sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

The OA - 1ª temporada

É inevitável, a primeira coisa que você vai fazer ao terminar a primeira temporada de The OA é correr para internet - Quem mais assistiu? O que o pessoal está achando? Quais as teorias? O que os criadores da série dizem? Vai ter segunda temporada? - Com algumas ou todas as perguntas em mente o expectador só busca entender não apenas a série da Netflix, mas seus sentimentos em relação à ela. Já faz alguns dias que terminei e admito: ainda não sei se gostei.

Praire (Brit Marling) estava há sete anos desaparecida quando reaparece pulando de uma ponte. Mas esta nem é a coisa mais estranha, a moça era cega quando sumiu e volta com a visão recuperada. A cidadezinha em que ela morava com os pais fica em polvorosa. Milagre? Bruxaria? O que teria acontecido com a moça e por que ela não quer contar para ninguém? E esta é a primeira vez que você acha que entendeu para onde a série vai, Mas, antes mesmo do piloto terminar você descobre que está errado.

A mocinha que se apresenta como "The OA" não quer contar aos pais ou autoridades o que aconteceu, logo a série deixa isso de lado. Mas a moça decide "dividir sua experiência" com cinco pessoas aleatórias. O adolescente problemático Steve (Patrick Gibson), seu amigo Jesse (Brendan Meyer), o "bom menino" French (Brandon Perea), o transexual Buck (Ian Alexander) e a professora triste Betty (Phyllis Smith), aceitam se encontrar as escondidas com a moça, em reuniões que lembram uma seita. Aí sim a história começa, na Rússia!?! Vou parar com a sinopse por aqui, pois parte da graça é ficar meio perdido na narrativa tentando entender o que está acontecendo. 

Enquanto isso a história contada por OA passa conceitos de ficção cientifica, multiverso, viagens interdimensionais, EQMs (Experiências de Quase Morte), ao mesmo tempo que traz dilemas humanos e sobre fé. Tudo isso junto, em alguns momentos exige uma boa dose de suspensão de descrença do expectador. Mas a expectativa pelo que está por vir, as dúvidas sobre como Praire retornou e a empatia com as personagens de suas histórias garantem esse esforço extra para acreditar em alguns momentos. Embora duvidar de um detalhe ou outro também faça parte da diversão. Não faz sentido, mas está interessante, então vamos em frente!

Entre trechos da história de Praire temos vislumbres da vida de seus escolhidos, dela própria e de seus pais. O problema é que são apenas vislumbres. De fato nos importamos mais com as pessoas na história que ela conta (que talvez nem sejam reais), do que com as pessoas que estão ouvindo. Um grupo de pessoas distintas que poderiam tanto ter narrativas interessantes por quem são, quanto ter sua vida afetada pela chegada da protagonista. Ao invés disso, ganham arcos rasos que o tornam apenas estereótipos pouco interessantes.

Uma falta de equilíbrio sentida no ritmo dos episódios, sempre mais interessantes nos trechos que contam o passado de Praire. Parece que faltou tempo para explorar o presente o que não deixa de ser estranho, já que a série tem poucos episódios em relação à outras produções da Netflix, apenas oito. Além disso, estes tem uma duração muito irregular. Oficialmente é um drama de uma hora, mas o episódio inicial tem 71 minutos, e o sexto 31.

Talvez causar estranheza em todos os sentidos, até na duração de sua maratona seja o objetivo real da série. Se for este o caso, ela é muito bem sucedida. O presente tem potencial mas é chato e arrastado. O passado irregular, as vezes implausível, infinitamente mais interessante e talvez transforme o presente. Talvez não tenha efeito algum. A mistura de conceitos pode leve a uma descoberta ou desfecho incrível, mas também pode não alcançar nada de concreto. Pode ser tudo verdade, tudo mentira, ou um meio termo.

De fato, quando você já comprou a narrativa mirabolante da protagonista, a série a desconstrói, apenas para depois tentar reconstruí-la. Mas aí você já está completamente confuso e cheio de dúvidas. Tudo isso tem mesmo algum objetivo, ou é uma série de acontecimentos e coincidências planejados para te manter entretido? Esta é provavelmente a maior pergunta da série. Que pode (ou não) ser respondida caso haja uma segunda temporada, junto com uma outra dezenas de questões que o primeiro ano não está preocupado em responder.

Caso um plano para o segundo ano não exista as possibilidades são duas: os produtores não fazem ideia de que história queriam contar; ou apenas queriam levantar muitos questionamentos. e fazer o pessoal discutir. Curiosamente, em ambas as hipóteses eles foram bem sucedidos.

Co-roteiristas, diretor Zal Batmanglij e interprete da protagonista Brit Marling, estão em sua terceira parceria. Os trabalhos anteriores (O Sistema e A Seita Misteriosa) também tem este estilo. O elenco ainda conta com Jason Isaacs, Alice Krige, Scott Wilson (o Hershel de The Walking Dead) e vários rostos conhecidos. A primeira temporada de The OA tem 8 episódios, todos disponíveis na Netflix.

2 comentários:

Anônimo disse...

Concordo no geral com a crítica...
Série interessante, com trama original e bons personagens e atores. Mas é pretensiosa demais e se perde no enredo, com ritmo irregular e um somatório de inverossimilhanças que quase faz a estória se perder.
(Os "furos" de enredo tem limite para poderem ser mais ou menos tolerados, sem agredir muito a estória... aquela do tomate, presente na cozinha de quem pode morrer pela alergia a ele, é apenas um exemplo.)
Luís

Anônimo disse...

Para de graça. Assiste novamente e faz uma crítica positiva! Nao sabe se gostou pq não entende nada.

 
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