segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Peter Pan

Hollywood ainda não descobriu, mas algumas histórias e personagens não precisam de explicação ou prelúdio. E, a menos que a intenção seja desvirtuar completamente e criar novos questionamentos, mexer com ícones do imaginário soam apenas como um caça níquéis carente de imaginação. Infelizmente este é o caso da nova versão de Peter Pan.

Ambientado sem motivo aparente (que não seja a possibilidade de colocar navios voadores duelando com bombardeiros) na Segunda Guerra Mundial, esta versão traz Peter ainda como órfão em um suspeito orfanato comandados por freiras malvadas de onde as crianças desaparecem durante a noite. Vale lembrar que a história de J. M. Barrie é contemporânea a época em quer fora escrita por volta do ano de 1902. Logo se você conseguir abstrair do fato que esta historia está situada décadas depois das aventuras com Wendy, vai conseguir se divertir mais do que esta blogueira que vos escreve.

De volta ao longa, não demora muito para Peter (Levi Miller, carismático e esforçado) descobrir que as freiras vendem órfãos para piratas voadores. Infelizmente a descoberta acontece quando o próprio protagonista é levado pelos malfeitores. Já na Terra do nunca bucaneiros e garotos sequestrados/perdidos são escravizados pelo lendário pirata Barba Negra (Hugh Jackman,se divertindo), para extrair de enormes minas o Pixum, o pozinho das fadas, ou pó de pirimpimpim para os mais antigos.

É claro, que não demora muito para o garoto fugir de lá, acompanhando de James Hook (Garrett Hedlund), sim ele já tinha esse nome antes de perder uma mão. E Smiegel (Adeel Akhtar), logo encontram a Princesa Tigrinha (Rooney Mara), toda sua tribo e de bônus uma profecia: Peter é o escolhido para salvar a Terra do Nunca da Tirania de Barba Negra e resgatar as fadas obscuridade. Inclua aqui, a receita completinha da jornada do herói, afastando este Peter da figura insolente, autoconfiante e até arrogante que virá a ser um dia. Sim, há planos de sequencias, para transformar este Peter no personagem de Barrie. Como a produção vai lidar com o fato de que não pode impedir Levi Miller de crescer, é o problema que me vem a mente, mas existem outros.

Transformar, o agora parceiro e jovem galanteador estilo Indiana Jones (inclusive nas roupas), no inimigo mortal ranzinza, maneta e odiável, Capitão Gancho vai ser complicado. Afinal, neste longa a construção do personagem nos faz torcer por ele, inclusive por um romance com Tigrinha. Se nem nós do lado de cá conseguimos odiar o personagem que sabemos ser o vilão, como seus companheiros de viagem vão fazê-lo. Carece muito de ambiguidade essa versão de James Hook.

Se o roteiro carece de ousadia. O orçamento não perde em nada para qualquer blockbuster. Dinheiro, que o diretor Joe Wright reconhecido por dramas de época como Desejo e Reparação e Orgulho e Preconceito soube distribuir bem entre efeitos práticos e computação gráfica. Entres sereias, crocodilos gigantes e embarcações voadoras, uma curiosa luta sobre uma cama elástica, saltos dignos do Cirque du Soleil e mortes representadas por explosões de fumaça coloridas são as que melhor se destacam. Já a direção de arte, embora impecável, não consegue fugir (como poderia?) de contrastar uma Londres cinzenta com a multicolorida Terra do Nunca.

Enquanto a maioria do elenco se esforça, conscientes de que carregam personagens amados por gerações diversas. Hugh Jackman tem carta branca para gastar toda sua teatralidade em um vilão exagerado, caricato, de aparência pitoresca, que nem precisaria vestir preto para reforçar suas intenções. E se a competência de Rooney Mara, não for suficiente para encobrir o erro em sua etnia, vale apontar que sua tribo, parece reunir "nativos" de todos os cantos do mundo.

Visualmente deslumbrante Peter Pan, não deixa de ser uma aventura divertida, cujo o único objetivo é entreter. Trazer referências ao original, serve apenas de chamariz e alguns momentos de curiosidade. Premissa desnecessária na opinião desta humilde blogueira que vos escreve. Eu não precisavam, nem gostei de conhecer esta origem de Pan. Especialmente quando relembro que uma série de TV, foi melhor sucedida em oferecer uma origem para este icônico personagem, subvertendo completamente os personagens. Na terceira temporada de Once Upon a Time, Peter é o verdadeiro vilão de Neverland. Enquanto Gancho o galanteador ambíguo que falharam em apresentar no longa.

Faltou a ousadia do verdadeiro Pan neste prelúdio. Se é para recontar uma história tão explorada quanto esta, um salto de fé (e muita coragem) é necessário, além de pensamentos felizes.

Peter Pan (Pan)
EUA - 2015 - 111min
Fantasia/Aventura


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