segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Narcos - 2ª temporada

A primeira temporada foi mais divertida. Essa é a primeira sensação que você terá ao assistir a temporada dois de Narcos. O que não significa que uma seja inferior a outra, mas que as duas tem tons surpreendentemente diferentes, apesar de serem um único trabalho. É fácil perceber o motivo da diferença, enquanto no primeiro anos acompanhamos por cerca de 15 anos a acensão, mesmo que com obstáculos de Escobar. Esta segunda parte é dedicada à sua vertiginosa queda, que levou apenas alguns meses.

Para você que pulou os anos de 1980 e 90, é jovem demais, ou dormiu nas aulas de história Pablo Emilio Escobar Gaviria (Wagner Moura) é, provavelmente, o narcotraficante mais famoso da história. Não apenas por seu império da cocaína que lhe rendeu espaço entre os milionários da revista Forbes. Mas por sua quase fantasiosa trajetória, tamanha extravagância. O absurdo inclui a construção, por ele mesmo, de sua prisão de segurança duvidosa e luxo máximo. É nos instantes seguintes à fuga de "La Catedral" que reencontramos Escobar.

Á partir daí a caçada ao traficante é o foco da série. E, além dos já conhecidos agentes da DEA Steve Murphy (Boyd Holbrook), e Javier Peña (Pedro Pascal, o Oberin Martell de Game of Thrones) e da polícia colombiana, há muita gente interessada no rei do tráfico. Desde gangues rivais até o governo "estadunidense". Como cada um vai interferir e impulsionar esta caçada que é a questão. 


Sempre pontuada por momentos onde a novelização abre espaço para imagens de arquivo da época. Conferindo certa veracidade às informações. além de um tom de documentário à produção. Sim, é uma adaptação, há licenças poéticas, mas a trama principal é verídica. Uma aula de história que, se não é 100% exata (mas está perto), vai inevitavelmente levar o expectador a pesquisar um pouco mais.

De fato, a liberdade narrativa fica por conta dos momentos de Escobar com sua família (esta obviamente não estaria disposta a servir de fonte para a série). Humanizando o protagonista em contraponto com o mito com que o resto do mundo conhece.  Sim, eventualmente você torcerá por ele em um momento ou outro. Ou quase vai acreditar em seu discurso, antes que a série resgate as imagens dos resultados das ações sanguinárias dele.


Nada disso funcionaria se produção e elenco não estivessem à altura do bem construído roteiro. Tecnicamente é exemplar, ao recriar o início dos anos 90 (a temporada se passa em 1992 e 1993), ao buscar locações reais, e combiná-las com elaboradas cenas de ação. De carro pelas ruas colombianas, a pé pelos telhados de Medelim, ou em luxuosas mansões do tráfico, tudo é pensado e executado para criar o melhor espetáculo possível para o expectador.

Já os atores, a maioria em sua segunda incursão no universo de Narcos, estão mais que confortáveis em seus papéis. Apresentando um desempenho ainda mais eficiente. Há quem até diga que o sotaque de Wagner Moura (único problema em seu desempenho na primeira temporada), melhorou. Pessoalmente não tenho conhecimento do idioma o suficiente para reclamar, então para esta blogueira que vos escreve, o que era bom ficou ainda melhor. Uma versão mais urgente, preocupada e extremada do personagem.

Narcos entrega uma segunda temporada, mais frenética, perigosa e grandiosa. Com uma surpreendente fidelidade á história real. Não fosse inapropriado para menores de 16 anos (classificação indicativa oficial), bem que poderia ser utilizado nas escolas. 

E para quem fica incomodado com o "spoiler" que a vida real dá, Pablo morre, o desfecho é sim surpreendente. Narcos pode sim sobreviver à morte do rei do tráfico. Afinal, não faltam candidatos à sua coroa. Vamos ao cartel de Cali!

Narcos é uma produção original da Netflix, tem duas temporadas de 10 episódios cada, ambas já disponíveis no serviço de streaming. 

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