quarta-feira, 17 de junho de 2015

Divertida Mente

Você entende como as emoções comandam as suas escolhas? A Pixar entende. E claro, que faz o favor de explicar pra gente através da mente da pequena Riley. Mas não se engane, não é a menina a grande protagonista desse filme, mas suas emoções.

Com 11 anos de idade a menina tem sido regida sua vida toda por Alegria (Amy Poehler, Miá Mello na versão nacional), que se esforça muito para que a menina seja sempre feliz. Medo (Bill Hader/Otaviano Costa), Raiva (Lewis Black/Léo Jaime) e Nojinho (Mindy Kaling/Dani Calabresa) tem suas funções na tarefa de manter Riley segura e bem. Já a Tristeza (Phyllis Smith/Katiuscia Canoro) é a incompreendida da turma.

Tudo vai bem até que a família precisa se mudar, e a menina enfrenta novas situações e sentimentos que não compreende. É claro, as emoções ficam atarefadas na sala de controle (a cabeça de Ryley), e tudo piora quando Alegria e Tristeza se perdem no cérebro da menina.
A dupla de opostos precisa achar seu caminho de volta através da imensidão do cérebro humano, que tem cenários como ilhas de personalidades, mundos imaginários, depósitos de lembranças, produção de sonhos e claro, o limbo para onde vão aquela coisas que esquecemos completamente. Enquanto isso do lado de fora a vida de garota entra em colapso já que Medo, Raiva e Nojinho não são suficientes para manter o equilíbrio.

Os criadores de Divertida Mente estudaram bastante, e incluíram muitos conceitos de psicologia na construção desta aventura, todos devidamente palatáveis através de alegorias inteligentes. Aspectos da memória, personalidade, sonhos, temores e até depressão são trabalhados neste longa.

Calma, ainda é um filme de criança, da Pixar, e você não vai ouvir o termo depressão durante a projeção, mas vai sim identificar sintomas do mal do século. E consequentemente uma mensagem positiva de como lidar com a condição. Uma vez que o filme não traz a Tristeza como vilã, mas como alguém incompreendido que precisa de espaço e atenção de vez em quando. Chorar também é preciso, e não há nada de errado nisso! Não deixa de ser também uma crítica á nossa hipocondríaca sociedade, que tenta tornar o mundo controlável através de anti-depressivos em excesso.


E por falar em choro, é provável que você chore neste filme. E tudo bem, pois é apenas uma indicação da Pixar sendo "A Pixar" novamente. Após um período de continuações não tão brilhantes (à exceção de Toy Story 3) e seu primeiro ano sem lançamentos (2014) no cinema. A empresas precisava provar que não perdera seu "toque mágico". Mencionei, a "protagonista cenário" Riley, e suas emoções principais Alegria e Tristeza, ajudam a corrigir a escassez de protagonistas femininas do estúdio?

Divertida Mentefaz tudo isso, sem deixar de ser divertido e criativo, criando um universo completamente novo, e ousado, a nossa mente. E trazendo novos personagens carismáticos e profundidade interessante, apesar de simplificados para o público infantil. O visual, como esperado, é impecável, mas o 3D é recomendado principalmente por causa de um trecho que brinca com universos bidimencionais.

A Pixar, está de volta, e para toda a família. Embora adultos provavelmente vão se relacionar com a história em nível diferente. Leve lencinhos, afinal chorar pode!*

Divertida Mente (Inside Out)
EUA - 2015 - 94min
Animação/Aventura

*O longa vem acompanhado do curta-metragem Lava, que abre a sessão. Já mencionamos o curta que é um musical aqui. Leia a resenha de Lava.

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