segunda-feira, 6 de abril de 2015

Insurgente

Para quem já achava meio ser implausível uma sociedade não apenas dominada por rótulos, mas completamente definida por eles, apresentada em Divergente, é decepcionante descobrir que Insurgente não ajuda em nada para tornar este universo mais plausível. Nesta segunda aventura Tris (Shailene Woodley), Quatro (Theo James) e cia, são fugitivos sem facção procurada por rocurados por Jeanine Matthews (Kate Winslet), líder da Erudição.

Jeanine por sua vez, se empenha além da busca por revoltosos, em uma caça à divergentes para servir de cobaia. A experiência consiste em abrir um misterioso artefato com instruções dos fundadores da cidade. Ganha uma cena de ação absurda, quem adivinhar qual dos divergentes é o candidato perfeito para o experimento! Nesse meio tempo descobrimos que os sem facção, também tem uma líder (Naomi Watts), que tem seu plano próprio.

Trama aparentemente complicada e cheia de facetas, mas na verdade um emaranhados de clichês, diálogos funcionais e soluções que não fazem muito sentido após segundos de reflexão. Um exemplo é violenta sequencia de luta no trem onde os protagonistas são quase mortos, antes de Quatro revelar uma informação que não apenas cessa, mas poderia ter evitado a briga desde o principio. Não fique irritado provavelmente alguém próximo, ou mesmo você vai quebrar o silêncio da sala escura para perguntar: Porque diabos ele não fez isso antes?

Se tem como mérito trazer mulheres em papéis dominantes, além de Woodley, Winslet e Watts, também descobrimos Octavia Spencer em ponta de luxo como líder de Amizade. O filme peca em não oferecer profundidade à seus personagens, especialmente com tão boas atrizes à disposição. Assim, temos uma Jeanine uma vilã cruel que parece não compreender completamente as nuances do mundo que controla.

Tris até ensaia um conflito interno, já que se sente culpada pelas mortes dos longas anteriores. Mas o previsível conflito se perde em meio à correria de uma produção que privilegia a ação. Outro ponto questionável é a mudança de visual da protagonista, que alega querer mudar alguma coisa. Não faço idéia do visual da Tris dos livors, mas se na abnegação os cabelos vivam presos, e preocupação com o visual não era uma prioridade ostentar uma bela cabeleira (de preferência ao vento cinematográfico) soa muito mais como uma novidade, que o corte joãozinho.

A escolha na verdade foi uma "proposta" de Shailene Woodley, que justificou como crescimento de personagem, mas na verdade não estava disposta a realizar cenas de ação com perucas. O resultado é uma inevitável relação com A Culpa é das Estrelas. O filme anterior para o qual a atriz assumiu o corte, e que também traz Ansel Elgort no elenco. Aliais, é piada que vem  mente é que Caleb, manca mais neste filme de ação, que no romance onde tem uma perna mecânica.

De volta à Insurgente, mas ainda falando dos personagens masculinos. Enquanto o inexpressivo Caleb tem comportamento inconsistente, o teimoso Quatro é apenas o namorado acessório mal-humorado. Sobra espaço para Miles Teller, e seu irritante Peter chamarem atenção. Traicoeiro, e sempre buscando vantagem o personagem é o dono das mais bem humoradas sequencias.

As sequencias de ação, são bem produzidas e devem agradar. Entretanto não vão desviar os mais atentos para novas perguntas somadas às já inúmeras levantadas pelo longa anterior. Que vão desde: Como pode ser uma boa ideia se esconder entre os moradores da Franqueza? Quando a Tris fez outra tautagem? De onde veio e porque não era usado o moderno aparelho portátil que não apenas identifica divergentes, mas aponta a porcentagem de sua divergência? Passando pelas escolhas dos personagens, até tal da caixa misteriosa. E sua mensagem deus ex machina capaz de terminar guerras, apesar de muito questionável.

Com já fraca mensagem, de que rotular pessoas não é a melhor forma de administrar uma sociedade perdida, no meio de muita ação e perguntas demais para ignorar. Insurgente perde seus poucos méritos de fazer novas gerações, pensarem sobre quem são em sociedade. Ao mesmo tempo que abandona o expectador com um desfecho que, embora encerre um arco neste "filme do meio" (coisa rara em franquias), é altamente frustante. Resta saber se vale apena esperar por um desfecho que salve a franquia, ou é melhor desistir por aqui mesmo.

Insurgente (Insurgent)
EUA - 2015 - 119min
Ação / Ficção científica


Leia a crítica de Divergente

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