sexta-feira, 29 de julho de 2016

Orphan Black - 4ª temporada

Após uma terceira temporada que aparava arestas e pontas soltas, Orphan Black retorna as suas origens em seu quarto ano. Literalmente, já que um longo flashback que ocupa quase todo o primeiro episódio ressuscita Beth (Tatiana Maslany). Sua investigação, seu suicídio e suas motivações voltam ao centro da atenção. 

Uma ótima escolha de resgate, uma vez que a  personagem morre no episódio piloto e tudo que sabemos sobre sua investigação é o que seu parceiro Arthur "Art" Bell (Kevin Hanchard) sabia. Ou seja, quase nada! Detalhes como a existência de M.K. (Tatiana Maslany) a clone haker, vivendo nas sombras desde então e os misteriosos planos ainda em curso da Neolution. O "campo de estudo"/sociedade secreta apresentado na primeira temporada, acredita que a ciência é o melhor caminho de aprimorar a humanidade.

Assim, Sarah (Tatiana Maslany), Kira (Skyler Wexler), Shioban (Maria Doyle Kennedy) e Kendall (Alison Steadman) são descobertas em seu esconderijo e estão de volta ao jogo. Este, agora sem excessos é bem explicado para o expectador: Leda e Castor, respectivamente linhagens feminina e masculina dos clones, são dois braços distintos do mesmo experimento. E tem a mesma origem genética Kendal Malone.

Logo, tanto a cura para a doença quanto o conhecimento para produzir novos clones depende do acesso à Kendall. A disputa é ente o "clube dos clones" que tentam eliminar sua doença, e os membros da Neolution que querem reiniciar a experiência com as cópias genéticas. Mantendo Sarah, Cosima (Tatiana Maslany) e Rachel (Tatiana Maslany) focadas no prêmio principal, embora de lados distintos.

Apesar de ainda em luto por Delphine (Evelyne Brochu), é ótimo finalmente ver Cosima ganhar espaço para desenvolver sua personalidade. Cientista brilhante em busca da própria cura, a personagem perdeu muito tempo sendo "a homossexual com uma complicada vida amorosa". A personagem é mais que seus romances ou opção sexual.

Enquanto isso Alison (Tatiana Maslany) e Donnie (Kristian Bruun), normalmente o alívio cômico e retorno ao cotidiano, agora ganham uma trama mais densa ao lidar com as consequências de suas atividades criminosas anteriores. Krystall (Tatiana Maslany) e M.K., aparecem pontualmente com informações especiais e atitudes que influenciam a trama principal diretamente. A esteticista apresentada no ano anterior, também assume grande parte do alívio cômico da trama, com seu estilo carismaticamente exagerado.

Os clones masculinos, não tão bem aceitos ainda estão presentes de forma moderada. Outra que perde espaço de tela é Helena (Tatiana Maslany), embora ainda haja tempo para que ela crie uma relação curiosa com Allison e Doonie.

Enquanto Felix (Jordan Gavaris) busca sua própria família biológica. E Kira (Skyler Wexler) começa a mostrar maior conexão com os clones. As histórias de ambos são a grande incógnita da temporada. Sem uma função clara, ou desfecho, será preciso esperar a próxima temporada para descobrir se foram desperdiçadas ou uma preparação para algo maior.


Outros destaques do elenco Rosemary Dunsmore, Cynthia Galant, Ari Millen e Jessalyn Wanlim. Mas as atenções continuam mesmo sobre Tatiana Maslany e seus múltiplos personagens. A contagem está em 22 clones, 8 com participação constante em cena. Todos com sua personalidade, maneirismos e história própria.

Orphan Black, ainda é uma história complexa e cheia de reviravoltas. Personagens aparecem e somem de acordo com a conveniência da trama. E Shioban ainda é pouco verossímil, sua conveniente ligação com Kendall, parece apenas desculpa para manter a instável personagem em cena. Entretanto a produção trouxe uma quarta temporada melhor elaborada, mais acessível (leia-se menos confusa) para o público. Continuando como uma das séries mais distintas em cartaz, com uma ficção-cientifica complexa, e inteligente, mas que não negligencia o fator humano. Afinal a parte mais interessante é descobrir as identidades únicas dos clones, e ver como elas interagem e criam laços.


À exemplo de seus personagens que tenta reinventar a humanidade rescrevendo seu genoma, a série encontrou o caminho para se reinventar. Reescreveu seu início apresentando eventos pré episódio piloto. Ficou mais coerente, e igualmente empolgante.

Desde Maio deste ano Orphan Black é uma produção exclusiva da Netflix no Brasil. A quarta temporada acaba de ser disponibilizada na íntegra no serviço e tem 10 episódios. Assim como, os três anos anteriores também disponíveis. Recentemente, os produtores anunciaram a confirmação da quinta e última temporada.

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quarta-feira, 27 de julho de 2016

O Bom Gigante Amigo

É comum gigantes serem retratados como criaturas de movimento lentos em filmes. Mas, em O Bom Gigante Amigo, não é o personagem título que se move devagar, e sim a trama.

A pequena e insone órfã Sophie (Ruby Barnhill) vislumbra um gigante (Oscar Mark Rylance, voz e captura de movimentos) pela janela em uma de sus noites em claro no orfanato. Por isso, a menina é sequestrada pela criatura que vagava incógnita pelas ruas de Londres. Na Terra dos Gigantes, criança e criatura começam a construir uma amizade, e Sofie descobre o trabalho de "caça sonhos" do seu raptor. A Síndrome de Estocolmo O laço entre a dupla fica mais forte quando a menina descobre que BGA (apelido para o nome que ela lhe deu, "Bom Gigante Amigo"), é atormentado pelos outros gigantes. Mas, a amizade é ameaçada porque os outros grandalhões gostam de devorar criancinhas.

Sofie cria um plano para solucionar a situação que envolve a habilidade de manipular sonhos de BGF e a rainha da Inglaterra. Tal plano, inclui as forças armadas, o que vai de encontro a motivação que inicia a trama. O gigante sequestra a menina por medo que ela o exponha e leve guerra à Terra dos Gigantes. Isto é exatamente o que ela faz, com a ajuda dele e da Coroa.

Esta é apenas uma das inconsistências na adaptação do livro homônimo de Roald Dahl, roteirizado por Melissa Mathison (é o último trabalho da roteirista de E.T. - O Extraterrestre, que morreu em 2015) e dirigido por Steven Spileberg. O longa traz uma promessa de retorno do diretor às aventuras lúdicas que marcaram sua carreira na década de 1980. Mas a produção tem um roteiro fraco e sonolento, enquanto grande parte da atenção parece estar voltada para o CGI, e o design de produção. Este último, é eficiente e caprichado como esperado de uma produção da Disney (primeira em parceria com Spielberg). Já a computação gráfica apesar de bem feita, é utilizada em excesso. Por isso não demora muito para perder o charme, e começar a soar falsa. 

Parceiro constante de Spielberg, John Williams cria uma trilha intrusiva, e que em vários momentos lembra muito a que o compositor criou para os primeiros filmes da franquia Harry Potter. A repetição é evidente e está longe da qualidade que o compositor costuma apresentar.


De volta ao roteiro, a história arrastada ganha um pouco de ritmo com a entrada das autoridades britânicas. Contudo, apesar de ser engraçado ver BGF tentando se adaptar aos costumes da terra da rainha e os humanos tentando encaixá-lo em nossos espaços limitados, toda a sequência evoca a obrigatoriedade de se adequar aos padrões da sociedade. Impossíveis para humanos, imagina para alguém de outra espécie. Além de encerrar com uma piada sobre flatulência. Ao menos, à partir daí o ritmo melhora o suficiente para acordar os pequenos.

Apesar de tudo o elenco é esforçado. A pequena Ruby Barnhill atua em tela verde (ou seja, com nada), por grande parte do filme. Enquanto Mark Rylance consegue passar uma bondade melancólica por trás do CGI que compõe BGA. Embora o jeito peculiar de falar do personagem possa confundir alguns, especialmente porque as legendas seguem os neologismos. Talvez as cópias dubladas se saiam melhor neste aspecto.  Já a excelente Penelope Wilton (de Doctor Who e Downtown Abbey) faz uma Rainha autoritária, porém doce.

Será que só eu fico lembrando de Merry, Pippin e Barbárvore quando ele resolve carrega-la assim?
Em tempos nostálgicos em que Strager Things relembra alguns dos melhores trabalhos do diretor com, e para, crianças, é triste ver o fraco O Bom Gigante Amigo, chegar aos cinemas com potencial e intenção de ser magico. Mas sendo apenas chato. Saímos da sala torcendo para que esta fase estranha do diretor passe de forma menos lenta que o andar de um gigante.

O Bom Gigante Amigo (The BFG)
Eua, Reino unido, Canadá - 2016 - 117min
Aventura, Fantasia
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segunda-feira, 25 de julho de 2016

Dica: fique atento a estes curtas nacionais!

Enquanto o pessoal se preocupa com as polêmicas da Lei Rouanet, com opiniões polêmicas, opostas, equivocadas, desnecessárias, entre outras. Há quem ainda tente fazer cinema por conta-própria, por puro amor a arte. Logo, fica aqui a dica de três curtas-metragem independentes para você conhecer.

Cinzas e Café
Roteiro e direção: Daniel Gravelli
Elenco: Andréa Schiavone, Michele Capri, Adriana Rabelo, Helga Nemeczyk, André Ramiro, Erom Cordeiro, Gustavo Maranhão, Neuza Rodrigues e Did Raychal.

Júlia, Vanessa, Barbara e Antônia são amigas desde de sempre e nunca existiu nada que, juntas, elas não conseguissem superar. Até que uma notícia avassaladora promete mudar suas vidas. Uma história sobre medo, amor e determinação.

Confira o trailer:




Soldado de uma guerra vazia
Direção: Paulo Olivera
Roteiro: Daniel Gravelli
Elenco: Daniel Gravelli, Ian Konder, Cesar Castro, Yuri Izar e Selton Ribeiro

E, se a vida que você leva não for nada daquilo que você pensa?! E, se o seu mundo for um completo emaranhado de incertezas?! Soldado de uma guerra vazia explora a história de um homem perdido em meio as marcas deixadas pelo tempo e a contínua luta contra si mesmo diante seus maiores medos.

Confira o trailer:



A delirante historia de um homem morto
Roteiro e direção: Daniel Gravelli
Elenco: Helga Nemeczyk, Paulo Olivera, César Castro, Yuri Izar e Kalani Serimarco Carvalho

Até onde você iria em busca de liberdade? Um homem se vê vítima de mentiras e histórias mal contadas que o leva a viver toda vida preso sob circunstâncias inimagináveis. Um segredo guardado durante anos, uma mãe impondo sua criação e o explosivo momento da verdade que ressalta a linha tênue entre o amor e a obsessão.

Confira o trailer:


Ficou interessado? Quer saber como e onde assistir? O Cinzas e Café tem sua própria página do Facebook, basta seguir. Para descobrir mais sobre Soldado de uma guerra vazia e A delirante historia de um homem morto, acompanhe a página da produtora dos curtas, a  Wallaroo Corp

#FicaADica
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sexta-feira, 22 de julho de 2016

Stranger Things - 1ª temporada

Uma cidadezinha do interior, um grande mistério, coisas estranhas que apenas crianças munidas de estilingues, walkie-talkies e bicicletas percebem. E claro, uma grande jornada da qual a maioria dos adultos está alheia. Não, não é um filme de Spielberg. Tão pouco uma adaptação de Stephen King, ou um clássico esquecido da sessão da tarde nos anos de 1980 (mas, isso você vai perceber logo que os efeitos especiais não corresponderem a estética da época, mas eles são a exceção).

Estou falando de Stranger Things, série original da Netflix liberada na última sexta-feira (15/06). E "maratonada" por uma multidão empolgada logo em seu primeiro fim de semana.

Will Byers (Noah Schnapp) desaparece misteriosamente na pequena cidade Montauk, Long Island. Autoridades, família e comunidade procuram o menino através dos métodos tradicionais, mas seus melhores amigos Mike (Finn Wolfhard), Lucas (Caleb McLaughlin) e Dustin (Gaten Matarazzo) também saem a sua procura. Aficionados por Tolkien, RPG, cinema, música e a cultura pop de sua época, a série se a passa nos anos 80, a criançada não demora muito para perceber que o desaparecimento do amigo não é tão comum assim. A situação complica mais ainda com o aparecimento da estranha Onze (Millie Brown). Enquanto as crianças investigam Joyce Byers (Winona Ryder), a desesperada mãe de Will também começa a duvidar da eficiência dos "métodos tradicionais" no caso de seu filho e presenciando ocorrências estranhas.
Diversão sem eletrônicos. Sim crianças, isso existe!!!
Embora Winona Ryder esteja muito bem em seu papel de mãe solteira no limite. É o elenco infantil o verdadeiro destaque da trama. Com excelentes atuações, os atores mirins caem de cabeça na recriação de uma época que sequer viveram, ao se aventurar por aí com bicicletas, travar intensas batalhas de Dungeons and Dragons. E principalmente, nas discussões e conversas sinceras que apenas a amizade da infância proporciona. Estas vão de assuntos mais simples, como a melhor estratégia para vencer um jogo, à conspirações, conceitos ciêntíficos políticas e relacionamentos. Sempre de forma simples, honesta e crível, mesmo quando crianças de onze anos tentam explicar buracos de minhoca.

Enquanto Mike, Lucas e o impagável Dustin "toothless" (cuja doença que atrasa o crescimento dos dentes realmente existe), evocam a amizade e aventuras de uma década. É Millie Brown, intérprete de Eleven (ou Onze) quem tem a tarefa mais complicada. Desprovida de vivência em sociedade e até de vocabulário, a menina precisa expressar quase sem palavras tudo que sua personagem sente. O resultado é uma atuação intensa e surpreendente, para contar a história triste e cheia de segredos da garota.


E como se a ambientação, os gostos e referências dos personagens não fossem nostálgicos o o suficiente, os criadores da série Matt e Ross Duffer admitiram que o trabalho é altamente influenciado por obras dos anos 80. Assim não faltam referências à E.T., Conta Comigo, Poltergeist, Goonies, Contatos Imediatos de Terceiro Grau, entre outras diversas obras que marcaram época. Acertando ao selecionar as melhores coisas de cada um deles. Some aí também a trilha sonora escolhida à dedo, também sobre essa influência nostalgia.

O ritmo do suspense, que também remete à obras da época, pode causar estranheza nos mais jovens, especialmente nos primeiros episódios. Nada que comprometa o interesse, ou o ritmo da narrativa. Esta por sua vez pode soar desprovida de grandes surpresas, para quem conhece as inúmeras referências. Sim, podemos deduzir o caminho, mas isso em nada diminui a graça da aventura.

Além de Ryder e das crianças, o elenco também conta com David Harbour (Chefe de polícia Hopper), Matthew Modine (Dr. Martin Brenner). Charlie Heaton e Natalia Dyer respectivamente Jonathan Byers e Nancy são os adolescentes envolvidos, que também tem seu espaço no mistério.

Uma excelente surpresa Stranger Things, é uma releitura/homenagem à uma década que já se foi. Gera curiosidade nos mais novos, e muita nostalgia em quem de alguma forma vivenciou aquela realidade. Além de ser muito bem produzido e trazer ótimas recomendações.

A série tem apenas oito episódios (em maratona, a sensação é de estar vendo um filme um pouco mais longo), com cerca de uma hora cada, todos disponíveis na Netflix. A segunda temporada foi confirmada antes mesmo da estréia da produção, mas ainda sem data de estreia.


Leia mais sobre séries, e confira outras produções da Netflix. Ou ainda releia a resenha de Super 8, que traz o mesmo tom nostálgico oitentista de Stranger Things
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quarta-feira, 20 de julho de 2016

A Lenda de Tarzan

Tarzan foi criado em 1912, virou livro em 1914. Logo em seguida ganhou novos volumes e desde então foi adaptado para as telas uma centena de vezes. Não é atoa que o órfão criado por macacos, faça parte do imaginário coletivo popular. Ao ponto de muita gente reconhecer o personagem apesar de nunca ter lido ou assistido algumas das obras citadas anteriormente. Talvez por isso também, que ninguém ache estranho o lançamento de A Lenda de Tarzan, cuja história se passa após a origem clássica do herói.

Fazem oito anos desde que Tarzan (Alexander Skarsgård) e Jane (Margot Robbie) estão casados e vivendo na Inglaterra. Quando é convocado pelo Primeiro Ministro (Jim Broadbent, em ponta de luxo) para se tornar emissário do Parlamento Britânico no Congo. Empenhado manter sua vida como Lorde Greystoke, o herói recusa inicialmente. Mas é convencido pelo americano George Washington Williams (Samuel L. Jackson), que lhes mostra que talvez haja um trabalho maior a ser feito. É claro, Jane os acompanha. E sua expedição é bruscamente interrompida pelos planos do corrupto Capitão Rom (Christoph Waltz). A partir daí, o longa segue em uma aventura selva à dentro, com animais inteligentes, tribos amigáveis e selvagens, tráfico de marfim e comércio de escravos.


Tarzan ensaia o conflito de evitar suas origens da selva e manter o legado de Greystoke como John Clayton III. Jane agora é americana, independente e avessa ao papel de donzela em perigo. George Washington Williams (sim, o nome é forçado) traz o enredo contra escravidão e escolhas ruins. Enquanto Christoph Waltz adiciona mais uma figura curiosa e eficiente em sua galeria de vilões.

O elenco é eficiente com Skarsgård adotando um Tarzan melancôlico, e um tanto travado ao ter que se ajustar seus modos e até porte físico aos modos britânicos. Já o empoderamento feminino de Jane, incomum na época mas pré-requisito para o cinema atual, não soa forçado, mas divertido com os trejeitos de Robbie. Mas os destaques ficam mesmo para Waltz e Jackson. Sim, é repetitivo rever o ator que roubou a cena em Bastardos Inglórios fazer mais um vilão excêntrico. Por outro lado, o ator o faz tão bem que não demoramos a deixar o detalhe de lado. Já Samuel L. Jackson, entrega sua personalidade carismática de sempre, e até encontra espaço para ser um alívio cômico eficiente quando preciso.


O desperdício fica por conta do papel limitado dado ao eficiente Djimon Hounsou (Chefe Mbonga). E a curiosidade é o ator Casper Crump (o Vandal Savage de DC's Legends of Tomorrow), como Capitão Kerchover, um mero capanga que vai passar sem ser reconhecido pela maioria.

Tudo isso acontece na velocidade de uma aventura projetada para se tornar um blockbuster de verão. Logo, sem grandes comprometimentos. Os conceitos e conflitos estão lá, mas não há muito tempo para discuti-los em cena. fica a cargo do expectador pensar neles, ou não.

CGI em grande escala é outro elemento obrigatório á um hit de verão. E este é até eficiente para os animais (embora não tão impressionantes quanto os que vimos em Mogli este ano). Mas, falha completamente na versão digital do protagonista. Quando Tarzan viaja por cipós ou tem cenas de ação complexas, temos certeza de que aquele não é Skarsgård. Outro ponto franco é a escolha do uso do 3D. A técnica apenas torna ainda mais escura a fotografia, já naturalmente com puoca luz, e é nula nas muitas cenas com pouca profundidade de campo. É desnecessária e torna algumas sequencias difíceis de compreender.

Curiosamente, as cenas mais interessantes são os flashbacks, que mostram o passado de Tarzan, sua infância na selva, seu encontro com Jane. Fazendo o expectador pensar porque está assistindo uma sequência de um filme que não foi produzido, e pensar que talvez o filme de origem devesse existir. Pois, apesar da centenas de versões, já era hora de apresentar um novo Tarzan e live-action para novas gerações. E talvez, com uma apresentação adequada, conseguíssemos nos apegar mais aos personagens. Enquanto essa pseudo-sequência poderia ganhar mais profundidade. Evitando essa sensação de é apenas mais uma aventura entre centenas.

A Lenda de Tarzan (The Legend of Tarzan)
EUA - 2016 - 110
Aventura
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segunda-feira, 18 de julho de 2016

Bates Motel + Escape60

Se você já se interessou um pouco que seja por jogos de computador, provavelmente já se deparou em algum momento com um room escape. Um desafio onde o jogador se encontra preso em um aposento misterioso e precisa encontrar as pistas que o o ajudem a escapar. Mais populares no estilo point and click, já existiam e frustavam pessoas desde a época do MS-DOS.

A novidade agora, é a versão no mundo real do desafio. O Escape 60' traz diversas salas temáticas das quais os jogadores (em grupos de 4 à 16 pessoas) precisam escapar em 60 minutos. Trabalhando em equipe, seguindo pistas desvendando enigmas e tentando não se desesperar com o contador regressivo gigante na parede. A brincadeira surgiu há três anos na Ásia, e já atravessou a Europa e os Estados Unidos antes de chegar em território brasuca.

Quem participa afirma, é como fazer parte de um filme de detetive. Mas, caso isso não seja suficiente para você, caro cinéfilo, a rede de jogos e o canal Universal fizeram uma parceria e criaram uma sala inspirada na série Bates Motel, celebrando a chegada da quarta temporada da série. Agora você pode se hospedar em um dos quartos do famoso hotel de Psicose e descobrir se se sairia bem neste mundo.

Um crime aconteceu na pacata só que não White Pine Bay, você e seu grupo são os principais suspeitos. E se encontram presos (trancados de verdade) em uma das suítes do Motel Bates, com a polícia à caminho. Em 60 minutos o xerife Romero deve chegar e efetuar sua prisão à menos que você prove sua inocência com as pistas encontradas no quarto.

E isso é tudo que posso contar, sem estragar a brincadeira. Conhecer a série de TV e o clássico de Hitchcock ajuda, mas não é pré-requisito para se divertir. E acredite você vai se divertir, mesmo que não fosse fã desse tipo de jogo na versão digital. E também não fique chateado se não conseguir desvendar todas as pistas, é difícil mesmo. Além de uma ótima desculpa para brincar novamente. Eu já estou morrendo de vontade de voltar.

A sala exclusiva de Bates Motel no Rio de Janeiro fica na filial de Copacabana por aproximadamente três meses. Também há uma versão na Vila Olímpia em São Paulo.

A nova temporada de Bates Motel estreia hoje (18/07) no Universal Channel. Leia as resenhas de todas as temporadas anteriores e outros posts sobre a série aqui.
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sexta-feira, 15 de julho de 2016

Fã de carteirinha: Orphan Black

Se tem uma coisa que impressiona em Orphan Black, é a capacidade de Tatiana Maslany em se transformar em múltiplas personagens. A construção não é tão simples, a moça tem uma esquipe para ajudar (leia mais aqui), e os efeitos especiais são caprichados.

Ainda sim, o trabalho impressiona até quem trabalha na produção. Ok! Admito, estamos falando de uma criança, possivelmente de fácil impressionabilidade. Mesmo assim, essa fã de carteirinha em questão se esforçou para provar que curte a série.

Cynthia Galant, interprete de Charlote, a mais jovem dos clones, e de todas as versões infantis entrou na onda e fez sua própria versão da "Clone Dance Party", que encerra a segunda temporada da série. É claro, interpretando mini versões de todos os clones adultos, Sarah, Cosima, Alison e Helena. Só faltou mesmo o Félix.



Gostou da versão mirim da festa dançante dos clones? Então aproveite para conferir como a cena original foi criada para a série. Uma cena que levou dias para ser gravada, e traz uma incrível interação entra as personagens.

Ao final do vídeo, é possível conferir a equipe inteira do programa celebrando o final do trabalho complexo. Incluindo as dublês das personagens devidamente caracterizadas. Ganha um doce, quem encontrar a verdadeira Tatiana Maslany* ali no meio.



*Fica a dica: Maslany está perto de Skyler Wexler interprete da pequena Kira. Olhos atentos!

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quarta-feira, 13 de julho de 2016

Caça-Fantasmas

Se você tem menos de 25 anos é provável que não saiba para quem ligar caso haja algo estranho em sua vizinhança. E como vivemos na era dos remakes, tal situação não poderia continuar por muito tempo. Logo, é a vez de uma nova geração de Caça-Fantasmas chegar aos cinemas.

A retomada da franquia tem dois objetivos bastante claros, distintos e comuns à refilmagens e sequencias: apresentar o universo para novas gerações e cativar as antigas pela nostalgia. Esta última, uma tarefa complexa considerando o carisma dos filmes da década de 80. As produções são adoradas não apenas pelo roteiro e efeitos especiais, mas pelo time de humoristas que o estrela. Três décadas mais tarde, reunir o antigo elenco não é tão simples. Assim como recrutar um novo time de humoristas que evite comparações.

A solução foi abandonar os acontecimentos anteriores (mas não a identidade da franquia) e reiniciar a história. Além de subverter os gêneros, invertendo a dinâmica e as piadas sexistas que os anos 80 permitiam, e ainda aproveitar a onda de empoderamento feminino, que invadiu a tela grande. Agora as protagonistas são mulheres, a secretária "sex simbol" desprovida de cérebro é um interprete de super-herói da moda. E Nova York ainda não descobriu o sobrenatural.

Erin Gilbert (Kristen Wiig) está prestes a conseguir o emprego de sua vida, mas tem seus planos arruinados pelo relançamento de um livro que escreve anos atrás com a antiga amiga, Abby Yates (Melissa McCarthy). Ao mesmo tempo ocorrências paranormais começam a acontecer por toda a cidade. Jillian Holtzmann (Kate McKinnon) é a atual parceira de pesquisas de Abby. Já Patty Tolan (Leslie Jones) conhece a cidade como ninguém e resolve adicionar seus conhecimentos ao grupo, apoós presenciar uma atividade paranormal.

Com o time formado, o longa segue uma divertida trama, digna de Scooby Doo, mas com monstros reais. Autoridades atrapalhando o serviço, um bem elaborado "papo cientifico sobrenatural" e muitas, muitas referências. Aos filmes originais, à filmes de fantasmas e a cultura pop como um todo.

As referências aliais, são parte importante da construção da nostalgia. Esta conta com participações especiais pontuais, velhos monstros conhecidos, e até trechos da icônica música tema inseridos nos diálogos. Escancarados ou escondidos, os detalhes vão entreter os fãs de todos os níveis.

A dinâmica entre as protagonistas é eficiente, e individualmente elas são excelentes. E, embora, as mais conhecidas Wiig e McCarthy puxem a trama, não falta espaço para McKinnon e Jones mostrarem à que veio. Todas tem sua função e espaço no grupo, e mais importante: personalidade própria. Felizmente fugindo da fácil e preguiçosa recriação dos personagens de Bill Murray, Dan Aykroyd, Harold Ramis e Ernie Hudson em versão feminina.

Se houve polêmica por causa da escalação feminina, nem as protagonistas nem a produção ligam. Fazem piada inteligentes com o absurdo, à começar por sua "secretária". Kevin (Chris "Thor" Hemsworth), este sim uma recriação invertida assumida da versão original, que surpreende quem acreditava que o ator não teria timing para comédia.

Com o avanço da tecnologia à seu favor, os efeitos especiais são bem produzidos. As criaturas são horripilantes e engraçadas na medida certa. Há quem fique incomodado porém com o excesso de gosma em cena. Mas vale lembrar, que a produção tem que agradar também a criançada acostumada a banhos de gosma nas premiações da Nickelodeon. Gosma atirada na tela nos leva direto ao 3D que é eficiente e recomendado.

Existem cenas durante quase toda a sequência de créditos, o que inclui até um mini-vídeoclipe. Além de uma cena pós-créditos. Logo, não saia correndo da sala. E já que estamos no momento das dicas também aproveite para esquecer o trailer ruim e as polemicas sexistas. Você veterano, não vai ter sua infância estragada, vai até sentir aquela nostalgia gostosa. Já os novatos finalmente vão descobrir para quem ligar. Soa clichê, mas é diversão para todas as idades!

Caça-Fantasmas (Ghostbusters)
EUA - 2016 - 116min
Ação, Comédia , Fantasia
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