segunda-feira, 23 de maio de 2016

Alice Através do Espelho

Era inevitável, apesar da reação morna de público e crítica, Alice no País das Maravilhas de 2010, fez muito dinheiro (em parte graças a tecnologia 3D), e uma vez que existe um segundo livro, haveria uma sequencia. A parte complicada vem com o fato do primeiro filme dirigido por Tim Burton, não ser exatamente fiel à obra de Lewis Carroll. De fato, esta primeira aventura na tela grande se passa 13 anos após a história original, já seria a segunda visita de Alice ao submundo e trazia referências dos dois livros.

Consequentemente, também não haveria como esta sequencia ser fiel à Alice Através do Espelho. Logo, a não ser pelo título, essa trama segue caminhos próprios ampliando as partes favoritas do filme de 2010, e criando uma nova aventura naquele mesmo universo.

O Chapeleiro está doente (Johnny Depp), é claro, Alice (Mia Wasikowska) é a única capaz de ajudá-lo. Para tal ela precisa viajar no tempo, para corrigir algumas coisas. Como se brincar no tempo não fosse perigoso o suficiente, no País das Maravilhas o Tempo, não é apenas uma dimensão, mas um personagem vivido por Sacha Baron Cohen. Adivinhou quem achou que ele não vai gostar de ter sua continuidade violada.
Em casa, Alice que seguia os passos do pai no comércio marítimo, precisa lidar com uma sociedade que ainda não está pronta para lidar com sua independência. Tentando, recoloca-la em seu "papel de mulher" à sombra dos homens. Os argumentos são bastante interessantes, luta contra uma sociedade machista, aceitar erros do passado, família e claro as consequências de alterar o tempo. Mas seu desenvolvimento é simplista e deixa escapar muitas oportunidades.

Assim, o dilema no mundo real fica em segundo plano, e é resolvido em poucas cenas. Enquanto no País das Maravilhas, se desenrola uma perseguição frenética através do tempo. Esta nos dá vislumbres dos passados, até então desconhecidos dos personagens. Especialmente do Chapeleiro e das Rainhas Vermelha (Helena Bonham Carter) e Branca (Anne Hathaway), dando uma motivação para suas personalidades e atitudes na vida adulta. - Desde quando Wonderland precisa de "motivos" e "porquês"? -

Tudo isso de forma contida e linear. O tempo, como ele mesmo se apresenta é imutável. Assim complicações maiores são evitadas. Estragar o futuro ao mudar o passado, ou mesmo ter vislumbres das aventuras anteriores estão fora de questão. Se por um lado essa construção do Tempo se torna bastante acessível e até didática (vide os lacaios "Segundos", que se unem em "Minutos") para os muito pequenos. Para os mais velhos fica a sensação de excesso de simplicidade e o desejo de que a aventura tivesse mergulhado mais na loucura que os conceitos de tempo podem fornecer.

Aceitando que esta é uma aventura para crianças, com a liberdade de adaptar elementos do mundo de Carrol à sua aventura própria. Encontramos em Alice Através do Espelho, uma aventura mais simples e melhor construída que em Alice no País das Maravilhas. Onde o design de produção e os efeitos são o ponto alto, embora o excesso de GCI possa incomodar alguns, mas a proposta sempre fora esta.

Já o elenco tem seus altos e baixos, enquanto Helena Bonham Carter e Johnny Depp estão mais que acostumados com a excentricidade de seus personagens. Mia Wasikowska, continua o bom trabalho com sua Alice determinada e meio abusadinha. Já Anne Hathaway continua fora do tom com sua rainha branca etérea, cheia de modos de princesa (entenda-se braços desconfortavelmente levantados todo o tempo) e com olhar meio perdido. Enquanto Sacha Baron Cohen precisa se esforçar para entregar seus conhecidos trejeitos, caras e bocas, no engessado figurino do Tempo (sim, o tempo é engessado, talvez metafórica e propositalmente).


Quem só conseguir conferir a versão dublada ainda vai perder as atuações de Stephen Fry, Toby Jones, Michael Sheen, Timothy Spall e Paul Whitehouse, todos vozes de personagens em CGI. Além do último trabalho de Alan Rickman. Morto em janeiro deste ano, o Snape de Harry Potter, dá novamente voz ao outrora lagarta, atual borboleta Absolem, em uma breve participação.

Com diretor novo, James Bobin (de Muppets, Tim Burton é apenas produtor), Alice Através do Espelho é mais colorido e simples. Claramente preocupado com a compreensão dos pequenos. Infelizmente, para os crescidinhos, deixa de lado as temáticas complexas e atemporais do clássico. Podendo até ser desconsiderado como "adaptação", e outra história no mesmo universo. Uma aventura divertida para levar as crianças, que graças ao elenco, efeitos e o preço do 3D (não é indispensável) pode repetir os bons números na bilheteria.

Alice Através do Espelho (Alice Through the Looking Glass)
EUA - 2016 - 113min
Aventura/Fantasia


Leia também a crítica de Alice no País das Maravilhas

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