quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Êxodo: Deuses e Reis

Certa vez assisti à um documentário que explicava como os efeitos colaterais da erupção de um vulcão na Grécia poderiam causar uma reação em cadeia que teria dado origem às 10 pragas do Egito. É claro, que neste épico de Ridley Scott é tudo obra de Deus, o que não significa que o diretor não tenha tentado conferir um tom mais realista à história.

A história é bastante conhecida, filho de escravos hebreus retirado das águas do Nilo pela filha do Faraó, Moisés (Christian Bale), é criado como príncipe. Quando sua verdadeira origem (e a profecia associada à ela) é descoberta Moisés é mandado para o exílio. Além de se casar e ter filhos, o ex-principe do Egito, é escolhido por Deus para libertar seu povo escravizado à 400 anos. É no embate entre Moisés e Ramsés (Joel Edgerton), que Êxodo: Deuses e Reis tem seu foco.

Seguindo inicialmente por meios próprios, leia-se criar um exército de hebreus, Moisés está em dúvida sobre seu papel na história. E sim, questiona Deus, sua omissão por 400 anos, seus métodos e em certo momento, até seu poder. Esta última, você pode imaginar, trouxe as 10 pragas sobre os egípcios.

É nesses leves questionamentos que se encontra um dos pontos fortes do filme. Uma pena essas dúvidas serem apontadas, mas nunca exploradas à fundo, uma vez que Moisés tem uma missão a cumprir. O mesmo vale do outro lado, afinal a fé de Ramsés, até então encarnação de divina na Terra, também está em cheque. A superficialidade mostra os atos do Faraó como mero orgulho, e não no seguimento da crença teve por toda a vida afinal.

A atuação esforçada, porém exagerada e ineficiente de Edgerton, também não ajuda a mostrar a visão do Faraó. Assim fica fácil demais para o eficiente Christian Bale, convencer uma multidão à segui-lo deserto à fora por quarenta anos.

Tudo bem, afinal como épico que é vendido Êxodo, pretende entregar uma gigantesca saga bíblica como nas décadas de 1950 e 60. Grandioso, impressionante, majestoso, e não tentar intelectualizar a a espinha do bacalhau. A história, independente do filme, já traz seus questionamentos, cabe ao expectador faze-los, ou não. Logo, não perca seu tempo, questionando a veracidade de egípcios com pele alva e intensos olhos azuis.

Perca sim, seu tempo observando a grandiosidade dos cenários e efeitos especiais. Tem medos de insetos ou sapos, evite. Nunca as pragas foram tão espetacularmente retratadas, o mesmo vale para a perseguição e a divisão do mar vermelho. Some-se aí, as opções de exibição em 4K e 3D.

Nem precisaria apelar para popularidade natural de filmes bíblicos entre o público brasileiro, ou para a propícia época de lançamento (melhor só se fosse na páscoa. Êxodo: Deuses e Reis agrada pelo espetáculo. Grandioso a ponto de escalar John Turturro, Sigourney Weaver e Ben Kingsley para pontas de luxo. Nada mal, para uma história já conhecida do grande público.


Êxodo: Deuses e Reis (Exodus: Gods And Kings)
EUA , Reino Unido , Espanha - 2014 - 151min
Épico/Ação


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