segunda-feira, 30 de março de 2015

The Walking Dead - 5ª temporada (parte 2)

Chega de histórias paralelas e várias linhas narrativas! O grupo do Rick finalmente se reuniu durante esta temporada. Com perdas e ganhos, sim, contudo mais unido do que em qualquer outro momento da série.

Recapitulando, vagando em pequenos grupos desde a a derrocada do Governador na primeira metade da 4ª temporada. O grupo principal finalmente se reúne no super estimado Terminus no início deste quinto ano. O suposto local onde todos sobreviveriam e perseguido pela maioria dos personagens durante meia temporada. Finalmente se mostrou não apenas como uma enganação, mas uma passagem bem mais curta, porém explosiva do que o esperado.

Unidos, mas novamente na estrada sem suprimentos, armas e perspectivas. É hora de lembrar que os zumbis não são necessariamente a pior coisa que se pode encontrar neste novo mundo. Um padre que não compreende nem perdoa suas fraquezas (ou seria covardia) humanas, canibalismo, um novo grupo de hierarquia suspeita (um novo tipo de escravidão?) cruzam o caminho de nossos personagens, até que estes se encontrem sem esperança alguma.

É aqui que o novo cenário desta temporada Alexandria. Um grupo sortudo de pessoas que conseguiu construir, e manter, um muro em torno de uma cidade sustentável logo no  início do apocalipse zumbi. E apesar de terem eventuais baixas, o conforto e estabilidade parece ter criado uma falsa noção do mundo real nos moradores.

Sim, eventualmente eles precisam sair para buscar mantimentos que não podem produzir e encontrar novas pessoas para suprir as baixas e manter a comunidade viva. Mas isso nem de longe, lhes dá o preparo necessário para enfrentar esse mundo, sua falta de habilidade aliais é o motivo de tantas baixas. E consequentemente de Alexandria precisar tanto do grupo de Rick quanto estes precisam de abrigo.

É claro, que um conflito cultural é iminente. Enquanto a líder Deanna Monroe é adepta de longas análises discussões e julgamentos, Rick já está no nível "fazer o que é preciso". Depois da Prisão, Woodburry, Términos e o Hospital onde Beth esteve cativa, o Xerife acredita que Alexandria não vai sobreviver da forma que é administrada, e parece não se importar de tomar medidas extremas para manter aquele lugar. Leia-se quase se tornar o Governador.

Mas os conflitos não se restringe aos líderes. Os comportamentos divergentes do grupo causam brigas e mortes quando postos em confronto. Intrigas e problemas sociais existentes desde que o mundo é mundo, também se fazem presentes. Existem tempo até para indicar futuros interesses românticos. Ah, e claro, tem zumbis, muitos deles!

É nesse acerto de ponteiros e na necessidade fazer os moradores de Alexandria "cairem na real" a qualquer custo, que se foca este final de temporada. Mesmo porque novos vilões já foram introduzidos, os "Lobos" uma dupla que não faz amizades, e usam zumbis como armas contra outras pessoas com suprimentos em potencial. Para equilibrar o universo, Morgan também retorna. Primeiro a encontrar com Rick na primeira temporada, e com uma breve aparição no terceiro ano,. Ele parece finalmente ter superado a morte da esposa e filho, e agora acredita que toda vida é sagrada.

Cheia de reviravoltas e com boas escolhas narrativas. The Walking Dead aparentemente confirmou ter encontrado seu rumo na temporada passada. Mantendo o equilíbrio tanto em momentos de histórias paralelas, quanto em situações com todo o grupo reunido. Inclua aqui, uma melhor distribuição do foco. É claro Rick ainda é o protagonista, mas há espaço para trabalhar outros personagens como Tyreese, sua irmã Sacha, os moradores de Alexandria e claro Noah.

Impossível não mencionar a participação de Tyler James Williams (o Chris que todo mundo odeia), que começou como uma piada interna (já que Vincent Martella, o Greg na série Todo Mundo Odeia o Chris, participou da temporada anterior), mas teve um arco decisivo para o comportamento do grupo. Outras participações especiais surpresas foram a de Keisha Castle-Hughes, ainda na primeira metade desta temporada. Além de David Morrissey (o Governador), Brighton Sharbino e Kyla Kenedy (respectivamente as irmãs Lizzie e Mika), estes últimos ao lado de outros falecidos desta temporada em uma alucinação de Tyreese.


Manter Alexandria viva e recomeçar a civilização, enfrentar os agressivos "Lobos" ou tentar as duas coisas. É a dúvida sobre que caminho a sexta temporada já confirmada, mas sem data de estréia, deve seguir. 

O final da quinta temporada de The Walking Dead, foi exibido por aqui simultaneamente à transmissão "estadunidense" no último domingo (29/03), legendado, sem comerciais em com mais de 1h de duração.  Para quem perdeu, o episódio final deve será reprisado hoje, no horário habitual da série, com a opção de áudio em português.

Não perca! Enquanto isso, lembre-se, corte a cabeça ou destrua o cérebro!

Leia mais sobre The Walking Dead. Confira o texto sobre a primeira metade da 5ª temporada.

Leia Mais ››

sexta-feira, 27 de março de 2015

Kingsman: Serviço Secreto

Kingsman: Serviço Secreto diz a que veio logo na primeira cena, ao partir Jack Davenport ao meio literalmente. Ao mesmo tempo que fica com a expressão de "Ah...tá! Té parece!", o expectador compreende: este não é um daqueles filmes de agente secreto que tenta ser realista. Mas, uma aventura no estilo James Bond "das antigas" com traquitanas impossíveis, e vilões caricatos que cortam cabos de aço com os dentes. Esclarecido isso, é só relaxar e curtir o passeio.

Este começa exatamente porque Lancelot (Jack Davenport) foi partido ao meio deixando uma vaga em aberto na agência Kingsman. Cada membro do grupo deve trazer um novo recruta para competir pela posição. Galahad (Colin Firth) traz Eggsy (Taron Egerton) filho de um ex-membro que desperdiça suas muitas habilidades. Ao mesmo tempo, Valentine (Samuel L. Jackson, se divertindo de vilão colorido) planeja "melhorar" o mundo com um plano mirabolante, claro!

Enquanto Eggsy usa seu "conhecimento das ruas" como diferencial, na competição no melhor estilo Jogos Vorazes, contra jovens candidatos da aristocracia britânica. O mesmo conhecimento apresenta seu padrasto e vizinhos como um trogloditas violentos. Galahad é um nobre cavaleiro inglês, como os vários que Firth já interpretou, que parte para briga sem pudores quando preciso. A cena de luta na igreja vai deixar muito super-herói com inveja.

Já Valentine, quer matar meio mundo, mas não consegue ver sangue. Usa roupas engraçadas, fala esquisito, tem um plano mirabolante, mas não sucumbe à muitos clichês de seu estilo de vilão. E tem consciência disso, afirmando: "não é esse tipo de filme".

A luta entre classes. A elegância e intelectualidade da nobreza dos agentes, em contraste com a falta de cavalheirismo dos nobres (leia-se riquinhos) candidatos. O marginal de bom coração e muito potencial, em contraponto aos proletariado beberrão e violento. O caricato vilão que às vezes quebra clichés. Dito assim parece um excesso de inconsistências, e uma confusão excessiva de discussões para um único filme.

Entretanto basta prestar atenção na mocinha Roxy (Sophie Cookson) e na vilã Gazelle (Sofia Boutella) - embora esta última tenha um nome que pode soar de mal gosto devido à particularidades da personagem - para perceber que toda bagunça é intencional. As moças tem seus arcos devidamente desenvolvidos. Roxy enfrenta o sexismo entre os colegas recrutas, Gazelle resolve o que o vilão não é capaz. Ambas servem à história, sem servir de escada, ou interesse amoroso.

Brincando o tempo todo com os inúmeros estereótipos, e aceitando absurdo e extremos entre eles, o longa apresenta um frescor e originalidade muito bem vindo em meio a blockbusters de super-heróis. Apesar de ser baseado em um livro e fazer inúmeras referências e homenagens ao gênero da espionagem. E ainda se apresentar como uma versão moderna da Távola Redonda do Rei Arthur. Ou você achou que os nomes Lancelot e Galahad eram mero acaso?

Kingsman: Serviço Secreto tem ótimas cenas de ação, gadgets de fazer inveja ao Tony Stark. Humor inteligente, característico do diretor e roteirista Matthew Vaughn. Além de um elenco afinado que ainda conta com Mark Strong, Michael Caine, Mark "Luke Skywalker" Hamil e Sophie Cookson. Resta torcer para que a agência tenha tanto potencial para novas histórias quanto Bond e tantos outros agentes secretos que homenageia nesta primeira aventura.

Kingsman: Serviço Secreto (Kingsman: The Secret Service)
Reino Unido - 2015 - 129min
Ação
Leia Mais ››

quarta-feira, 25 de março de 2015

Frozen: Febre Congelante

O curta metragem abre as sessões de Cinderela, e traz de volta às telas as irmãs Elza e Anna. Nesta mini aventura de 7 minutos, Elsa pretende recompensar os anos perdidos organizando a melhor festa de aniversário para Anna com a ajuda de de Kristoff e Olaf. Mas, infelizmente, apesar de não ser incomodada pelo frio, a rainha está resfriada.

Divertido e com muita música a animação dá um vislumbre da vida das irmãs reais mais populares dos últimos anos do estúdio após o final de Frozen. Antes da já anunciada segunda aventura longa metragem da dupla. Adele Dazin Idina Menzel, Kristen Bell, Jonathan Groff e Josh Gad estão de volta da versão em inglês. Assim como Fábio Porchat (Olaf) na versão dublada.

Um bônus e tanto para a sessão de Cinderela, não que o filme da Gata Borralheira precise de ajuda para encantar. Febre Congelante fornece o tom mágico e divertido para a sessão, e ainda dá a chance dos pequenos matarem as saudades de Elsa e Anna. Brigue se no seu cinema não for exibido!

Frozen: Febre Congelante (Frozen Fever)
EUA - 2015 - 7min
Animação/Fantasia/Musical


Leia as resenhas de Cinderela e Frozen, e descubra outros posts relacionados com as princesas de Arendele.

Leia Mais ››

segunda-feira, 23 de março de 2015

Cinderela

Era uma vez o conto de fadas mais recontado e adaptado da história. Sua popularidade é tamanha que virou uma expressão: tem uma "história de Cinderela" quem saiu das cinzas para vencer na vida. No entanto nenhuma das versões é mais presente no imaginário coletivo que a adaptação animada de 1951 dos estúdios Disney.

Seis décadas mais tarde e o estúdio do camundongo entrega uma nova versão clássica do conto da gata borralheira. Desta vez com um elenco de carne e osso. Caso você tenha passado toda sua vida trancado em um sótão, eis a sinopse.

Ella (Lily James), teve uma infância dourada, e mesmo após a morte de sua mãe (Hayley 'Agente Carter' Atwell) continuou fiel ao seu lema: "seja corajosa e gentil". A vida feliz da moça termina quando seu pai morre logo após se casar com Lady Tremaine (Cate Blanchett). A madrasta má, que agora tem um nome, e suas filhas não demoram para transformar a mocinha em servente. É claro, mais tarde ela é recompensada por sua coragem e gentileza, com uma Fada Madrinha (Helena Bonham Carter), mágica, um baile e um príncipe (Richard Madden, o Robb Stark de Game of Thrones).

Já que é inevitável comparar as versões, as diferenças começam pela introdução, que desenvolve melhor a infância de Ella. Existe até espaço para explicar a alcunha de Cinderela. Menos passiva (mas não muito) a gata borralheira corre para a floresta em desespero ao perceber que foi transformada em escrava e perdera até o nome para Tremaine e suas filhas.

É assim que ela conhece o príncipe e o encantamento é mutuo. O encontro dá mais profundidade ao romance, e personalidade ao príncipe, que tem questionamentos quanto à obrigatoriedade de um casamento arranjado.


Outra quem tem suas motivações melhor desenvolvidas é a Madrasta, uma mulher amargurada pela vida. Tudo enfatizado pela brilhante atuação de Cate Blanchet, claramente se divertindo com a liberdade de caras e bocas de uma "bruxa má". 

Mas não se engane, a pesar de caricato o filme não traz os exageros de uma animação, nem mesmo é um musical. Anastácia e Drizela (sim, elas mantém os nomes da animação) são caricaturas sim, mas de pessoas reais. Já as disputas entre o gato Lúcifer e os ratinhos Tatá e Jack são apenas insinuadas. Assim como trechos das trilha sonora, cenários, figurinos e até falas do filme de 51 ganham referências curiosas, aqui e ali, para agradar os fãs atentos.

Diferente das mais recente adaptação do estúdio Malévola, que abusa dos efeitos especiais e dá um novo ponto de vista para a história da Bela Adormecida. Cinderela faz bom uso da ingenuidade e simplicidade do original. O diretor Kenneth Branagh opta por muitos efeitos práticos e cor, para criar o universo de Cinderela. Sabiamente guardando a "magia" dos efeitos especiais para os momentos "mágicos" do longa, a transformação, o baile e o posterior retorno à vida normal. Escolha que os torna espetaculares.

E por falar em "Bibbidi Bobbidi Boo" Helena Bonham Carter, como fada madrinha é outra escolha acertada do elenco. Seu estilo excêntrico (mas nada sombrio, desta vez, a não ser pela maquiagem, talvez) cria uma fada madrinha um tanto quanto louca, avoada, e muito divertida. É ela também que faz um excelente trabalho narrando a história.

A única grande reclamação de muitos é a postura de mocinha em perigo da protagonista, oposta as aclamadas princesas recentes do estúdio Elza, Anna e Merida. Mas convenhamos, tal ajuste alteraria e muito o conto de fadas mais conhecido do planeta. Além disso também existe força na persistência e na fidelidade à seus ideais. Isto, Cinderela tem de sobra! Bem como charme e encantamento para agradar diversas gerações.

Cinderela (Cinderella
EUA - 2015 - 104min
Fantasia/romance

P.S.: As sessões de Cinderela vem acompanhada do curta Frozen: Febre Congelante leia mais sobre ele no blog.
Leia Mais ››

sexta-feira, 20 de março de 2015

How to Get Away with Murder

...Ou em tradução livre Como Sair Impune de um Assassinato. É uma série de nome enorme que demorou demais para chegar no Brasil (a primeira temporada foi exibida em 2014 nos EUA). E também uma das melhores novidades da temporada.


Annalise Keating (Viola Davis), é uma advogada implacável, e também temida professora de Direito Penal. Aula que ela carinhosamente apelidou de "How to Get Away with Murder" na fictícia Universidade de Middleton. Todo semestre Keating escolhe 4 melhores alunos para trabalhar com ela em seu escritório defendendo na maioria dos casos assassinos em potencial. Os sortudos da vez são Connor Walsh (Jack Falahee), Michaela Pratt (Aja Naomi King), Asher Millstone (Matt McGorry - Orange Is The New Brack), Laurel Castillo (Karla Souza) e o sortudo Wes Gibbins (Alfred Enoch - Harry Potter), que surpreendeu a professora e conseguiu uma quinta vaga.

Aí você deve imaginar: série procedural, a cada semana um novo caso no qual alunos vão aprender, e professora vai surpreender. Acertou! Mas, também existe uma trama contínua paralela ao "caso da semana", envolvendo um assassinato (claro!) e os alunos. Devidamente apresentada em forma de flashforwards desordenados ao longo da temporada.

A ideia é interessante, ter a protagonista salvando pessoas geralmente culpadas da cadeia, também vai de encontro às dezenas de séries policiais e de tribunal que encontramos TV à fora. O elenco também não deixa a desejar. Além da premiada Viola Davis, e dos jovens promissores, também estão presentes Tom Verica, Liza Weil, Charlie Weber, Billy Brown, Katie Findlay.

É na trama paralela e na montagem que mora o perigo e as falhas de How to Get Away with Murder. Entretanto, da mais complicada delas a série escapou. Apesar de se passar em tempos e ritmos distintos, as duas tramas não parecem séries diferentes dividindo o mesmo espaço. Existe uma uniformidade entre os momentos.

O grande problema está na montagem. A começar com os flashforwards da trama contínua. Extremamente picotados, muitas cenas se repetem várias vezes. A tentativa é criar uma montagem rápida e descolada, mas a repetição soa como enrolação e suspense barato em muitos momentos.

E por falar no estilo "rápido e descolado", ele também traz montagens aceleradas, musicas em momentos equivocados, e uma irritante necessidade de relembrar o expectador da cena que acabou de ver. Ok, recapitular acontecimentos de episódios anteriores. Mas, não precisa repetir a cena inteira daquela visita suspeita, quando um dos alunos finalmente descobre as verdadeira intenções do visitante, apenas quatro cenas mais tarde. - Ei, não somos desmemoriados se o personagem consegue fazer a conexão, nós também!

Ainda sim, os casos são inteligentes, as personagens cheias de facetas, e o mistério central intrigante o suficiente para tornar as falhas quase insignificantes. Não é atoa que a primeira temporada foi bem recebida pelo público, e garantiu a renovação para um segundo ano. Resta torcer para que a série não se estenda mais que deve e se torne um "novelão", como já aconteceu com outras obras da produtora Shonda Rhimes. Ela é responsável por Grey's Anatomy, Private Practice e Scandal.

A primeira temporada de How to Get Away with Murder tem 15 episódios. Está sendo exibida no Brasil pelo Canal Sony, nas quintas-feiras às 21h30.

Leia Mais ››

quarta-feira, 18 de março de 2015

Star Wars: fã de carteirinha #3

Saudades da série fã de carteirinha? Então é hora de fazer uma pausa para postar mais um vídeo que demonstra a dedicação dos fãs.

Somebody That I Used To Know de Gotye, não é apenas uma ótima canção de dor de cotovelo, mas também um lamento por algo que outra pessoa fez. Dito isso, a canção é perfeita para paródias de fãs que não compreendem as decisões dos autores de suas sagas prediletas.

Primeiro veio o chororô lamento dos fãs de Game of Thrones, que ainda tem muito pelo que chorar. Agora é a vez dos fãs de Star Wars entoarem as mágoas pelas idéias loucas de George Lucas, especialmente em relação ao seu maior vilão Dart Vader.



Leia mais sobre Star Wars ou confira mais posts da série Fã de Carteirinha!


Leia Mais ››

segunda-feira, 16 de março de 2015

A Esperança

A casa arena caiu, literalmente! O último esforço midiático para restaurar a ordem em Panem (leia-se submissão dos demais distritos), foi utilizado como plano revolucionário dos que descordam da Capital e do até então "extinto" Distrito 13.  Foi em meio a descoberta de um golpe ao Massacre Quaternário, nome fofo dado à edição comemorativa de 75 anos dos Jogos Vorazes, que Em Chamas terminou. Deixando mais dúvidas que respostas.

Em A Esperaça acordamos com Katniss no Distrito 13, que sobreviveu às escondidas por 75 anos, e vê no símbolo do tordo uma brecha para à revolução. Meio à contragosto, Katniss aceita ser o rosto da revolução comandada pela Presidente Alma Coin. Enquanto Peeta capturado pela durante o massacre é a arma do Presidente Snow para desacreditar os revoltosos. Enquanto os dois lados da revolta criam uma verdadeira guerra midiática colocando os "outrora amantes desafortunados do Distrito 12" em posições opostas Katniss, tenta descobrir em quem confiar. Ao mesmo tempo que lamenta pelo destino de seu antigo lar e de Peeta visívelmente sob tortura.

O Distrito 13 é uma instalação subterrânea cheia de regras e sem regalias, onde cada um tem uma função à cumprir seja nas tarefas do dia-a-dia, seja nos esforços de guerra. Essa nova condição traz uma nova perspectiva não apenas para Katniss, mas para outros personagens. Afinal a protagonista/narradora não está mais incomunicável em uma arena, e pela primeira vez pode observar o comportamento dos outros em relação à revolução.

Então descobrimos desde guerreiros engajados entre os sobreviventes do "12",  à tributos destruídos pelos jogos, e residentes da capital que se rebelaram por vontade própria, ou foram arrastados para aquela situação. Cada um com suas motivações. Mesmo Katniss não escapa deste novo ponto de vista. Ela é uma pessoa de reação e não de ação, e fica claro que na maioria das vezes o que a move são razões consideradas egoístas em uma guerra. A maior delas, proteger os seus.

Mas é claro, à certa altura a guerra midiática não é mais suficiente! A disputa vai para o campo de batalha, há perdas e reações inesperadas, porém coerentes com as reais motivações de cada personagem que passamos à perceber. Culminando em um desfecho corajoso, em se tratando de uma obra para jovens adultos.

Se em Jogos Vorazes e Em Chamas Suzane Collins discutia assuntos como fome, opressão, manipulação, propaganda política e discurso midiático. O último capítulo, abrange também a propaganda de guerra declarada, posicionamento político, tortura, as motivações de uma guerra, bem como a necessidade de se ir à luta e suas consequências. Já Katniss, tenta lidar com os traumas psicológicos de sobreviver à duas edições dos jogos, e com o peso de ser um símbolo, ao mesmo tempo que é tratada como uma criança por aqueles que a "escolheram".

A Esperança não apenas amplia as discussões iniciadas nos dois primeiros volumes da trilogia, mas também traz novos dilemas, cada vez mais complexos e graves. Sem no entanto abandonar o estilo simples de narrativa que adotou no início. O desfecho por sua vez não poupa as jovens mentes que pretende atingir das reais consequências de uma guerra. Terminando de forma coerente e inteligente a saga de Katniss, entrando para a seleta lista de produtos para adolescentes que não subestimam suas jovens mentes. E ainda colaboram para seu crescimento e compreensão do mundo.

A Esperança (Mockingjay)
Suzanne Collins
Rocco


Leia também as resenhas de Jogos Vorazes, Em Chamas, e das adaptações cinematográficas Jogos VorazesEm Chamas e A Esperança - parte I.
Leia Mais ››

sexta-feira, 13 de março de 2015

Cinquenta Tons de Cinza

"Se precisa pisar em ovos, pise com força!" Disse certa vem um super herói de um blockbuster recente. Ou seja se vai abordar um assunto delicado explore à fundo. Entretanto tal atitude exige uma coragem que Hollywood não possui. Logo, não é surpresa que a adaptação do best-seller Cinquenta Tons de Cinza seja tão rasa, clichê e equivocada quanto a obra que o adaptou.

A recatada (leia-se virgem, porque aparentemente isto é muito importante para a trama) estudante de literatura Anastasia Steele (Dakota Johnson), aceita fazer um favor para uma amiga doente. Ela vai entrevistar para o jornal da faculdade o poderoso magnata Christian Grey (Jamie Dornan). Como nenhuma boa ação fica sem punição Deste encontro, nasce um interesse mútuo entre o casal, que tem apenas uma barreira para superar: o incomum gosto de Grey por BDSM (Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo).

Já que livro é uma coisa e filme é outra, nada mais inteligente que utilizar os diferentes recursos de cada mídia para aprimorar o conteúdo e a discussão, certo? Errado.

O romance entre Anastasia e Chistian parece transposto à fidelidade para as telas. Opção que fica evidente mesmo para não leitores, já que para quem não ficou preso em um quarto vermelho nos últimos anos, era difícil ignorar a discussão sobre o livro. Em especial a "esquivocada" pesquisa (será que houve uma?) de E.L. James sobre BDSM. Segundo adeptos reais passa longe da realidade, e poderia ser "melhor abordada" no longa.

O resultado é uma relação incoerente entre o casia. O vai-e-vem, no estilo "te amos, mas não devo" (resquício mais evidente do romance que inspirou os livros de James*), acompanhado de uma confusa e equivocada apresentação do BDSM. Enquanto a mocinha finge resistir, por alguns segundos, antes de aceitar os absurdos do rapaz (inclua contratos, exigências estéticas, comportamentais, perseguição e presentes caros). Ele precisa de uma justificativa moral para suas práticas sexuais, afinal "prazer incomum apenas por prazer é errado". E assim como nossa versão cinematográfica de Bruna Surfistinha, Grey tem uma justificativa para ser como é. Ele sofreu abuso na infância.

O passado conturbado também serve de desculpa para o rapaz ser "exêntrico" longe da intimidade de quatro paredes. Exige que a moça tenha mente aberta e suscetível, enquanto admite que ele mesmo nem tentará descobrir coisas novas. Apesar do discurso "sou assim e não vou mudar", é claro a mocinha vai tentar.

Tudo filmado na clichê padronização das comédias românticas. O que torna as cenas "supostamente pesadas" cômicas, deslocadas, mas nunca chocantes. Praticamente brincadeira de criança perto dos gostos peculiares de Joffrey em Game of Thrones, por exemplo.

Admito, não pude evitar rir quando Grey afirma que não "faz amor, e sim...", você conhece o final da expressão. Mas eu não deveria rir. Não é engraçado este cara ser um modelo de par romântico, muito menos sua relação com Anastácia ser um modelo para qualquer relacionamento. Melhor seria aproveitar o tema que eles desperdiçaram, e esmagar alguns ovos, questionando porque a sociedade consome esse tipo de produto com tanta voracidade, sem nenhuma análise ou consciência dos conceitos que está adquirindo e validando.

Cinquenta Tons de Cinza (Fifty Shades of Grey)
EUA - 2015 - 125min
Drama, Romance


*Cinquenta Tons de Cinza nasceu como uma fan-fiction da saga Crepúsculo.

Leia Mais ››

quarta-feira, 11 de março de 2015

Para Sempre Alice

Didático! Esta é a palavra que vem à mente após a sessão de Para Sempre Alice. O longa que deu o Oscar de melhor atriz Julianne Moore este ano, apresenta de forma clara para o público comum uma doença pouco compreendida.

Alice Howland (Moore) é uma renomada professora de linguística diagnosticada com Alzheimer de início precoce. Uma forma pouco comum, mas igualmente arrebatadora da doença de agravamento progressivo que tem como sintoma mais marcante a perda de memórias.

A partir daí, acompanhamos não apenas a evolução da doença, mas o impacto na vida de Alice e dos que a cercam. Isto é sua família "estadunidente" de classe média alta, composta pelo marido (Alec Baldwin) e seus três filhos, Tom (Hunter Parrish), Anna (Kate Bosworth) e Lydia (Kristen Stewart).

Inicialmente a família, e a própria Alice tentam lidar de forma racional com o problema. Os filhos se submetem à exames para saber se são propensos à doença, uma vez que é genética. Uma questão que poderia ser melhor explorada, uma vez que nem todos os filhos querem saber a resposta. Mas a discussão "saber ou não", é logo deixada de lado. Pois todo o foco é na protagonista.

A própria Alice por sua vez, cria esquemas e rotinas para tentar conviver com sua nova condição. Mas logo fica evidente, que ela não pode mais acompanhar as tarefas do dia-a-dia, ou a evolução do marido no trabalho. Um simples jantar social a deixa nervosa com a probabilidade iminente de não conseguir acompanhar a conversa.

Enquanto a doença evolui, sentimos o mundo de Alice ficar menor. Seja pelo enquadramento fechados e claustrofóbicos, seja pelo isolamento. Há cada vez menos pessoas na vida da protagonista, se realmente se afastaram ou a própria Alice não os registra mais, não temos certeza.

Logo é nos ombros de Moore que recai todo o peso de levar o expectador até onde nos é permitido acompanhar o que se passa com Alice. E a atriz não faz menos que o trabalho competente que já entregara em tantas outras produções. A diferença aqui é que com o roteiro simples e tradicional, o enfoque sobre seu bom trabalho cresce.

Baseado no romance homônimo de Lisa Genova (escritora e neurocientista), o filme é um registro didático, quase documental da evolução do Alzheimer de início precoce. Um bem vindo esclarecimento sobre uma condição que muitos desconhecem, que tem a sorte (ou seria bom senso), de escalar uma intérprete capaz de apresentar com exatidão e sentimento os devastadores estágios desta doença.

Para Sempre Alice (Still Alice)
EUA/França - 2014 - 91min
Drama


Leia Mais ››

segunda-feira, 9 de março de 2015

Simplesmente Acontece

Rosie (Lily Collins, Espelho, Espelho Meu) e Alex (Sam Claflin, Jogos Vorazes) são melhores amigos desde a infância. Verdadeiros "BFFs" apesar de saberem que amizade entre sexos opostos raramente dão certo. Provavelmente por isso escolheram ignorar a atração romântica entre eles. Apesar de mesmo o expectador saber que este é o pior e mais desnecessário caminho que o casal poderia escolher. Como sabemos. Simplesmente acontece que já vimos esse filme dezenas de vezes.

Não há nada que impeça o casal no início da jornada, mas eles deixam a chance passar. Então, a vida acontece, trazendo inúmeras situações "cotidianas" que vão impedir que os dois reajustem os ponteiros por mais de uma década.

E quando menciono inúmeras, são muitas, mesmo! Faculdades, novos interesses românticos, filhos, correspondências desviadas, vôos atrasados. Tudo ambientado em uma contraditória fotografia que torna o mundo um lugar ligeiramente cor de rosa, apesar de seus problemas.

E, claro, acompanhado das tradicionais mensagens de filmes água com açúcar. Nunca desista dos seus sonhos. Persistência e trabalho duro sempre tarão resultados, mesmo que demore. O verdadeiro amor sobrevive a distância, tempo, segredos ou qualquer outra dificuldade que você possa imaginar.

Entretanto alguns detalhes dentro deste universo cor de rosa ainda soam estranhas. Como a mãe católica que provavelmente não aprovaria o aborto, mas não tem problemas com a filha ficar grávida de um rapaz qualquer. Ou decidir dar o bebê para adoção. Parentes secundários somem e reaparecem sem prévio aviso. E melhores amigos massam meses sem notícia alguma um do outro em plena era da comunicação. Talvez essa seja uma crítica interessante do filme, nossa incapacidade de nos comunicar apesar dos recursos praticamente ilimitados.

Talvez também, todas estas questões sejam melhor trabalhadas em Onde Terminam os arco-íris romance de Cecelia Ahern no qual o filme foi baseado. Logo como adaptação Simplesmente Acontece falha em alguns aspectos e carece de originalidade. Mas, a produção é caprichada, os rostos conhecidos no elenco trazem expectadores, assim como o material original traz seus leitores.

É graças à estes expectadores garantidos e ao apego ao "final feliz" sob todos os defeitos, que simplesmente acontece de vez em quando, mesmo com o mais crítico dos expectadores, que a produção encontra seu espaço. O tradicional "filme de mulherzinha" que admitimos nos reder de vez em quando acompanhado de muito chocolate.

Simplesmente Acontece (Love, Rosie)
EUA - 2014 - 102min
Romance
Leia Mais ››

sexta-feira, 6 de março de 2015

Entre Quadros - A Walk on the Wild Side (e Wake Up)

Foi vasculhando o site da Balão Editorial que me deparei com, e consequentemente fiquei curiosa sobre, esta edição de Entre Quadros. Mas, foi apenas depois de ter o volume em mãos que percebi que se tratava do segundo de uma série compilada pelo, ilustrador, chargista e designer gráfico Mário César. 

Mas nesse caso, não há problema em começar pela segunda, ou última publicação. Já que a antologia traz histórias independentes que tentam retratar o cotidiano de forma única. Nesta publicação César selecionou duas histórias diferentes, mas com tema em comum: a vida.

Wake Up adapta para a linguagem de quadrinhos, o conto homônimo de Nick Farewell. Uma história sobre a condição em que vivemos, quem somos quando "acordamos", e o que nos impede de ser outra coisa. Os desenhos abordam a temática de forma elegante, simples e melancólica o conto, cujo final deixa espaço em aberto para a reflexão o leitor. 

Melancolia também é o ponto chave da história principal A Walk on the Wild Side, no entanto tem uma abordagem mais complexa e cheia de referências à Alice no País das Maravilhas de Lewis Carrol. Trata-se de uma releitura do conto, Uma História de Amor de Pedro Cirne. Segundo César, durante a adaptação para a linguagem visual, a história cresceu e acabou se tornando uma história nova com mesma essência. 

Nela um homem, comum cheio de problemas cotidianos, está amargurado e se afastando de tudo e todos. Solitário, ele começa a ver uma misteriosa garota que, você pode avinhar, vai de uma forma ou outra fazê-lo, ter uma reflexão sobre sua vida. E consequentemente levar o leitor junto. Uma pena, não conseguir encontrar o conto original, para compreender o quanto esta história cresceu.

Juntos os dois contos ilustrados de Entre Quadros, compõem uma obra acessível, sem grandes pretensões. Embora com muito conteúdo! Faltou apenas maiores informações sobre os outros volumes, já que o interesse neles passa a ser inevitável. Quem sabe não aparece uma edição elegante, capa dura, reunindo todas as edições, daqui há alguns anos? #FicaADica!

Entre Quadros - A Walk on the Wild Side e Wake Up
Mário César
Balão Editorial

Leia Mais ››

quarta-feira, 4 de março de 2015

Bob Esponja - Um Herói Fora D'Água

“Não acredito que agente pagou para assistir uma coisa que passa de graça na tv. A gente é otário, tudo mundo nesse cinema é otário”

A primeira fala de Homer em Os Simpsons – o filme, caberia direitinho para a platéia desta segunda empreitada do calça quadrada nos cinemas, não fosse o fato de que o trailer, e mesmo o título de Bob Esponja - Um Herói Fora D'Água prometiam muito mais.

Os fãs da animação da TV, pagaram pela tecnologia 3D, pela presença de Antônio Bandeiras. E pela promessa da melhor interação com o live-action que a série, que volta e meia flerta com o mundo real, já teve. Entretanto a última e mais esperada novidade demora dois terços de filme para acontecer.

Enquanto isso assistimos à um episódio turbinado da série de TV. Nele, Plankton, tenta novamente roubar a fórmula do hambúrguer de siri do Siri Cascudo. Mas a receita simplesmente desaparece condenando a Fenda do Biquíni, a um imediato futuro pós-apocalíptico.

Realidade que Bob Esponja tenta reverter a todo custo, com uma trama rocambolesca que inclui, viagens no tempo, um golfinho inteligente intergalático, um livro mágico, uma super equipe e o tal pirata Barba Burguer (Antonio Banderas, se divertindo com a caricatura). Quando finalmente o herói da trama sai da água, já estamos cansados de nos perguntar quando isso finalmente aconteceria.

Some-se aí um enorme número de referências, já tradicionais da franquia e o resultado é mais cansativo que divertido. Especialmente porque todas as novas piadas e o intreresante visual "fora d'água" já foram explorados no enganoso trailer (talvez o impacto fosse maior se a mudança pegasse os expectadores de surpresa). Já as referências, que vão de Mad Max à o Iluminado. Só são identificadas pelos mais velhos (mesmo assim nem todos), e nem sempre são as melhores, ou mais originais piadas.

Contudo, admito, tenho certa implicância com a franquia do esponjoso. Acho a produção mais boba (no pior dos sentidos), que non-sense. E as referências para o público mais velho geralmente são mal exploradas. Mas funciona para muitos (cientificamente comprovado por um garotinho de uns 6 anos e seus pais, sentados atrás de mim).

Logo, os já amantes dos personagens, como os citados acima, só ficarão decepcionados pela grande novidade só aparecer no terceiro ato. E talvez esqueçam a sensação inicial de estar pagando para ver uma coisa que passa de graça na TV. Eu fico feliz por sair ilesa da sessão, e não posso evitar dizer: até mais, e obrigada pelos peixes!*


Bob Esponja - Um Herói Fora D'Água (The Spongebob Movie: Sponge Out of Water)
EUA - 2015 - 92min
Animação/Comédia/Aventura


*Outra referência perdida pelos expectadores da minha sessão...

Leia Mais ››
 
Copyright © 2014 Ah! E por falar nisso... • All Rights Reserved.
Template Design by BTDesigner • Powered by Blogger
back to top