quarta-feira, 11 de março de 2015

Para Sempre Alice

Didático! Esta é a palavra que vem à mente após a sessão de Para Sempre Alice. O longa que deu o Oscar de melhor atriz Julianne Moore este ano, apresenta de forma clara para o público comum uma doença pouco compreendida.

Alice Howland (Moore) é uma renomada professora de linguística diagnosticada com Alzheimer de início precoce. Uma forma pouco comum, mas igualmente arrebatadora da doença de agravamento progressivo que tem como sintoma mais marcante a perda de memórias.

A partir daí, acompanhamos não apenas a evolução da doença, mas o impacto na vida de Alice e dos que a cercam. Isto é sua família "estadunidente" de classe média alta, composta pelo marido (Alec Baldwin) e seus três filhos, Tom (Hunter Parrish), Anna (Kate Bosworth) e Lydia (Kristen Stewart).

Inicialmente a família, e a própria Alice tentam lidar de forma racional com o problema. Os filhos se submetem à exames para saber se são propensos à doença, uma vez que é genética. Uma questão que poderia ser melhor explorada, uma vez que nem todos os filhos querem saber a resposta. Mas a discussão "saber ou não", é logo deixada de lado. Pois todo o foco é na protagonista.

A própria Alice por sua vez, cria esquemas e rotinas para tentar conviver com sua nova condição. Mas logo fica evidente, que ela não pode mais acompanhar as tarefas do dia-a-dia, ou a evolução do marido no trabalho. Um simples jantar social a deixa nervosa com a probabilidade iminente de não conseguir acompanhar a conversa.

Enquanto a doença evolui, sentimos o mundo de Alice ficar menor. Seja pelo enquadramento fechados e claustrofóbicos, seja pelo isolamento. Há cada vez menos pessoas na vida da protagonista, se realmente se afastaram ou a própria Alice não os registra mais, não temos certeza.

Logo é nos ombros de Moore que recai todo o peso de levar o expectador até onde nos é permitido acompanhar o que se passa com Alice. E a atriz não faz menos que o trabalho competente que já entregara em tantas outras produções. A diferença aqui é que com o roteiro simples e tradicional, o enfoque sobre seu bom trabalho cresce.

Baseado no romance homônimo de Lisa Genova (escritora e neurocientista), o filme é um registro didático, quase documental da evolução do Alzheimer de início precoce. Um bem vindo esclarecimento sobre uma condição que muitos desconhecem, que tem a sorte (ou seria bom senso), de escalar uma intérprete capaz de apresentar com exatidão e sentimento os devastadores estágios desta doença.

Para Sempre Alice (Still Alice)
EUA/França - 2014 - 91min
Drama


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