terça-feira, 15 de novembro de 2016

Westworld – Onde Ninguém Tem Alma

Caso você esteja acompanhando Westword na HBO e sua repercursão na internet já deve ter esbarrado com essa informação. A série é inspirada em um filme de 1973. Com isso, e muita teorias sobre a produção atual em mente é quase impossível não ficar curioso sobre Westworld – Onde Ninguém Tem Alma.

O argumento é o mesmo. Existe um parque de diversões que recria períodos distintos do tempo, usando robôs para povoar aqueles universo e satisfazer as vontades dos visitantes. A diferença está na complexidade. A trama do filme é muito mais simples apesar de compreender três parques, além do Westword (o "mundo do oeste" do título), também existem os mundos romano e medieval para os clientes escolherem.

Acompanhamos a visita do turista de primeira viagem Peter Martin (Richard Benjamin), e seu amigo já experiente John Blane (James Brolin) ao mundo do oeste. A dupla acaba comprando briga com o homem de preto Gunslinger (Yul Brynner), o que já era esperado na aventura do parque. Enquanto isso os técnicos do parque começam a falar de um defeito que se espalha entre os robôs como uma infecção. Mas mantém as atividades do parque normalmente.

Você já deve imaginar, que cedo ou tarde tudo desanda. E uma rebelião das máquinas acontece, centrada principalmente na figura de Gunslinger, o robô que interage com os protagonistas. A estes últimos resta tentar sobreviver.

A premissa já era excelente, mas a narrativa extremamente simples e com um final até decepcionante para quem criou muitas expectativas. Além do tempo limitado, o filme precisa contar toda a história em 88 minutos, acredito que a simplicidade se deve também à época de sua produção.

Os conceitos básicos estão lá, leis da robòtica, rebelião das máquinas, o limite da ética humana com relação as máquinas. Mas, em 1973 ainda não existia a evolução técnica necessária para contar esta história de forma contundente. Seja em efeitos especiais, apesar deste ser o primeio longa comercial à usar processamento digital de forma significativa (para mostrar o ponto de vista dos robôs), em complexidade narrativa, e principalmente em tecnologia.

Era o tempo dos computadores que ocupavam uma sala inteira. Tudo era criado com placas gigantescas e muitos fios. Tecnologia wireless, informação integrada por wifi, telas sensíveis ao toque, comandos de voz, são idéias que nem passavam pela cabeça do roteirista. Era o futuro tecnológico possível para alguém de 1973 afinal.

Logo o bate papo sobre as funcionamento do parque, hora soa antiquado, hora não faz sentido algum. Assim como as escolhas dos técnicos, que os põem em apuros sem necessariamente a interferência direta dos robôs. Talvez não se trate da revolução das máquinas apenas, mas sim da incapacidade do homem em administrar a própria criação.

E se você está achando injusto a inevitável comparação com a série de TV atual, fica a dica: é difícil não comparar e encontrar referências não apenas com a versão da HBO, mas com vários produtos de ficção-cientifica e até do western de diferentes épocas. Por exemplo, é difícil ignorar a aparência de Gunslinger muito parecida com a caracterização do personagem do próprio Yul Brynner em Sete Homens e um Destino (1960). Já seu andar duro e sua indestrutibilidade é semelhante a do Exterminador do Futuro. Enquanto seus olhos, brilham como os dos replicantes de Blade Runner. Referências anteriores e posteriores ao filme tem aos montes. quanto mais obras do gênero você assistir, mais temas vai reconhecer.

Westworld – Onde Ninguém Tem Alma é extremamente simples, e até visual e narrativamente datado e antiquado para os expectadores de 2016. Mas seu argumento e temas, criados por Michael Crichton (O Enigma de Andrômeda e Jurassic Park) continuam atuais. Que bom que a versão da HBO resgatou o argumento, colocando o original em evidência para que finalmente possamos redescobrir este filme curioso.

Westworld – Onde Ninguém Tem Alma (Westworld)
EUA - 1973 - 88min
Western/Ficção cientifica

Leia mais sobre Westword, a série.

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