segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Um olhar mais atento sobre Full House

Ainda estou no meio da maratona para colocar em dia os episódios de Full House (Três é Demais no SBT). Se você, como eu, assistia pela TV aberta provavelmente perdeu as duas primeiras e a última das 7 temporadas.
E mesmo se tratando de uma comédia despretensiosa para toda a família, um detalhe me chamou atenção: Full House era um retrato das mudanças de sua época. Calma, eu explico!

Apesar de não ser o argumento original (a ideia inicial era de uma casa povoada por humoristas), a série trazia três homens jovens criando três meninas. Verdadeiros "donos de casa" em treinamento, na TV, em 1987. Por mais que a situação existisse na vida real, era raro ver na TV crianças serem criadas sem uma figura materna. Seja uma avó, tia, amiga, empegada, interesse amoroso do pai, havia uma figura feminina por perto, especialmente se todas as crianças em questão fossem meninas. Esse formato de família disfuncional era incomum para a TV aberta e abriu portas para outras famílias sem patriarcas.

Fabi, mas e a Becky? - Calma, não esqueci do interesse amoroso do Tio Jesse que chegou na segunda temporada e acabou se tornando tia da garotada. É aí que está a parte curiosa, Rebecca era uma excelente profissional, mas uma péssima dona de casa. Ajudava sim, mas o "trabalho duro" continuava com os rapazes.

Tem ainda a iniciação ao "politicamente correto". Pense em outros produtos típicos dos anos 80. Marty McFly beija a própria mãe, Os Goonies trancam o Gordo com um cadáver no Freezer (isso para mencionar apenas os que lembrei de cabeça). Mas na TV o politicamente correto chegava mais cedo, e como muitas séries em Full House tudo era resolvido exageradamente com conversas compreensivas e muitos, muitos abraços. Uma criança apanhando como castigo, como vimos uma década antes em Arnold (Diferent Strokes) já era impensável.

Infelizmente quanto ao politicamente correto, ainda estamos acertando o tom entre o necessário e o exagero. Mas a expressão "Pãe" (Pai+Mãe), não é mais uma coisa tão estranha na sociedade. Óbvio, não estou dizendo que Full House é responsável pela mudança, porque não é! Esta aconteceria de qualquer jeito seguindo o curso que a sociedade escolhera. Mas é curioso perceber a série como um registro desse período de transição.

Agora vem Fuller House...
Inteligente e descaradamente recriando a série apenas invertendo os gêneros dos personagens. Agora temos três mulheres comandando a casa. Uma mulher sustentando a família não é novidade, nem na TV, nem na vida real. É fato! Mas estamos na era do empoderamento feminino e da diversidade. Será que a série vai como sua antecessora refletir nossos tempos?

Os muitos abraços, é claro, continuam...

Quanto a diversidade já deram um passo à frente, ao incluir Ramona na trama. A filha de Kimmy é bi-racial e bilíngue. Pode não parecer muito, mas já um começo considerando a profusão de pessoas loirinhas que era a série original.

Falta só descobrir como empoderar melhor DJ, Stephanie, Kimmy e Ramona. Que venha a segunda temporada, e se possível mais o retrato de uma época, escondido por trás de uma série despretensiosa e até meio bobinha!

O revival Fuller House  é uma série original Netflix tem 13 episódios, todos disponíveis na plataforma de streaming. Os 192 episódios das sete temporadas de Full House também estão disponíveis no serviço.

Leia mais sobre séries, e não deixe de ver nossas Informações úteis para sua maratona de Fuller House

2 comentários:

Andie20uns disse...

Não sabia que a original estava no netflix também... vai entrar na lista de próximas maratonas.. hehe :)

Fabiane Bastos disse...

Muitas maratonas, pouco tempo não é mesmo?

Valeu pela visita!

 
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