segunda-feira, 27 de junho de 2016

Adaptar é bem diferente de criar...

E a grande pergunta de minha resenha sobre a temporada anterior de Game of Thrones, foi respondida. A série chegou primeiro, e muito antes diga-se de passagem, que o sexto livro da saga na qual é baseada. Mas tudo bem, pois George. R. R. Martin,  revelou o final de sua extensa e não acabada epopéia para os produtores da série de TV. Certo?
Escudo casa Mormont, de um dos 62 homens de Lady Lyanna!
Errado!  Nesta sexta temporada, ficou a impressão de que o autor deveria ter revelado também detalhes das jornadas que vão culminar no final da série. A sensação é que não apenas a série está se encaminhando para o fim da história, como está com pressa em fazê-lo. Para isso, além das outrora bem vindas e necessárias alterações, personagens somem e reaparecem sem explicação, outros retrocedem em suas narrativas, há aqueles ainda que mudam de habilidades ou personalidade a cada episódio. 

Tudo isso arrumado de forma a causar maior impacto no expectador, o resultado foram cinco primeiros episódios intensos. Seguido de outros três de morna construção de trama. Antes do sempre decisivo episódio nove, e o season-finale, que pela primeira vez faz mais que apenas colocar pontos finais. Uma temporada desequilibrada, com um ritmo estranho que conseguiu animar e frustar os fans quase na mesma proporção. O que a série ganhou em ação perdeu no detalhismo daquele universo, nas tramas e intrigas (tudo ficou mais simples, algumas coisas simples demais). E mais preocupante, se perdeu nas motivações dos personagens.

Muita gente está agindo diferente de suas personalidades até aqui, independente de seu crescimento ao longo das jornadas até aqui. Jaime parece ter esquecido toda sua jornada com Brienne, e até o traumático episódio com a Myrcella. Retrocedeu voltando a ser submisso a Cersei, que todos sabem não foi tão fiel ao irmão quanto ele à ela. Já a rainha mãe é inconstante em seus atos, hora agindo com cautela, hora assumindo sua personalidade impulsiva natural.

A experiente Olena Tyrel se deixa levar pelas emoções. E enquanto isso ninguém presta atenção no suscetível Tommen, engolido pela enfadonha trama do Alto Pardal. Sério, alguém devia vigiar o moleque todo o tempo!

Do outro lado do mundo decidiu-se que a habilidade de Daenerys de resistir às chamas, não fora um momento de convergências especiais, (como já explicado pelo autor: "cometa+sacrifício+ovos=dragões"), e a moça faz uso dele como estratégia de conquista. A ideia é mostrar a ameça de ela se tornar uma nova versão de seu pai, o Rei Louco. Enquanto isso Tyrion pela primeira vez não tem muito o que fazer, a não ser segurar as pontas o melhor possível e esperar, enquanto bebe e faz piadas.

Quem trabalhou muito foi John Snow, que voltou dos mortos, encerrou sua vigília na patrulha, reencontrou a menos favorita irmã e saiu em campanha por aliados. Antes de quase morrer novamente na excepcionalmente bem filmada "Batalha dos Bastardos", tudo isso com a ajudar de Sor Davos e Melisandre, que pararam de se odiar por um tempo conveniente, antes de voltarem à antiga "treta". Infelizmente todo seu trabalho foi eclipsado pela ascensão de Sansa como dona de si, fazendo acordos por conta própria e ficando com os louros. E a dúvida se esta será, ou não manipulada novamente por Mindinho.


Arya levou anos treinando diversas técnicas, conheceu todo tipo de gente, se preparou para ser caçada pelos homens sem rosto. Mas, esqueceu isso durante um singelo momento para observar o Gigante de Braavos, e quase perdeu a vida por isso. Aliais, como não se questionar a capacidade da garota se manter viva, apos o atentado, cair no sujo rio da cidade e praticar parkour, quando seu meio irmão morreu por atentado semelhante. E Areo Hotah, guerreiro adulto com o dobro do tamanho da menina, perdeu a vida instantaneamente para uma "canivete".

O que nos leva a trama de Dorne, que nesse caso, é quase inexistente. Não deu certo na temporada anterior, vamos mostrar o mínimo deste núcleo, mesmo que não faça sentido algum. O desperdício de Dorne, trama completamente diferente e mais interessante nos livros, continua sendo uma das maiores perdas da série.

Mas não é apenas de perdas e controvérsias que se faz Game of Thrones.  No ano mais cheio de fan-service, dede seu início. A série retomou o núcleo dos Greyjoy sem a enrolação que este tem nos livros. Trouxe de volta a irmandade sem bandeiras, e confirmou a teoria sobre a "não-morte" do cão de caça.

Também reencontramos Peixe Negro, Edmure Tully e os Frey. E assistimos a um novo encontro entre Jaime e Brienne, apesar da identidade confusa do moço.

Nada mais impactante que o retorno do núcleo de Bran, o Stark que caiu tirou uma folga de uma temporada "para treinamento". Mas perdeu a aula de "não se meter com os vilões", e causou muitas confusões uma das mortes mais sentidas da série. Quando a audiência percebeu que a vida do doce Hodor tinha uma função apenas. Mas antes de nos recuperarmos disso, a série trouxe Tio Benjen de volta. Desaparecido desde a primeira temporada o patrulheiro, assumiu também funções de Mãos Frias, personagem cortado da série. E não podemos esquecer das discussões sobre viagens no tempo e mudanças na linha narrativa que as habilidades de Bran criaram.

Ainda vimos Danny finalmente domar seus dragões e resolver partir para Westeros, coisa que prometia fazer desde a primeira temporada. E faz todo sentido assistir à Arya redescobrir sua identidade quando tenta se tornar ninguém (talvez na série não fique tão evidente pois garota adota apenas um outro nome o de menino, quando fingia ser um, mas nós livros ela tem tantos nomes quanto Danny tem títulos), apesar da execução do arco deixar à desejar.

Melisandre revendo seus conceitos, John voltando a vida e se unindo à Sansa, para a derrocada do mais malvado dos malvados. E adoramos descobrir uma infinidade de detalhes pelos olhos de Bran (meu favorito? o vislumbre do Rei Louco).


Em outras palavras, a temporada está recheada de momentos marcantes, que adoramos e esperamos muito para ver (os leitores esperaram apenas 20 anos, para descobrir o que se passou na Torre da Alegria). Infelizmente estes bons momentos, vieram quase na mesma quantidade daqueles que nos frustaram, como a morte sem sentido de Verão (animais tem instintos melhores), o retrocesso de Jaime ou a trama estranha de Arya. Aparentemente série acertou e errou quase mesma proporção, felizmente os pontos positivos ganharam!

Só faltou mesmo trazer Gendry de volta. E explicar as habilidades de teletransporte, que passaram de Mindinho para Varys e Arya. O careca leva um episódio inteiro para ir até Dorne, mas apenas um par de cenas para voltar a Meeren. Enquanto Arya faz em menos de um episódio o trajeto que levou, toda a quarta temporada para cruzar ao lado do Cão de Caça. Mostrar por onde anda Brienne, Cão de Caça e a situação da patrulha que deve ter uns 15 membros agora e por onde anda Fantasma (assumidamente desaparecido por questões de orçamento), foi o que ficou faltando neste último episódio. Mas talvez, eu seja muito exigente.

E alguém mais aí teve a sensação de que a trama está deixando de se passar em uma sociedade patriarcal? As mulheres estão comandando tudo, de Danny, passando por Dorne até a pequena (e melhor Lady) Lyanna Mormont.

É. Talvez criar emoções conflitantes e grandes dúvidas, seja o objetivo afinal (o efeito da série literária é esse, mas os meios são mais eficientes). A esta blogueira que vos escreve, parece que estão correndo para terminar de contar a história. Ou que não tem informações e detalhes suficientes para preencher as lacunas e tornar tudo mais rico. O anúncio de que as próximas temporadas serão mais curtas, apenas reforçam esta ideia e tornam a espera pelo sétimo ano ainda mais dolorosa!

O jeito é acalmar os ânimos, lidar com os sentimentos conflitantes e se contentar com as reprises até 2017. Até porque o inverno finalmente já chegou. A longa noite está para chegar, e nós começamos a nossa vigia!

Game of Thones é exibida pela HBO, simultaneamente com a estréia nos Estados Unidos.

Leia mais:  textos da segunda, terceira,  quarta e quinta temporadas, sobre  Game of Thrones - The Exhibition no Brasil, e mais tudo que já foi dito sobre a série no blog.

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