sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Jogos Vorazes

Se você esteve preso em uma sociedade distópica nos últimos anos, e nunca ouviu falar de Jogos Vorazes, eis uma pequena sinopse: em um futuro distópico os Estados Unidos da América deixaram de existir. Em seu território a nação conhecida como Panem possui 12 Distritos submissos à Capital, vitoriosa em uma terrível guerra entre as regiões há mais de 70 anos.

Para relembrar os distritos de sua inferioridade, desde a vitória a capital exigem anualmente dois tributos de cada região para lutar até a morte em uma arena televisionada para todo o pais. Como se o "Big Brother dos infernos" não fosse ameaçador o suficiente, os tributos são ceifados entre adolescentes de 12 a 18 anos. 

Durante a seleção da 74ª edição dos jogos, Katniss é a primeira voluntária do paupérrimo Distrito 12. A adolescente se oferece para poupar a irmã caçula do sorteio. Tímida, calada, e sem jeito com as pessoas a protagonista precisa aprender a lidar com o mundo da mídia e a hipocrisia que o cerca. Além de produzir um belo espetáculo, para tentar sobreviver ao jogos. 

Uma ficção cientifica, sobre um futuro distópico para jovens adultos, é disso que se trata a trilogia de Suzane Colins. O maior mérito do romance, é apresentar uma temática complexa e inteligente que faz referências à Roma antiga, a política do pão e circo, além de tecer uma crítica aos reality shows, à alienação e a passividade, para um público tão jovem. 

Fome, tristeza opressão, instinto de auto-preservação, proteger o próximo, lidar com as consequências de seus atos, e a descoberta dos relacionamentos amorosos. Sim, um triângulo amoroso, porque não? Calma "crepúsculo-fóbicos", os dilemas típicos da adolescência, não são deixados de lado, mas nem de longe são o foco da história. São apenas uma característica que enriquecem os dilemas e personalidades das personagens, ao lado de todos os dilemas que mencionei no início deste parágrafo. 

Esses temas, no entanto, são apresentados de foma natural e orgânica. Daquele jeito curioso de aprender sem perceber. Isso porque a narrativa em primeira pessoa, traz as a personalidade, dúvidas e insegurança de Katniss, 16 anos. Inclua aqui, uma linguagem simples, objetiva, que até poderia ser um pouco mais rica.

O ponto de vista aliais, é o único ponto fraco do romance. Inicialmente porque, Katniss é apresentada como uma adolescente calada, que não tem facilidade com as palavas. Logo, em alguns momentos, sua narrativa constante estilo, adolescente registrando um diário, soa incoerente. Nada que não nos acostumemos após alguns capítulos. A narrativa em primeira pessoa, também é muito solitária em alguns momentos. Especialmente quanto Katniss fica sozinha na arena.  

O desfecho, não tem muitas pontas soltas. Apesar de ser o primeiro volume de uma trilogia, pode ser apreciado como um livro solo. Isto é, se você conseguir resistir a tentação de compreender melhor o universo de Panem. Uma vez que Collins, explica como tudo funciona aos poucos, conforme as situações se apresentam.

Divertido, inteligente, com uma linguagem mas simples do que eu gostaria, porém bastante acessível a veteranos e principalmente novos leitores. É um excelente ponto de partida para apresentar o gênero a novos leitores, que com sorte não vão parar em Panem.  

Jogos Vorazes (The Hunger Games)
Suzanne Collins
Rocco


Leia as resenhas da adaptação para o cinemas de Jogos Vorazes, e suas sequencias Em Chamas e A Esperança - parte I.

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