quinta-feira, 7 de maio de 2015

Chappie

É 2016, e Joanesburgo surpreendeu o mundo ao adotar um bem sucedido sistema de policiamento com robôs policiais pré-programados. O próximo passo para o criador dos robôs Deon (Dev Patel, Quem quer ser um milionário?) é a inteligência artificial. Mas a idéia é rejeitado pela empresa em que trabalha e, é claro, ele executa seu projeto de forma clandestina.

Entretanto, em Chappie, a inteligência artificial é similar à humana, e precisa ser desenvolvida com aprendizagem, ainda que em uma velocidade muito maior. Logo, o robô do título (vivido em captura de movimentos por Sharlto Copley) surge como uma criança cheia de potencial, mas indefesa em muitos aspectos. Não ajuda muito o fato desta nova forma consciente ser sequestrada por bandidos, em vias de seu "grande roubo".

Munido de consciência busca de Chappie e por identidade. É nesta busca que o diretor Neill Blomkamp (de Distrito 9 e Elysium) encontra o espaço para discussão. Que identidade consciência pode criar neste universo decadente, á margem da sociedade e rodeado por influências duvidosas e manipulação? Ainda que seu criador, Deon não desiste de sua criação, eventualmente lhe ofereça uma bússola moral mais apropriada.

Há espaço também para a discussão sobre a própria inteligência artificial em si. Além das tradicionais: seria o robô um ser vivo com sentimentos? pode o homem brincar de deus? - Chappie também chega a questionar, pessoalmente ao seu criador aliais, sua existência efêmera. Existe questão maior que esta? Curiosamente uma questão que ficou de fora, é da máquina se rebelando contra o homem. Esta foi substituída por nosso mal uso da tecnologia, se a máquina age errado, é porque houve erro humano antes.

Do outro lado da moeda Hugh Jackman, vive um caricato cientista cujo projeto fora descartado em prol dos sentinelas policiais de Deon. Obcecado, não exista em ser violento, infrinfir leis, e até destruir a cidade em prol do projeto que acredita ser mais eficiente. Seu robô "Touro" é claramente inspirado pelas máquinas de Robocop.

Esta, aliais é a única influencia que o diretor reconhece. Segundo ele, a intenção não era fazer referência a Pinóquio ou à Número 5, de Um Robô em Curto Circuito. Chappie apenas trata de temas semelhantes. Na opinião desta blogueira que vos escreve, você pode sim não intencionalmente embutir referências à temas e obras que estejam perdidas em seu inconsciente. Mas isso é assunto para outro post!

De volta à Chappie, o robô tem como pais, os rappers do grupo sulafricano Die Antwoord, Ninja e Yolandi, que usam seus próprios nomes durante a fraca atuação. Uma escalação arriscada, compensada pelo esforço de Patel, Copley, Jackman e Sigourney Weaver (dona da empresa de seguraça), mesmo que seus papéis por vezes soem caricatos, ou incoerentes. Como assim uma empresa bélica não está interessada em inteligência artificial, de graça e pronta para usar? É sério que Deon pauta sua vida por um daqueles panfletos motivacionais?

Tudo isso escondido sob a capa de um filme de ação cheio de explosões e com tom divertido e ritmo ágil. Chappie parece abordar mais temas do que tem tempo de discutir, mas acredito que o mérito esteja em abrir a discussão. E compensa às falhas de coerência em alguns momentos. É uma boa pedida que infelizmente teve seu lançamento eclipsado por outra inteligência artificial, o Ulton. Não deixe de conferir se tiver oportunidade.

Chappie
EUA/México - 2015 - 114min
Ficção ciêntifica/ Ação


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