarinos, de personagens do século XXI.
A mesma simplicidade vale para as interpretações musicais. Alguns podem até lamentar que os protagonistas não seja grandes intérpretes, mas talvez suas vozes comuns sejam parte da empatia com o expectador e tornem os sentimentos das personagens mais verdadeiros. Há também o genuíno esforço para cantar e dançar da dupla, especialmente de Emma. O desafio maior de Gosling parece ser o piano.

Doce e melancólico a única grande reclamação é a sensação de tom decrescente através das musicas. Começando com um número gigantesco com dezenas de dançarinos e aos poucos se resumindo ao casal principal com números mais simples. Pode ser intencional é verdade - da empolgação dos primeiros passos, à tranquilidade de ter alcançado seus objetivos - mas para alguns pode soar como uma discrepância de ritmo. Ou no mínimo, que o numero de abertura parece deslocado. Nada que prejudique muito o objetivo geral do longa, no entanto.

Contar uma história simples e encantadora e homenagear os clássicos da era de ouro dos musicais. Tarefas que La La Land - Cantando Estações cumpre muito bem. Vai encantar os amantes do gênero e quem sabe reapresentar o estilo para novas gerações redescobrirem a época de sonhos de Hollywood.

La La Land - Cantando Estações (La La Land)
2016 - EUA - 128min
Musical


*"put yourself in someone's shoes" - literalmente "se colocar nos sapatos de outra pessoa", uma expressão em inglês que significa se colocar no lugar do próximo. No filme Mia, troca de sapatos em pleno número de dança reconhecendo que ela e Sebastian estão na mesma situação.
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