quarta-feira, 29 de junho de 2016

Procurando Dory

Sem "querer querendo", Dory roubou o primeiro filme que apareceu, Procurando Nemo (2003) para ela. A peixinha com perda de memória recente e cheia de carisma interpretada por Ellen DeGeneres é a melhor coisa de um filme muito bom. Treze anos depois ela é o centro da atenção, e não vai deixar que ninguém roube seu longa metragem.

Nós precisamos esperar mais de uma década, mas para os peixes do recife só se passou cerca de um ano desde a grande jornada de Marlin (Albert Brooks/Júlio Chaves) e Nemo através dos oceanos. E Dory com sua "nova família", quando um insight de seu passado e lembra que tem pais. Tão determinada quanto desmemoriada, a peixinha azul decide fazer de tudo para reencontrá-los, e arrasta Marlin e Nemo com ela. Adivinhou quem imaginou que essa nova jornada vai ser tão longa, perigosa e louca quanto a primeira.

Sim esta é basicamente a premissa de Procurando Nemo invertida. Enquanto no primeiro filme acompanhamos um pai superprotetor à procura de seu filho. Agora e uma filha que sai em jornada em busca dos pais. A diferença são as situações no caminho. Mas o tema continua o mesmo, a importância da família, seja ela a biológica Jenny (Diane Keaton) e Charlie (Eugene Levy), ou a adquirida pelo caminho Nemo e Marlin.
Outra diferença é quem enquanto no filme de 2003, sabíamos onde Nemo estava (no aquário do pior dentista do mundo no nº42 da Wallaby Way em Sydney). Não fazemos ideia do paradeiro dos pais de Dory, ou mesmo se o casal ainda está vivo. Tudo que sabemos sobre eles, vem de lembranças ativadas na memória da protagonistas por referências aleatórias.  O uso constante destes flashbacks é a novidade narrativa na franquia essencial para o desenvolvimento da trama, já que Dory é movido por eles.

Entre os muitos encontros obrigatórios nesse tipo de jornada, alguns velhos conhecidos em pontas especiais, e muitos novos personagens para se apegar. O destaque fica com o polvo mal-humorado Hank (Ed O’Neill/Antônio Tabet), que além de sua personalidade ambígua é um excelente meio para que Dory possa passear em terra firme, já que a interferência humana na aventura é ainda maior. Mesmo que os humanos não façam ideia da jornada que se desenrola à sua volta.


Outros destaques são os leões marinhos vividos por Idris Elba e Dominic West, Bailey, beluga Bailey (Ty Burrell), e a tubarão baleia Destiny (Kaitlin Olsen). Leu "baleia" e pensou em seu idioma? Sim o "baleiês" está de volta! Assim como muitas das piadas que funcionaram no original, como os esquecimentos repetitivos de Dory, a traumática interação com humanos e a super-proteção de Marlin. O peixe palhaço e seu filho Nemo no entanto, tempo pouco destaque neste longa, coadjuvantes de luxo.

Com 13 anos de aprimoramento, a qualidade da animação e seu realismo (na medida, que peixes falantes permitem, é claro) ficou ainda mais impressionante. Seja no colorido coral lar de Nemo, seja em águas mais poluídas, ou ainda em terra firme, entre humanos, tanques e aquários. Também excepcional está a versão nacional, que traz de volta as vozes originais de 2003, e acerta nas novas escolhas. As atenções, no entanto, provavelmente estarão voltadas para Marília Gabriela, e sua bem humorada participação. No original a voz é de Sigourney Weaver.

Procurando Dory como bom filme da Disney/Pixar, traz boas mensagens para a molecada. E desta vez sem lembra de reforçar a mensagem ambiental, em alguns momentos com enormes placas explicativas. Uma vez que alguns incidentes desagradáveis* foram relacionados ao primeiro filme na época de seu lançamento.

O longa  não traz uma proposta extremamente original, e é sustentado principalmente pelo carisma de seus personagens. Mas, é muito bem produzido e a narrativa é eficiente. Em outras palavras diverte, independente da idade. É uma sequência sim, e não está livre de falhas. Mas está mais perto da eficiência de Toy Story 3  (a trama dos brinquedos ainda é emocionalmente superior), que do desnecessário Carros 2.

Fica a dica: Não chegue atrasado para não perder o curta Piper, exibido antes do filme. E fique até o final dos créditos!

Procurando Dory (Finding Dory)
EUA - 2016 - 100min
Animação

*Na época do lançamento de Procurando Nemo, aumentou nos Estados Unidos, a procura por peixes palhaço, uma espécie em extinção. Enquanto isso muitas criancinhas causaram problemas tentando libertar seus peixinhos dourados, através da privada. Neste longa não há menções à fugas no banheiro, mas a espécie da protagonista, cirurgião-paleta (sim isso é nome de peixe), é ainda mais ameaçada que os peixes palhaços, já que são incapazes de se reproduzir em cativeiro.

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