quarta-feira, 20 de maio de 2015

A Incrível História de Adaline

Logo no início da projeção Adaline afirma, que odeia ver um talento desperdiçado. Podemos dizer o mesmo sobre um bom argumento. Não que A Incrível História de Adaline, não seja eficiente naquilo que se propõe, é um romance. Mas com uma ideia tão interessante, é difícil não imaginar ou esperar algo mais.

Adaline Bowman (Blake Lively) nasceu na virada do século XX, e viveu uma vida normal até os 29 anos, quando sofreu um acidente de carro. Desde então a protagonista parou de envelhecer misteriosamente. Ao perceber que sua condição poderia transforma-la em um material de pesquisa, Adaline passar a viver em movimento, mantendo um laço distante apenas com a filha Flemming (Ellen Burstyn).

A situação muda após seis décadas de solidão quando a protagonista conhece o jovem filantropo, Ellis Jones (Michiel Huisman, o Daario Naharis de Game of Thrones). Por quem, com incentivo da filha já em idade avançada, decide mudar sua rotina de isolamento. Adivinhou quem pensou que conhecer a família do rapaz, que tem Harrison Ford como pai, e manter seu segredo é mais difícil do que parece.

Segue-se aí pelo caminho do tradicional romance, o medo do comprometimento (nesse caso agravado por sua condição), os segredos e uma ou outra consequência de uma vida tão extensa. Tudo superado é claro pela força do amor.

Mas, e o medo de ver mais pessoas que morrer, a tristeza por aqueles que já perdeu? Isso sem falar do misterioso (mas cientificamente explicável em 2035!?) incidente que a tornou eternamente jovem? Sim essas coisas incomodam Adaline, por uma ou duas cenas, antes de a grande questão de sua vida ser tornar Ellis, e o segredo que mantém dele. Mesmo os flashbacks da vida da centenária protagonista, alardeados em belos posteres de cada época, são escassos e rápidos. Mal dá para notar que o diretor resolveu abordar cada época como se filmaria naquele tempo, em película e câmera na mão em 1908, lentes esféricas nos anos 30 e 40, e com visual Cinemascope nos anos 50.

Quanto à protagonista, à produção dá conta de apresentar ótimas caracterizações para Lively em diferentes épocas. Trazendo-a ao século XXI, com o glamour de outras eras. Adaline tem os conhecimentos e a postura de alguém que viveu 107 anos, mas não a sabedoria. Sua filha parece compreender muito mais da vida, que ela. Se isso é um erro da construção do personagem, ou a consequência de ser "eternamente jovem", ainda não descobri.


Pessoalmente gostaria de ver mais da vida de um protagonista que não envelhece através dos tempos (mas, Forever já foi cancelada) e menos da mulher que vive na mesma época que nós. Apesar do gostinho de "quero mais", A Incrível História de Adaline, tem produção impecável, roteiro bem desenvolvido, e um elenco eficiente. Um romance que foge dos clichês dos gêneros graças à esse pano de fundo pouco explorado, o segredo da protagonista, e ao glamour que a personagem traz consigo de outras épocas.

A Incrível História de Adaline (The Age of Adaline)
EUA - 2015 - 113min
Romance

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