sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Bates Motel - 3ª temporada

...ou como criar um psicopata, parte 3: últimos detalhes! Pois se você chegou até aqui, já deve ter percebido, que Norman está muito mais próximo daquele "pacato" administrador de hotel, do que do adolescente doce que nos foi apresentado no piloto desta série.

"Vale sempre alertar resenha a seguir pode conter spoilers de Psicose, clássico de Hitchcock. Mas se você já passou por duas temporadas sem assistir ao original, é porque é um péssimo cinéfilo, não está a fim de ver mesmo né!"

Depois do inspirado final da segunda temporada, não há mais dúvidas: Norman (Freddie Highmore) vê coisas! E ele está ciente disso, embora não consiga fazer distinção entre ilusão e realidade. Principalmente porque sua alucinação tem a forma daquela em que ele mais confia, sua mãe Norma (Vera Farmiga). Daí para confundir sua personalidade com a de sua ilusão, basta um passo. Ou melhor uma ausência!

Norma está mais instável nesta temporada, ao se envolver com poderosos da peculiar White Pine Bay. Além de um Psicólogo e o Xerife Romero (Nestor Carbonell), enquanto tenta alavancar os negócios. A instabilidade emocional da matriarca reflete em sua relação com Norman. Deixando de ser segura e grudenta do piloto, para ser completamente instável, guiada por medo e desconfiança.

Por outro lado, com seu outrora filho renegado Dylan (Max Thieriot) a relação segue na direção oposta. Uma vez que ele é o único com quem ela pode compartilhar tanto seus problemas com a cidade, quanto a condição de Norman.

Dylan também tem seu próprio arco, buscando abrir seu próprio negócio, e ele acaba criando um relacionamento com seu pai/tio Caleb Calhoun (Kenny Johnson). Uma vez que Norma não gosta do irmão, graças ao relacionamento conturbado que resultou no nascimento de Dylan, e Norman vive para defender a mãe. Episódios que exploram a relação entre este quatro, trazem ótimas cenas.

Depois de passar a segunda temporada meio de fora da ação Emma Olivia Cooke, começa sua temporada mais envolvida com os negócios da família. Com sua expectativa de vida cada vez mais curta, a moça que precisa de um transplante de pulmão, adota uma postura de "viver a vida sem perder tempo". Se uma coisa não dá certo, a fila anda. E sim, estou falando de rapazes.

Contudo, apesar dos bons arcos, Dylan, Emma, Caleb e o Xerife Romero (este último em processo de decadência com ajuda de Norma), que nos desculpem, mas o foco aqui é a construção de um dos maiores psicopatas do cinema. E nesse aspecto a série não decepciona ao apresentar seu protagonista em um estágio de evolução do qual não há retorno. Palmas apara a ótima interpretação de Highmore, e para a montagem. Especialmente no season finale, quando finalmente assistimos por completo um dos "surtos" do rapaz, antes mostrados apenas em partes, ou como "apagões".

Com Norman fora da escola, Dylan na fazenda e o Motel e a casa como cenários principais, esta temporada mostrou pouco a cidade de White Pine Bay. Sem no entanto diminuir as consequências de se viver na cidade. A restrição de cenários pode também ser vista como uma restrição do mundo de Psicose, caminhando para a inevitável sensação de isolamento e mistério que o Motel Bates e a casa criam no longa. Tornando esta adaptação memorável.


Bates Motel é exibida pelo canal pago Universal Channel, e na TV aberta pela Record. Assim como as temporadas anteriores, esta tem 10 episódios. A série já teve seu quarto e quinto anos confirmados, com a encomenda de mais 20 episódios.

Leia mais sobre Bates Motel aqui, ou descubra o clássico de Hitchcock que a inspirou a série, no especial Psicose do blog parceiro DVD, Sofá e Pipoca.

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