sexta-feira, 29 de abril de 2016

Capitão América: Guerra Civil

Um filme evento previsto antes mesmo de seu anúncio oficial. A Guerra Civil entre os heróis da Márvel passou a ser uma possibilidade assim que Nick Fury afirmou ainda no primeiro longa da super-equipe: "O mundo está se enchendo de gente que não pode ser superada ou controlada". Entretanto, enquanto o plano do antigo diretor da S.H.I.E.L.D. era unir essas pessoas, o das organizações de segurança mundiais, promovem o extremo oposto.

Um erro de um membro da equipe em uma missão que abre o filme, é a gota d'água para as "pessoas normais" do mundo, que responsabilizam os Vingadores pela bagunça de suas missões de salvamento. Os efeitos colaterais das missões de Nova York, Washington e a fictícia Sokóvia, dão origem ao Tratado de Sokóvia, que prevê a regulamentação dos poderes e atividades das pessoas com habilidades especiais.

Tomado pela culpa Tony Stark (Robert Downey Jr.) acredita que a cooperação com o governo é um mal necessário para evitar mais perdas. Enquanto Steve Rogers (Chris Evans) acredita em manter sua autonomia. Após ver a queda da S.H.I.E.L.D. é natural que o Capitão fique receoso ao dar à terceiros, passíveis de corrupção, poder sobre tantas habilidades especiais. Ambos os argumentos são válidos, e este é o ponto: não há lado errado!

Livre do maniqueísmo, certo/errado, bem/mal, quase onipresente em filmes de super-heróis, é complicado para o expectador decidir qual lado escolher. Ao mesmo tempo, o longa deixa muito claro, as motivações de cada personagem ao escolher um lado. E estas tem a ver tanto com sua trajetória até ali, quanto com sua personalidades, bem construídas e apresentadas para o expectador ao longo de vários filmes. Esta complexidade narrativa, torna Capitão América: Guerra Civil o filme mais maduro do universo cinematográfico da Marvel até então.

Mas não se preocupe, maturidade não é sinônimo de "sombrio e realista", este ainda é um filme da Marvel, e ainda segue seus padrões estabelecidos nas produções anteriores. A diferença é que aqui o equilíbrio entre ação, humor e drama é mais acertado. Assim como as consequências de seus atos tem maiores implicações, sem que no entanto perder o tom aventuresco que um longa onde personagens usam uniformes coloridos precisa.

Para os não conhecedores de quadrinhos esta trama é um dos arcos mais importantes da história recente da Casa das Ideias. A série de Mark Millar e Steve McNiven, usa e abusa do vasto universo de personagens da editora, e tem o foco na disputa entre os dois lados (leia mais sobre o original aqui).

Mas esta é uma adaptação, refém não apenas da diferença entre mídias, quadrinhos/cinema, mas também das condições de produção. Muitos dos personagens presentes no original tem seus diretos presos em outros estúdios. Outros pouco conhecidos do público, estão longe de ganhar espaço em tela, e não haveria tempo de apresentar tanta gente. Assim os roteiristas Christopher Markus e Stephen McFeely, apenas se inspiram no original, e ajustam a disputa aos personagens e condições que tem disponíveis.

Além disso, este é oficialmente um filme do Capitão América e não dos Vingadores. Sequência direta de O soldado Invernal, traz a jornada de Bucky Barnes (Sebastian Stan) como agravante à já estabelecida disputa. Como problema pouco é bobagem, é claro, ainda há um vilão na misteriosa figura de Zemo (Daniel Brühl). Que aqui não é barão, mas também tem justificativas "compreensíveis" para seus atos. Então um aviso, agora aos fãs dos quadrinhos. Apesar do título, esta não é uma adaptação fiel da Guerra Civil, mas a ideia central ainda está lá.

O filme ainda tem tempo de apresentar apropriadamente o pouco conhecido do grande público Pantera Negra (Chadwick Boseman, eficiente), de longe o personagem mais "adulto", e com arco mais dramático da produção. E fazer o extremo oposto, ao recolocar o "amigão da vizinhança" Homem-Aranha (Tom Holland, carismático), emprestado da Sony,  neste universo. Sem perder tempo explicando novamente sua origem, e na versão mais jovem e divertida das telas até então.


Apesar das várias tarefas, a trama bem amarrada, possibilita que cada personagem tenha seu arco bem estabelecido. O que o elenco afinado faz muito bem. Enquanto vemos o Capitão, em uma busca desenfreada por salvar seu último amigo dos velhos tempos. Robert Downey Jr., pode finalmente sair do automático (que é ótimo já que ele é o Tony Stark da vida real), e lembrar as pessoas de que é um ótimo ator dramático, quando o Homem de Ferro, precisa lidar com a culpa de seus atos, seu passado, e se indispor com as pessoas que mais confia. Não se preocupe, ele ainda faz muitas piadinhas, o que somado às participações do Homem-Aranha e do Homem-Formiga (Paul Rudd, roubando as cenas em que aparece), garante o bom humor.

Tudo isso com muitas, e boas cenas de ação. A eficiência dos irmãos Joe e Anthony Russo, em coreografar de forma coerente tantos acontecimentos, personagens e superpoderes que agradou em Capitão América - O Soldado Invernal, está de volta neste longa. O único escorregão fica evidencia gritante, em alguns momentos, da computação gráfica, especialmente em contraste com efeitos práticos.

Também haverá quem se incomode com algumas questões, levantadas depois que a empolgação do filme passa. Como, onde estão Maria Hill Nick Fury, nessa bagunça? Apesar de "oficialmente" morto o personagem de Samuel L. Jackson, não teve problemas em resgatar superequipe que ele criou em A Era de Ultron. Ele e a agente Hill, tiveram sua última trabalhando na nova base dos Vingadores. Estariam de férias? Ou simplesmente não encontraram espaço para eles no roteiro? Nem vou começar a ponderar a moderação do Visão, que convenhamos, encerraria de forma rápida e nada divertida o grande embate entre as duas equipes.

Talvez estas respostas estejam na próxima produção do universo Marvel, talvez não. A maioria das pessoas não deve se preocupar com isso, em meio à diversão em grande escala que o filme proporciona. Capitão América: Guerra Civil é a versão mais aprimorada e eficiente da fórmula Marvel já lançada, e o ponto de virada para a próxima fase.

A não ser por uma ou outra cena (geralmente com o Homem-Formiga), o 3D não é uma necessidade. E há duas cenas pós créditos.

Capitão América: Guerra Civil (Captain America: Civil War)
EUA - 2016 - 148min
Ação/Aventura


Leia mais sobre Os Vingadores, Capitão América - O Soldado Invernal, sobre a saga Guerra Civil e outros textos sobre o universo Marvel no cinema e na TV.
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quarta-feira, 27 de abril de 2016

Guerra Civíl (o livro)

"Um livro não é uma história em quadrinhos..." começam assim os agradecimentos de Stuart Moore para os colaboradores da sua versão em prosa da Guerra Civíl do universo Marvel. Afirmação verdadeira, mas também é verdade que uma boa história pode funcionar bem em qualquer veículo. Este é o caso desta adaptação dos quadrinhos de Mark Millar e Steve McNiven.

O mundo está se enchendo de gente que não pode ser superada ou controlada. Mas, por melhores que sejam as intenções erros acontecem, e quanto maiores os poderes... você sabe! É após um acidente cheio de vítimas envolvendo um grupo de jovem heróis à caça de bandidos que as coisas começam a ficar complicadas. A população e o governo resolvem que é necessário controlar essas pessoas, afinal são "armas vivas". 

Tony Stark toma à frente da iniciativa da Lei de Registro de Super-humanos. O Homem de Ferro vê a iniciativa, que pretende regulamentar o trabalho "superheróico", como um mal necessário. Inclusos nas "novas diretrizes" estão o registro de poderes, e a revelação das identidades secretas, organização em estados, centros de treinamento, e até plano de aposentadoria. Contudo, aderir ao registro não é uma escolha, então também existe uma prisão mega elaborada para aqueles que se opõem.

É claro, não demoram a aparecer opositores, e um deles é o outro membro essencial dos Vingadores. O Capitão América, considera a iniciativa uma agressão à liberdade cívica e aponta as não tão boas implicações de aderir ao sistema. Como a exposição de família e amigos, devido ao fim das identidades secretas, e a obediência ao governo, que nem sempre tem as melhores intenções. Logo, ele vira o líder da resistência

Pontos de vistas opostos, ambos com bons argumentos e boas intenções, mas nenhum 100% perfeito (até porque isso não existe, certo). No meio de tudo isso uma população assustada, um governo apreensivo, uma instituição de defesa, a S.H.I.EL.D. com escolhas extremadas, e muitos (mas muitos mesmo) super-heróis divididos. Além dos vingadores, o Quarteto Fantástico, o Homem-Aranha, os X-Men, Demolidor, Dr. Estranho e todo e qualquer personagem com habilidades especiais que já passaram pela Marvel. Alguns com bastante destaque, outros em menções e curtas aparições, velhos conhecidos do grande público, e personagens que só os fãs de verdade já conheciam. Uma variedade  impressionante de incríveis poderes, personalidades e figurinos. 

Sim, figurinos! Apesar de não ter o apoio das ilustrações Moore é eficiente em descrever a profusão de cores e estilos dos uniformes (ou da ausência deles). Entretanto, não nego, adoraria ver algumas ilustrações especiais com momentos chave da trama, em uma edição de luxo. Esta edição tem apenas uma grande cena ilustrada no interior da capa.

Seguindo o prioritariamente ponto de vista de quatro personagens, Capitão, Homem de Ferro, Homem-Aranha e Mulher Invisível, Moore transita tranquilo entre os diferentes temas, pontos de vista e cenários desta super-guerra, com uma prosa bem escrita, em um formato simples, objetivo e até leve, considerando as consequências graves da trama. Tornando a leitura confortável tanto para os adeptos de livros, quanto para quem prefere a linguagem dos quadrinhos. 

Como toda adaptação, esta tem várias diferenças em relação ao material original (a versão que chega aos cinemas amanhã, deve ter mais ainda), mas a ideia central, bem como seus temas são os mesmos, assim como o tom. 

Guerra Civíl, é uma ventura épica, cheia de discussões relevantes e muito divertida, que neste novo formato pode atrair novos leitores pra o universo Marvel. Não importa qual lado escolha (embora, seja provável que fique chateado se escolher o perdedor), esta disputa vai oferecer boas horas de diversão!

Guerra Civíl (Civil War Prose Novel)
Stuart Moore

Novo Século Editora

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segunda-feira, 25 de abril de 2016

Unbreakable Kimmy Schmidt - 2ª temporada

Kimberly "Kimmy" Schmidt (Ellie Kemper) está de volta, e continua tentando colocar em dia os quinze anos que perdera em um bunker após ser sequestrada ainda adolescente pelo líder de uma seita apocalíptica. Isso não significa, que a personagem não tenha novas experiências, afinal descobrir o mundo é sempre uma novidade.

Nesta segunda temporada, Kimmy já cumpriu sua missão de "desmascarar" o reverendo, e já se sente em casa em Nova York. Seus dilemas agora, são lidar com seu interesse amoroso casado com outra, para garantir o Green Card. Além de descobrir os danos emocionais e até físicos dos quinze anos de confinamento. Tudo isso mantendo seu espírito "inquebrável", ajudando os amigos e com um novo emprego, já que ela ajudou a sua primeira empregadora a esposa troféu Jacqueline Voorhes (Jane Krakowski) à mudar de vida.

Jacqueline se libertou do marido e resolveu abraçar sua origem. Adivinhou quem pensou que isso não daria muito certo, e logo a personagem "ajusta" seus objetivos de vida. Já Titus Andromedon (Tituss Burgess), enfrenta seu passado, encontra um pretendente e da uma impulsionada em sua carreira. Até Lilliam (Carol Kane) tem um dilema a resolver: manter as tradições de sua amada vizinhança.

Sim, todos os principais personagens tem seus arcos ampliados e bem desenvolvidos. Este é um dos pontos altos da segunda temporada. Não focar apenas em Kimmy, mas nas vidas que ela influencia e vice-versa. 


E assim como na primeira temporada, cada um deles faz suas críticas aos diferentes aspectos da sociedade, de forma ácida, leve e sarcástica. Para isso a série não tem mendo de trazer e descartar personagens secundários conforme a trama se desenvolve. O que garante uma quantidade enorme de participações especiais que, novamente à exemplo da primeira temporada, ficam melhores com o "fator surpresa". Logo vou parar por aqui.

Há entretanto, uma participação que precisa ser mencionada, a da co-criadora da série Tina Fey. Na primeira temporada, ela já havia participado como a péssima advogada que o governo oferece às mulheres toupeira. Este ano em uma participação mais longa, agora dando vida à uma terapeuta muito peculiar, Tina dá um fôlego necessário à segunda metade da temporada.

Fôlego necessário, pois o frescor da novidade passou, algumas piadas ficam repetitivas. E Kimmy se adaptou muito rápido aos novos tempos, quem não gostaria de vê-la estranhando um pouco mais o mundo? Isso fez com que a série diminuísse em qualidade em relação ao primeiro ano. Se antes a série era frenética ao ponto de deixar alguns perdidos. Agora, o ritmo é instável e piadas se repetem, algumas chegam a perder a graça.


Apesar de não ser mais a surpresa criativa que se destacou em 2015. A nova temporada de Unbreakable Kimmy Schmidt ainda é inteligente, sarcástica e surtada. Cheia de referências, críticas e frases icônicas (como, "A internet está acabando com tudo. São um bando de Chandlers"). E termina com a necessidade de Kimmy precisar encarar seu passado novamente.

Em outras palavras,  Kimmy continua incansável em sua tarefa de trazer um tipo de humor que está em falta em meio a repetitiva fórmula das sitcoms. A torcida é para que o terceiro ano traga novo fôlego, descubra novas formas de humor e continue apostando nos acertos, que adoramos.

A segunda temporada de Unbreakable Kimmy Schmidt chegou em 15 de Abril no serviço na Netflix. É uma das produções originais (e exclusivas) do serviço de streaming. Os dois primeiros anos da série estão disponíveis na íntegra e tem 13 episódios de aproximadamente 30 minutos cada. Sua terceira temporada já foi confirmada.

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domingo, 24 de abril de 2016

Game of Thrones - guia para idiotas! (5ª temporada)

É hoje! Finalmente a nova temporada Game of Thrones, primeira sem os livros como guia, chega à HBO. Mas a vida anda muito conturbada, e você não teve tempo de fazer aquela maratona para lembrar onde estão cada um dos 359 mil personagens.

Ou pior, você era leitor além de expectador e não está sabendo lidar com o fato de não ter nenhuma pista sobre o que vai acontecer. Tudo bem, seja qual for seu problema, memória curta ou grande ansiedade, nós podemos ajudar. Quando digo nós, me refiro ao canal ScreenJunkies e seu tradicional Guia para Idiotas de Game of Thrones.



Confira outros Guias para idiotas leigos, leia mais sobre Game of Thrones.
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sexta-feira, 22 de abril de 2016

How to Get Away with Murder - 2ª temporada

Graças ao carisma das personagens e o bom elenco, aparentemente How to Get Away with Murder conseguiu sobreviver impune a uma segunda temporada. Apesar de o frescor da novidade já ter passado, e da trama rocambolesca, marca registrada de sua criadora Shonda Rhimes (responsável pelos "novelões" Grey's Anatomy, Private Practice e Scandal).


*Vale avisar, atendendo aos pedidos da "Sociedade Protetora dos Spoilerfóbicos", este post pode ser meio vago para quem não acompanha a série. Recomendo que assista ao menos a primeira temporada (se possível veja logo tudo!) e volte a ler o texto.

Os melhores alunos da classe de professora de Direito Penal de Annalise Keating (Viola Davis), assim como a própria professora e seus assistentes já começam seu segundo ano enrolados. Resolveram, com muitas consequências, os casos de assassinato de Lila e Sam. Mas, agora precisam lidar com o misterioso "sumiço" de Rebecca (Katie Findlay).

O mistério de Rebecca (que desde a temporada anterior os expectadores sabem se tratar de outro assassinato), não se estende por muitos episódios. Serve apenas como mais um motivo de tensão entre Annalise e seu aluno "favorito" Wes Gibbins (Alfred Enoch - Harry Potter), cada vez mais confuso. 

Logo, todos tem um novo grande caso de assassinato para trabalhar. E se antes os alunos eram competidores pela atenção da professora, agora estão mais unidos. Não porque se tornaram amiguinhos, mas porque tem um segredo que pode colocá-los na cadeia.


Mas como nada na "Shondaland" é simples, a série mantém o interessante formato com duas linhas narrativas distintas, separadas por um período de tempo. E nesta temporada temos duas delas, ambas ligadas à protagonista. Na primeira metade dos episódios, acompanhamos o desenrolar de um chocante acontecimento futuro. Nos capítulos restantes um caso antigo, nos entrega um panorama maior da personalidade de Annalise e suas motivações e relacionamento com o falecido marido Sam (Tom Verica).

Enquanto isso os alunos Connor Walsh (Jack Falahee), Michaela Pratt (Aja Naomi King), Asher Millstone (Matt McGorry - Orange Is The New Black), Laurel Castillo (Karla Souza) e assistentes Frank Delfino (Charlie Weber) e Bonnie Winterbottom (Liza Weil) tem seus próprios arcos e dilemas. Inclua aí nessa lista, passados obscuros, problemas com família, relacionamentos conturbados, auto-descobertas e grandes erros.

Todas estas histórias, acabam se interlaçando e interferindo umas nas outras, através das personalidades e escolhas dos personagens. Criando uma trama maior ainda, que inevitavelmente resultarão em um grande cliffhanger. O que de acordo com a temática da série geralmente inclui um assassinato. Mantendo o status-quo para a próxima temporada.


Ok admito, a segunda temporada foi eficiente em desenvolver os personagens, e o formato de mistério é viciante. Mas até quando o carisma dos personagens vai ser o suficiente? À quantas reviravoltas chocantes sobrevive a suspensão de descrença do expectador? Afinal o quão complexa e rocambolesca a vida de uma pessoa pode ser? A essa altura o intercâmbio de casais entre o elenco fixo, já é grande. Assim como o número de assassinatos diretamente relacionado a um grupo pequeno de pessoas. Sem contar que cedo ou tarde estes alunos vão completar o curso e Keating precisaria de novos estagiários.

Esta é uma característica dos trabalhos de Shonda, que sempre começa com bons temas e personagens fortes e termina....  Bom, nunca termina! Com o tempo a temática fica repetitiva, as reviravoltas ficam exageradas, as personagens perdem a força e até o bom elenco perde o interesse.


How to Get Away with Murder é uma série judicial com formato inovador. Tem uma protagonista mulher e negra forte. Aliais, o elenco inter-racial, que passa longe do "sistema de cotas" usual em séries (tem que ter um negro, um latino, etc...) é um ponto alto. Assim como a liberdade para falar de preconceito e minorias. Mas todo esse bom conteúdo pode ser esquecido se a trama se perder em si mesma.

Esta temporada ainda conta com as participações de Billy Brown e Conrad Ricamora mais presentes que o ano anterior. E o acréscimo de Famke Janssen (a Jean Grey da trilogia original dos X-Men) ao elenco regular.

Annalise Keating e cia superaram minhas expectativas (eu acredito que a série funcionaria melhor com apenas uma temporada fechada) e entregou uma boa segunda temporada. Agora é torcer para que a terceira temporada já confirmada se encaminhe para um desfecho, e entregue uma história completa tão eficiente quanto a que iniciou. Shonda já começa seus trabalhos de forma excelente, agora é hora de aprender a encerrá-los (e não deixá-los ser cancelado) com a mesma qualidade!

How to Get Away with Murder, tem duas temporadas com 15 episódios cada, e é exibida no Brasil pelo Canal Sony. O primeiro ano também está disponível na Netflix

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quarta-feira, 20 de abril de 2016

O Caçador e a Rainha do Gelo

Não é segredo que vivemos na era das franquias cinematográficas. Sequencias, remakes, reinterpretações, prelúdios e spin-offs enchem as telas. Curioso é descobrir que O Caçador e a Rainha do Gelo, é ao mesmo tempo prelúdio, sequencia e spin-off da reinterpretação do conto da Branca de Neve lançado em 2012.

Caso você tenha passado os últimos anos em sono profundo por causa de uma fruta envenenada, Branca de Neve e o Caçador trazia Kirsten Stuart e Chris "Thor" Hemsworth nos papéis títulos e Charlize Theron como a surtada Rainha Má, Ravena, em uma versão épica (estilo O Senhor dos Anéis) do conto de fadas. Mas a produção chamou atenção mesmo pelos escândalos dos bastidores, quando o diretor casado e a protagonista (na época namorada de Robert Pattinson), foram flagrados juntos.

Não é surpresa, nenhum dos dois voltou para o desenvolvimento da franquia, que agora foca na origem do caçador, que coincidentemente (ou convenientemente) tem relação com a história da até agora desconhecida irmã de Ravena.

Antes de ser a Rainha Má da Branca de Neve, Ravena (Charlize Theron ainda surtada, embora menos divertida) seguia com seu plano de casar e extorquir reinos, sempre acompanhada da bondosa e sem poderes irmã Freya (Emily Blunt, no mesmo tom adotado por Charlize). Até que uma grande traição, faz aflorarem tanto os poderes da moça, quanto seu lado malvado. Ela se torna uma rainha do gelo (é, tipo a Elza) que cria seus exércitos desde a infância. Entre eles Erik (Chris Hemsworth) e Sara (Jessica Chastain), que se rebelam e cometem a ousadia de se apaixonar.

Ué? Então o caçador era na verdade um soldado? E finalmente descobrimos que a amorosa esposa morta que formara sua personalidade no primeiro longa, não era exatamente uma mocinha frágil e doce. Ok, talvez tenhamos imaginado errado essa parte. Mas tenho certeza Ravena tinha um irmão/lacaio vivido por Sam Spruell. Mas onde ele está? Mas calma que a sinopse ainda não acabou.

Freya mantém seu reinado gelado no norte por anos, e após a morte de Ravena (lá no longa original) ela resolve se apoderar de seu espelho mágico. Na verdade é esta a jornada do protagonista, o Caçador, neste longa. Impedir que o espelho mágico aumente o poder de Freya. Ufa!

Sim, Ravena tinha uma irmã poderosa com um exército de alto nível à disposição, mesmo assim nunca ouvimos falar dela. Será que a Rainha Má nunca cogitou pegar uns soldados emprestados para derrotar Branca de Neve? Eu tentaria...

Reparou? A história da Branca de Neve está situada bem no meio desta jornada. Ao mesmo tempo, trata-se de outra jornada. Viu, prelúdio, sequência e spin-off em um só produto. Com tanta coisa para fazer não é surpresa, que sobrem as perguntas mencionadas acima, entre outras.

Dúvidas à parte, a história segue em frente de forma tradicional. Isto incluí anões como alívios cômicos, com piadas que nem sempre funcionam. Reviravoltas, e muitas cenas de ação com direito à monstros de computação gráfica. 

Tudo composto por uma grande quantidade de referências à outras histórias e cenários de fantasias. Seja nos corredores que parecem Hogwarts (Harry Potter), na taverna que parece situada Bree (O Senhor dos Anéis), ou nos poderes similares aos de Elsa (Frozen) e da Feiticeira Branca Jadis (Nárnia), é inevitável: seja qual for a sua bagagem em algum momento você vai ter a sensação de Déjà vu.

Ponto alto do longa, e parte mais original da produção é o figurino (a produção anterior aliais, concorreu ao Oscar nesta categoria). Enquanto o Caçador, os anões e outros guerreiros usa roupas estilizadas e práticas à suas funções, as Rainhas esbanjam luxo. Reparem, elas não repetem roupas (como as celebridades fúteis de hoje em dia). Seus figurinos são complexos, e feitos de materiais diversos, para refletirem seus poderes, personalidades e até "estado de espírito".
Puro Luxo: as irmãs são cara da riqueza!

As atuações diferem de acordo com o personagem. Enquanto Chris Hemsworth parece apenas se divertir com o personagem, Jessica Chastain se esforça para bancar a durona, enquanto tenta falar com um sotaque não identificado. Já as irmãs Ravena e Freya, repetem o estilo "diva exagerada", que nos fez se divertir com Charlize no primeiro filme, mas agora soa como "mais do mesmo". Um pouco exagerado demais, falha não das atrizes, mas da direção do elenco, que as manteve no tom errado na esperança de garantir a mesma empatia.

Uma aventura tradicional, e até um bom passatempo se não exigirmos demais e nos divertirmos com a própria existência desnecessária produção. A história de O Caçador e a Rainha do Gelo precisava ser contada. Também não faz parte da coleção contos tradicionais de fantasia, talvez por isso o longa seja uma colcha de retalhos de referência. Mas o visual é bonito, os efeitos especiais competentes, e o elenco parece se divertir. Não precisávamos ouvir esta história, ou conhecer este prelúdio/sequencia/spin-off, mas já que resolveram contar e se divertir no processo, por que não nós?

O Caçador e a Rainha do Gelo (The Huntsman: Winter's War)
2016 - EUA - 114min
Aventura, Fantasia


Leia a resenha de Branca de Neve e o Caçador
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segunda-feira, 18 de abril de 2016

Deus Inc. - 1ª temporada

Infelizmente pouca gente acompanhou a produção mexicana da HBO que chegou no último domingo ao final de sua primeira temporada. Isto é, se pudermos chamar de "primeira". Afinal até o momento não foi divulgado se Deus Inc., ganhará um segundo ano, ou se uma temporada única sempre fora o plano. Esta última opção faz muito sentido para a obra como um todo. Ao mesmo tempo, o desfecho permitiria uma continuação.

Caso você tenha se isolado do mundo graças à uma seita religiosa, ou faça parte do grande número de pessoas que não teve a sorte de descobrir esta série. Deus Inc. conta a história de Salvador Pereira (Rafael Sánchez Navarro), um estudioso que passou dez anos viajando pelo Oriente Médio, em busca de provas que sustentem sua teoria sobre a origem das religiões (todas elas), e viabilizem a publicação de seu livro. Quando finalmente retorna para casa, ele descobre que foi dado como morto por sua família. Além disso seu livro fora plagiado, publicado e utilizado como base para uma seita religiosa.

Os Filhos de Indra liderados pelo icônico e misterioso Askar Hyrum (Carlos Torrestorija), são compostos por pessoas de pouca educação, baixa renda, ex-presidiários, entre outros setores menos desprivilegiados da sociedade. Consequentemente mais suscetíveis à distorção de conceitos, alienação, doutrinação de crianças, rituais de gosto duvidoso, e claro, dízimos. Logo, há dinheiro, e muito, envolvido. Junto com ele vem o alto escalão sociedade, os políticos e polícia corruptos e qualquer outro que acredite conseguir vantagem com o esquema.

Inicialmente é o mau uso de suas teorias que impulsionam a luta de Salvador, determinado a desmascarar Askar e libertar seus seguidores da exploração. O jovem ufólogo e escritor de ficção científica Dante (Luis Arrieta) é o primeiro a se unir a causa, que eles tentam levar da forma mais correta o possível. Mas a cada novo passo, a disputa fica mais complicada e perigosa, decisões e atitudes extremas são tomadas. Até que a linha entre o certo e o errado, fique tênue demais para nossos personagens.

Decisões que influenciam vidas, manipulação, confiança, construção de caráter, lavagem cerebral, acordos suspeitos, fanatismo religioso, devoção extremada à uma pessoa, corrupção, falhas do sistema judiciários. Estes são apenas alguns dos temas pesados que a série não tem medo de abordar de forma aberta e inteligente.

A luta inicial entre o certo (Salvador) e o errado (Indra), fica mais complicada à medida que ambos os lados encontram aliados e tomam decisões. As consequências de seus atos repercutem na sociedade, em seus aliados e no livre arbítrio. E uma vez que a trama é composta por personagens complexos, ninguém é completamente bom ou mal. As escolhas de cada indivíduo, sejam elas altruístas ou egoístas, criam um efeito dominó onde cada ação tem uma consequência ainda maior e a antes clara linha entre o bem e o mal, o certo e o errado, fica cada vez mais confusa.

Tudo isso, sem deixar de relembrar situações semelhantes e referências ao longo da história das religiões, ao redor do mundo. Ainda sim, uma coisa a produção deixa bem clara: não é a fé o problema. Mas, as pessoas que se apropriam de sua capacidade de guiar outros em benefício próprio.

Os perigos da possibilidade de administrar a crença das pessoas, bem como se deixar controlar por uma instituição cegamente. Seja uma multidão devotada ou uma única pessoa, a fé cega move tantas montanhas quanto qualquer uma.

Mas calma! Não é uma série filosófica, há muito espaço para cenas de ação e drama. Além de reviravoltas surpreendentes, embora com um pouco de pesquisa você descubra: muitas daquelas coisas absurdas foram inspiradas em situações semelhantes da vida real.


Deus Inc. é uma produção caprichada (qualidade HBO, afinal), com um ótimo elenco e um argumento polêmico. E apesar de provocantes, seus temas não tentam chocar meramente pela audiência, como é de costume. Mas sim, trazer reflexão inteligente sobre um tema que muita gente aparentemente tem medo de abordar. Acredite, seja qual for sua crença, você pode sim discutir religião, fé e as instituições que as "administram", sem medo de arder no mármore do inferno.

É essa discussão que Deus Inc. levanta sem pudores. Em tempos onde a fé extremada e mal administrada tem efeitos grandiosos. Seja na aparentemente inofensiva, porém estranha, doutrinação cinéfila promovida por Os Dez Mandamentos. Ou pela mais urgente e preocupante ameaça mundial iminente o Estado Islamico. Já era a hora de começarmos a usar a ficção para compreendermos esses temas. Infelizmente. pouca gente descobriu Deus Inc. ...

Deus Inc. foi exibida pela HBO, com 12 episódios.

Confira mais posts sobre séries no blog, ou leia as primeiras impressões sobre Deus Inc.
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