sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Livro vs Série: Zé do Caixão

Começa aqui mais uma edição diferente da série "Livro vs Filme". O plano original era de fato transformar o livro de André Barcinski e Ivan Finotti, sobre José Mojica Marins, em um longa metragem. Mas os planos mudam, e no meio do processo a adaptação acabou ganhando o formato de série de TV. Melhor para nós que tivemos mais tempo de tela para apreciar esta cinebiografia.

José Mojica Marins, mais conhecido pela alcunha de Zé do Caixão, é cineasta, ator e roteirista, considerado uma das figuras mais ativas do cinema nacional. E apesar de ter trabalhado com diversos gêneros é mais conhecido por suas fitas de terror. Tinha um jeito próprio de fazer cinema, sem conhecimento técnico, com muito improviso e paixão pelo que faz.

O livro que conta sua trajetória foi lançado originalmente em 1998, em 2015 ganhou nova edição pela Darkside Books. O relançamento aconteceu simultânemamete à estreia da série de TV baseada nele. Confira agora as diferenças entre as obras.

1 - Ponto de partida
Com apropriadamente 666 páginas, o livro vai além da trajetória de Mojica. Acompanhando desde a chegada de seus avós, maternos e paternos ao Brasil, ambos vindos de Espanha. Bem como sua infância de brincadeiras nas ruas de São Paulo, e na sala de projeção do cinema que seu pai administrava. Já a série restrita à 6 episódios, precisa ir direto ao ponto. Começando à partir do primeiro grande trabalho de Mojica A Sina do Aventureiro, pouco antes da criação de seu macabro alterego.

*O pequeno José no livro, as filmagens de A Sina do Aventureiro, uma fita de bang-bang brasileira!

2 - Saltos no tempo
Enquanto o livro tem 666 páginas para discorrer sobre a trajetória pessoal e profissional de seu retratado. A série tem apenas 6 episódios, com 45 minutos para fazer o mesmo. Logo, nada mais natural que a narrativa desta última dê saltos no tempo para enfocar momentos marcantes de sua história.

3 - As Mulheres de Mojica
Ainda por causa do pouco tempo, a "família" de Mojica e condensada na série. Além de uma breve mensão a esposa, apenas um de seus relacionamentos (e vários casos) é mostrado. O mesmo vale para seus filhos. Além disso, os nomes das moças foram alterados. Assim, Rosita com quem teve um filho, virou Conchita. Maria com que teve três crianças nem sequer é mencionada.

O relacionamento que é retratado na série é com Nilce (na tv, Dirce), companheira também na vida profissional. Produtora, montadora, quebra-galho e o que mais precisasse, a moça teve dois filhos com mojica.

4 - O caso de Dirce e Anselmo
Não está no livro. Mas, é uma ótima solução para mostrar o desgaste de seu relacionamento com Dirce, já que o respeito e fidelidade não era mutuo. Assim como para ilustrar um pouco dos tempos conturbados da ditadura.

5 - A Sinagoga e o telefone
Sempre com problema financeiros, o estúdio de Mojica vivia mudando de endereço. O mais inusitado deles uma sinagoga espírita desativada nos anos 1960, no bairro do Brás. A maioria destas sedes nunca teve telefone, as ligações "de negócios" eram feitas de telefones públicos ou mesmo do bar mais próximo. Econômica e prática (imagina ter que explicar cada mudança) a TV mantém toda a história em apenas uma sede. Lá tem telefone.

6 - Nunca leia um livro de cinema.
Mojica realmente ganhou um livro de cinema, que nunca pôde ler, já que seu amigo rasgou e o fez prometer que nunca leria um livro sobre cinema. A diferença é que no livro o presente veio de cineastas cariocas, do Cinema Novo, durante uma viagem de Mojica para divulgar o primeiro filme do Zé do Caixão. Na série o presente chega um pouco mais tarde, e é recebido em São Paulo mesmo.

66 - A cena do cachorro
Nos anos de 1980 quando cineastas independentes não tinham muita opção de trabalho, Mojica assim como muitos migrou para outro gênero, mas claro sem deixar de chocar. Ao dirigir 24 Horas de Sexo Explícito (1985), filmou aquela que é considerada a primeira cena de zoofilia do cinema nacional. O livro deixa claro, que o cachorro não foi muito além de ficar estratejicamente posicionado próximo da atriz Vânia Bournier. Já a série passa uma idéia bastante diferente de como a cena foi feita....

No entanto, em ambas as versões o destino do enorme Pastor Alemão emprestado foi o mesmo. Envenenado pelo próprio dono, que passou a ter ciúmes do animal com sua esposa após o longa de eMojica.

666 - O corte das unhas
O badalado corte das unhas de Zé do Caixão em 1982 (em parte por orientação médica, parte golpe publicitário), na verdade aconteceu no programa Viva Noite, apresentado por Augusto Liberato, o Gugu. Na série, o "ritual" acontece no mesmo programa em que Mojica divulgou seus filmes anteriormente. Aliais todas as entrevistas cedidas pelo cineasta na TV, durante a série são feitas pela mesma apresentadora.


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Zé do Caixão - Maldito, A Biografia, lançado originalmente em 1998, acaba de ganhar uma edição de luxo pela Darkside Books. A série Zé do Caixão foi exibida entre Novembro e Dezembro de 2015 no Canal Space, seus seis episódios ainda estão disponíveis no SpaceGo.

Leia as resenhas do livro e da série de TV. Confira outros posts da série Livro vs Filme.

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quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Joy: O Nome do Sucesso

Caso você seja conhecedor, eu gostaria muito de saber sobre a verdadeira tragetória de Joy Mangano. Pois, mesmo aceitando que a versão contada pelo diretor David O. Russell é assumidamente novelizada (vide o novelão "estadunidense" que abre o longa) muita coisa soa fora dos eixos nessa cinebiografia.

Joy (Jennifer Lawrence) era uma criança inventiva com um futuro promissor, mas a vida tinha outros planos. A moça ficou encarregada de cuidar de todos. Uma mãe (Virginia Madsen) traumatizada pelo divórcio, um pai sem muito tato (Robert De Niro), um ex-marido (Edgar Ramírez) que não tem para onde ir, além de dois filhos pequenos e a avó.

Sempre com muitas dificuldades finaceiras, até um dia ela tem a idéia revolucionária, aquela que pode mudar vidas. Um esfregão que torce sem contato. Mas para alcançar seu sonho ela vai ter que lidar com falta de recursos para investir, de experiência empresarial, com abutres que sempre surgem ao cheiro de uma boa idéia, e até a falta de apoio e exploração da família que vive em suas costas.

Sim, você já assistiu à biografias com jornada parecida. E provavelmente vai até reconhecer o produto de Joy. Mesmo assim a empatia é difícil, com retrato exagerado das tragédias da vida cotidiana. Mesmo que assimidamente inspirado nas telenoveas que a mãe de Joy assiste compulsivamente. Vale lembrar as novelas vespertinas "estadunidenses" duram anos, sempre acuando a mocinha em uma trama impossível, artificial e rocanbolescas. Enaquanto aliena e vicia seus expectadores.

A família disfuncional aqui, parece mais um coletivo de vilões, sempre tentando empacar a vida de Joy. Esta por sua vez, apesar de reconhecer o peso-contra criado pela família, mantém todos á sua volta, enquanto tenta alcançar seus objetivos. A protagonista é ao mesmo tempo uma mulher lutadora incansável, e uma jovem insegura presa às opinoões alheias. Esta última disfarçada como matriarca obssessiva, quer cuidar de todos, mesmo quando estes puxam seu tapete.

Após um ano com tantos bom modelos femininos nas telas, encontrar representação tão instável é decepcionante. E apesar do competente elenco de astros que tenta fazer o melhor com o que lhes é dado. O erro de escalação da protagonista não passa despercebido. Lawrence é competente, é verdade. Mas, é joven demais para o papel, tornando a costrução de sua instável personagem ainda mais problemática.

O ponto alto do filme é a entrada de Joy no mundo das vendas via TV. Onde o pragmático diretor de um canal de televendas (Bradley Cooper), apresenta o universo dinâmico criativo e acelerado daquele formato de vendas. Infelizmente toda a praticidade e lógica do lucrativo sistema é perdida logo depois, quando este mesmo diretor escala, um homem que não apenas desconhece o produto de Joy, como também provavelmente nunca o utilizaria, para vendê-lo. Ok, seria preconceito dizer que só uma mulher apresentaria bem um esfregão. Entretanto, o "tal melhor vendedor do canal", nem ao menos tentou descobrir como funcionava o produto que deveria vender.

Apesar de um bom elenco, e uma biografia teoricamente interessante como base (sério, ainda não conheço sua história direito). Joy: O Nome do Sucesso exagera na metalinguagem e referência ao formato da telenovela, e acaba soando como uma versão de luxo daquelas cinebiografias feitas para a TV. Que não são exatamente ruins, mas também não são exepcionais, como o subtítulo do longa, e as indicações à premios que recebeu sugerem.

Joy: O Nome do Sucesso (Joy)
2015 - EUA - 124min
Biografia


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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Zé do Caixão - a série

Apenas seis episódios de duração, e a estréia na última sexta-feira 13 de 2015 (13 de Novembro), já em meio a confusão típica de final de ano, fez muita gente perder Zé do Caixão. Série exibida pelo canal Space que fala não apenas de seu personagem título, mas de seu criador José Mojica Marins.

Mojica é cineasta, ator e roteirista, considerado uma das figuras mais ativas do cinema nacional. E Zé do Caixão com suas roupas pretas e unhas gigantescas é um dos mais icônicos e conhecidos da cultura popular brasileira. Mesmo assim, a muitos de nós nunca de fato viu um dos três longas que ele protagoniza. Assim como sabemos muito pouco da trajetória de seu criador. É essa falha que a série pretende começar a corrigir.

Digo apenas começar, pois se trata de uma produção de apenas seis episódios e Mojica trabalhou intensamente por décadas. Logo a série enfoca apenas momentos chave de sua carreira. Começando por apresentar primeiro o criador, na época da produção de primeiro "grande filme" A Sina do Aventureiro (1958). A criação de Zé do Caixão, ícone do terror nacional,  fica para o segundo episódio.

Reparou que utilizei a expressão "grande filme" entre aspas? Isso porque ao longo de toda sua carreira Mojica teve um jeito peculiar de fazer cinema. Em parte pela falta de recursos, muitas das produções eram bancadas por alunos e pelos próprios atores. Em parte pelo seu desconhecimento técnico, e total falta de interesse por aprender mais sobre o fazer cinematográfico. O que é no mínimo curioso, considerando que Mojica cresceu em salas de projeção dos cinemas em que seu pai trabalhava.

Se hoje, vemos o fato acima apenas como mais uma curiosidade da obra já peculiar de Mojica. Na época seu amadorismo apenas dificultava as produções. A temática sombria, absurda e sem limites para mexer com o imaginário sobrenatural popular também não ajudava. Assim como o cenário político e cinematográfico do país, inclua aqui a Ditadura Militar e a ausência de incetivos para produções independentes.

Tudo isso é abordado ao longo da produção, que por sua vez não tem medo de mostrar que seu protagonista não era exatamente um cidadão exemplo. Mojica usou de inúmeros truques para conseguir o que precisava para trabalhar, era mulherengo, boca suja, alcoólatra e fumava muito. Por outro lado não era muito bom em administrar as finanças o que construiu uma carreira sempre no limite.

Já à produção se esforçou não apenas para reconstruir a São Paulo das décadas de 1960, 70 e 80. Especialmente nas esternas, onde é perceptível a escolha de ângulos e cantos específicos da cidade onde a metrópole de 2015 não apareça.

O ponto alto no entanto é a construção da uma eficiente e crível figura de Mojica e Zé do Caixão. Além da recriação do visual característico, a ótima interpretação de Matheus Nachtergaele, que consegue criar uma distinção entre criador e criatura, que vai desde a forma de falar até a postura e o gestual. Zé do Caixão é um personagem de Mojica, um influência o outro é verdade, mas a distinção entre ambos é clara. Inclusive nas cenas em que Mojica não está atuando, mas está vestido com as roupas de seus personagens.

Prova da eficiência, é a comparação que a própria série faz entre suas versões e o trabalho original. O único porém talvez sejam os poucos episódios. Com pouco tempo a narrativa precisa dar saltos no tempo, para os momentos chave da carreira de seu protagonista. Some-se aí as indispensáveis, exclusões de fatos e personagens. Para quem desconhece sua carreira, podem ficar algumas dúvidas. Além do "gostinho de quero mais" que atinge também os conhecedores.

Baseado no livro de mais de 400 páginas Zé do Caixão - Maldito, A Biografia de André Barcinski e Ivan Finotti. A série Zé do Caixão, vem corrigir o equívoco na nossa falta de conhecimento sobre um de nossos ícones cinematográfico. E assim como o retratado, não tem pudores ao contar sua história (a censura é alta).

Se não tem espaço para retratar detalhadamente essa biografia, faz o máximo possível com qualidade. E é uma ótima porta de entrada, para conhecer mais. Sorte que seus longas não estão mais censurados. Mais sorte ainda, que sua biografia foi relançada, simultaneamente à série, pela DarkSide Books. Só falta agora o Space* trazer uma merecida reprise para quem perdeu!

*A Série ainda está disponível no SpaceGo
Leia mais sobre séries. Confira a resenha do livro Zé do Caixão - Maldito, A Biografia.

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domingo, 24 de janeiro de 2016

Fã de carteirinha: David Bowie

Este post foi criado para me redimir por não ter postado nada sobre a morte de David Bowie. Efeito do estado de choque ao começar o ano, perdendo um de meus primeiros ídolos. Isso porque, lá na primeira infância, antes mesmo de entender o que era cinema ou música. Eu já era viciada no filme em questão.

Labirinto - a Magia do Tempo, foi meu "primeiro filme favorito da vida" (agora a lista é bastante extensa). E ganhou um Trailer Honesto especial do canal Screen Junkies em despedida à Bowie, o ponto alto do filme.



Nunca ouviu falar de labirinto? Quer saber mais? Em meu outro projeto, o DVD, Sofá e Pipoca dedicamos uma semana inteira ao longa de fantasia, confira aqui!

Leia mais posts da série Fã de Carteirinha!

*A foto ao lado é a prova do meu vício "Labiríntico". Confira mais imagens em meu Instagran

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sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Zé do Caixão - Maldito, A Biografia

José Mojica Marins, Zé do Caixão. Aqueles que nasceram à partir dos anos de 1980, podem até reconhecer os nomes acima, ou sua figura singular. Já aqueles que vivenciaram as décadas de 60 e 70 devem lembrar da popularidade do cineasta considerado um dos mais produtivos do país. Entretanto pouca gente conhece à fundo suas obras, e um número menor ainda conhece sua verdadeira trajetória.

O desconhecimento não é apenas porque se dedicou a um gênero complexo, o terror, foi perseguido pela censura, ou porque suas obras mais significativas foram lançadas há 4 décadas. Mas também, porque José Mojica Marins era cheio de criatividade e artifícios para criar publicidade em torno de seu nome, e manter falsas aparências sobre sua vida pessoal.

São esses detalhes dos bastidores, e fatos desconhecidos das produções e da vida de Mojica que Zé do Caixão - Maldito, A Biografia pretende revelar. Lançado originalmente em 1998 pelos jornalistas André Barcinski e Ivan Finotti, a publicação que ficara por muito tempo fora de catálogo, ganhou uma edição de luxo da DarkSide Books.

A nova versão traz um acabamento luxuoso em capa dura, com várias imagens inéditas. E uma Mojicografia, que traz não apenas sua filmografia como diretor, mas também seus outros trabalhos (mesmo os inacabados). Tudo isso em apropriadas 666 páginas, 200 à mais que a edição original. O lançamento da nova edição chegou junto com a série de TV, baseada nele, exibida pelo canal Space.

Já o conteúdo deve agradar não apenas os fãs de Mojica, mas fãs de terror, e aficionados por cinema em geral. Separado por períodos da vida de mojica (aliais mais cedo, à partir da chegada de seus avós ao Brasil), é possível descobrir as influências que formaram sua personalidade e gosto peculiares. Bem como, o desenvolvimento de sua carreira e vida pessoal, e até ouso dizer um pouco de história do Brasil. Uma vez, que o livro passa por períodos marcantes como a gripe espanhola, e a ditadura militar, contados por um ponto de vista pessoal muito diferente de livros de histórias, reportagens e documentários a que estamos acostumados.

Tudo isso em uma linguagem simples, com ritmo agradável e bem humorada. É quase um bate-papo, com direito à aqueles parênteses, e detalhes que ressaltamos quando de fato contamos uma história para alguém.

O formato de narrativa aliais não poderia ser outro, afinal seu retratado passava longe das normas formais. Seja na linguagem, na etiqueta, ou na forma de fazer cinema. Mojica descobriu sua própria forma de fazer filmes, ignorando as normas e técnicas das escolas de cinema. Mesmo quando já inserido "no meio", continuou a fazer do seu jeito e contar suas histórias.

Um homem do povo, com características peculiares. Uma certa ingenuidade com relação à maldade das pessoas, e como o mundo funciona, em um contraste gritante com o humor negro, e os aspectos macabros de suas produções. Colocando-o em situações ao mesmo tempo trágicas e cômicas, que de tão absurdas, poderiam ser confundidas por ficção. E surpreende os leitores, que não esperariam gargalhadas na biografia de um ícone do terror.

Mas, acredite, é tudo verdade! Desde seu nascimento em uma sexta-feira 13, em março. Passando por altos e, muitos, baixos. Até a figura conhecida mundialmente (Coffin Joe, é internacional), mas que em seu próprio país muitos desconhecem sua obra. Há quem o compare com o dito pior diretor do mundo Ed Wood, mas Mojica é bom, é único assim como Wood. Comparar para que?!

Zé do Caixão - Maldito, A Biografia
André Barcinski e Ivan Finotti
DarkSide
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quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

A 5ª Onda

Apocalipse alienígena. Este é o cenário da mais nova franquia juvenil, que empodera adolescentes e tem uma garota como protagonista. Baseado no best-seller homônimo de Ricky Yancey. Cassie (Chloë Grace Moretz) é uma adolescente enfadonhamente normal. Vai à escola, à festas sonha com um garoto inatingível, adora o irmãozinho caçula. Até o dia em que os invasores chegam.

Os aliens da vez são pragmáticos e agem de forma ordenada e sistemática, diminuindo consideravelmente à capacidade de reação dos alvos. Atacando em ondas, os extraterrestres, primeiro eliminam nossos recursos eletrônicos. Depois causam destruição em massa com desastres naturais. E contaminam a maior parte da população restante com um vírus letal antes de invadir o território. Calma, nada disso é spoiler, está no trailer (e no poster, e na capa do livro).

As quatro ondas de ataque no entanto, são a melhor parte do filme. Construídas como um filme catástrofe pela perspectiva de uma adolescente comum, tem ótimos efeitos especiais. Além de uma tensão bem construída, já que os personagens não fazem ideia dos planos e objetivos do inimigo, muito menos quando e como virá o próximo ataque. Infelizmente tudo isso é apenas a introdução.

É após a quarta onda que Cassie se separa do irmão (Zackary Arthur), e seu foco passa ser o resgate do menino. A jornada começa bem, questionando os limites da humanidade em situações extremas. - Até onde você iria para sobreviver? - Mas perde o foco, e qualquer chance de profundidade, quando o misterioso Evan Walker entra em cena.

A adição do obrigatório segundo interesse romântico da moça (lembra do carinha inatingível da escola?), interrompe a ação. E ainda abusa da suspensão de descrença do expectador: sério que alguém consegue arrumar um pretendente tão rápido, em um mundo que a maioria da população foi extinta?

Em outra linha narrativa, acompanhamos a jornada do irmão Sammy. Supostamente resgatado pela forma militar "estadunidense". O desfecho é previsível para quem está familiarizado com o gênero. Mas pode ser uma novidade, e uma boa introdução à ficção-cientifica para a garotada. Claramente o público alvo da produção.

Com um final que abre espaço para as continuações (o segundo livro O Mar Infinito, já foi lançado por aqui, o terceiro tem previsão para 2017 em terras estrangeiras) A 5ª Onda, é mais uma franquia que pretende pegar a lacuna que Jogos Vorazes deixou. Sobrevive graças aos bons efeitos e tensão de sua primeira metade, e principalmente ao carisma de sua protagonista. Chloë Grace Moretz carrega bem o filme, mesmo nas sequencias absurdas.

Resta torcer para que a eterna Hit-Girl seja suficiente para garantir as sequencias. E evitar que A 5ª Onda seja mais uma franquia juvenil iniciada baseada em uma obra literária , deixada de lado e sem final por Hollywood.

5ª Onda (The 5th Wave)
EUA - 2016 - 112min
Ficção-científica, Ação, Suspense


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segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

O bons modelos femininos de 2015

Infelizmente o que a maioria das pessoas vai recordar do ano que passou é que, 2015 foi um ano ruim em muitos sentidos. Mas de uma coisa podemos nos orgulhar neste ano complicado: o "girl power" invadiu as telas, com ótimos, e distintos,exemplos para as meninas de todas as idades. Que tal conferirmos o Top 5?

Peggy Carter
Agente Carter (Hayley Atwell) para ser mais exata. É provavelmente o exemplo mais historicamente contextualizado e realista. Afinal, fora à parte dos Super-Heróis, é bem verdade que o papel da mulher mudou muito por causa da 2º Guerra Mundial. Sem os homens por aqui, a mulherada assumiu, e muito bem, as tarefas que antes eram deles. Quando os soldados voltaram, ficou difícil forçar a mulherada de volta aos afazeres domésticos.

É esse espaço no mundo profissional que Peggy batalha por alcançar. E não desiste! Apesar de ser menosprezada e relegada à "servir cafezinho" aos colegas, ela faz jus ao seu título e currículo, e entrega um trabalho melhor, que eles. Tudo isso com a elegância dos anos de 1940 e salto alto.

Ella (Cinderela)
Sim, você leu direito! Cinderela a gata borralheira (Lily James), à espera pelo príncipe, que estreou nas telas este ano pode não parecer, mas é um bom exemplo para as pequenas. Além de ser filha da Agente Carter! É verdade,  ela não vai à luta propriamente dita. Mas, sendo realistas ela luta como pode dentro das condições da sociedade em que vivia.

Sim ela poderia partir para a agressão ou vingança, contra a madrasta e as irmãs. Mais isto iria de encontro a tudo em que acreditava. Apego à seus ideais, perseverança e força de vontade. Tudo isso com educação e sem perder a ternura. Ter coragem e ser gentil, em um mundo que realmente precisa de gentileza. Afinal não é só com uma arma em punho, que se pode ser forte!

Imperatriz Furiosa
Prefere a arma em punho? Tudo bem, esta moça tem a arma literalmente no punho (com perdão do trocadilho). Mad Furiosa, é como costumamos chamar Mad Max: Estrada da Fúria. Uma vez que a moça badass com braço mecânico resgata rouba não apenas as noivas de Immortan Joe, mas também todo o filme que deveria ser de Max.

De fato não precisaríamos de Mad Max, para a história acontecer. Furiosa poderia levar a trama muito bem sozinha. Até porque mesmo as noivas estão longe de serem donzelas esperando o regate, e tem sua parcela de coragem na trama. Max está lá apenas como bônus.

A Jessica não é fofa e adorável, muito menos uma sex-simbol. É anti-social, com poucos amigos, alcoólatra, violenta,  extremamente perturbada (leia-se traumatizada), ainda sim é a primeira heroína da Marvel à ganhar série própria. E a mostrar que além levar uma série inteira podería fazer isso como uma pessoa normal (ou quase ela tem super-força). Seus problemas são reais, e comuns à pessoas de verdade.

Além disso, Krysten Ritter consegue se manter como protagonista mesmo quando um vilão, muito mais carismático aparece. E olha que o moço é interpretado não apenas por um ator extremamente competente, mas que já tinha sua horda de fãs.

Rey
Ela é mecânica, piloto, fala vários idiomas, cresceu sozinha em um planeta inóspito, povoado pela escória do universo. Apesar disso é "do bem" e ainda tem a Força. Precisa mais? A protagonista de Star Wars: O Despertar da Força causou polêmica antes mesmo de estrear. (Acredite, existe gente que queria boicotar o filme por causa dos protagonistas serem uma mulher e um negro)

Com o filme ainda nos cinemas, a Rey (Daisy Ridley) deve inspirar muitas garotinhas, que finalmente podem trocar os vestidos de princesa (afinal Leia era uma), e empunhar um sabre de luz sem hesitar. Já era a hora!

Menção Honrrosa - Katniss Everdeen
Tem que falar da moça que venceu os Jogos Vorazes 2 vezes. Ela puxou toda essa nova geração de protagonistas femininas, e terminou sua saga este ano. Infelizmente com menos impacto que poderia. Katniss (Jeniffer Lawrence) termina muito mais traumatizada nos livros. Mas a versão mais romanceada do final das telas, tirou e muito o impacto de sua jornada. Mas um final razoável não apaga uma boa saga não é mesmo.
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Sim, eu sei que algumas moças exemplares da cultura pop de 2015, ficaram de fora. Supergirl, Jane Doe (Blindspot), a Vespa (Homem-Formiga), Annalise Keating (How to get away with Murder), o quarteto de Sense 8, e até as menininhas fofas de Tomorrowland. Mas aí, a lista ficaria gigantesca.

Além disso, este é o meu Top5! Te desafio a fazer o seu, e nos apresentar os predicados de suas candidatas! Qual moça tem inspirou em 2015?


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quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Snoopy e Charlie Brown: Peanuts, O Filme

Se você é adulto, é provável que saia extremamente nostálgico e principalmente saudosista quanto a dublagem desta nova aventura de Minduin e cia. - "Ah! Podiam charmar o Selton Mello para dublar com voz de adulto mesmo", saímos pensando. Pura bobagem! Especialmente quando se descobre que as animações que víamos na TV, tiveram nada menos que cinco dublagens diferentes (eu mesma tenho lembranças de ao menos duas na cabeça). E principalmente porque isso não importa muito após alguns segundos de exibição.

E reparou que eu mencionei saudosismo apenas em relação as vozes? É porque apesar da nova roupagem esta é a única característica ligeiramente diferente das animações e tirinhas que conhecemos. Isso porque a produção conseguiu trazer o visual cartunesco para a versão criada por computação gráfica, e em 3D. Inclua aí, linhas que indicam movimento, sobrancelhas que ultrapassam chapéus e franjas, entre outras coisas.

Além do visual, o tom das histórias e das personagens também é respeitado. Em parte graças ao criador Charles M. Schulz, que pediu em testamento que a essência de seus personagens fosse mantida. Logo, o filme adapta a história de "A Garotinha Ruiva", e traz momentos e referências de outras tramas. Sempre tratando os problemas infantis como grandes dilemas e tendo como grande vilão a própria insegurança de Charlie Brown.

Já o Snoopy, traz uma sua trama paralela, afinal esta produção é do estúdio que nos trouxe Scrat, e sabe que a criançada de hoje em dia está mais que acostumada com as múltiplas narrativas. Uma aventura do "As da Aviação", dessa vez com um vilão de verdade o Barão Vermelho, e uma mocinha a ser salva. 

Vale lembrar que Snoopy continua mais inteligente e criativo que os humanos. E junto com Woodstock, continua mágica e eficientemente se comunicando apenas por pantomima e eventuais ruídos. Assim como o "blábláblá" dos adultos continua incompreensível.

Snoopy e Charlie Brown: Peanuts, O Filme não traz uma trama original é verdade. Mas vai ser novidade para muitos pequenos que vão descobrir os dilemas existenciais. Desde a infância nossos maiores vilões da vida real, tudo isso de forma simples e carismática. Enquanto os adultos vão ter que disfarçar o sorriso de orelha-à-orelha ao reconhecer ícones de infância.


O 3D vale o ingresso, ao funcionar assustadoramente bem com o visual meio "2D" tradicional de Schulz. Assim como assistir à sequência de créditos até o final.

Oh, puxa! Complicado mesmo só o título, que precisou trazer a marca "Peanuts", mas sem esquecer que por aqui o pessoal reconhece a obra, por Snoopy, Charlie Brown ou mesmo Minduim. Boa sorte tentando acertar esse longo título ao pedir os ingressos na bilheteria.

Com uma cara de recomeço, uma boa homenagem e muita nostalgia Snoopy e Charlie Brown: Peanuts, O Filme, equilibra um clássico de antigamente para as plateias de hoje. E que venha uma nova geração, com uma nova dublagem como referência. Desde que a essência soe a mesma, não importa com quais vozes.

Snoopy e Charlie Brown: Peanuts, O Filme (The Peanuts Movie)
EUA - 2015 - 88min
Animação
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