quarta-feira, 20 de julho de 2016

A Lenda de Tarzan

Tarzan foi criado em 1912, virou livro em 1914. Logo em seguida ganhou novos volumes e desde então foi adaptado para as telas uma centena de vezes. Não é atoa que o órfão criado por macacos, faça parte do imaginário coletivo popular. Ao ponto de muita gente reconhecer o personagem apesar de nunca ter lido ou assistido algumas das obras citadas anteriormente. Talvez por isso também, que ninguém ache estranho o lançamento de A Lenda de Tarzan, cuja história se passa após a origem clássica do herói.

Fazem oito anos desde que Tarzan (Alexander Skarsgård) e Jane (Margot Robbie) estão casados e vivendo na Inglaterra. Quando é convocado pelo Primeiro Ministro (Jim Broadbent, em ponta de luxo) para se tornar emissário do Parlamento Britânico no Congo. Empenhado manter sua vida como Lorde Greystoke, o herói recusa inicialmente. Mas é convencido pelo americano George Washington Williams (Samuel L. Jackson), que lhes mostra que talvez haja um trabalho maior a ser feito. É claro, Jane os acompanha. E sua expedição é bruscamente interrompida pelos planos do corrupto Capitão Rom (Christoph Waltz). A partir daí, o longa segue em uma aventura selva à dentro, com animais inteligentes, tribos amigáveis e selvagens, tráfico de marfim e comércio de escravos.


Tarzan ensaia o conflito de evitar suas origens da selva e manter o legado de Greystoke como John Clayton III. Jane agora é americana, independente e avessa ao papel de donzela em perigo. George Washington Williams (sim, o nome é forçado) traz o enredo contra escravidão e escolhas ruins. Enquanto Christoph Waltz adiciona mais uma figura curiosa e eficiente em sua galeria de vilões.

O elenco é eficiente com Skarsgård adotando um Tarzan melancôlico, e um tanto travado ao ter que se ajustar seus modos e até porte físico aos modos britânicos. Já o empoderamento feminino de Jane, incomum na época mas pré-requisito para o cinema atual, não soa forçado, mas divertido com os trejeitos de Robbie. Mas os destaques ficam mesmo para Waltz e Jackson. Sim, é repetitivo rever o ator que roubou a cena em Bastardos Inglórios fazer mais um vilão excêntrico. Por outro lado, o ator o faz tão bem que não demoramos a deixar o detalhe de lado. Já Samuel L. Jackson, entrega sua personalidade carismática de sempre, e até encontra espaço para ser um alívio cômico eficiente quando preciso.


O desperdício fica por conta do papel limitado dado ao eficiente Djimon Hounsou (Chefe Mbonga). E a curiosidade é o ator Casper Crump (o Vandal Savage de DC's Legends of Tomorrow), como Capitão Kerchover, um mero capanga que vai passar sem ser reconhecido pela maioria.

Tudo isso acontece na velocidade de uma aventura projetada para se tornar um blockbuster de verão. Logo, sem grandes comprometimentos. Os conceitos e conflitos estão lá, mas não há muito tempo para discuti-los em cena. fica a cargo do expectador pensar neles, ou não.

CGI em grande escala é outro elemento obrigatório á um hit de verão. E este é até eficiente para os animais (embora não tão impressionantes quanto os que vimos em Mogli este ano). Mas, falha completamente na versão digital do protagonista. Quando Tarzan viaja por cipós ou tem cenas de ação complexas, temos certeza de que aquele não é Skarsgård. Outro ponto franco é a escolha do uso do 3D. A técnica apenas torna ainda mais escura a fotografia, já naturalmente com puoca luz, e é nula nas muitas cenas com pouca profundidade de campo. É desnecessária e torna algumas sequencias difíceis de compreender.

Curiosamente, as cenas mais interessantes são os flashbacks, que mostram o passado de Tarzan, sua infância na selva, seu encontro com Jane. Fazendo o expectador pensar porque está assistindo uma sequência de um filme que não foi produzido, e pensar que talvez o filme de origem devesse existir. Pois, apesar da centenas de versões, já era hora de apresentar um novo Tarzan e live-action para novas gerações. E talvez, com uma apresentação adequada, conseguíssemos nos apegar mais aos personagens. Enquanto essa pseudo-sequência poderia ganhar mais profundidade. Evitando essa sensação de é apenas mais uma aventura entre centenas.

A Lenda de Tarzan (The Legend of Tarzan)
EUA - 2016 - 110
Aventura

2 comentários:

Anônimo disse...

A luta acaba se tratando de salvar a quase indefesa Jane, pois de donzela está moça quase não tem. Eu realmente gostei da nova versão que fez Tarzan, eu acho que o elenco foi um grande sucesso, eu amei o casal que faz Margot Robbie e Alexander Skarsgard, neste filme. É evidente que a grande preparação que foi neste filme, não só no plano físico, porque foi Bajon uma dieta rigorosa, mas com grande esforço para desempenhar o papel de Tarzan. Eu acho que é o melhor remake que poderia ter sido feito.

Fabiane Bastos disse...

É aí que está, este filme não é um re-make. É uma continuação de uma história de origem que não foi feita. As sequencias de flashback do primeiro encontro de Jane e Tarzan são muito mais interessantes que a trama principal.

Obrigada pela visita!

 
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